domingo, 26 de abril de 2015

A CAPIVARA E OS DOIS COMPADRES

                             
         
Dois velhos amigos e compadres eram roceiros pela vida toda, pelo menos até ali eram vizinhos de casa e de roça, esta era divisada uma da outra por uma rua de mandioca. De um lado um deles, e do outro o mais velho dos dois, ambos tinham família. Naqueles tempos quase ninguém tinha as terras que gostavam tanto de trabalhar nelas, salvo os grandes fazendeiros, alguns sitiantes de médio porte outros favorecidos pela sorte de heranças tinham suas terras, não eram mesquinhos como nos dias de hoje. A maioria dos camponeses trabalhavam em terras arrendadas, no caso dos dois compadres, um tinha as suas, o outro arrendava deste. Viviam bem, as lavouras foram muito prósperas neste ano, então como sempre há pessoas que apesar de terem família, gostam de viver mudando de um lado para outro, este último dos compadres, o mais moço deles parecia ter formigas dentro da roupa, parecia que dava correição na casa onde morava, igual os ciganos, um ano aqui, outro ano acolá, depois mudava de novo. Não era capaz de ficar dois anos numa área de terras mesmo que fossem boas, o problema dele era mudar sempre, tinha muita sorte nas produções da roça mas tinha este defeito. Após um ano bom de colheita, deu muito lucro a roça. Disse ao compadre: Acho que vou mudar de lugar este ano vindouro meu compadre! Estou com palpite de mudar e vai ser boa a minha mudança. O que é isso compadre? Aquieta ai homem? A roça deu bom lucro, fica quieto. De repente a sua sorte está aqui e o senhor vai andar pelo mundo atoa em busca de quê? Larga mão disso? Vai virar cigano com a comadre e seus filhos? Não é compadre, vou mesmo! Está bem disse o outro. Teu juízo é teu mestre! Teus pés é que te guiam! Sabes o que está fazendo. Depois não venha choraminguar dizendo que gastou tudo e nada deu certo. Já que insiste em ir: Boa sorte amigo! Vai em Paz! Pense bem compadre o que vai fazer. Além de tudo o arrendamento que te cobro é ninharia frente aos outros. Mesmo assim nada valeu ante a teimosia do outro fez a mudança feliz da vida. Passou o ano em outras terras, não foi lá estas coisas a produção naquele ano, além de ter pago um aluguel caro pelas terras de outro. O compadre mais velho parecia adivinhar, foi só chumbo que o outro tomou, começou a trabalhar de diarista para outros e a situação apertava cada vez mais. Um dia a mulher lhe disse: Porque não voltamos lá para o compadre? Estávamos tão bem lá, e você com suas maluquices de mudar, olhe no que deu? Não vou não mulher! O compadre vai me debochar e rir de minha teimosia. Estou com vergonha, o compadre estava certo. Relutando mais um pouco a mulher conseguiu convencê-lo. Já era mês de agosto e até preparar a terra de novo ficaria meio tarde para o plantio. Ele gostava de plantar no “cedo” e acabaria plantando no “tarde”. Foi meio sem graça lá sozinho sem a família, com medo do compadre negar-lhe a cooperação. Se estivesse com a família seria muito chato ter que ir embora de novo se nada conseguisse. Mas o seu compadre era gente boa. Nunca faria uma coisa assim. Foi lá! Então compadre, como está? E a comadre com as crianças? Saíste bem lá onde esteve? Colheu muito? Nossa que avalanche de perguntas! O compadre sem jeito respondia meio querendo esconder alguma coisa, parecia estar bem. O compadre mais velho percebeu que sua situação estava apertada e ele não queria falar claramente. Deu uma baforada no cigarro, fingindo nada perceber. Disse-lhe: Compadre se você precisar de alguma ajuda nossa, estamos aqui pronto para lhe dar uma demão. O outro se animou e contou-lhe a verdade, estava mal e quase sem nada. O primeiro lhe disse: Não perca tempo homem, vá buscar a comadre com as crianças. A sua “Palhada” está aí do jeito que deixaste, ninguém ocupou, só está um mato lascado, vai ter que pular quente e prepará-la até o plantio. Vá logo senão irá plantar muito tarde. Ele foi e trouxe a família. Era muito esperto pelejou até dar conta do mato. Em meados de outubro começou a plantar. As suas plantações só dariam fruto bem mais tarde. Feijão, milho, maxixe, abóboras, quiabos, melancia, morangos, mandioca batata, verduras e outras, chegariam quando as do velho estariam quase acabando. Atrasariam muito, mas o velho me dará uma demão, pensou! Dito e feito. Lá por Dezembro  o compadre do “cedo” já tinha de tudo frutificando, e ele nada ainda. Tinha vontade de pedir algo que precisava ao amigo mas, tinha vergonha. E o outro deu uma de mesquinho e não lhe oferecia nada. Vendo-o outro com sacadas de milho verde e de tudo o que socorre o roceiro, o pobre homem ia com a esposa e filhos a noitinha na casa do amigo, este assava milho, fazia pamonha, bolos, curau e comiam juntos com café. Mas não lhe dava uma espiga sequer para levar. Contou que a roça estava linda, só que a capivara estava atacando. Não sabia como fazer para deter o bicho daninho, o roedor terrível. Teve uma ideia, fazer um “Fojo,”lá na beirada da roça, bem na saída do “carpincho”, fez muito bem feito e bem coberto para pegá-la de surpresa. O amigo não sabendo da armadilha, logo começou imaginar como faria para adquirir um saco de milho verde e mais coisas. Pensou consigo: Vou lá á noite roubar do compadre e ele pensará que o estrago é da capivara. Kkkkkkkkkkkkkk. Vou lograr este pão-duro! Dali uns dois dias ele saiu á noitinha com um saco de estopa na mão. Justo no lugar onde a capivara saia, ela já tinha saído primeiro que ele, e caíra no “fojo.” Lá ficou presa naquele buraco fundo, ficaria até o dia amanhecer, quando o compadre a capturaria. Mas o buraco era bem feito e tinha um degrau como uma escada, ele lançaria uma corda com a laçada e a pegaria pelo pescoço. Levantaria ela dependurada até sair do buraco. Kkkkkkkkkkkk.  Coitado do compadre espertalhão! Depois de colher um meio saco de milho verde, já ia embora, não vendo a armadilha, no escuro caiu também lá dentro, com saco e tudo. Foi aquele reboliço, a capivara morde igual cachorro, mas o compadre além de estar de botas de cano alto foi muito ligeiro, ficou no degrau a noite inteirinha que Deus deu. Um gatuno embaixo e o outro mais em cima e o saco de milho entre os dois. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk. A pobre comadre acordou no meio da noite e nada do marido. O que será que aconteceu meu Deus? Ficou aflita. Mas esperou a noite toda. Logo cedinho o compadre foi na roça ver se a capivara tinha caído na armadilha. Lá estava o seu compadre e ela juntos. Kkkkkkkkkkkkkkk. Lá dentro do “Fojo” estava seu amigo, nervoso pra chuchu, vendo o outro lá fora, sua cara caiu de tanta vergonha. Mas o compadre nem ligou para o acontecido, disfarçou o que pode. Pera aí compadre, dissera este calmamente, vou em casa rapidinho  buscar uma corda para tirar o senhor daí. Esqueci-me de te avisar homem, que havia feito esta armadilha para a capivara. Voltou logo, e com a corda mandou que o compadre amarrasse o saco de milho primeiro. Vamos tirar o teu saco de milho compadre, depois o senhor, e por fim a capivara. Este rápido de raciocínio contestou: Porque não me tira primeiro? Este saco de milho não é meu, deve ser da capivara. Foi ela quem caiu primeiro. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.



 HISTÓRIAS DE CABOCLOS SERTANEJOS QUE UNS CONTAM PARA OS OUTROS.
 PARA O NOSSO BLOGGER: “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”

ANASTÁCIO MS 24/04/2015.

UMA AVENTURA QUE JAMAIS ESQUECEREI!

                                   


Estava para chegar á margem esquerda do rio, faltava nadar mais alguns metros e pronto, estaria livre do pior que poderia me acontecer. Ufa! O coração faltava pouco sair pela boca, as minhas pernas cansadas não obedeciam mais o comando do cérebro, rio largo, aguas pesadas devido a pouca correnteza, braços já cansados também. Mas enfim cheguei são e salvo do outro lado. Salvo as marcas dos dedos do meu agressor na minha garganta. Alcançando a terra firme, deitei no solo exausto. Deixava para trás uma tragédia, uma vida, uma pessoa inerte, estendida no chão, uma dor no peito que jamais aliviaria. Uma lembrança triste, um sentimento de amargura, e um pensamento: Será que Deus me perdoará pelo que fiz? Será que agi em legitima defesa? E se eu não tivesse feito? O que poderia ter acontecido comigo? Estaria no lugar daquele individuo malfazejo com certeza. Só eu sei a angústia que senti quando ele me sufocou pegando-me pelo pescoço e me apertando contra o chão. Estava numa agonia terrível! Ele estava ajoelhado em cima de minha barriga, era maior do que eu, e tinha mais forças, me dominou com certa facilidade quando me pegou. Eu sou franzino comparando com o seu corpanzil. Pensando que era brincadeira dele quando me agarrou. Mas não era! Nas últimas reações de sobrevivência, o instinto de vida me recobrou os sentidos e me ativou a mente, parecia me dizer: Cadê sua arma? Tire-a da cintura e reaja, senão você morre! Senti uma força sobrenatural apossando de mim, num gesto de desespero pude tirar o meu 32 da cintura que estava na parte de trás e eu por cima dele, era impossível acontecer uma coisa daquelas. Mas deu certo. Consegui tirá-lo, apesar de sua mão forte me apertando a garganta consegui vislumbrar o seu queixo enquanto ele olhava para os companheiros de acampamento que tudo presenciavam rindo sem mover um dedo em meu favor, o bruto dizendo á eles: Querem ver como se mata porco? Levou a mão direita na cintura por trás para sacar a faca e me degolar, mas fui feliz, a faca ao sair da bainha enroscou em sua camisa, ou no cós da calça custando sair e nesse interim, coisa de fração de segundos coloquei o cano do meu revólver que era curto embaixo do seu queixo sem que ele percebesse. Apertei o gatilho, no estampido vi sair do alto de sua cabeça um tampo de miolos e um jorro de sangue que jamais verei uma coisa daquela. Aquele pacote humano que estava em cima de mim, caiu para trás, me desafogou, sai debaixo dele com dificuldade eu estava já nas últimas do fôlego que possuía. Eu não havia bebido cachaça, mas ele bebera, estava meio bêbado, por isso fez aquilo comigo. Nunca esperava uma coisa dessas, era meu sobrinho de sangue. Trabalhávamos no mato tirando madeiras, postes de cerca, firmes, dormentes, postes de luz, palanques para mangueiros etc. Éramos habilidosos nessa arte. Mais de 20 companheiros no acampamento, um sábado á tarde, todos de folga, uns tocando violão, outros cantando, uns deitados na rede ou tarimba, outros numa roda de truco e a maioria tomando cachaça entre eles este meu sobrinho que era muito ruim na bebedeira. Fatídica tarde para mim, fim de uma vida feliz, tinha deixado a família para ir trabalhar longe de casa para levar o sustento para ela. Meu Deus, e agora? Sentado na margem do rio enquanto descanso, com a roupa ensopadinha, sem um triste documento, nada nos bolsos. Do jeito que sai debaixo do homem, levantei e olhando ao redor ainda com as vistas embaçadas pelo quase estrangulamento que sofri, ainda tive a coragem e uma loucura de dizer: Quem de vocês aí achou ruim? Estando com a arma em punho, faria o que fosse possível para sair dali ileso. A turma abriu e correram, aproveitei e sai correndo na direção do rio que banhava os fundos do acampamento, caí n’agua com a arma em punho, lá no meio do rio que era largo de dar medo deixei-a cair da mão, estava me atrapalhando a sulcar a agua para nadar mais rápido. Agora em terras estranhas, sem conhecer a sua língua, seus hábitos e costumes, sem conhecer ninguém do outro País. Atravessei a mata que tinha do outro lado, andei quase a tarde inteira já no escurecer ouvi um canto de galo, imaginei: Tem gente por aqui? Vou aproximar, fui com cuidado a roupa ainda meio molhada e cheguei num casebre de pessoas pobres, um rancho, lá vi uma família com duas crianças. Sem saber falar nada de português, fiz senha que estava com fome e queria um prato de comida. Eles perguntaram meu nome, quem eu era e donde vinha. Sinalizei que era sozinho e vinha viajando de lá do outro lado do rio. Mostrei alegria e eles me acolheram com carinho. Ficaram me olhando, perceberam que eu era estrangeiro, mas eram alegres. Sentei-me num toco no terreiro, eles me convidaram para tomar chimarrão. Eles mostraram que conheciam um pouco da minha língua, características das pessoas fronteiriças, ficou mais fácil, só não sabiam falar direito. Nós nos entendemos logo, jantamos proseamos um pouco e logo me deram uma rede para dormir na sala. Passei a noite em claro. Na cabeça mil e um desconforto. Mas logo cedo comemos alguma coisa e decidi ir embora, me ensinaram por onde seguir e dar num vilarejo longe dali. Deram-me uma matula para comer mais tarde, por ser longe. Despedi deles até com lágrimas e fui. Virando do meio dia cheguei ao vilarejo. Algumas casas e só. Ouvi alguns falando meu idioma e logo me animei. Fiz conhecimentos e amizades que logo me gostaram e arranjei um empreiteiro que me ofereceu serviços. Estava precisando mesmo, dali fomos para mais longe e trabalhamos muito tempo até juntei um dinheiro e tirei meus documentos com outro nome e nacionalidade. Tudo clareou em minha vida. O passado não me importunava mais. Aquela horrível cena desaparecera de minha mente, era outro homem, feliz agora, entre aspas. Estava vivendo bem. Para a minha família foi como se eu tivesse morrido. Nunca mais a procurei! Já falava corretamente a outra língua só o sotaque da minha língua de origem que nunca perdi. Trabalhei uns anos com este patrão que muito me estimou. Sempre fui honesto e trabalhador, sendo de confiança dele nos serviços que lhe prestava. Já andava chique, bem arrumado, boas roupas, dinheiro, amigos, mas como nunca gostei da cachaça, continuei o mesmo. Só que á ninguém dizia de onde tinha vindo, era um forasteiro sem pai e nem mãe e criado por mãos alheias e pelo mundo afora. Sempre em segredo á minha vida passada. Não quis mais adquirir outra família, solitário é melhor. Num dia terminamos os serviços de uma fazenda e mudamos para outra. Esta era banhada por um riozinho, um riacho melhor dizendo. Do lado de cá era um porto, onde a gente tomava banho e lavava roupas. Do outro lado era uma praia de uma areia extensa e alva como lã, depois uma mata fechada, era a reserva da fazenda com certeza. Logo no primeiro fim de semana, lá pelas 2 horas da tarde resolvi ir lavar umas peças de roupas, fiz a trouxa e dirigi para a beira do riacho. Era uma descida natural de toda margem de ribeiros lá embaixo na beiradinha da agua tinha uma laje de pedra natural de beira d’agua, assim bem plana onde a gente se sentava e ás vezes estendia roupas para coarar um pouco. Quando fui descendo e olhando para os degraus de terra com cuidado para não tropeçar, levantei a vista para o córrego. Olha a surpresa desagradável que me aguardava: Lá do outro lado na praia em pé estava uma figura, a do meu sobrinho, parecia uma estatua, aquele que eu havia matado alguns anos atrás. Tomei um choque e pensei. Não é possível este homem estar vivo? Meu Deus e agora? O que vou fazer? Fitava-me sério, com aquela mesma roupa daquele dia triste para nós dois. Tirei as vistas por segundos enquanto olhei de lado. Pronto: Sumiu aquela aparição esquisita! Nem rasto ele deixou na areia!  Voltei dali para o barraco e nem a roupa tive vontade de voltar e lavar. Sentei na cama, fiquei pensativo com aquilo. Chorei muito ao recordar aquele desastre na minha vida. Estragou meu dia! Pedi as contas, o meu patrão tomou um susto. Mas porque vais embora rapaz? O que aconteceu amigo? Assim de repente? O que falta para você? Mil interrogações além destas. Nada respondi! Apenas disse-lhe que estava com saudades de correr o trecho. Ia embora mesmo. Despedi dos companheiros com uma tristeza sem fim. Envelheci, já tenho mais de 60 anos, sózinho, solitário, doente e infeliz. Antes de partir desta vida terrena, espero que Deus me perdoe, pelo pecado que cometi. Este mundo é em muitos casos ingrato para alguns. Deixo um recado para os leitores deste conto: Cuidado com más companhias. Independente de serem parentes. Uma delas poderá ser sua perdição! Não existe coisa pior nesta terra do que tirar a vida de alguém! O teu sossego e a tua paz, desaparecem do seu coração, ele fica árido, seco e frio, o teu espirito é tomado por uma angústia sem fim, sem consolo, nada está bom para você.
(Este conto é verdadeiro, o personagem que tomamos o seu lugar para contar esta história é de origem Paraguaia. Mui amigo mesmo, o chamávamos de “Caraí.”) Já é falecido!

HISTÓRIA E FATO QUE OUVIMOS DESTA PESSOA QUE QUERIA ALIVIAR O CORAÇÃO!

ANO 1985. PARA NOSSO BLOGGER “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”

ANASTÁCIO MS. 23/04/2015

O QUE FEZ UM LADRÃO DE PORCOS.

                                                     


Desde pequeno tinha o hábito de lançar as mãos no alheio, não podia ver algo fácil que aquela vontade endemoninhada tomava-lhe a mente. Fora crescendo, ficou mocinho, adulto e sempre conservando aquele mau hábito. Serviu o exército e por causa deste mau costume fora expulso das fileiras da corporação. Os tempos passam, muitos de nós se temos algum defeito na vida e se temos uma visão de futuro que seja promissora, sentimo-nos a vontade de corrigir nossas falhas e endireitar a vida, sobremaneira vendo bons exemplos que na sociedade como um todo nunca faltou. O menor núcleo da sociedade é a família, que por dever e direito de sermos humanos, filhos de Deus e conscientes do que somos capazes de fazer de bem para todos, se torna um dever imperioso dos pais educar seus filhos no bom caminho. Sabemos que nesta parte existem arestas, é uma pena, mas é verdade. Uma das causas principais deste mau costume e defeito terrível que minou a sociedade é a dissolução da família, filhos crescem sem amor, sem carinho, sem afeto, sem orientação e amparo dos seus pais. Tornou-se um câncer da sociedade, a separação dos casais. Mãe para um lado, pai para outro, filhos por mãos alheias, pelo mundo sem eira e sem beira. Criança dorme pelas sarjetas, pelas encostas de muros e de casas, embaixo de pontes e viadutos. Vê uma coisa bonita, deseja para si como não tem recursos para adquiri-la, tendem a roubar. O mundo é muito mau, salvo algumas pessoas que esboçam um gesto de amor por uma criança abandonada. Fora isso as pobres crianças ficam a mercê de toda espécie de maldades e maus tratos entregues á própria sorte. Os humanos na sua maioria se tornaram bichos, felinos, ferozes a cada dia tomando a forma de animais, em cujo coração não há uma gota de amor. Por causa da ausência deste sentimento tão nobre e puro nos corações que as famílias se dissolvem com facilidade. Quem consertará esta situação? Ninguém! Faça a sua parte para aliviar nem que seja um pouquinho o coração de alguém. Deus te recompensará! O moço que mencionamos acima é uma prova disso. Ele nunca sentiu vontade de se corrigir, aprendeu a trabalhar, conviver com os demais humanos um dia resolveu adquirir uma família, casou com uma mulher solteira e que tinha um garoto já grandinho. Ela também não era lá essas coisas, mais rodada do que prato de micro-ondas  mas conseguiam viver, somente os três na casa, viviam de aluguel, vida difícil nos dias atuais. Trabalhava de aluguel também, ora aqui, ora ali e sempre observando tudo onde executava os serviços. Parecia ser de confiança, mas não era! Roubava galinhas, frutas, nos quintais alheios, dificilmente alguém desconfiava dele, era dado ao trabalho durante toda a semana. Nos finais ele aprontava. Por onde tinha trabalhado conhecia tudo, já tinha mapeado o caminho para numa noite dessas fazer uma visitinha e levar algo que tinha caído no seu agrado como lembranças. Costumava levar o garotinho enteado consigo. Dizia ao garoto: Fique caladinho e sentado onde o papai lhe deixar, não faça barulho de modo nenhum, no maior silêncio possível! Deu tudo muito certo até ali. Uma noite dessas planejou roubar um leitão numa chácara vizinha nos arredores da corrotela. Combinou com o garotinho. Vamos com o papai, será muito útil para mim. A mamãe consentiu como sempre e lá se foram os dois. Levou um saco de estopa e um cacete para abater o leitão no mangueirão e traze-lo já morto. Era uma noite escura sem luar, chegando no mangueiro dos porcos que era lá nos fundos da chácara passou o menino por cima da cerca e depois pulou-a, os porcos assustaram e correram para o fundo do mangueiro. Ele ficou num dos cantos e pediu para o menino ir tange-los para o seu lado para dar uma porretada num dos leitões. O menino foi mas como estava escuro e muitos porcos ele sentiu medo e voltou assustadinho em silêncio com medo de chamar o pai e este lhe dar uma bronca, ao chegar perto do pai este pensou ser um dos leitões que aproximava, como no escuro não deu para enxergar direito acreditou ser o leitão. Deu-lhe uma tremenda cacetada: A criança caiu sem vida no chão do chiqueiro. Foi ver de perto. Quase morre de susto ao ver a criança sem vida. Foi um desespero, saiu como um louco com a criança nos braços até a sua casa. Lá chegando foi maior o desespero da família, e agora? Um inocente pagando com a vida o fruto de um mau costume de um filho criado sem o amor, sem o carinho, sem a proteção dos pais, sem a devida correção de uma família unida pelo amor aos filhos.

É UM CONTO MUITO TRISTE, É VERDADEIRO E EXEMPLO DE MUITOS FILHOS SEM PAIS.

 PARA O NOSSO BLOGGER “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES” 25/04/2015

Anastácio MS. 25/04/2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

A MAIS ANTIGA HISTÓRIA DO COELHO E O JABUTI.

                                  


Coelho e Jabuti sempre foram conhecidos, vizinhos e até amigos, esta situação dependia muito das épocas que viveram. Por exemplo, o coelho vive muito pouco em relação a existência do Jabuti que em muitos casos ultrapassa cem anos. Coelho vive pouquíssimo tempo, no máximo 12 anos, mesmo que tendo a sorte de seus predadores o deixarem em paz por longos anos. Imagine a quantidade de perseguidores: Gaviões, corujões, jiboias, gatos domésticos, gato-do-mato, lobos, raposas, cobras diversas, cães-de-caça, indígenas, sapo-boi e vai por aí a fora. Se bem que o Jabuti também conta com a sorte nesse aspecto da sua vida cotidiana. Onças, jaguatiricas, lobos, alguma sucuri quando este vai á beira de lagoas e córregos saciar a sede. Tudo é um fator sorte para ambos. Quem é que garante viver em paz por muitos anos? Ninguém responde esta pergunta com tanta certeza ante um mundo tão conturbado por tudo o que existe de maldades nesta terra. Apesar disto tudo e das circunstâncias que a vida lhes oferecia eram muito conhecidos, desde os tempos remotos cultivavam uma facilidade de estarem sempre próximos um do outro.  Isto é, levando em conta a velha amizade de seus antepassados do lado do coelho, porque este, o jabuti do nosso tema já tinha passado dos 90 anos, e do lado do coelho passaram muitas gerações. Kkkkkkkkkkkkkkkk. Naquela região onde viviam era “Região Serrana”, lugar alto como sendo uma chapada de muita extensão. Existindo lajedos em vários trechos, serpenteado por arbustos entre as frestas das pedras na beirinha dela quer dizer: por onde uma velha estrada “Carreteira” dava acesso a outros lugares da região era como se fosse asfaltada, mas era pedra natural formada a milhões de anos pela mãe natureza. Por ali fora por muito tempo lugar onde os homens tiravam madeiras e as carreavam naquele trecho, e transportando-as para outros lugares. Via-se claramente as marcas das rodas das carretas,  carros e dos cascos dos bois na pedra vermelha, largando arenito que quando o vento batia formavam poeira. Se a gente pudesse subir em algum lugar bem alto veria os dois riscos paralelos na imensidão da estrada. Pareciam riscos de lápis vermelho numa folha de papel sem pautas. Muitos e muitos anos isso aconteceu, o jabuti a tudo isso presenciara nos seus 90 anos de vida. Kkkkkkkkkkkkkk. Viu muitos Carreiros e Carreteiros passarem por ali gritando com seus bois carreiros, ao longo do dia, desde as madrugadas até ao escurecer carregando enormes toras de madeiras tiradas na chapada naquela mata alta e muito bela. Ás vezes dava uma parada para descansar os bois em alguma sombra. Desta feita os homens o Jabuti faziam amizades, todos gostam de ver um cascudo destes com sua lerdeza e feiúra, olhem um Jabuti aqui? Olhem como é folgado? Peguem-no para a gente ver de pertinho? Nossa, como ele é pesado! Solte o bicho gente! Deixe-o a vontade, com isso ele fez muitos amigos. O jabuti era muito feliz, vivera ali todo este tempo. Adorava aquele lugar apesar de só existir água quando chovia e a agua da chuva empoçava nas brechas das pedras ou alguma poça no meio da estrada. Agua para mim nunca foi problema, dizia sempre consigo, a hora que chover eu bebo..........kkkkkkkkkkkkkk. Por ali os coelhos sempre foram forasteiros, pois confiavam sobremaneira em sua agilidade de andar para todos os lados. Descia lá embaixo na furna encontrava agua por lá. Subia e descia quando queria da serra. Numa época que os madeireiros deram uma trégua nos serviços a estrada ficou um tanto deserta cresceu alguns arbustos na beirada da mesma onde havia pequena porção de terras sobre a lage, mas dava para enxergar longe ainda, apesar dos matos, o coelho andava por lá todas as tardezinhas quando ia caçar o que comer, pois tem hábitos noturnos e vez por outra via o amigo jabuti indo para o seu esconderijo para dormir em paz á noite. Com aquela carinha de safado, o orelhudo arquitetou um plano: Vou dar um trote neste velho Jabuti. Deixa ele comigo, pregar-lhe-ei uma peça que jamais esquecerá. Kkkkkkkkkkkkkk. Amigo Jabuti, disse ele: Vim te convidar para fazermos uma aposta. Vamos correr daqui desta pedra até lá no pé do angico, quem de nós dois chegar primeiro vencerá. O Jabuti pensou consigo: Este camarada está me debochando, sabe que nunca corri em minha vida além de velho que sou. O Coelho esperou a resposta do amigo. Quando se dará isso e como faremos pergunta o Jabuti. É fácil, replicou o malandro do Coelho. Ficaremos um de cada lado na marca das rodas das carretas na estrada de pedra e partiremos com toda velocidade até chegar ao final. Daqui lá deve dar um quilômetro mais ou menos.




 O Jabuti pensou: É longe pra chuchu! Vou demorar no mínimo quatro horas andando enquanto ele correndo chegará em questão de minutos, claro que ele ganhará a aposta. Não demonstrando constrangimento. Aceito disse o quelônio. Então hoje descansamos e a corrida fica para depois de amanhã cedinho dissera o Coelho. Combinado? Feito, responde o Jabuti. Cada um foi para seu canto. O Jabuti espremeu os miolos em busca de uma solução para não perder a aposta. Saiu a esmo pela velha carreteira olhando em tudo, de repente vislumbrou numa moita de lixeira uma garrafa de pinga que um carreiro deixara ali, decerto esqueceu, pensou o Jabuti. Esfregou as patinhas uma na outra de contentamento, Achei, achei e achei a solução para este caso intrincado! Qui, qui, qui, qui sorria ele. Vou dar uma lição neste Coelho que nunca mais zombará de ninguém. Qui, qui, qui, qui e kkkkkkkkkkkk. Passou a mão na garrafa e levou consigo, pena que já tinham bebido uns dois goles da cachaça. Mas está bom disse aos seus botões. Chegou na sua toca feliz da vida. Descansou até demais. No dia marcado lá estava ele com a garrafa a tira colo amarrada por um pedacinho de cipó. Não demorou muito, lá vem o Coelho sorridente também. Olá amigo está pronto? Sim dissera o Jabuti. Êpa o que isso nesta garrafa? Pergunta o Coelho admirado! É uma coisa gostosa para mim festejar com os meus patrícios lá no pé do angico quando eu chegar. Vencerei a aposta e iremos bebê-la em comemoração a minha vitória. Qui, qui, qui, qui.  Essa não, disse o coelho! Não acredito! Verdade, disse o Jabuti! Vais ver! Antes porém você me dá licença que vou tomar um traguinho agora na saída para esquentar o sangue  das canelas, assim correrei mais rápido. Dissera aquilo só para provocar as lombrigas do amigo. O Coelho ficou com os olhos arregalados e com agua na boca. Não vai me dar nem um golinho amigo? Só se for bem pouquinho replica o Cascudo. Você nem precisa, corre muito bem. Passou-lhe a garrafa e o Coelho deu uma bicada grande! Nossa disse o Jabuti assim fico sem nada para a comemoração. Que nada diz o Coelho, ainda tem bastante, me deixa tirar mais uma golada, o Jabuti nem fez questão, o Coelho empinou a garrafa e o Jabuti disse: És muito guloso amigo? O Coelho pensando em lograr o Jabuti disse: Por enquanto vamos só andando, lá mais adiante a gente corre. Pediu mas outro gole e depois disse ao Cágado: Agora sim, vamos?  Atenção! E...... já! Saindo numa carreira louca sem se importar se o amigo corria ou não, sumiu na estrada, o Jabuti ficou olhando aquilo. O amigo desapareceu mesmo. Mas não desanimou, continuou andando como sempre, andou uma hora e pouco, ao passar por uma moita viu o Coelho deitado na sombra roncando e babando, que até dava dó em acordá-lo. A cachaça subiu na cabeça do Coelho e este ficou bêbado e dormiu fundo. Qui qui, qui, qui. O Cascudo chamou no pé, olhava para trás, nada do amigo vir. Chegou ao pé do angiqueiro encontrou seus patrícios esperando-o. Fizeram festa, palmas, gritos e risos, tomando a cachaça ficaram bêbados, uns de barriga para cima, outros de lado resmungando igual o humano quando enche o “Tampo”. Esperou um pouco o orelhudo, este demorando ele deitou-se também depois de tomar o que sobrou na garrafa e ferrou no sono, Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Já bem de tardezinha vinha o Coelho desapontado e vendo o bando de cascudos todos bêbados e dormindo, nem quis acordar o amigo. Sumiu da chapada para nunca mais voltar ali de tanta vergonha que passou.


SÃO FÁBULAS MUITO ANTIGAS DO NOSSO TEMPO DE CRIANÇA ANOS 1950
NOSSOS PAIS NOS RECONTAVAM E HOJE NÓS RECORDAMOS E PUBLICAMOS.
PARA O NOSSO BLOGGER “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”
ANASTÁCIO MS. 20/04/2015   LUIZÃO-O-CHAVES.


                                                                                                                          

segunda-feira, 2 de março de 2015

OS URUBUS E O CÃO.



                                                              
Em pleno Agosto, um mês que sempre foi um período do ano que a seca prevalece nesta estação, o inverno onde as folhagens das matas sentem o calor do sol e caem, as pastagens começam secar ficando esbranquiçadas, os cursos d’agua diminuem seu fluxo normal, as aves silvestres intensificam a procura do que se alimentarem, as frutas silvestres, sementes, e raízes da mata vão se escasseando, os animais andam a noite inteira em busca do que comer, visitam os barreiros com mais frequência para o complemento alimentar, os homens dão alimentação seca, ou seja, feno, capins secos, forragens, folhas de cana de açúcar, napiês,  folhas de bocaiúva e várias outras espécies de coqueiros, rações diversas para seu gado. Pois as pastagens ficam aniquiladas pela estiagem que sempre acontece entre os mêses de Maio até fins de Agôsto quando o tempo faz uma mudança para outro período, o período “Das aguas”, entrada de Setembro, como é chamado pelo povo sertanejo. Sabedores e conhecedores do tempo, o povo da roça, chacareiros e sitiantes previnem os víveres para seus animais não sofrerem tanto. Mas é obvio que nunca deixam de emagrecerem um pouco. Logo após as primeiras chuvas já o panorama da situação muda radicalmente para melhor. Reverdece tudo, as matas ganham sua beleza natural, os cursos d’agua aumentam de volume, a terra mostra o seu vigor, a sua fertilidade, a disposição para produzir o que se plantar nela, enfim vira um paraíso o que antes parecia não ter fim a agrura daquela sequidão do tempo. Então numa dessas manhãs um bando de urubus faziam revoada logo no inicio do dia, ali ao despontar do sol no horizonte da côr de sangue. O que prenunciava um dia muito causticante além de algum vento que soprava um calor vindo lá nem sei de onde, naquela noite morreu uma rês num dos cantos da invernada. Ninguém mais perito que os urubus para perceberem um acontecimento notável destes, seria uma festa para os abutres, todos em alvorôço. Porém ninguém metia o bico no churrasco antes da ordem superior, que seria o urubu branco, que é chamado de Urubu-rei. Desceram todos até ali no ponto, as árvores com seus galhos na maioria sem fôlhas, estavam apinhadas das aves de rapina, tinha urubus para tudo que era canto até no chão tinha urubu esperando o chefe para avançarem na rês que estava fresquinha, só môscas que participavam da descoberta até ali. Não demorou muito, lá no alto via-se a figura do Rei. Com seu vôo calmo e as batidas das asas compassadas e suaves, fez uma longa curva nos ares, observando tudo ao redor para ver se não tinha nada ao contrário de suas intenções. Tudo certo, tudo em paz, todas as aves em silêncio, respeito e reverência a sua majestade. Este pousou num galho solitário olhou ao redor e desceu, rodeou a rês morta, periciou-a minuciosamente, até mesmo farejando-a em todo o seu corpo, faz isso em todas as carniças porque se o animal foi morto por envenenamento ou picada de víboras e está contaminado a ponto de  ser fatal quem comer, o rei se afasta dalí sem tocar-lhe. Levanta voô e vai embora, ninguém toca no morto,  a carniça fica intacta até secar com as intempéries. Como não havia nada em contrário, bicou nos dois olhos do animal, comeu-os, comeu a língua, rodeou outra vez e lá na traseira do animal bicou e comeu a saída do corpo, deixando a vista parte das vísceras, kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. É assim que o Rei faz, só come os três pontos de cada animal. Levantou vôo, e na sua saída a turma se empolgou, estava liberado a festança. A turma animada avançou. Um dos urubus que parecia ser o mais idoso do bando chegou primeiro, pousou em cima da rês, e começou almoçar, todos aproximaram e vamos á festa. Kkkkkkkkkkkkkkk. Nisto aparece um cachorro, que atraído pela manifestação das aves além de seu faro aguçado, olhou o urubu velho e disse-lhe, amigo: Você e sua turma não me dão licença para mim participar desta festa? Roer alguns ossos. Estou com uma fome danada, preciso defender meu estômago também, ademais esta rês é de propriedade de meu patrão, que por direito eu posso comer também. Pois não dissera o velhote, sirva-se a vontade. A Rês é grande e dá para todos nós se fartar. Kkkkkkkkkkkkkk. Atrevido como os cães são, deu uma barruada nos abutres que assustaram e afastaram um pouco, numa perna da morta o cachorro comeu a beça, encheu logo, sentou-se ao lado da carniça, com a língua de fora, começou a perguntar ao velho urubu: Porque a roupa do senhor é preta? O urubu disse-lhe no passado fui um temível guerreiro, lutávamos contra uma tirania perigosa, mas só á noite se davam os combates, então nosso uniforme era preto para o inimigo não nos identificar. Ah, sim! Disse o cão. E porque o senhor só conversa em sussurros? Porque a gente no campo de batalha não pode levantar a voz, o inimigo nos localiza. Ah, sim! De novo o cão. E Porque o senhor quando anda é de passadas largas e tortas, a posição de seu corpo é “Pensa” de um lado? É porque a marcha em cadência dos guerreiros é esta, e a minha posição que lhe parece torta é o peso da espada que carregava de um lado só, o canhoto. Ah, sim diz o cão. Porque a cabeça do senhor é pelada, sem penas? É por causa do capacete de aço e o calor que a gente suportou nos combates, me derrubou as penas e não nasceu mais. Nossa! Então o senhor é muito valente mesmo, guerreou e voltou vivo. Pois é disse o urubu, tive muita sorte. Porque o uniforme do senhor é chamuscado e não de um preto brilhante? É por causa da fumaça da pólvora das armas inimigas. A gente os enfrentava na raça mesmo, era bala zunindo e a gente avançando. Pode ver a cor do meu uniforme e das minhas canelas é a  mesma cor da pólvora. Nossa, disse o cão! Hábil e corajoso guerreiro é o senhor, e lutou muito. Modéstia a parte sim, disse o corvo. Puxa vida, nunca imaginei que o senhor tivesse um passado tão glorioso, tão interessante e importante para a história. Assim você pensa, e não deixa de ser replicou o urubu. Nessa altura o urubu de “Saco cheio” com o cachorro, mas sem perder a ética dos grandes e ilustres personagens percebeu que o cachorro estava rindo dele baixinho. Do que está rindo amigo? Quis saber o urubu! É porque ainda não consegui descobrir, porque o senhor tem esta “Catinga” desgraçada no corpo, parece que nunca toma banho. Aí o urubu saiu dos eixos com ele: Escute aqui seu cachorro sem educação, mal agradecido, enxerido, especulador da vida alheia, depois do bucho cheio fica debochando do próximo que te serviu? Fora daqui! Senão vai ver do que somos capazes de fazer contigo. O cão saiu de fininho sem dizer nada, porem rindo-se muito! Nem desculpa, pediu ao amigo. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.


SÃO HISTÓRIAS E CONTOS QUE IMAGINAMOS E ESCREVEMOS PARA NOSSO BLOGGER.
“COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES” ANASTÁCIO MS 02/03/2015.

“Luizão-O-Chaves”

domingo, 1 de março de 2015

NUMA BOCA FECHADA NUNCA ENTROU MÔSCAS.

                                 


Numa tardezinha chuvosa no mês de Fevereiro em pleno verão, lá pelas 17 hs todo o comércio da pequena cidadezinha fechou as portas um pouquinho mais cedo do habitual que sempre foi ás 19 hs e pouco. Isso devido a fortes ventos e chuva que caiu no escurecer e entrava noite adentro e cada vez mais intensa. Lugarejo pequeno encravado no sertão e muito distante de cidades grandes, onde os comerciantes nem se importava de ficar até mais tarde com suas portas abertas, até mesmo se tivesse pouco movimento do povo do lugar e ás vezes alguns forasteiros que em trânsito por ali se achavam. O botequeiro também se recolhera, e após o jantar logo se acomodou para o descanso noturno com sua esposa, não possuíam filhos. Era o seu segundo casamento, pois de uma maneira estranha se desvencilhara do primeiro. Era desconhecido naquelas paragens, desconhecido no modo de dizer, pois ninguém sabia de onde tinha vindo e nada sabiam da sua origem, apesar de já residir ali e tocar há 25 anos aquele ramos comercial. Muito querido, estimado por todos do lugar, era uma excelente pessoa no modo de lidar com seus fregueses e conhecidos. A chuva persistia, ora mais leve e pesada, alternadamente. Casa de madeira com luz interna, não havia iluminação nas ruas e adjacências, todas de terra batida, barrenta com a lama da chuva, escuridão completa, ele se lembrara de quando chegou ali para morar, dizendo a esposa: Há 25 anos passados numa noite como essa, chuvosa deste jeito tive que suportar a noite inteirinha que Deus deu, só com a roupa do corpo e molhado como um pinto, tremendo de frio a noite toda encostado numa árvore, dei graças á Deus quando vi a barra do dia surgir. O sol levantou lindo e reluzente, parecia adivinhar a minha precisão de secar a roupa e depois vesti-la. Fiquei nu até a roupa secou. Vesti e sai sem rumo e sem direção, era uma chapada, um lugar ermo, onde a gente sempre ia caçar. Só que não voltaria mais por onde eu tinha vindo, deixaria para trás uma cena horripilante e um passado humilhante que nem gosto de lembrar. Despojei-me do que tinha levado para aquele local após concluir o planejado. Hoje e pela primeira vez recordo daquele dia triste que me custa sair da memória, dizem os entendidos que esta coisa em algum tempo da vida temos que contar a alguém, nesse ínterim ela dissipa de nossa memória. Agora vou dormir sossegado em paz, há algum tempo isso vem me incomodando. Parece que algo me dizia que precisava desabafar o espírito, alguém precisava saber deste meu segredo, agora tu o sabes, e que para mim é leveza de consciência. Mas o que é que você fez? Interpelou a esposa, agora fiquei curiosa para saber? Agora me conte tudo, senão quem vai ficar sem dormir sou eu. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Eu não queria debulhar o assunto, mas para o seu bem eu conto dissera o marido.  Fui traído pela minha esposa, ela estava de amores com meu vizinho e amigo de caçadas e de “esperar” bichos na chapada. Um dia descobri, mas por outro amigo e vizinho também, que me contou tudo, me pedindo segredo: Prometi que jamais revelaria seu nome. Passei noites sem dormir de tanta humilhação e vergonha. Mas não dei demonstração de nada á ninguém, nem á ela, a esposa. Planejei e convidei o traidor para mais uma “esperada,” naquela noite, éramos acostumados a fazer isso, e os bichos estavam saindo numa fruteira, ele topou, então nós fomos, saímos á tardinha, seguimos para o lugar ermo, lá chegando fiz um disparo na cabeça dele como vingança pelo ultraje, pela traição do meu casamento. Enterrei seu corpo, isso já era no escurecer. Joguei as nossas armas de caça num lugar mais distante dali, como tinha onças na região, se alguém não descobrisse o crime ficaria por conta das onças, e o desaparecimento meu também. Vezes anteriores os felinos haviam devorado caçadores incautos. Deu tudo certo. De lá eu sumi, nunca ninguém soube de nosso paradeiro. Vim para este lugar e encontrei você e casamos. Hoje gozo o conceito de uma pessoa honrada, mas só eu sei o que fiz nesta vida. Sinto um arrependimento muito grande pelo feito, a gente nunca está em paz, a consciência acusa, estou sempre incomodado com algo que nem eu sei o que é. Nossa! Dissera a esposa nunca imaginei uma coisa dessas com você. Pois é disse ele. Se pudesse voltar no tempo, o faria com a maior alegria. Sinto tê-lo matado, a mulher não merecia o meu amor, nem o que fiz por causa dela. Encontrei outra, você! És muito honrada. Sinto-me feliz. Mas choro pelo crime cometido. Deixo nas mãos de Deus. Vamos dormir?  A esposa em silêncio assentiu com a cabeça, mas parecia que algo lhe dizia: Isso ainda vai dar complicações. Um pressentimento tomou conta dela, uma coisa esquisita sem saber de onde vinha aquele mau presságio. Mas se acomodou ao lado do esposo fingindo estar tranquila. Pura verdade, os maus pressentimentos sempre anunciam algo de mau agouro. A chuva cessando, logo uma ave noturna soltou um trilado no meio da noite que ela ouvindo, se arrepiara toda. O marido percebeu sua inquietação: O que é amor? Você se assustou? Sim disse ela, algo ruim está para acontecer em nossa casa, uma ave agourenta passou voando sobre nosso telhado e trilou sentida. Isso nunca me enganou. Por fim dormiu. Ela estava com a razão, na biqueira da casa rente a parede, e enquanto chovia, estava um sujeito escondendo da chuva até que esta passasse, ouviu tudo, escutou a conversa todinha nos mínimos detalhes. Era um policial á paisana que horas antes estivera no comércio deles a tomar bebidas com amigos de infância, pois nascera ali, depois se arribou para a cidade grande e lá estudou, se formou em detetive, perito criminal, agente federal, investigador etc. Estava armada a confusão na vida do botequeiro. Este agiu com prudência e calma, saiu da biqueira da casa silencioso como um felino. Voltou ao armazém mais vezes nos dias seguintes, sempre alegre e observando o homem, pensava consigo: Como pode uma coisa dessas! Concluía o raciocínio: Bicho perigoso e traiçoeiro é o elemento humano! Quem diria! Terminando suas férias dirigiu para o vilarejo do criminoso. Vasculhando os arquivos das ocorrências antigas, já arquivadas na delegacia encontrou os nomes de dois elementos desaparecidos há exatos 25 anos atrás. Eram os dois amigos vizinhos e caçadores que supostamente onças tinham comido lá na chapada. A mulher traidora fora localizada, intimada a depor e confirmou o sumiço dos dois, seu marido e o amante que saíram para esperar caça numa fruteira e nunca mais voltaram. Foi o maior reboliço, dali uns dias chegou ao boteco dois policiais a paisana, conversaram longamente com o criminoso. Conferiu o nome dele. Pernoitaram, descansaram e no dia seguinte se apresentaram fardados no armazém, deram a voz de prisão ao botequeiro. Este nem sequer reagiu, tamanho foi o susto que levou. Mas foi preso, conduzido a presença das autoridades lá de sua cidadezinha, confessou o crime. Como o tempo prescreveu este delito. Retornou ao seu reduto, agora em paz e com a consciência tranquila.  Boca fechada não entra moscas. Parede não tem ouvidos, mas escutam também. Portanto, cuidado com a língua!!!

São histórias e contos que imaginamos e escrevemos para o nosso Blogger.
“Coisas de Caboclo de Luizão-O-Chaves” Anastácio Ms, 28/02/2015.
Luizão-O-Chaves.




domingo, 21 de setembro de 2014

OS DOIS AMIGOS E A VIDA APÓS A MORTE.


Dois meninos de idades iguais, um deles se chamava Daniel e o outro Givanildo que se avizinharam por longos anos, cresceram, conviveram e ficaram rapazes, sempre conservando uma bela amizade, trabalhavam sempre que possível juntos, os tempos escolares, suas infâncias, adolescências, as diversões, as atividades e aptidões, de gênios compatíveis e comportamentos muito semelhantes, pareciam até mais que irmãos, mas não eram irmãos, nos passeios, até nas preferencias das coisas muito se assemelhavam, seus gostos até pelas cores de roupas eram de dar admiração aos outros amigos, só não brincavam de dizer que eram gêmeos, por serem de fisionomias diferentes, eles simplesmente riam dos demais, e diziam: É que somos mais que irmãos verdadeiros, só num ponto que eram divergentes as suas opiniões, imaginem no que fazia referência: A vida após morte, um deles, o Daniel achava que, lá do outro lado da vida era assim: mostrava sua opinião e forma de pensar, não tinha dúvidas, já o Givanildo pensava totalmente diferente, muito diferente mesmo. Não se acertavam no aspecto da religação da vida presente com a vida futura, após a morte física. Em vida sim, pensavam iguais e jamais discutiram, nem nunca se desrespeitaram, só arrazoavam entre si e mantinham apenas as opiniões diferentes, afinal ninguém tinha vindo do outro lado para lhes contar como era lá, nenhum deles queria ser surpreendido, quando chegasse a sua vez de ir morar em outra vida, queriam ter certeza de com era do outro lado. Mas a dúvida permanecia, perdurava sem solução até aquele momento. Era um segredo que um dia a eles seria revelado, só não sabiam de que forma ia acontecer. O Daniel pensou de um jeito para dirimir aquela dúvida entre os dois. Disse ao amigo: Façamos o seguinte, quem de nós for primeiro, voltará e dirá ao outro como é lá do outro lado desta vida. Combinado? Sim, estamos combinados! Dissera o Givanildo Mas como saberemos que será você, ou eu sendo que os espíritos ninguém consegue vê-los? Eles não falam, não são vistos, sua presença não é sentida, nem sabemos como eles se manifestam ante um humano ainda na vida física. Como faremos? O outro pensou muito tempo, depois argumentou, nunca senti, mas já ouvi falar que eles, os espíritos bons manifestam aos humanos através de um perfume com uma fragrância que na terra não existe. Só no céu que existe. É um perfume angelical, só os anjos celestiais que usam para diferenciarem-se dos anjos maus, quando em missões de virem ajudar alguém aqui na terra, pois os maus fingem ser bons para enganar as pessoas de bem, por estas não saberem distingui-los dos anjos bons. Porque os maus não exalam perfume nem aroma agradável. Dizem que são de um odor horrível, assim como podridão de ossos humanos no sepulcro, por serem espíritos que viveram a vida inteira no pecado, morreram sem arrependimento, sendo reprovados por Deus, perderam a salvação. Fica fácil para a gente então identificar um do outro na situação que pensamos. Feliz lá do outro lado da vida. Ou infeliz! Conforme Deus determinar, devido suas boas ou más obras praticadas enquanto vivemos aqui. No caso nosso fica muito fácil, porque não fazemos mal ao nosso próximo e temos em comum a certeza de ganhar a salvação quando a gente viajar. Um deles pensou ainda muito mais, se for eu que morrer primeiro, pedirei á Deus uma licença especial para vir comunicar contigo, te direi como é lá! Antes de tudo, ficará com este perfume que comprei para te presentear, tenho outro frasco do mesmo dissera o Givanildo. É uma delicia de fragrância, sei que irá gostar muito, é uma senha entre nós dois. Não o usarei em hipótese alguma a não ser quando eu morrer. Você fará o mesmo. Pedirei a minha mãe ou esposa para borrifar meu corpo no caixão com ele. Quero ir perfumado. Assim que obtiver a licença de Deus, me apresentarei á você, sentirá o cheiro dele, em seguida sentirá o perfume dos anjos. Porque creio que serei portador do aroma angelical. Serei um anjo também. Saberás que sou eu. Entendido? E se for você a viajar primeiro, o trato é o mesmo, estarei atento. Os tempos se passaram, e o Daniel se casou logo, e foi morar em outro lugar muito distante dali com a família. Este que ficou solitário lamentou a desdita de uma grande amizade que por forças das circunstâncias teria que acontecer um dia. Sendo assim, foi desfeita a amizade no bom sentido das palavras. Mas é a vida! Muitos anos se passaram, e nunca mais se encontraram, ele também foi para outras paragens muito longínquas, não quis casar, ficaria solitário até onde fosse possível. Um dia após uma jornada de trabalho, o Givanildo indo para o descanso noturno, entrou no seu quarto, pois morava sozinho, e de joelhos fez sua prece de agradecimento á Deus pela vida e a paz que possuía, feliz como sempre, antes de deitar sentiu aquele perfume, aquele que dera ao amigo, o que havia presenteado ele. Ficou atônito, surpreso, sem ação, olhando para as paredes do quarto, tudo iluminado, além da luz que clareava o ambiente, uma luz fulgurante, límpida, resplandecente, sentiu um frescor, uma coisa nunca vista em toda sua vida, nem sabia de onde vinha aquele facho de luz. Nem medo sentiu. Não se continha, dava a impressão que estava em enlevação, estava flutuando no ar, sua mente parecia tocada, iluminada por algo indescritível. Fluía de si uma alegria vinda sem saber de onde, lembrou-se do amigo! É você que me visita, Daniel? Estou te reconhecendo pelo nosso perfume! Já não és mais deste mundo que eu ainda vivo? Percebo que sim! Então, como é lá do outro lado? Conte-me logo rapaz, estou ansioso para saber? Sentiu algo aproximando dos seus ouvidos, seguido do perfume angelical: Uma voz delicada e suave lhe dissera: NÃO É COMO VOCÊ PENSA!  E NEM É COMO EU PENSEI! Num piscar de olhos aquela aparição sobrenatural, aquele maravilhoso estado de alma se desfez. Entendeu tudo com perfeição! Concluiu com convicção, não adianta ninguém querer saber, é um segredo de Deus! A mente humana jamais conseguirá desvendar isto! Obrigado meu amigo, e descanse em Paz. É o segredo da transposição desta vida para a outra que perdura!


SÃO IMAGINAÇÕES QUE ESCREVEMOS PARA “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”.
ANASTÁCIO MS, 17/09/2014  Me encontre no Face. Luiz Moreira Chaves.