sábado, 22 de outubro de 2016

CULTURA SERTANISTA QUE NOS DIVERTEM. PARTE-01

                      
                                     O QUE É, O QUE É?
01-Quatro em cima de quatro, um quatro o quatro esperou; teve um dos quatro que não veio. Quatro se foi e quatro ficou?
02-Quantos Mares você conhece, qual deles é o mais perigoso?
03-Você me pediu, eu te dei, mandei-lhe o espeto, você sentiu e gritou então eu tirei; você chorou eu te alisei pra te consolar!
04-Estou aqui, quem me mandou está mesmo ali, não pegue, se me pegar vai subir e nunca mais volta aqui!
05-Peguei bem no meu regaçado e meti no seu arreganhado, você gostou e me disse: Muito obrigado?
06-Qual é a ave que é sem penas e sem bico, mama quando é pequeno e voa para todos os lados?
07-Está no fundo da água, lá no cemitério, em casa e na igreja?
08-Daqui para lá sou um pássaro voando, mas de lá para cá sou a mesma ave; só que estou regressando?
09-Uma casa com quatro esteios, coberta com uma só telha com a chaminé para baixo e uma corda de arrasto quando sai do lugar?
10-Sou curto, grosso e reforçado, entro seco e só saio molhado?
11- Sou baixinha,tenho a boca maior do que meu corpo, e as minhas orelhas grudadas na beirada do meus beiços?
12- Não tenho corpo nem cabeça, mas tenho boca sem ter dentes, chego de fininho fechando a boca engulo toda a gente?
13-Em cima de ti eu trepo, embaixo de mim é você que tenho, faço muita força e muito empenho para empurrar dentro de tí tudo o que eu tenho: depois de tudo acabado fiquei até suado mas contente e realizado?
14-Qual é a coisa mais boca grande que conheces? Porque que o boi baba?
15-Tenho quatro pernas, ando e faço só um rastro, fui criado com leite?
16-O que é que as mulheres tem no meio das duas pernas?
17-O que é que os homens tem que está abaixo da cintura, acima das coxas, quando eles andam aquilo balança?
18- Porque que o galo quando canta fecha os dois olhos?
19-Tenho quatro pernas um pedaço de ferro na testa e ando arrastado?
20-Onde foi que o boi passou correndo e a mosca nunca passa voando?
21-Entro meio mole e balançando mas quando saio é duro e pingando?
22-O que faço para um barril de madeira de 100 kl. para ficar mais leve até que eu possa carregá-lo?
23- Tenho uma coisa e você tem outra da mesma, a sua está cheia e derramando, a minha está vazia e ambas tem mesmo peso?
24-O Um peão colocou 10 vacas no mangueirão para criar aquela noite, no dia seguinte amanheceu as 10 vacas e 11 bezerrinhos recém nascidos, mas nenhuma pariu 2 bezerrinhos?
25-Tem pescoço mas não tem cabeça, tem peito, tem barriga, braços e sem pernas, vai para tudo que é lado?
26- Um peludo em cima de muitos pelados, os pelados só saem debaixo do peludo quando estiverem peludos também?
27- O que é que poucos sabem fazer, se por sal ninguém come, e se por açúcar não há quem possa comer?
28-Vai tomar banho e deixa a barrigada em casa? Pula para cima e cai virada no avesso?
29-Um é bom, dois é demais e três é uma cidade de Minas Gerais?
30-Branco de nascença. preto de natureza, morte para ele é saúde, vida para ele é tristezas.?
31-Pela manhã o burro está no canto da cerca, as nove horas está no córrego, ao meio dia  onde está?
32-O que é que tem: Asas de águia, pescoço de touro, focinho de vaca, corpo de avião, pernas fortes mas não anda?
33-Caixinha de bom parecer não há carpinteiro que consiga fazer?
34-Nasceu no Brasil vive aqui faz de tudo mas não anda no Brasil?
35-Deus te deu uma vez, deu duas vezes e você não cuidou e perdeu, agora se quiser compre?
36-Nasce em pé, vive em pé mas quando vai andar só vai deitado?
37-Altas torres e bela janelas, abrem e se fecham sem ninguém tocar nelas?
38-Já fui carne e couro, hoje sou apenas couro, vivo de boca aberta esperando carne e couro?
39-Eu e você temos duas quantias em dinheiro diferentes uma da outra, mas nenhum de nós sabe o valor que o outro tem; se eu te der xis a sua quantia dobra de valor; se me deres xis ficaremos iguais Quanto temos cada um?
40-Qual é a diferença entre um velho cansado e um bom negócio que está difícil de realizar?
41-O que é que mais cheira no mundo? Qual é a letra que não tem no alfabeto brasileiro?
42-Qual é o animal que anda com as quatro patas para cima?
43-Qual é a letra que diz enxergar? Plantei chumbo e colhi chifres?
44-Ver o nome de estado brasileiro cujo nome tem dez letras e não repete nenhuma?
45- Quais países que tem nomes de aves? Plantei tabinhas, espicha cordão e da novelos?
46-Só tem um dos olhos e passa a vida inteira chorando?
47-Te dou  R$20.00, quero que compre 20 cabeças de galinhas: Galos á R$ 3.00, Galinhas á R$ 2.00, e pintos á R$ 0.50. Não deve sobrar dinheiro e nem faltar aves.
48-Veja a diferença entre a Ema e o Avestruz?
49-O que é que te acompanha o dia todo e quando você entra em sua casa ela fica lá fora?
50-Qual é a planta que não dá galhos? Quem anda contigo sem fazer barulho!
ESPERO QUE GOSTEM DESTA ARTE TÃO DIFUNDIDA EM ÉPOCAS REMOTAS ANOS 1950.
 SIGAM POSTAGENS ANTIGAS  EM "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"


quarta-feira, 20 de julho de 2016

UM GATO DIFERENTE DOS DEMAIS!

                                       


Era uma vez um casal que moravam num pequeno sítio onde trabalhavam na roça. Não tinham filhos, não tinham dinheiro, nem casa bonita, não tinham bens mas viviam uma vida tão feliz que todos os amigos, conhecidos e vizinhos admiravam a harmonia que reinava entre os dois, afeto, carinhos, respeito, consideração, eram oriundos de famílias pobres, distintas mas muito honradas. Apesar de existirem muito poucos casais que vivem sem broncas e desacertos entre si, em especial na questão de afinidades, gênios, naturezas bondosas, sem rispidez de um para o outro, lealdade, sinceridade, pareciam terem nascidos um para o outro mesmo. Como sabem é muito difícil pessoas assim não serem invejadas por terceiros que em muitos casos são casais que tem este sentimento mau de outrem. Aquela influência maligna em muito destrói a vida de muita gente que não merece. Até Deus foi invejado por outra força quando por ocasião da criação do paraíso, do mundo e de todos nós como obra prima de sua bondade. A inveja mora na terra. Imaginem nós que estamos de frente com ela, lutamos aqui contra tudo o que é mau e somos tão frágeis! Este casal pareciam duas aves quando pousam no galho de uma arvore, um fazendo caricias no outro, exemplo: Pombinhos, araras, periquitos etc. Como esta coisa terrível chamada inveja é mesmo um atraso de vida para quem a possui e para o outro lado que é invejado também. Os maus fluídos irradiados por mentes venenosas e transmitidos por olhares como setas inflamadas de tais pessoas atingem mesmo o alvo, inda mais se este estiver a descoberto, sem a proteção Divina,  vamos citar um exemplo: Há mulheres que tem um cabelo bonito, bem cuidado, lindo de se ver, de repente começa a cair sem explicação nenhuma, em muitos casos é alguém de olhar ruim que lançou olhares invejosos que o povo costuma chamar de "Quebrante" por que quebra a beleza de alguma coisa, crianças bonitas, jovens e adultos elegantes, bem quistos, desembaraçados, bem posicionados na vida, progressistas, bem sucedidos no que fazem e vivem, pessoas exemplares de conduta impecáveis,  plantações, animais de estimação, hortaliças etc. Voltando ao casal de personagens deste conto, um dia a esposa amanheceu esquisita, calada com propensão ao desleixo de si própria e da casa. O esposo percebeu a mudança repentina mas ficou quieto por enquanto, deve ser qualquer coisa insignificante que a perturbou, mas que logo passará, pensou! Mas não passou, foi ficando triste, acabrunhada, desalentada, quase não falava com o esposo mais, este começou a ficar preocupado e indagou-a: Meu amor o que há com você? Há dias que noto sua indiferença com tudo ao seu redor, até comigo. O que lhe fiz que a magoou tanto assim: Nada! Respondeu ela! Ninguém me maltratou! Sinto vontade só de chorar, agora não sei porque! Ele foi para o trabalho ela ficou em casa naquela profunda tristeza. No outro dia ele precisou fazer uma viagenzinha curta, que logo mais á noite estaria de volta. Na chegada de sua casa ao retornar da viagem viu um gatinho preto na beira do caminho, estava magrinho de dar dó, pegou-o no colo e levou-o para casa, este roncava feliz nos teus braços como agradecendo-o por tê-lo dado guarida. O homem pensou: Coitadinho, alguém deve ter extraviado você, vamos para minha casa, lá terá de tudo e será bem cuidado por minha esposa. Logo a esposa ficou melhor, mas muito irritada, não tinha mais paciência com seu marido. Desandou a brigar com ele, nada estava bom para ela, fazia de tudo para tirar a paciência dele também. Aquele lar que parecia um pedacinho do céu, virou uma coisa, um desarranjo entre ambos, acabou-se a paz que reinava entre eles dois. Era só brigas, contendas, desaforos de todos os lados. Nem na hora das refeições paravam de brigar. Um dia destes ela serviu o almoço, já na mesa quando ele foi tomar a refeição apareceu no feijão uma barata morta e cozida. Nossa, que nojo! Ele perdeu a paciência, quis esfregar a barata na cara dela para ter mais atenção quando fizesse o almoço. Foi aquele pampeiro. Ninguém almoçou! Ele disse: Dê a barata de comida para o meu gatinho, quem sabe ele comerá! Gato come baratas mesmo! Saiu sem almoçar. Ela foi ver o gatinho para cuidar dele, este correu dela, ficou lá longe miando. Relutou muito com o gato, mas este não quis saber de nada, não lhe atendia mesmo. A pobre mulher ficou sem saber o que fazer, deixou-o para lá, ele ficou sentado lá no fim do terreiro, se lambendo todo. Parecia que nem sentia fome, olhando-o bem viu que ele não tinha nada de magreza, estava de pelos lisinhos e roliço, gordinho até! Ficou imaginando o que seria aquilo! Foi só o marido chegar no meio da tarde lá vem o gato miando como se tivesse reclamando da vida para ele. Nesta altura o gatinho estava só pele e ossinhos, magrinho de dar dó. O marido já bronqueou com ela vendo-o naquela situação de fome. Enquanto os dois batiam boca por causa do gato este roçava nas pernas dele e fazia "rom rom". Ela percebeu o que tinha suspeitado. O gato era o pé de encrenca deles. Pensou consigo:  Os gestos deste bicho não me cheiram nada bem! Gato esquisito? Ora tá magro, ora tá gordo? Calou a boca e pensou: Santa mãe do céus! O que faço agora? Deu-lhe de comer na frente do marido este comia grandes bocados de vez como se estivesse morrendo de fome. Naquela tarde ele precisou fazer uma viagem longa. Só voltaria no dia seguinte lá pelas cinco horas da tarde. Ela arrumou suas coisas numa sacola e ele viajou á pé. Quando anoiteceu estava longe de casa e teve que pernoitar ao lado da estrada mesmo, era longe de qualquer lugar ou habitação que pudesse lhe servir de abrigo, o tempo estava bom, céu limpo com algumas nuvens de sombras, por sinal havia uma figueira vermelha e muito grande, frondosa na beira da estrada, ele subiu nela e se empoleirou num dos galhos bem no alto, armou a rede e ficou sentado nela com os pés apoiados noutro galho, tomou sua matula, bebeu água de uma cabacinha que trazia na cintura e ficou imaginando como andavam as coisas lá em casa. Estavam mal, mas nunca tinha acontecido isto em suas vidas, porque agora? A noite se foi adentrando olhou no relógio dez, onze horas e logo daria a meia noite, um silêncio de dar medo, nem as aves noturnas piavam naquela noite sinistra. Ar parado, nem brisas, nenhuma folha se agitava, os insetos da noite, grilos e gafanhotos e outros, todos em silêncio. A noite não era como as demais, parecia adivinhar que  algo estranho iria acontecer. De repente ouviu um barulho de pisadas e murmúrio de pessoas que se aproximava da sombra da figueira, olhou mas não viu ninguém, o luar era apagado mal se via a lua entre as nuvens, com uma luz cálida,  acanhada, embaixo da figueira era mais escuro, de repente apareceu a figura de um homem peludo parecido com macaco e deste tamanho, de rabo e com chifres, com uma tocha de luz amarela nas mãos, colocou-a no chão e esperou alguns instantes e logo foi chegando mais elementos da mesma extirpe, mesma qualidade e espectro, parecia visões de outro mundo. Ajuntou ali uns quantos e começaram como se fossem membros de um conselho em uma reunião onde discutem suas  ideias, razões e feitos. O grandalhão era o chefe, inquiria dos demais os serviços prestados até ali. Disse a um: O que fizeste companheiro? Respondeu-lhe o interpelado: Fui num boteco e fiz uma bagunça danada, fiz um fulano encher o "Tampo" de cachaça e dar um tapa na cara de outro e este o matou! O sangue dele estava quentinho e gostoso, tomei porre, estava sedento por sangue e me fartei. Beleza, disse o chefão! Assim é que se faz. Continue viu? E você o que fez? Pergunta ao outro: Fiz um casal separar, o homem pensou que a mulher lhe traía e o fiz matá-la e ao outro o traidor também. Dois mortos e ele tá na cadeia. kkkkkkkkkkkkk.  Ótimo companheiro, isto mesmo! Vamos acabar com a raça humana aos poucos! Vamos promover o que pudermos de brigas, contendas, guerras, encrencas por causa de dinheiro, terras, gado, coisas insignificantes, fofocas também, os homens tem que brigarem, vamos tirar-lhes a paz nem que seja por um palito de fósforos. kkkkkkkkkkkkk. Indo ao terceiro: E você o que faz? Este disse: Moro numa casa e nela me transformo num gatinho preto, o homem me achou na estrada e levou-me para sua casa, nem sabe o que sou. É daqueles sujeitos tolos, que tudo o que acha já vai pegando e levando. Se ele soubesse do que sou capaz de fazer! Mas por enquanto faço-o brigar com a esposa todos os dias. Ele me ama mais do que a ela, e nisto eu fico a vontade. Fico gordinho quando ele não está em casa e quando ele chega eu fico magrinho. kkkkkkkkkkk. Ele disse que vai meter a cabeça dela num tacho de água fervente, caso não me cuide bem. Ele viajou e logo volta, assim que chegar vou por o "Pau para quebrar". Ela chora e ele está cada vez mais furioso! Tá no papo aqueles dois, vou atentar mesmo sem dó. Manda ver, responde o chefe. O homem lá na rede morrendo de medo que nem suspirava. Até tremia ouvindo aquilo tudo! De repente ouviram o canto de um galo, longe dali, o chefe apurou os ouvidos e disse: É um galo índio, o canto é curto, depois ouviram outro mais distante ainda: Este é um garnisé. Quando ouviram o terceiro galo que era um galo músico, batia a meia noite em ponto. Esta qualidade de galos não mentem. Informam a hora exata. Saíram todos na carreira, cada um por um lado. Os demais da cúpula ficaram sem dar explicações ao chefe pelo tempo ter-se esgotado. Fugiram todos! Escureceu tudo a volta e silenciou novamente. O homem sentiu um calor no corpo, estava tão gelado e adormecido pois parecia que tinha saído de uma geladeira, aquele grupo, aquela falange de espectros desconhecidos e terríveis irradiou um influencia negativa que o atingiu, respirou aliviado e recobrou as forças que lhe tinham sumido. Imaginou consigo: Nunca imaginei ver um negocio deste! Passou o resto da noite em claro, sentado na rede, arrepiava até quando se lembrava daquelas conversas e  daqueles bichos horrendos. Nem retomou a viagem, voltou dali mesmo para a sua casa no clarear do novo dia. Chegou antes da hora prevista e combinada com a esposa. Esta o recebeu feliz da vida como sempre o fizera. Ele chegou assim meio acanhado e preocupado com o que vira na noite passada lá embaixo da figueira. Nada disse á esposa a respeito do que viu e ouviu. O gato lá estava magrinho como sempre. Ele deu uma bronca na esposa por causa do bicho.  Mas foi uma bronca de mentirinha, falsa para enganar o gato a quem ele já ficou sabendo quem era. Contra esperto? Tem que ser esperto e meio! Pensava consigo: Este gato me paga! Custará caro sua ousadia! A esposa só derramava lágrimas sem ter como se defender. O marido disse-lhe: Faça um fogo na trempe e coloque o tacho maior com água para ferver. Que seja logo! Não quero demora! Hoje você me paga! A pobre mulher desmaiou até de tanto terror, sabia que morreria mesmo. Ele acudiu ela mas fê-la acender o fogareiro. Ela fez tudo em prantos, chorava como criança, ele estava quieto sentado num pilão com o gato no colo acariciando-o. O gatinho estava todo cheio de razões, roncava de satisfação por ser tão querido dele. A água ferveu, estava pulando as borbulhas e o homem foi lá e meteu a pontinha do dedo e viu que estava no ponto mesmo, quase chorou de dor na queimadura do seu dedo na água fervente. Foi na dispensa e trouxe uma lata de soda caustica e despejou no tacho. Ficou de modo que o que caísse dentro, dissolveria em questão de minutos. A mulher via aquilo tudo horrorizada. Como estava com o gato nas mãos, alisou-o, acariciou-o, fez mímicas com o bicho de todo os jeitos, este nem sabia o que ia acontecer. Aproximando do tacho gritou para a mulher: Venha cá, sua vagabunda! Vou lhe mostrar do que sou capaz! Não quiseste cuidar bem do meu gatinho? Vais ver agora o que é bom? Ela vinha chorando e quando chegou perto do marido este ao invés de pegá-la pelos cabelos, arremessou o gato dentro do tacho com toda força que tinha. Quando o gato caiu lá dentro deu um estouro como se fosse uma bomba, na explosão dentro do tacho fervente esparramou água quente para tudo o que foi lado! Ficou uma catinga, um fedor de enxofre que ninguém suportava! Sumiu o gato! A mulher levou um susto daquele estrondo e ficou sem entender porque ele fizera isto já que gostava tanto do animalzinho. O marido sentou e com calma lhe contou toda a história que vira na noite anterior. Ali estava patente um espírito mau, um dos mais imundos, o da inveja, destruidor de lares e da felicidade alheia representado e na forma de um simples gato. Nunca mais brigaram por nada desta vida! A paz voltou a reinar em seu lar! Viveram felizes até o fim.

CONTOS POPULARES DA CULTURA SERTANISTA PARA O BLOGGER.


"COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES" ANASTÁCIO MS  16/07/2016 

domingo, 26 de junho de 2016

O INDIO, O POTE DE OURO E O TUCANO.

                       



Em toda a história da humanidade sempre existiu pessoas que a primeira vista a gente não dá nada por elas, mas no seu íntimo são pessoas de coração bondoso, amigo fiel que se pode confiar. As vezes encontramos essas pessoas que vemos pela primeira vez, mas parece que já somos velhos amigos. A gente gosta delas, como nunca imaginávamos ter uma amizade assim. Sentimos uma afinidade que nem sabemos de onde vem. Por outro lado a gente encontra outras que parecem um purgante de sal-amargo ou pior. Parece que nossos anjos da guarda não se topam muito, até no olhar da criatura sentimos náuseas, vontade de vomitar, elas nos olham como se estivéssemos respingados de lama podre, de tanto nojo que a criatura sente da gente, um contraste de naturezas amarradas. As vezes nós fazemos um pequeno favor para alguém e esta pessoa se torna quase que um criado nosso, por tamanha gratidão e reconhecimento de seu coração aos nossos préstimos. Há outros que são soberbos e mal agradecidos igual porcos que após comer no cocho, vira-o de fundo para cima. kkkkkkkkkkkk  Já foi servido mesmo! Dá-se a impressão que somos obrigados a fazer o que eles querem sem ao menos dizer-nos muito obrigado! O humano é assim mesmo, até para seu criador ele virou as costas! Imagine para seu próximo! Sempre foi assim e parece que isso nunca dará conserto, querem ver também como as pessoas mudam? Principalmente quando deparam com grandes somas de dinheiro. O dinheiro é amaldiçoado, poucas pessoas sabem disto. Dizem os mais ávidos por ele que não é! Mas é sim! vejam esta história, ela é real! Nós conhecemos duas criaturas de nosso convívio, um senhor de boa aparência, elegante, de presença amigável e dono de um bar. Tocava-o com muita amizade a todos os seus fregueses, servia-os com carinho, tempos antigos, uns cinqüenta e poucos anos passados, tinha fregueses de todas as etnias, espécies e raças, de todos os lados também. Tinha o apelido de "Tucano" por causa de seu nariz adunco. Para completar porque gostava do seu apelido, colocou na placa de seu bar o desenho de um tucano. Com isto ficou ainda mais, muito mais conhecido, todos gostavam do tucano. Era daqueles solteirões! Certo dia chegou em seu comércio um indígena para tomar algo, kumaã apé, foi bem servido bem tratado mas logo ficou bêbado, o botequeiro viu-o assim, caído na sargeta levantou-o e arrastou para os fundos de seu boteco, lá tinha um quartinho de guardar trecos, tinha também uma cama de solteiro, colocou-o lá estirado até que acabasse o seu "porre", este só acordou no outro dia cedo, muito sem graça foi pedir desculpas e agradecer ao tucano pela acolhida. Este disse: Sem problemas, amigo! Fique de boa, estamos sempre as ordens se o senhor precisar. O índio agradeceu muito, ficou por ali mais uns dias e depois iria embora para a fazenda, este voltou mais vezes e acabou ficando freguês assíduo, seu ponto de tomar sua cachacinha era ali e pronto. Num dia desses que veio da fazenda e antes de ir embora, prometeu ao comerciante que lhe daria uma surpresa, traria para ele um pote de libras que só ele, o índio sabia onde se encontrava na fazenda que trabalhava, mas como já estava meio bêbado o amigo tucano ficou duvidando, "Quá?", isto é conversa de quem é bêbado mesmo pensou. Nem ligou para o assunto, acabou por alí mesmo. Passaram-se dois meses, quando menos se espera lá vem o índio numa tarde dessas, chegou feliz, chamou o amigo lá no quartinho dos fundos e mostrou-lhe o que tinha dentro do pote num saco. O tucano levou um susto que quase caiu para trás. Você está louco índio? Onde arranjou isto? Quem lhe deu? Você roubou isto de alguém? Não senhor, índio não rouba nada de ninguém, índio é honesto afirmou o silvícola! Cavuquei na fazenda e trouxe para o senhor, tome, é seu! Em troca disto, índio agradece o senhor por ter cuidado dele, e peço que se puder me dê um parelho de roupas, uma botina, um chapéu de palha, e alguns  tragos quando índio estiver com sede. kkkkkkkkkkk . Quando índio tiver tonto e com fome, dê um prato de comida e este cantinho aqui para índio descansar como fizeste naquele dia, lembra-se? Sim, responde o tucano. Dou sim com prazer. Fique descansado, estamos combinados. O Índio acrescentou: Este tesouro é para o senhor, o senhor está riquíssimo agora. É tudo libras de ouro puro. O rapaz nem cria no que estava vendo, mas era verdade ficou rico mesmo, comprou tanta coisa, casas, um carro que nesta época era difícil adquirir um, de terrenos comprou a quadra inteira onde morava bem na esquina. Naqueles tempos ninguém dava por fé se alguém de repente ficasse rico, sua riqueza não incomodava ninguém, cada um com sua vida e pronto.   Além dos tempos urgirem, as pessoas mudam também a mentalidade, vão evoluindo, vem novas gerações, novos ideais, e assim marcha a humanidade. O índio sumiu para a fazenda, foi trabalhar e por lá ficou muito tempo, um dia deu certo e veio até a cidade, sempre vinha quando o seu patrão o liberava por motivos de seus serviços darem uma trégua. Chegou alegre e como estava tudo certo com seu amigo tucano nem preocupou com nada tomou umas pingas deu umas voltas na praça e quando ficou tonto, voltou e pediu para descansar um pouco. Precisam ver a reação de seu amigo, o tucano estava completamente mudado. Torceu o nariz quando viu o índio bêbado. Disse-lhe aqui não é aldeia para acomodar índio cachaceiro! Suma daqui! Não tem lugar para você coisa nenhuma! o índio tomou um susto daqueles, mesmo desajeitado ainda relutou: Patrão, o senhor esqueceu de nosso trato? Não combinamos e o senhor     prometeu que me daria abrigo e um prato de comida? Não me trates assim? Não acredito no que dizes! O tucano retrucou: Cai fora bugre atoa! Senão chamo a policia, e você  vai curar tua cachaça atrás das grades. Só vendo como o pobre índio ficou, mas antes de ir, olhou bem o tucano, balançando a cabeça com a decepção sofrida disse: Você não vai aproveitar nada desta riqueza que lhe dei! Saiu caladinho e sumiu para sempre dali. O tucano ficou despreocupado, um a menos para não me encher o "Saco"! Os dias se passaram e o tucano começou a sentir algo estranho no seu corpo, era sadio mas de repente ficou assim. O que será? Foi ao médico fez consulta e exames, mas nada acusou, não tinha doença nenhuma. Foi definhando, amarelando, ficando barrigudo, ficou barbudo e emagrecendo cada vez mais, ficou apurado correu para tudo que era médico  da região, dinheiro não era problemas, tinha de sobra. Nada adiantava, o homem não tinha doença nenhuma. Um dia alguém lhe disse: Acho que você está "Macumbado" tucano! Vá em algum lugar que cuida dessas coisas e veja se não é verdade? Ele foi e constatou a veracidade deste triste fato. Era macumba mesmo, mas quem lhe ia lhe tratar viu nele um caso sem solução. Aqui não temos força para tirar esta "Carga" de tí. Procure outro, ele já desesperado foi para todo canto que tratava dessas coisas. A resposta era sempre a mesma. Já passou da hora de você se cuidar, seu estado está muito avançado, não lhe damos cura! O derradeiro a que foi procurar lhe avisou: Foi um índio quem te preparou. Aqui ninguém desmancha macumba de índio! Só outro índio que pode fazer isto. Lá se foi o tucano em mais uma tentativa. Nada feito amigo disse-lhe o outro índio, já passou da hora. O que você fez para o índio que te deu um pote de ouro?  Ingratidão não foi? A quem lhe queria tanto bem? Olha no que deu? Ele não conseguiu te perdoar da sua maldade, está te custando caro o que fizeste ao pobre índio que foi tão amigo seu. Ele calou-se ante a revelação do curandor. Chorou muito pelo que tinha feito, mas já era tarde demais! Volte para sua casa para morrer ao menos em paz tucano. A esta altura dos acontecimentos já não tinha mais riqueza nenhuma, havia vendido tudo que possuiu e gastou tudo com médicos, remédios e consultas dos benzedores, despesas com acompanhantes, não andava mais sózinho, despesas nas  viagens para todos os cantos do seu estado. Tinha somente a casa de moradia e nem o bar existia mais. Estava acamado e com os vizinhos a lhe dar ajuda, nem comia mais, a barriga parecia estar cheia. Moribundo só esperando a morte chegar. Um dia ela veio! Morreu mesmo, e na mais triste agrura, dor, sofrimentos e atormentado de remorso. No seu velório, os amigos de todos os lados presenciaram o corpo coberto com um lençol branco e por baixo se via "bichos" pretos e peludos saindo de seu corpo e caindo no piso, aqueles corós que comem carniças estavam comendo o seu corpo por dentro antes mesmo de ser enterrado. Assim é quem não teve juízo, não pensou no que falou e a quem foi obrigado a lhe ouvir! O ser humano é perigoso e capaz de tudo! Menos ter facilidades de perdoar o seu próximo! Odiar é mais fácil! Se vingar também. Ainda mais quando as palavras machucam a pessoa por dentro, e as lágrimas brotam nos olhos ao sentir tamanha ingratidão. Ela só vem de pessoas queridas. Língua e dinheiro: Dois elementos muito perigosos, que quando mal usados, só trazem consequências desastrosas. Uma destrói o corpo e o outro pode condenar a alma.. Os antigos diziam: A língua é o castigo do corpo. FIM.


CONTO MUITO TRISTE MAS REAL! 19/06/2016 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

DOIS COMPADRES: UM RICO E O OUTRO POBRE.

                         


Era uma vez dois compadres, um deles era bem situado na vida, tinha uma bonita família, uma fazendinha, muitas criações nela, um carro bom, algum dinheiro na conta bancaria, com saúde e bem quisto na sociedade enfim; bem equilibrado na vida que levava. Compadre rico. Naqueles tempos antigos quem possuía coisas assim era considerado rico, daí o nome que adotamos para a nossa história ser: Compadre rico e compadre pobre. Em suas terras morava o seu compadre que a única coisa que possuía de valor era a sua mulher, um monte de filhos, um cão e um gato das crianças, e nada mais além da coragem de tocar a sua roça, ali ele plantava de tudo, colhia e pagava a renda em mantimentos ao seu compadre rico, como aluguel de suas terras que ocupava, o compadre além de rico era invejoso prá  "chuchu", porque o compadre pobre era peitudo mesmo para trabalhar na roça, colhia muito, as suas plantações eram uma maravilha, produziam bem e ele vendia no final da safra, apurava um dinheirinho e contava para o outro, este ficava se roendo de inveja. Mas este não era rico? Sim, era rico! Mas não contentava com o que possuía, só tinha olho para as coisas alheias, em especial as de seu compadre pobre. A bem da verdade o que lhe causava inveja era a disposição do outro em trabalhar tanto assim, enquanto ele precisava pagar camaradas para trabalhar em sua roça e não colhia como o seu compadre pobre, que fazia tudo com a esposa sem mais ninguém. As despesas do compadre rico com os camaradas era muito grande e o lucro no final da safra não era compatível com elas, então já cobiçava  o espaço de terra que produziu tanta fartura naquele ano para o seu compadre. Tanto é que o compadre pobre só podia tocar a sua roça por um ano, no seguinte ele tinha que derrubar matos e formar nova roça o que era uma trabalheira danada, mas ele era disposto mesmo, sabia das artimanhas de seu compadre rico. Puxa vida, quando as terras iam lhe dar mais lucros por serem no segundo ano que sempre é melhor do que no primeiro ano de trabalho. La vinha o compadre com as suas choradeiras, vou precisar destas terras neste ano vindouro compadre, vou ter que plantar nelas, mas era pura vontade de colher tanto quanto seu compadre havia colhido, e ainda mais, não tinha a garra para derrubar a mata, porque é pesado mesmo o esforço. Além do mais sabia que o ano seguinte as terras produziriam muito mais, pensava que eram as terras que fazia o seu compadre bem sucedido assim. Mas os invejosos nem sempre se lembram que o Divino Criador é quem abençoa o seu trabalho e faz as pessoas felizes. Além de não ser feliz ainda quebram a cara sempre, querem ver? Além de nada conseguir como planejava num desses anos as suas terras de mata virgem acabaram, pois o pobre compadre já havia derrubado  todas, só restava uma beirada lá no pé do morro, mas eram terras secas impróprias para plantar o que o compadre mais cultivava, arroz, feijão e milho etc. Levando o caso na brincadeira, resolveu  dar mais um logro no seu velho compadre dizendo: Compadre, este ano o senhor vai ter que derrubar a mata do tabocal lá no pé do morro, lá as terras são boas também e o senhor vai lucrar muito no final da colheita, mas o compadre não era trouxa, conhecia terras de sobra, sabia que as terras só serviam para formar pastagens e mais nada. Está bem compadre, respondeu o pobre, depois vou lá olhar o capão de mato, ficou pensativo com a proposta do safado do compadre, ele quer que eu faça só para ele, e no final de tudo nem sei se colho alguma coisa, as terras lá são fracas e ainda terei que pagar a renda e jogar sementes de capim para ele, formo a sua invernada e ficarei chupando os dedos, ele não pagará nada a mim pelo tempo perdido e pelo prejuízo, quer mesmo me deixar na lona, um  caso complicado, vou gastar as minhas economias com as despesas da roça sem ter o lucro que sempre tive nas roças que tocamos até aqui. Mas está bom, eu dependo dele para cuidar de minha família labutando nas roças, eu não tenho terras mesmo! Chamou a esposa e foram lá ver as terras no pé do morro, um lugar cheios de pedras, seco, um cipoal danado, espinhos de arranha-gato espinhos agulha, coqueiro de espinhos, aqueles chamados de tucum, tabocal fechado que nem cobras ensebadas conseguiam passar por ali, só madeiras duras, anjicos, aroeiras, quebra-foice e jatobás-mirins, deu o que fazer para adentrarem e olharem as terras todas, apesar de estar munidos da espingarda, uma foice e um bom facão na cintura, abriam passagem a custa do facão. Olhou tudo e concluiu: O compadre me pregou uma peça daquelas! Se eu disser que vou embora para outro lugar, por não querer as suas terras, ele ficará mal servido comigo, apesar de nunca ter me ajudado em nada, só com as terras brutas mesmo. Mas a comadre é muito boa, sempre dá algumas roupinhas que não servem mais em seus filhos para os nossos. Eu considero isso. Ele é um pata-de-vaca da primeira classe. Mas deixa pra lá! Vamos embora para casa Maria? Chega de rasgar este espinheiral por hoje. Desacorçoado da maldade de seu compadre, procurou se conformar dizendo. Deus ajuda quem cedo madruga! Ele ajuda quem trabalha, nunca deixou faltar o pão para nossa mesa! Estamos com saúde, vou enfrentar assim mesmo, quem sabe Deus nos dará um ano bem chuvoso para nós e colheremos nem que seja o suficiente para a despesa da casa, porque para vender acho que não vai produzir e nem sobrar, e ainda terei que pagar o arrendamento para o compadre. Ah! deixa isso para lá, não vou lamentar. Deus é Maior! Iam saindo, quando abaixou para passar embaixo de um emaranhado e moita de cipós, viu algo reluzindo á luz do sol, viu mas ficou quieto, olhou para a Maria, esta perguntou-lhe o que é? Viste alguma assombração? Não, dissera ele. Veja aquilo Maria! Nossa, a mulher arregalou os olhos! O que será? Vamos lá perto ver? Quando chegaram pertinho nem acreditaram no que estavam vendo. Era uma pedra de diamante em cima de um ninho de cancãozinho. Lembrou que no ninho desta ave tem diamante. Porque o seu ninho ninguém consegue encontrar, mas eles encontraram! Vou dizer ao compadre o que achamos. Não diga nada, disse sua mulher, ele nem precisa saber disto. Se foi nós que encontramos isso, não é para ele nem saber, pode crer que é nossa sorte nos bafejando. Mas foram embora e o compadre rico quando os viu chegar veio recebê-los com aquela cara lambida, cínica, sorrindo por dentro. E daí compadre, o que achou das terras pergunta-lhe? Muito boa, responde o compadre! É tão boa que nem vou precisar plantar para colher. Amanhã mesmo já farei a colheita. kkkkkkkkkkk. Mas como compadre, fará uma coisa dessas? Eu nunca vi isso? Pois é, mas eu vou colher, pode crer responde o pobre! Explique melhor, até agora não entendi nada compadre, do que está dizendo. É simples amigo, encontrei em suas terras um diamante num ninho de uma ave misteriosa. lá bem nos fundos, numa moita de espinhos de arranha-gato. O compadre rico quase caiu para trás, verdade compadre? Sim, a Maria está de prova. Ficarei rico desta vez amigo. Vou comprar muitas terras, até as suas se o senhor quiser me vender. O compadre entrou para dentro de sua casa, de fininho sem dizer mais nada. Saiu pelos fundos da casa, encilhou um cavalo e foi lá buscar o diamante escondido do outro que fora para sua casa e que no outro dia iria buscá-lo. A Maria parecia adivinhar as intenções de seu compadre e disse. O compadre vai aprontar outra com você seu bobo! Não sabe ver as coisas e ficar quieto! O assunto morreu por ali mesmo. O compadre era ambicioso mesmo e foi lá, mas o que encontrou foi uma casa de marimbondos graúdos e ferozes, nada de diamante, ficou uma fera, pensou consigo: O compadre me paga, há de haver comigo, pensa que sou brinquedo? Mais tarde lá vem o compadre com um saco de estopa nas costas com alguma coisa zunindo dentro, foi chegando e viu a porta da frente da casa do compadre fechada e só a janela aberta disse: Tome aí seu mentiroso, o seu diamante! Tinha no saco a casa de marimbondos deste tamanho e as vespas estavam furiosas lá dentro,  lançou-a pela janela pensando consigo: Só tenho pena das crianças que vão levar tantas ferroadas, mas o compadre merece mais ainda para deixar de ser mentiroso. Saiu correndo com o saco vazio até sua casa. Enquanto isso a casa das vespas misteriosamente, miraculosamente voltou a ser a pedra do diamante e o compadre ficou muito feliz. Lembrou á sua esposa: Não te disse que Deus é maior?  As leis da natureza compensam tudo o que fazemos de bom nesta terra, ainda mais se fizermos com amor. Fica aí uma bela lição de vida!

É NOSSA CULTURA SERTANISTA QUE NOSSO BLOGGER DEFENDE.

"COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES". 11/06/2016

A HISTÓRIA DOS TRÊS AMIGOS.

                                   

               
Era uma vez um rei muito mesquinho, impiedoso que julgava ser muito justo mesmo sabendo o que fazia de mal com estas qualidades que possuía. Com ele era unha por unha e dente por dente. A lei de Talião era a sua diretriz. Quem devia teria que pagar de qualquer maneira. Fosse a quem fosse, como naquele tempo as coisas o comércio era de barganha por ainda não haver moedas em circulação. Quem tinha cabras, ovelhas, bezerros e outros animais trocavam por outras coisas que precisavam, roupas, calçados casas outros animais etc. Havia um sujeito que lhe devia muito e sem condições de lhe restituir a dívida, então decretou a sentença em seu favor: Se não me pagar morrerá ou ficará preso perpetuamente, já tenho alguns na cela. A ordem dada teria que ser executada. Não havia apelo, clamor por misericórdia, solicitação alguma, choro, pedido de familiares, amigos, nem intercessão de ninguém. Nem penhor de bens de outrem. Teria que ser do seu suor a paga. Era mesmo para aprender a não fazer dívidas sem ter com o que pagar. Dura lição de vida! Um rei impiedoso, carrasco, tirano, déspota. Ninguém o fazia mudar de opinião. Mas o mundo é um velho professor que ensina, corrige e mostra o quanto alguém está errado. Sempre existiu pessoas assim, mas do outro lado também, pessoas bondosas, caridosas que cumprem o que Deus determinou em favor de seu próximo. Amá-lo! O pobre homem não encontrava solução para o seu problema, resolveu fazer a última tentativa de implorar ao rei sua compaixão. Morrer ou ser prisioneiro a vida inteira para ele daria na mesma. Quero ir, debandar para outras regiões do planeta, outros reinos, outras terras, conhecer outros tipos de trabalhos e pessoas e ver se consigo o recurso para quitar a minha dívida convosco majestade. Este resolveu dar-lhe a oportunidade que nunca dera á ninguém. Foi aceito com uma condição teria que ter um penhor. Você arruma uma pessoa de sua plena confiança, pessoa séria e de responsabilidades com aquilo que irá ouvir e receber de mim; ou seja as minhas ordens. Este será a sua pessoa viva perante a minha autoridade, o que eu ia fazer contigo farei com ele sem apelação caso você ou ele falhe. Palavra de rei nunca volta atrás e espero que a sua e a dele também não volte, dissera o Rei na ocasião! Teria um prazo para a sua volta e reassumir o seu compromisso da dívida. Tudo combinado e acertado nos mínimos detalhes do contrato, redigido, lido, corrigido, assinado pelas três partes e selado com o selo real. Não ficou uma aresta sequer, falhas nenhuma. O moço viajou e seu penhor ficou a disposição do Rei. O rapaz amigo dissera ao monarca: Enquanto o meu amigo não retorna, presto-lhe meus serviços, executo qualquer tarefa de serviços braçais, eu trabalho na roça, não quero um centavo, anote aí como parte do pagamento da dívida do meu amigo. Ficará mais amena a sua dívida, ajudá-lo-ei a quitá-la. Será bom para nós três. O Rei olhou aquele homem simples, matuto, camponês com aquela ideia de solidariedade, ajuda mutua de companheirismo sem a mínima preocupação de sua situação de além de penhorado, correndo o risco de ser enforcado no lugar de outro sem a menor chance de defesa. O tempo passou rapidamente, e a data dele se apresentar havia chegado e nada do homem. E agora? Fazer o que? Nada! Pensou o Rei! Está tudo acertado, no dia seguinte enforcariam o penhorado, mas este não esboçava nenhum gesto de preocupação com o caso. Estava tranquilo e o Rei apreensivo com a situação, foi ter com ele: O senhor está sabendo que amanhã te enforcaremos? Sim, dissera o rapaz, mas isto se o meu amigo não vier, não é? Verdade disse o Rei, mas ele virá sem falta acrescentou o rapaz. Quem deveria estar preocupado sou eu e não o senhor meu Rei! Acaso não confia em nenhum de nós dois? Pois nós confiamos em ti meu senhor! Vá descansar sua mente, todas as coisas tem sua hora exata. Logo ele estará aí de volta. Não te impacientes. Já estava se esgotando o tempo real e nada do amigo, o penhorado estava para terminar uma tarefa. Levaria ainda algumas horas além do prazo para a execução dele ou do amigo. O rei mandou parar o serviço, mas o rapaz argumentou: Nunca deixei minhas responsabilidades no meio da estrada majestade, assumo todas sem meio termo. Nada disso, não vou parar, terminarei a tarefa, depois me apresentarei á vossa majestade, ao senhor. Se findar a vida, terei a honra de dizer antes de morrer: Cumpri o meu dever perante Deus e os homens. Mais uma vez o Rei voltou sem graça. Passaram-se duas horas além do previsto e contratado, o rei mandou pegá-lo a força caso não quisesse vir. Pegaram-no e trouxeram amarrado e iam conduzindo para a forca, quando puseram a corda no teu pescoço, este sem esboçar nenhum gesto de defesa, sossegado, calmo, estava suave as suas feições, parece que ele navegava em outra dimensão sem se importar como que estava acontecendo em sua volta. Toda a multidão á sua volta estava muda ao ver aquilo, nunca viram um homem daquela natureza. Pois todos que sabendo que vai morrer apronta um reboliço de lamentações, choros, pedidos de clemência, arrogo e mais coisas, este não! Todos entretidos ali, de repente um da multidão gritou: Lá vem o amigo dele! Nossa, quase não acreditaram, mas era verdade! O homem chegou mesmo! Pararam a execução! Ficaram espantados com a presença dele, tinham por certo que ele jamais viria! Este chegando reverenciou sua majestade, cumprimentou os presentes, foi até a forca e retirou seu amigo, dizendo ao carrasco: Este lugar seria meu! Não será de nenhum de nós dois, deu-lhe um abraço apertado e disse-lhe: Obrigado amigo pelo que tu fez por mim, jamais te enganaria! Abrindo uma sacola que trazia a tiracolo retirou dela uma pepita de ouro de 630 gramas, entregou-a ao rei dizendo: Isto quitará a minha dívida para convosco. Obrigado meu senhor! Agora sim, dormirei em Paz. Ma o Rei além de arregalar os olhos por nunca ter visto um gesto, uma ação de tamanha nobreza de um ser humano assim, replicou: Não vou aceitar! Além de quitar a sua conta por mais de dez vezes se eu quisesse! Vocês dois me surpreenderam!  Você e sua dívida estão perdoados amigo! Enquanto o Rei lhe dava o perdão, o moço tirou outra pepita um pouco menor deu-a ao seu amigo dizendo: Isto é uma recompensa de minha parte por sua Confiança! Amor não tem preço! Mas peço que receba! O outro recebeu e disse: Provei á nossa majestade que ainda existe no coração humano:  Amor ao próximo! O Rei não acreditava no que estava vendo não se conteve e completou: Também provo á vocês dois e ao povo presente que no coração humano pode ainda existir ou ressurgir dele também:  Bondade e Perdão! Até aqui vocês são dois amigos! De hoje em diante seremos Três! Imediatamente mandou soltar todos os prisioneiros que cumpriam pena por dívidas, e reinou até o fim de sua vida com: Perdão, Justiça, Amor e Sabedoria! Seu reino prosperou muito, pois onde tem: Estas virtudes, os Céus iluminam as mentes e os povos são felizes.

CONTO DA CULTURA SERTANISTA PARA O BLOGGER DE HISTÓRIA.

"COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES.  05/06/2016

BEM NA SEGUNDA CURVA DO "ÉSSE"

                                     


Há alguns anos já passados nós conhecemos uma chácara que situava bem na curva de uma estrada em forma de "S" num vilarejozinho muito falado e conhecido por quase todos os povos daquela grande região, o lugarejo se chamava Morrinho. Sabe aqueles lugares que parecem ter sido fundados na lua minguante? Não crescem, não desenvolvem, não vai para a frente, até que alguém diz que ali naquele lugar tem uma cabeça de burro enterrado naquele chão, ou que em certa época bateram num padre e o mataram enterrando-o vivo? Bem assim era este lugar. Muito difícil numa festança onde os povos se reuniam para comemorarem um dia Santo de guarda ou outra data como por exemplo: Festividades juninas, festa do padroeiro do lugar, festa de São Sebastião, final da quaresma que é sábado de Aleluia, final de ano e que dificilmente não amanheciam mortos duas ou três pessoas no baile que davam fim nestes festejos.  É bem verdade que durante muitos anos, mais de cinquenta, o Morrinho era o lugar da população mais violenta de toda a região, muito raro um final de semana que tivesse bailes e Carreiradas que não amanhecesse dois ou três mortos nestas diversões, parecia um castigo mesmo. Também pudera, vinha gente de todos os arredores, e de lugares mais longínquos também. Estas duas modalidades de diversões atraem pessoas encrenqueiras, de mau gênio, por envolver disputas acirradas, nos bailes era por uma Dama quando estas davam ou dão a famosa "Tabua" nos cavalheiros, nas Canchas as "Carreiradas" por incitar deboches e desaforos aos perdedores. O cemitério local era o maior e mais movimentado do que o da comarca ao seu lado. Lugarzinho pequeno de um alto índice de mortandade. Outros diziam que naquele lugar deu-se em tempos de outrora, grandes combates numa guerra que existiu há mais de cento e cinquenta anos, onde os derrotados enterraram grandes quantidades de ouro e pedras preciosas. Grandes áreas de terras ou fazendas onde seus donos eram muito maus com os indígenas, e com os escravos africanos, onde se deram chacinas, carnificinas de famílias inteiras e que quando estes patrões morreram não conseguiram descansar em paz a sua alma, de tanto mal que fizeram aos seus semelhantes enquanto viveram. Reclamam até hoje os seus bens terrenos, mesmo que não mais pertencem a este mundo dos vivos, mundo material, sendo já de outro mundo, de outra dimensão espiritual, as suas casas ou o lugar delas ficaram assombrados, lugar sinistro em certas horas da noite onde aparecem visões noturnas, mulheres vestidas de branco e arrastando o manto no chão, vultos de pessoas sentadas fumando cachimbos numa pedra, crianças chorando no berço, vozes pedindo socorro, gritos de pessoas morrendo angustiadas, enforcadas, casas que a gente entra dentro  e logo sentimos que tem algo a nos espiar, sussurros de vozes, atiram areias, besouros ou pedrinhas na gente, não deixam ninguém dormir em paz ali. Outros veem lá mais distantes da casa, luzes acendendo e apagando, tochas de fogo no quintal á noite, alguém escarrando, dando risadas, ouve-se barulhos de pancadas e gritos, tiros , assovios, alguém gritando gado no mangueiro, tangendo tropas de animais, gritos de boiadeiros tocando boiadas e nas beiras dos córregos alguém bateando ouro, mexendo cascalho numa bateia, murmúrios que a gente não consegue entender as palavras que estão dizendo, nem de que direção está vindo aquelas manifestações, fenômenos sobrenaturais que a gente fica com medo daquilo tudo. Ninguém sai fora de casa á noite, e se sair não se vê nada. Está tudo calmo. Neste lugarejo tinha um pouco de cada coisa que mencionamos aqui. Transitamos muito por este lugar que era cortado por uma estrada muito antiga que dava acesso da cidade maior a uma Aldeia e a outra corrotela, lugar de garimpo há uns setenta quilômetros dali. Mais para o lado do poente, além desta outra cidade, uma grande fazenda que foi palco de muita maldade com os povos antigos. A gente notava até pela vegetação que era um lugar muito antigo, parecia estas fazendas velhas abandonadas que para todo canto se via sinais de taperas, cada tijolo deste tamanho ou adobes de barro das casas demolidas há quase um século ou mais, ninguém sabe ao certo, porque os antigos dali já morreram todos e ninguém deixou nada escrito ou marcado em alguma pedra ou piso, tudo a esmo. Neste lugar a estrada fazia um "Ésse", duas curvas em sentidos diferentes, opostos, de um lado e de outro tinham dois pés de Ingás deste tamanhos entrelaçando em cima as suas copas que ao meio dia dava uma sombra numa das curvas, passava as conduções embaixo por ser alto lugar e onde a gente sombreava quando vinha de viagem naquela hora do dia. No lado direito na era atual era uma chacrinha de umas quatro hectares de terra, bem na beirada da estrada uma casinha de duas peças e uma cozinha fora, estas eram de madeiras roliças e barreadas. Casinhas de barrotes, coberta de sapés, depois puseram telhas comuns, daquelas "Casca de tatus" lá mais no fundo no sopé do morro tinha a sede onde seu proprietário morava, ali naquela casinha era o lugar de moradia dos zeladores da chacrinha, o caseiro roçava as pastagens, cuidava do aramado que a circundava, olhava as reses, alguns cabritos ou cordeiros davam água para os animais pois ali tinha só um poço, lugar limpo, dando gosto a visão de quem passava a pé na estrada, os viajantes tomavam água ali também, mas tinha um destes mistérios no casebre. Morador nenhum ficava ali por muito tempo, não aguentava a barulheira de noite, ninguém dormia em paz, crianças viam coisas que nós adultos não vemos, estas choravam, queriam ir embora dali aquela hora da noite. Os pais não sabiam o que fazer. O Caseiro sem família ficava um mês ou mais, outros medrosos caiam fora logo. Quinze dias, semanas, dias e era assim. Ninguém parava ali. Certo dia apareceu por lá um senhor com família, tinha uns seis filhos pequenos, a esposa e a mãe dela a sua sogra já velhinha. Eram de outro estado, ficaram ali por mais de um mês, cuidou da chacrinha, quando foi um dia a casa amanheceu fechada, o patrão de lá de sua casa que avistava o caseiro no longo pátio, não vendo o seu serviçal nas atividades diárias estranhou e foi até na casa no meio da tarde, pensou que ele estivesse doente. Qual nada amigo! Sabe o que ele encontrou? Um baita buraco escavado bem no meio da sala que não tinha piso, era a terra vermelha bem batida, e o sinal de um pote de barro que continha moedas, libras esterlinas, ouro e pedras preciosas. Olhou bem na terra removida e lá estava três moedas por cima. Ele  o seu caseiro, deixou-as ali. Era a prova de um grande "Enterro" que ali esteve guardado por muito tempo, assombrando a turma e que ninguém sabia de sua existência. O caboclinho e sua família desapareceram num piscar de olhos com certeza no meio da noite. Com um tesouro destes? Pernas? Pra que te quero? Foi aliviar a sua situação de pobre e cheio de filhos bem longe dali. Bem que mereceu, não é? kkkkkkkkkkkkkkkkk.

CONTO VERDADEIRO SEM DÚVIDAS PARA A NOSSA CULTURA SERTANISTA.
ANASTACIO MS 06/06/2016 "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"


DONA MORTE E SEU COMPADRE.




Era uma vez um homem que possuía uma família muito bonita, era numerosa em quantidade de filhos, já passava de dezoito só os filhos, ele e a esposa eram ainda bem jovens, bem conservados de saúde, viviam felizes com aquela criançada, era escadinha mesmo, a casa do homem parecia uma creche. Todos admiravam como proliferavam tanto assim. De fato era mesmo de admirar, apesar de sua despesa de casa ser muito alta, o custo de vida já começava a dar sinais de dificuldades, ele era trabalhador braçal, lidava na sua roça e fazia outros serviços para terceiros nas horas que lhe sobrava dos seus. Como em toda a história da humanidade sempre houve pessoas boas de coração, algumas lhes alcançavam alguma coisa, roupinhas para as crianças, víveres, agasalhos nos tempos frios, e com isso iam vivendo bem, muito embora estes são esporádicos, temporãos, vez por outra isso além dos padrinhos que nunca se esquecem de seus afilhados em tempo nenhum, sempre dão presentinhos úteis a vida inteira, mas não sabemos como, surgiu a ideia do que fariam para arranjar um casal de padrinhos para o futuro bebê que já estava a caminho, dali algum tempo chegaria. Porque toda a sua vizinhança e nos arredores eram seus compadres e comadres, e agora a quem dariam o recém chegado para ser batizado? Se bem que ainda havia tempo para pensar nisso, mas é bom agilizar logo e encontrar os novos compadres, assim não ficariam preocupados com o assunto na última hora. Fizeram as contas, por aqui não há nenhum vizinho que não seja nossos compadres, kkkkkkkkkk... Todos já são! Sabem do que é que lembraram? De dona Morte, quem sabe ela daria uma boa comadre, e o compadre? Ela não tem marido, e se tem ninguém nunca ouviu falar dele! kkkkkkkkkkk. Mas deixa pra lá, basta ela está bom! Levaram o caso na brincadeira e ficou por isso mesmo, A morte seria a sua nova comadre, esta que sabe de tudo, sem a gente saber como, logo apareceu não na sua forma física e horrenda, magricela,com seu manto preto, asas de morcego, feições cadavéricas, órbitas fundas, faces encovadas, sem dentes, unhas grandes, dedos secos, a mulher-morte parece um palito dentro de um saco, é terrível na feiura, se aparecesse assim, assombraria seus novos compadres e todos que a vissem. Mas foi até bonitona, com outro perfil e conversou longamente com os novos compadres. kkkkkkkkkkkkk. Ficou tudo acertado! Seria mesmo a madrinha da criança que dentro em breve nasceria. A comadre se despediu e foi-se embora pois sempre tem muito o que fazer, quase não tem tempo disponível para os bate-papos com quem quer que seja, com a sua foice doida nos ombros não quieta. Anda o dia inteiro para tudo que é lado, nas brigas, nas contendas, nas guerras, nos bate-bocas entre maus vizinhos, em hospitais,a atrás da policia, nas divisas de territórios, fazendas, nos garimpos, nas encrencas de índios e fazendeiros, onde se aglomeram gentes de todas as espécies, nas rodas de jogos de azar, nas bebedeiras ou cachaceadas, rodas de peões, de mulheres fofoqueiras e aonde tiver bagunças, o negocio dela é meter a foice na turma e levá-los ao cemitério. Com ela não se brinca. Num dia desses ela foi até nas mediações onde o compadre morava buscar um. Aproveitando a passada na região do compadre, foi até sua casa e rapidinho conversou um bocadinho com ele. Achou-o um tanto desanimado sem até ele mesmo saber porque. Perguntou-lhe: Compadre, o que foi contigo? Parece desanimado? Este disse: É comadre as coisas não andam tão fáceis como a gente pensa, meninada crescendo uns já estão na escola e as despesas só aumentando, e isso tira o sono da gente. A roça custa a dar lucro, dinheiro a gente só vê na colheita, se trabalho para fora, o mato come minhas plantas. Tá difícil conciliar as coisas assim. Pera aí compadre, atalhou a comadre. Vamos fazer o seguinte, vou te dar uma demão. Mas como comadre? Espere aí compadre, vou ali levar um fulano e você me aguarda um pouco. Volto logo. A comadre sumiu, só voltou no outro dia a tarde. Chegando disse: De hoje em diante você não será mais roceiro, mas sim um benzedor de confiança meu, sei que você não sabe "Penicilina" nenhuma de rezas. kkkkkkkkkkk Faça de conta que sabe muito, está bem? Verdade comadre eu não sei de nada mesmo, só sei rezar o Pai-nosso e Ave-Maria. Está bom demais pelo que vai fazer de hoje em diante disse a comadre. Preste atenção: Tu sabes que eu sou a Morte, quando eu vou visitar um doente,  ninguém me vê, se vim para levá-lo, eu levo mesmo, pode ser quem for. Mas agora será diferente, so você me verá aonde eu estiver, ouçabem, só você e ninguém mais, a casa pode estar cheia de gente. Um exemplo: Quando te chamarem para benzer algum doente, que lá eu estiver sentada na cabeceira da cama dele ou dela, faça um chá de qualquer coisa, alecrim, cidreira, erva-doce, cravo, guaco, canela, até mesmo um copo de água morna e dê para o doente, antes porém reze baixinho um Pai-Nosso e uma  Ave Maria, fazendo gestos de quem tira algo com a mão na cabeça dele ou dela. Dê para beberem, logo estará bom! Se te perguntarem quanto é, pode cobrar sim, veja lá quanto precisa e não desculpe não. Pegue a grana e mate sua precisão e com isso ficará famoso logo, logo! kkkkkkkkkkkk. Vá ajuntando um dinheirinho, não gaste atoa viu? Sim senhora comadre, concordou o compadre. O Compadre ficou animado que até riu. Mas pera aí compadre, ainda não terminei o sermão disse a velha. Se um dia  você for chamado para atender alguém e eu estiver sentado nos pés da cama, fique quietinho no seu lugar e diga para os parentes dele, que o caso dele é sério. Diga logo eu não posso fazer nada. Ele vai morrer mesmo! Ainda que te peçam o impossível, não faça nada por ele, não se meta a gato-mestre. Vou levar o fulano mesmo! Combinado? Sim comadre, combinado! Com isso as coisas melhoraram muito para o compadre que andava na região a cavalo atendendo os doentes, quase não tinha descanso, era procurado por todos, sua fama foi longe dentro de pouco tempo, além de famoso, comprou até um carro para ir mais longe atender o povo que lhe chamava. Estava tudo as mil maravilhas! Falado, comentado os trabalhos do compadre. kkkkkkkkkk. Tinha a fama de ser melhor do que muitos médicos! Estava bem de vida, casa bem arrumada, filhos estudando, comprou uma casa na cidade onde os filhos moravam para estudarem, fins de semana com a família nas diversões. Ninguém mais lembrava daquele simples roceiro pobre com a casa lotada de crianças pequenas. Frequentava os clubes da alta sociedade, nas rodas dos ricaços. O compadre nem se lembrava se um dia fora pobre! kkkkkkkkkkkkkk. Começou atender só as famílias ricas, quando tinha um doente, buscavam-no para benzer os fulanos. A grana que cobrava era alta, saia com os bolsos abarrotados, estava quase rico, faltava pouco! Como todos sabem, o dinheiro provoca a ganância em muitos corações, e com o compadre não foi diferente. Certo dia apareceu em sua casa uma senhora ricaça, estava com o marido nas últimas, desenganado de todos os médicos, tinha ido para tudo que era lugar, médicos famosos não lhe dava esperanças nenhuma, ia morrer mesmo. Soube do compadre por informações, e já dirigiu para lá, foi buscá-lo para dar um jeito na situação de seu marido que estava desenganado da medicina. Lhe disse a mulher: Se o senhor salvar-lhe a vida, eu nem quero saber quanto o senhor vai cobrar de mim, dinheiro não é problema para nossa família. Pagar-lhe-emos bem! O olho do compadre cresceu além da órbita, pensou consigo, desta vez vou tomar banho de dinheiro na bolsa desta mulher. kkkkkkkkkkkkk. Adiantou-lhe, só vou por "xis" valor. Combinado amigo, aqui está o dinheiro, já lhe pagou ali mesmo. Mas o compadre resolveu dar um logro na sua comadre, veja se isso não é uma palhaçada dele! Bem de vida, famoso, ganhava dinheiro como poucos ganham. Mas como dizem um provérbio popular dos antigos. "A formiga quando quer se perder, cria asas" Voa alto, mas logo cai num terreiro onde tem galinha choca e já encontra o que não queria. kkkkkkkkkkkk. O compadre chegando na casa do doente, lá estava a comadre sentada nos pés da cama. Lembrou do que dissera a sua comadre, mas se fez de bobo, fingiu não vê-la, pegou o doente e virou-o com a cabeça para os pés da cama. A comadre virou também, tornou a fazê-lo de volta, a comadre fez também! Ficando tudo na mesma. kkkkkkkkkkk. Ela o levaria mesmo. Mas o compadre não desistiu, ficou virando o doente pra cima e pra baixo, a comadre também o acompanhava nos movimentos, até que esta se aborreceu e foi-se embora. Dali a pouco o doente ficou bom e se levantou com saúde, nossa que alegria para os seus familiares. Agradeceram muito ao compadre pelo serviço prestado. Diziam uns: O homem é bom mesmo, nunca vimos igual. Deram-lhe muito dinheiro como gratificação além do pagamento já feito. Levaram-no de volta á sua casa. Chegou todo feliz, só vendo o tanto de dinheiro que recebera, mostrou á esposa. A comadre sumiu, passou muitos dias e quando ele ia de carro para atender outro caso, encontra com a comadre no meio da estrada. Esta o fez parar. Já perguntou-lhe: Porque fizeste aquilo comigo compadre? Que brincadeira besta, de mau gosto? Ninguém me faz de trouxa, compadre! Esqueceu de nosso trato? Não sou de brincadeiras! E agora o que me dizes? O compadre todo assustado com a bronca da comadre, pediu-lhe muitas desculpas pelo ocorrido. A comadre estava uma fera de brava com ele. Você sabia compadre que aquele fulano ia naquela data? Você me impediu de levá-lo, agora vais no lugar dele. Não comadre pelo amor de Deus, não faça isso comigo, ainda tenho crianças pequenas para criar, elas vão ficar sem o pai. Não quero saber, deixe de prosa comigo disse ela, suas crianças e a comadre eu cuidarei. Sapecou a foice na cabeça do compadre e este ficou estendido lá no meio da estrada. Foi um reboliço quando acharam o benzedor morto. Ninguém soube quem o matou! Só diziam lamentando, que pena que o nosso benzedor morreu! Apesar disso ser um conto que o povo conta, em especial os caboclos sertanejos, fica aí uma bela lição de vida! Nós os humanos somos frágeis, volúveis e susceptíveis! Provérbio popular: Todo homem ou mulher tem seu preço! A maioria se entregam ao ver um bom maço de dinheiro! Basta que este apareça na hora certa! Hora certa nada! Hora negativa. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!

CONTO DA NOSSA CULTURA SERTANISTA PARA NOSSO BLOGGER:

" COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES" 31/05/2016.