sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

03- AS CAÇADAS DOS COMPADRES

                             
         
 03-Dia desses que deu uma boa chuva no meio da tarde lá vai os compadres darem uma volta na mata e ver se matavam alguma caça, pois logo após uma boa chuva as caças assanham e saem a qualquer hora do dia, devia ser umas quatro horas da tarde, desta vez não levaram os cães, ficaram amarrados e ganido de vontade de irem também, mas os dois resolveram caçar na sonda, assim em silêncio seria mais fácil surpreender qualquer bicho que estivesse pastando ou comendo frutas na fruteira nas campinas, nos campos ou na furninha. Vão aqui, mais alí, acolá, e nada por enquanto, o ar estava parado e não corriam risco de alguma caça os sentirem pelo faro. Pararam e sentaram numas pedras grandes e soltas lá na entrada da furninha, fumaram um pouco e depois seguiram sempre atentos ao menor ruído ou balançar de algum arbusto. Nada mesmo até agora, deram uma volta na cabeceira da campina e de repente viram um baita catingueiro espiando eles dois, mas o compadre estava alguns metros atrás do outro e este mais perto do bicho e não tinha visto a caça. O compadre de trás assoviou para o outro e este atendeu o assovio, levantou a cabeça como se perguntasse o que era: O compadre indicou com o dedo e disse: V I  A  D O kkkkkkkkkkk. Nisto o veado da uma arrancada e sai veloz como um raio logrando os dois. O Compadre deu uma bronca no de trás: Puxa vida compadre, por que o senhor fez isto? Perdemos a caça por tua culpa, e agora? Porque não ficou quieto cacete? O outro se desculpou dizendo: Eu soletrei o nome dele para que não entendesse. kkkkkkkkkkkkkkk. De outra feita andavam por uma velha estrada carreteira desta vez só um que levou a espingarda cartucheira,  já tinham andado muito, mas como não estavam com pressa nenhuma e nem preocupados com caça, iam batendo papo estrada afora mas sorte é sorte e o resto a gente não leva em consideração, antes de sairem numa vazante um deles disse: Compadre vamos calar a boca, quem conversa muito da bom dia pra cavalo, vamos em silêncio entrar nesta vazante, sempre a gente vê porcos fuçando o barro, quatis em bando ou algum outro bicho a procura de agua. Assim ali dava uma vista muito boa a distância, mas desta vez a volta dos dois não deu em nada. Perderam tempo andando mas está bom ponderou um deles vamos embora para casa e outro dia nos volta. Foram para casa e o compadre mentiroso ficou pensando como ia inventar um causo para contar para  povo. Domingo estavam no boteco e contador de causos como ele jamais ficaria quieto, parece que os seus causos todo o povo sabia de cór e salteado, não tinha mais nenhum novo para contar. Um fala outro fala e nada do compadre entrar em cena com suas mentiras de sempre. Mas como todo mentiroso é inteligente logo inventou um e começou a narrar o fato dizia: Há coisa que a gente nem sabe como acontece mas aconteceu de eu e o compadre darmos uma caçada e achamos um baita veado. O bicho estava a uns trinta metros de nós, espiava comprido a gente parece que nunca tinha visto ninguém na vida. Como o compadre estava com a espingarda no jeito disse: Deixa estar seu malandro que já te mostro o rumo de minha caçarola de duas asas. Engatilhou a arma deu um assovio e eu agachei para o bicho ficar mais curioso e deu certo, ele nem se incomodou aí o compadre cochilou na pontaria e arrastou o dedo, foi aquele tirambaço: Tibuuummm! Na frente da fumaça saiu um besouro sem asas, um balote venenoso e certeiro, Quando ela dissipou olhamos no lugar lá estava o animal mortinho da Silva. Nem se mexeu, sabe aquele tiro caprichado? Pois foi esse! O balote acertou bem no pé do ouvido e num dos pés de trás quebrando só o casco dele, aparou direitinho como se fosse uma serra fita cortando um osso. Já viram um negocio deste gente? O povo admirou, ficaram abismado com a pontaria do seu companheiro, coisa de louco disse um dos seus ouvintes. Mas os outros ficaram duvidando, mas isso é impossível amigo? Nunca vi nem falar nisto? Como pode? Como de costume pondo um cigarro no bico, acendeu e calmamente olhou a fumaça subir, depois olhou seu compadre e disse: Explique a ele compadre como aconteceu. Olhem o apuro que o mentiroso jogou seu companheiro de caçadas. Vejam se pode uma coisa dessas. kkkkkkkkkkkkkkk. O compadre foi bom de tino e respondeu com segurança: Eu também só vi este caso em toda a minha vida. O bicho estava coçando o ouvido com um dos pés e foi justamente quando o compadre disparou a mocha, acertando no pé e no pé do ouvido ao mesmo tempo. Taí o compadre que não me deixa mentir.  kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.


  "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES" 10/12/2017

Um comentário:

  1. Parabéns meu amigo, Luisão. Uma honra conhecer alguém, que foi amigo de meu pai na infância. Acompanho o seu blog, e admiro muito, o seu talento, como contador de histórias. Abraço velhão.

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