sábado, 26 de julho de 2014

COMO VIVEM DOIS VELHOS COMPANHEIROS.




 Coelho e jabuti, dois animais de características diferentes como o dia da noite, apesar dessa diferença em hábitos e costumes de acordo com as espécies ainda em evolução dá para viverem em paz! O nome correto do Jabuti é Cágado e terrestre, mas vamos chamá-lo de Jabuti por ser mais conhecido assim em fábulas diversas. Além de uma boa amizade que entre eles existe. O Coelho é de hábitos noturnos, animal de pelagem delicada, sutil e precavido, desconfiado, cismado, atento ao menor ruído por onde anda em seu horário habitual que é do escurecer até no raiar do dia, ás vezes até o sol despontar no novo dia. Conhece todos os bichos do mato pelo seu cheiro. Mora em oco de pau, locas de pedras, embaixo de troncos caídos, em buracos no chão, ou em buracos nas barrancas de córregos, em última instância faz sua “cama” embaixo de moitas. Dorme com os olhos abertos. Pasta em geral todas as plantas gramíneas, relva delicadas, até pastam plantações de arroz já grandinhos, lá pelos seus quinze dias, come barro nos barreiros, anda pelos caminhos onde a gente passa, nos terreiros de “Taperas”, até mesmo no nosso terreiro das casas nos sertões, nas roças em invernadas sempre pastando capins. Fica sentado olhando o céu nas noites enluaradas. É domesticável com certa facilidade, acostuma com os movimentos da gente, tornam-se mansos a ponto de simplesmente sair do nosso caminho enquanto a gente passa, daqui a pouco voltam. Nas noites de luar a gente o vê batendo o bumbum no chão quando corre. É muito frágil, sem defesa nenhuma contra os seus predadores que são muitos: Cobras, Gaviões, Corujas, cachorros-do-mato, Jaguatiricas, e gatos de toda espécie. Só sabe correr e pronto! Muito embora seja muito veloz, alcança até 54 km por hora. Salta muito, audição aguçadíssima, olhos ligeiros, acima destes atributos que a mãe natureza lhe dotou. Está o seu Faro. Poucos animais tem a sua capacidade de percepção do cheiro dos seus predadores. É um animal de porte elegante, bonito até. Sua presença é agradável á nossa admiração. Asseado também. Não come sujeira nenhuma. Enquanto não acontece nada de perigo vai vivendo! Por outro lado o seu amigo Jabuti de características totalmente diferentes, vamos falar deste agora, um animal pré-histórico ao menos é o que parece, uma carapaça dura, que se não olharmos direito mistura com as pedras nos eixos de serra e por onde anda. Lento, cabeça de cobra, olhar feroz, patas como se fossem todas quebradas e tortas parece que o bicho foi remendado, arrasta a barriga no solo bem protegida de qualquer esfolado, tombo, até mesmo contra os predadores seus. Quase não bebe agua, alimenta-se de frutas, folhas de alguns arbustos e carniças que achar. Muito feio, não tem presença! Não foge de ninguém, pois as pernas não lhe ajudam, limita-se a encolher enfiando a cabeça e pernas na carapaça que é sua defesa, As suas patas dianteiras fecham direitinho e sua cabeça ninguém vê, o seu rabinho enrolado fecha lá no fundo também, é uma pedra! Assim ele dorme também com segurança! Sendo preciso fica horas e horas ali imóvel até que o seu perseguidor desista, Tem um faro muito bom! Lá de dentro de sua casa sente tudo que estiver ali por perto, só sairá quando não sentir cheiro esquisito nenhum. Seu principal predador é a onça que consegue quebrar a sua carapaça e comê-lo. Fora isso, vive muito, até cem anos ou mais. Seus hábitos são diurnos, anda o dia inteiro por todo canto em especial nos pés de morros, beira de estradas, matos, cerrados, beira de rios e córregos. Nunca tem pressa, está em casa, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Coelho e Jabuti se tornaram amigos, sempre que possível andavam juntos, só se encontravam no amanhecer ou no anoitecer, dia destes estavam batendo papo numa clareira da mata, quando o Coelho deu um salto e sumiu no mato sem dizer nada ao amigo, o Jabuti tomou um susto e fez o que podia, encolheu-se todo dentro da carapaça. De repente sentiu um par de unhas esfolando suas costas, conheceu pela “Catinga” de gato que exalou o felino, era uma Jaguatirica. Nossa, pensou com seus botões! Estou perdido! Que fim levou o meu amigo Coelho! De certo escapou dessa! Imaginou lá dentro da carapaça!  Tirou a seguinte conclusão, se o Coelho tivesse sido pego por este bicho ele não estaria unhando minhas costas! A jaguatirica rolava o jabuti para todos os lados tentando encontrar uma brecha para devorá-lo! Naquele aperto sem nada poder fazer, só imaginava uma coisa: Aguentar firme até ver no que daria aquela situação, dera mil e uma graças á Deus quando ouviu um ganido de cães não muito distante: Au au au au, percebeu que seu agressor o deixou e ”Pernas” para que te quero. Ficou de barriga para cima quieto sem mexer! Percebeu os cães passarem por cima de si numa desabalada carreira na batida da Jaguatirica. Logo ouviu uma acuação acirrada! Pensou consigo deve ser contra a minha perseguidora, bem feito! kkkkkkkkk. Era ela mesmo, e estava trepada num arvoredo e os cães embaixo acuando sem lhe dar tréguas. Os caçadores seguiram o acuado, de repente o Jabuti ouviu um estrondo, Tibuuuuuummmmmm! Aquele eco se tornou múltiplo pela serra que circundava o lugar. Pensou, agora sim! Parece que os homens abateram a Jaguatirica! Dai a pouco passaram pertinho dele, e um dos caçadores o viu e disse ao outro: Pobre bicho! Ponha-o em pé, sabe Deus quanto tempo está nesta posição aí de papo pra cima se debatendo! Vamos embora tirar a pele desta! O Jabuti pensou: Ainda tem muita gente boa neste mundo! Kkkkkkkkk. Se eu pudesse daria um abraço em cada um. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Deu um tempo e pôs a cabeça fora da carapaça, farejou, olhou, não viu ninguém, saiu feliz e vitorioso! Desta eu escapei! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Depois de alguns dias ele e o Coelho se encontraram novamente, relembraram o ocorrido e festejaram o reencontro!


ESTA HISTÓRIA DOS BICHOS É IMAGINAÇÃO E CRIAÇÃO NOSSA.
PARA: “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”

ANASTÁCIO MS 25/07/2014

segunda-feira, 23 de junho de 2014

DOIS COMPADRES, O CÃO E MESTRE GATO !.


Mestre gato e o cão eram velhos conhecidos, mas se aproximavam muito pouco um do outro, como é sabido por todos que cão e gato são símbolos de discórdias, rixas, encrencas desentendimentos, bate-bocas, arrelias de toda espécie, malquerenças entre os povos, tanto é que há um ditado ou provérbio muito antigo que diz assim: Parecem cão e gato, aquelas ou aqueles. Porque sabemos que nunca se dão bem esses dois animais apesar de serem domésticos e ambos são muito queridos das crianças, e dos adultos também! Prestam-nos serviços, cada um com aquilo que sabe fazer. Salvo um ou outro caso de se darem muito bem quando criados desde pequeninos juntos, dormem juntos andam pra lá e pra cá sem se estranharem um ao outro. Brincam tanto que a gente para, ao vê-los naquela bagunça que aprontam. Pois é vamos discorrer a amizade destes dois em questão. O gato já tinha família, morava numa beira de estrada que demandava de um lugarejo para as colônias, sítios chácaras e fazendas. Tinha um boteco onde vendia quase de tudo, secos e molhados, armarinhos em geral, era muito conhecido e conhecia a todos da região. O cão por sua vez era ainda solteiro, servia na força pública, ou seja era policial na corporação do lugarejo. Nas incursões que a policia fazia nas redondezas, dando buscas onde fosse necessário, até então tudo calmo entre a população. Passaram lá no boteco do gato, ele e mais alguns companheiros mas como sabem, estando em serviços não permanecem muito tempo nos pontos de aglomeração de pessoas, apesar do gato terem lhes oferecido alguma bebida com parte de cortesia da casa, disseram muito obrigado e se foram embora. Estamos sempre ás ordens, dissera o gato a guarnição. O cão gostava de um trago lá de vez em quando, mas como estava de serviços e não podia, saiu com agua na boca. Planejava num dia desses, dar uma passadinha no boteco do amigo, bater um papo, tomar uns tragos fazer uma boa amizade e por ai a fora. Deu certo, foi registrado uma ocorrência na unidade de segurança pública e teve o cão a sorte de sair em missão de realizar uma prisão de um elemento foragido, pois havia cometido um delito contra uma moça, os pais dela, foi que fizeram a queixa, o rapaz aprontara a dele e caiu na “Folha”. Ninguém melhor que o cão para rastrear o fulano que era o coelho. Os pais e a moça eram os preás. Não tinha pressa ou data para levar o infrator á presença das autoridades. Desde que cumprisse a missão estava tudo bem. O cão saiu pedindo informações do coelho em vários pontos e pessoas que encontrava pela caminhada, fardado,  armado de pistola e um facão na cintura impunha respeito á todos além de ser muito competente era prosa e amigo do povo, não tinha um mínimo de preocupação com a tarefa, pois era bom farejador e nada escapava de seu faro aguçadíssimo, era o melhor soldado da corporação. Só que ninguém esperava que ele ao longo da carreira se tornara um beberrão disfarçado de gente boa quando não estava de serviços. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Apareceu no boteco do gato e sendo bem recebido soltou a prosa, conquistou rápido a confiança do gato que vendo aquela bela amizade, ofereceu-lhe um trago que foi aceito de bom grado da parte do cão. Papo vai papo vem, a gata deu uma espiada pela cortina da porta que divisava o armazém da sala de estar, viu que era um soldado fardado, reconheceu ser o cão, só imaginou: Homens se entendem bem, ela estava para dar gatinhos dali uns tempos, nem se importou com os dois. Escutando gargalhadas dos dois deu outra espiada ai o marido viu ela e disse: Traga um cafezinho para o nosso futuro compadre!  Ele está escolhido para ser padrinho de nossas crianças, o cão se mostrou muito honrado. A comadre ficou satisfeita com a escolha. Ela trouxe e eles tomaram, então compadre, o senhor vai ser pai? Perguntou o cão! Sim, e não demora! Parabéns ao senhor e a comadre que deu um sorriso maroto! Ficarei muito feliz em ser seu compadre. Continuaram só os dois tomando a pinga alternados, mas a cachaça subiu na cabeça dos dois e começaram conversando mole, a gata interveio e disse: Já estão ficando tontos é bom parar com isso. O gato voltando para ela respondeu: Lá para a cozinha, sabemos o que fazemos, ela saiu murchinha e os dois continuaram. O gato olhou o compadre e disse: Tu sabes usar estes tarecos que trazes na cintura? Claro que sei respondeu o cão! Manejo isto como ser fossem brinquedos! Quá, disse o gato! Comigo isto não funciona, porque sou mais ligeiro do que o senhor, isto eu garanto! Compadre, respondeu o cão, você não me conhece! Sou treinado para brigar com qualquer um! Nunca fui derrotado por ninguém! Quem é o senhor para me desafiar! Perde seu tempo! Quer experimentar ?Vamos ali fora no terreiro que te mostro meu valor! Sou o melhor soldado do batalhão! Tanto eu atiro como corto de facão! Ante as bravatas do cão, o gato saltou por cima do balcão, passou acima do compadre riscou um fósforo no terreiro e disse: Pegue-me se puder meu compadre!  Rolou no chão e esperou. O cão puxou o facão da bainha, lambeu-o e despejou no compadre gato. O gato limpou fora e o facão sibilou no ar mas só cortou a terra! O gato kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, Não te falei compadre? Sou igual um raio! Segure o ferro que lá vou eu! O compadre gato  riscou mais um palito do seu fósforo, saltou de barriga prá cima, virou no ar  deu um tapa na cara do compadre cão, mas só acertou no capacete que voou lá longe. O cão soltou o facão e sacou da pistola e abriu fogo no gato! Este deu um salto mortal e caiu em pé! Ainda no ar a bala do cão acertou bem na ponta do rabo do gato, tirou um pedacinho dele! O gato lambeu o rabo e disse: Puxa vida compadre, o senhor e bom mesmo, disse entre risos! Nessa altura a pobre da gata assustou daquele tiro, vendo os dois rolando na poeira passou a mão num cabo de vassoura e disse: Agora quero ver se não me obedecem seus dois bêbados safados! Não acham o que fazer enchem o "Tampo" de cachaça e ficam inventando moda. Parem com isso, quase me matou de susto seu dois vadios! Compadre cão, vai já para o quartel, que daqui a pouco chego lá! Vou registrar uma ocorrência de vocês dois! E você passa para dentro que depois vamos acertar, disse ao marido! Entrou lá dentro da casa, como se fosse pegar alguma coisa. Os dois muito desapontados, um olha para o outro e diz! Nossa, compadre o que fomos arranjar depois das pingas que tomamos! Verdade disse o outro! Estamos ferrados! O cão disse: Peça a comadre pelo amor de Deus! Não faça nada de ocorrência, senão vou ser expulso da corporação, por má conduta, perco meu ganha-pão, fico sujo perante a sociedade!  Estou em serviço, missão importante para cumprir, fico nos botecos tomando cachaça e o dever ainda por ser cumprido. Já imaginou compadre, eu saindo daqui bêbado e preso? Tô lascado se a comadre o fizer!  Pera aí compadre, disse o gato! Chamou a esposa, ela veio muito brava nervosa, e perguntou: Compadre cão, o senhor ainda não foi embora? Espere ai só mais um pouquinho que o senhor vai. Te mostro quem sou eu! Não, não comadre, te peço perdão pelo que fizemos! Prometo-lhe que nunca mais isso vai acontecer! Vou deixar de beber! Ponderou o compadre cão! Está bem, disse ela, espere ai um pouco! Foi lá na cozinha e fez um café amargoso para os dois. É para curar a bebedeira! Ambos tomaram em silêncio, se desculparam, se elogiaram e o cão foi-se embora, a comadre fechou o boteco e o gato foi dormir no sofá!  São compadres até hoje! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

FÁBULAS QUE CONTAMOS PARA DIVERTIR OS CABOCLOS SERTANEJOS.
IMAGINAÇÕES DESTE VELHO SERTANEJO E AMIGO DAS CRIANÇAS.

LUIZÃO-O-CHAVES. ANSTACIO MS 23/06/2014. (67) 3245 0140.  

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OS DOIS GATOS E O MACACO JUÍZ.



                        
Dois gatos haviam roubado um queijo, e na hora de dividirem o produto não se acertavam. Resolveram procurar alguém que fosse capaz de amenizar a situação entre eles, depois de tanto andarem, apareceu um macaco que se mostrou eficaz para resolver a questão. Me deêm uma balança de dois pratos e uma faca, exigiu o macaco. Pois não, disseram os dois encrencados, deram uma volta com o queijo numa sacola e trouxeram a dita balança e a faca. Na cabeça de um toco ajeitaram a balança numa pequena tábua, o macaco partiu o queijo no meio, mas com uma treita de safado mesmo, isto é; uma das partes ficou maior que a outra. Colocou-as nos pratos da balança, claro que uma das metades pesou mais, um dos pratos levantou enquanto o outro indicava mais peso. O macaco pegou a parte mais pesada e deu-lhe uma dentada, deu duas recolocou-a no prato que desta vez levantou mostrando que ficara mais leve, reverteu na outra parte mordendo-a tirando-lhe a diferença de peso. Assim foi fazendo alternadamente, nisso os pedaços iam ficando menores, um dos gatos bronqueou duro com o juiz da questão. Que história é essa? Senhor macaco! O que pensa que somos? Nunca vi isso? O senhor está logrando a gente! Não é porque roubamos este queijo que o senhor dá uma de esperto com a gente! Não amigos, não é que sou esperto! Ponderou o mico. Isso é um principio de justiça, eu explico: Todo juiz de questões, tem direitos a um percentual de comissão sobre o produto em questão, sejam de terras, partilha de bens, criações diversas, gado, imóveis, dinheiro vivo e qualquer coisa em litígio entre as partes requerentes, ele trabalha muito, e dentro das leis para acertar, para  que as partes cheguem num acordo, mas isso é combinado antes, por isso ninguém reclama! No nosso caso não houve acordo antecipado, por isso que dou uma dentada em cada pedaço do queijo para fazer jus ao meu trabalho que por sinal será bem feito e vocês dois irão me elogiar no final de tudo. Convencidos da opinião do símio em relação ao serviço concordaram e logo cada um dos gatos recebeu a parte que lhe cabia, e fim de questão. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
SÃO AS HISTÓRIAS DE ENTRETENIMENTO DOS CABOCLOS NA RODA DE BATE-PAPOS.
CULTURA SERTANISTA QUE PASSA DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO.
 SÃO IMAGINAÇÕES PARA: “COISAS DE CABOCLO” DE LUIZÃO-O-CHAVES.

ANASTÁCIO MS 22/06/2014

A LAGARTIXA E A CASCAVEL.






                    
Era já de tardezinha na estação do calor, pleno verão, como havia chovido horas antes, a cascavel resolveu sair do oco de um tronco onde fazia morada há alguns anos. Sentia o cheiro das folhas secas úmidas pela chuva, imaginou que seria fácil achar alguma presa  para o jantar, quem sabe um rato, uma ave descuidada, uma lebre, preá  ou qualquer outra coisa. Pois após uma garoa os animais e aves saem em busca de alguma novidade, minhocas, insetos cascas de cigarras, elas mesmas e diversos outros, se alegram com a umidade e frescor da terra e aproveitam para saírem mais cedo da tarde de suas tocas, tatus, pacas, cutias, ratos, preás, e as aves em geral gorjeiam alegres com a mudança climática nem que sejam de um dia para o outro. Andam a noite inteira, alguns animais até o sol já alto do outro dia. De buchos cheios, vão para o seus descansos diurnos, pois são noturnos de hábitos! Então como íamos dizendo, a cascavel cautelosa e lenta como é, ia devagarinho por entre os galhos secos e ramos verdes das moitas por onde passava, não fazia um ruído sequer, sempre na espreita de algo que podia lhe satisfazer. Tinha planos de ir até a beira do córrego em busca de saciar a sede e ficar sondando o primeiro descuidado que lhe atravessasse no caminho. Tal sem esperar vem uma lagartixa doida, numa carreira que nem ela sabia do que estava assustada. Deu de cara com aquele brutamonte de cobra. Nossa! Quase que desmaia de susto! Maior do que daquele bicho ou a coisa que a fazia correr daquele jeito! Ficou branca, e aterrorizada de medo da cascavel, nem pode articular uma sílaba sequer, fugiu-lhe a fala, aqueles olhos esbugalhados, parecia pregada no chão, uma estátua de tamanho que foi seu susto. A cascavel por sua vez vendo-a naquela situação teve pena daquele bichinho que além de pequenino é inofensivo. Perguntou-lhe: O que foi? O que aconteceu contigo? Estás tremendo?  O que te assustou tanto? A pobre lagartixa não balbuciava uma palavra. Mas a cascavel mostrando-se calma e com um jeito amigável ela criou coragem e respondeu: Nada! Nada como? Interpela a cobra! Muito sem graça, a lagartixa retrucou: Assustei-me da senhora, és um bicho que além de grande e perigoso! Eu quase esbarrei em ti sem perceber! Nossa como escapei dessa! Que nada disse a cobra, será que sou tão perigosa assim? Mas com você não! A essa altura a lagartixa tinha criado coragem, animou-se na conversa! A cobra enrodilhou-se para ficar mais a vontade, abriu um sorriso e o papo foi longe. Então disse a cobra, tens medo de mim! Deixe de tolice, tu sois muito mais perigosa do que eu! Se entre nós existe uma perigosa? Será você! Nem imagina como és perigosa e não sabes, quer ver? Vou lhe mostrar como não tens veneno mortal nenhum e mata qualquer vivente, e eu que tenho, ás vezes não mato assim como pensas. Vamos ficar na beirada daquele caminho, ali passa todos os dias aquele homem roceiro. Ficará de um lado, eu ficarei do outro, bem camufladas, vou picá-lo numa das pernas e você aparece de imediato. Ouça o que ele diz. Ele não me verá, mas sim você!  Assim ficaram até o homem passar, tomou a picada da cascavel e a lagartixa apareceu grudada na bainha de sua calça, um filete de sangue apareceu na sua perna, ele olhou, limpou e disse: Bichinho besta, não acha o que fazer? Vem assustar a gente! Foi-se embora pitando seu cigarro e trabalhou o dia inteiro. No dia seguinte fizeram ao contrário, a lagartixa picou-o e a cobra apareceu tocando o guizo, nossa senhora, que pânico! O pobre homem caiu no chão de tanto que assustou, e a dor agora? Gritou para tudo o que era santo, que ele sabia do nome. Já veio a família, prestaram socorro, já foram em busca de recursos para que o sujeito não morresse. Ficou mal num hospital após alguns dias ele retornou com saúde e muito desconfiado quando passava naquele local. Não te falei amiga lagartixa, que o que mata não é a gente? É o susto e o medo quem matam as pessoas. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES SÃO HISTÓRIAS DE MATUTOS.
IMAGINAÇÕES REGADAS COM CONHECIMENTOS DIVERTEM-NOS.

ANASTACIO 22/06/2014.

domingo, 4 de maio de 2014

A ASSOMBRAÇÃO DOS TRES RAPAZES.




               
Era uma vez três amigos estudantes, que cursavam a faculdade, eram muito unidos em torno dos estudos. De modo que tudo o que faziam dava muito certo, verdadeiros ajudadores um do outro, leais mesmo, nenhum deixava nada a desejar em termos de solidariedade, vai um dia, vem outro, o tempo vai passando, um belo dia a formatura deles.  Cada um com a escolha diferente da carreira a ser seguida no transitar pela estrada da vida. Mas unidos na felicidade. Resolveram tirar umas férias após a conclusão dos estudos. Eram assim, um deles gostava de tomar vinho, o outro mais moderado, qualquer coisa lhe servia, mas só para agradar os outros dois. O terceiro não gostava muito de beber, lá de vez em quando sim! Passando por outros lugares vindo da capital onde estudavam e divertindo para se livrarem da estafa de tantos anos de estudos. Vieram para a cidadezinha do interior onde moravam, as demais não distavam muito da sua.  Andavam de jardineira que servia a população naquela região, outras vezes andavam á pé, ali na redondeza que circunvizinhava a sua cidadezinha conheciam tudo. Um dia destes foram a um lugar mais longe dali, numa outra localidade. Iriam pernoitar, foram para uma pensão, lá se acomodando, isto era de manhã! Após o almoço descansaram um pouco. Saíram a passear ao redor do vilarejo. Foram por uma estrada que daria num belo córrego onde era muito visitado por pessoas nos finais de semana. Lugar aprazível, cortado pela estrada que demandava a outras localidades. Na beirada do córrego havia uma invernada com gado e chácaras bonitas de se ver. Ao atravessarem um capão de mato antes da travessia no córrego, tinha um areião na estrada que convidava a gente para ficar sentado nela de tão alva e límpida. Sentaram ali um pouco para descansar e conversar algo a respeito da beleza do lugar. Levantaram e saíram, logo após terem andado algumas centenas de metros pararam. No mato se ouvia canto dos pássaros, gafanhotos e cigarras cantando também. De repente ouviram uma gargalhada: kkkkkkkkkkk . Uma risada feia, não era de gente viva! Arregalaram os olhos! Um deles o mais medroso, disse: Vamos embora daqui! O que será isso? O do meio ficou assombrado que nem a fala saiu! Não sei, responde o terceiro, só sei de uma coisa já estou indo! Corram! Mas o primeiro muito corajoso replicou: Correr coisa nenhuma, eu quero ver o que é? Ouviram mais uma vez:  kkkkkkkkkkkkkk. Seguido de uma voz que dizia: Quem nunca viu o laço do Diabo venha ver! O mais medroso ficou entre o dois, tremia-lhe as pernas! Um disse aos demais: Vocês ouviram bem? Sim, acenou com a cabeça os dois! Vamos lá ver de perto esse negócio! Ao adentrarem no capão viram um vulto enrolado numa capa, com chapéu sobre os olhos escondendo o rosto e desaparecendo entre os arbustos. Me acompanham que lhes mostro uma coisa que nunca viram, dissera o vulto negro! Foram acompanhando aquele espectro que seguia na sua frente de modo invisível, só viam as folhas de mato balançarem, lá adiante embaixo de um pé de Cafezeiro, sombra muito fechada divisaram uma caixote no chão, era uma caixa de couro já desgastada pelo tempo, mas ainda intacta no seu conteúdo. Chegando pertinho, olharam um para o outro, espantados com o que viram, abriram-na: Cheinha de libras de ouro puro, maciço, reluzentes. Perderam até o folego. Nossa! Nunca vi uma coisa dessa! Disse o mais corajoso. Completou dizendo aos outros dois que a essa altura já não tinham mais medo! Laço do Diabo, coisa nenhuma! Ganhamos de alguém este tesouro. Estamos muito ricos. Kkkkkkkkkkkkkk. Sentaram no chão, sem preocupações. E agora? Dissera o medroso. O mais esperto e tomador de vinho, sugeriu: Um de nós volta lá no boteco e traz uma garrafa de vinho para brindar a divisão desta riqueza entre nós. Kkkkkkkkkkkkk. Quem vai? Quem fica? Por fim sortearam um que iria!  Recaiu sobre o mais corajoso! Eu vou então, disse ele! Lá se foi, enquanto os dois ficaram, cresceu num deles uma ambição tão grande por aquele tesouro, arquitetou um plano com seus botões: Esta riqueza é ótima para três, mas para dois ainda é melhor, já sei o que vou fazer. Andou pelo mato e encontrou um pau que lhe serviria de cacete. Enquanto o outro não chegava com o vinho, deitaram nas folhas secas do chão, ficaram conversando, aproveitando cochilou uns instantes, o suficiente para aquele do cacete dar-lhe uma bordoada na cabeça, repetindo-as até certificar que o companheiro estava morto! Vamos ver o que foi buscar o vinho, e o que estava pensando acerca da riqueza. Esta coisa, para três é muito boa. Idealizou também outro plano terrível. Passou num armazém e comprou uma dose de formicida tatu, colocou-a no vinho. Pensou consigo, os dois morrem, eu serei rico sozinho. Prosseguiu no retorno, chegando na entrada do capão, de tocaia numa moita antes estava o assassino do companheiro, com o cacete nas mãos: Ao passar por ela não percebeu nada, tão absorto no pensamento da  riqueza. Tomou uma porretada que seus miolos saíram da cabeça. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Gargalhou o assassino dos dois companheiros. Agora sim! Estou riquíssimo e sozinho! Vou tomar este vinho, tirar uma soneca e logo mais a noite sairei buscar um saco e uma condução para levar minha riqueza sem que ninguém veja! Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Abriu a garrafa e tomou um gole daqueles que o caboclo, o matuto, o sertanejo diz: Uma cipoada e mais um pouco. Caiu tonto, mas ainda pode ouvir daquele espectro antes de morrer: Não te falei que era o laço do Diabo? No mesmo instante aquela caixa se desfez, era um monte de folhas secas. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Aquela gargalhada sinistra até os dias de hoje ecoa no capão quando passa gente por ali. Ficou assombrado aquele trecho de estrada.

MORAL: A NATUREZA HUMANA VENDO MUITO DINHEIRO MUDA O PENSAMENTO!
HISTÓRIA DESTE CABOCLO SERTANEJO LUIZÃO-O-CHAVES 02/05/2014
ANASTÁCIO MS


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O TIO ALEIJADO E O SOBRINHO MEDROSO.


             
              

 Tio, tio Fred? Lá na casinha de barro pertinho da figueira no fim daquela ruazinha morta tem uma assombração! Acabei de ver! Deus me livre de um negocio daquele. Viixi, que coisa mais feia! O sobrinho acabava de chegar assustadíssimo, o coração faltava pouco sair pela boca de tanto resfolegar. O velhote não acreditando no sobrinho, disse: Conversa boba essa, menino! Aqui nunca teve dessas coisas? Quantos anos eu moro aqui, desde menino! Cheguei aqui com cinco anos de idade? Que é isso? Estás delirando! Ou sua namorada deu-lhe o fora e você está insinuando isto como desculpa por ter chegado tão cedo assim em casa. Todo sábado e domingo, você chega lá pelas onze e meia da noite sem nunca ter visto nada? Vá mentir para lá? Não tio, é verdade mesmo! É assombração sim de verdade! Me diz uma coisa filho? Você viu? Ou ouviu? Disse-lhe o tio quase acreditando ser de fato! Olha tio, eu vi um vulto lá dentro, estava meio escuro, por isso não vi direito, mas parecia sentado e um barulhinho que fazia era assim: Crec! Crec! Tchaaaa! Não aguentei de tanto medo, sai correndo de lá e só parei aqui. Nunca mais ponho os pés lá naquele lugar, nunca mais vou ver a Toninha minha namorada de noite. Não vou mais por aquele atalho. Só vou se for de dia, ou se alguém for comigo á noite. O tio Fred ficou encabulado com o relato do sobrinho e disse ao pai do moço que era seu irmão mais velho o Custodio. Compadre, será que isso é verdade do Juca? O Compadre respondeu, não sei não! De repente pode ser! Aqui ninguém sabe disso! Tantos moradores neste vilarejo e na colônia ao redor daqui? Eu duvido muito! Mas o Juca nunca mentiu também! É um moço sério e não iria mentir para nós! Não sei! O tio muito debochado com o sobrinho, disse a ele: Você é um molenga, um medroso, um frouxo, eu só calculo se você estiver com a Toninha e este negócio aparecer! Vai sair correndo e deixa a moça para trás? E se for um apaixonado por ela e pregar-lhe uma peça! Toma-a de você sem trabalho nenhum! Carrega para si e você chupa os dedos! Ah! se fosse no tempo que eu tinha minhas pernas sadias! Você ia ver do que eu seria capaz! Não dá, porque elas hoje são sem serventia, passo o tempo sentado nesta cadeira de rodas! Não sirvo para nada. Eu te mostraria como um homem faz, seu “Cagão”. O pobre rapaz ficou humilhado com o insulto do tio. No fim todos estavam contra ele, que num gesto decidido falou assim para o tio: Se o senhor é homem quanto fala, eu te levo no pescoço até lá para que veja se é verdade ou não! Eu tenho forças de sobra para te carregar aonde o senhor quiser ir e trazê-lo de volta! O senhor é franzino e eu sou forte. Vamos lá então, “seu Papudo” eu tenho pouca coragem, mas forças eu tenho muita. O tio hesitou um instante e disse: Vamos então! Suba aqui no meu pescoço e segure na minha cabeça, eu seguro tuas pernas junto ao meu corpo, disse o sobrinho. Assim fez o tio, lá se foram, com um medo, que o pobre Juca sentia, aproximando da taperinha da assombração pé- ante -pé com mil cuidados e a percepção auditiva aguçadíssima. O luar estava bonito, como a casa era bem na beiradinha da rua dava para ver o claro da lua entrando pela porta da frente que não tinha a folha, refletia lá dentro no piso de terra batida, pararam a alguns metros da casa. O rapaz estava com muito medo, mas o tio dava-lhe um “croque” na cabeça para que chegasse mais perto. O rapaz dava só um passo de cada vez! O tio insistia, mas ele não ia mais! Tremia todo de tanto medo! Resolveu ir de uma vez. E foi-se! Quando chegou em frente a porta, ouviram os estalidos e uma voz vindo lá do escuro! “Está gordo meu Negão?” Nossa! Pra quê? O sobrinho derrubou seu tio do pescoço bem na porta! Foi aquele tombo que chega urrou no chão! Largou o tio e saiu correndo que nada podia lhe alcançar! Ora se não podia! “Seu” Fred levantou de um modo que ninguém sabe como, sarou das pernas naquela hora, passou correndo pelo sobrinho no trecho até sua casa, chegou primeiro! E o compadre Custodio assustou-se do mano que chegou correndo mais que o Juca, e que disse: O negócio é sério Compadre Custodio! Nunca vi um tareco daquele!  Kkkkkkkkkkkkkkkk. Mas compadre eu não entendi, como o senhor chegou até aqui se é aleijado? Nem eu sei compadre responde o mano. Quem espantou mesmo foi o sobrinho. Tio, o senhor correu mais do que eu que sou sadio das pernas. Kkkkkkkkkkkkkkk.  Foi a maior das gargalhadas que deram até aquele dia da vida! Ninguém entendeu! O significado daquilo ninguém sabia! Vamos ver agora quem sabe?


  Parece que o único que sabe sou eu! Kkkkkkkkkkkkkkkk. Confiram! Naquele vilarejo e adjacências morava um casal de folgados, não eram muito dados ao trabalho, apesar de que naquela época as coisas eram fáceis, bom de viver, todos se ajudavam, ninguém passava apertado por nada. Não existiam cobranças de alugueis, agua era de poço, luz era lamparina a querosene, fogão a lenha as roças produziam muito, fartura de tudo, leite de vaca ninguém saia na rua vendendo. Um matava um porco, todos os vizinhos ganhavam um pedaço, frutas e verduras que tinha nos quintais ofereciam aos demais de graça, Tempos de riqueza, de amor fraternal e amizades verdadeiras, não existia miséria como é hoje. Festas diversas e religiosas enfim muita paz entre os povos. Como ia dizendo, o casal era malandro mesmo. De dia ele saia observando tudo por ali ao redor, alguém tinha muita galinha ele vinha á noite e roubava, a esposa depenava a noite mesmo e jogava as penas num poço velho. Cabritos, carneiros novos, e nas roças amendoim, mandioca, milho, melancia, verduras, frutas nos quintais tudo isso ele roubava. Para disfarçar o seu malfeito de quando em quando saia trabalhar de diarista para algum chacareiro, roceiro, cuidar de rebanhos, vivia na boa, ninguém desconfiava deles. Nesta noite planejou de ir roubar um cordeirinho fora do vilarejo, levou a esposa porque iria demorar um pouco, como tinha uma festinha lá no arraial e o povo estaria entretido e quase todos os moradores estariam lá, era fácil para levar o carneirinho, na noite anterior tinha dado numa roça de amendoim e levara meio saco, a esposa ele deixou na casinha de barro no lugar onde o moço assustou. Ela ficou lá dentro sentada num toco, descascava o amendoim torrado com casca e comia os grãos, jogando as cascas no chão. Era o barulho: Crec   Crec e tchaaa!!. Quando o sobrinho e seu tio se aproximaram da porta, para ver a assombração, a esposa do malandro pensando que seria ele com o cordeiro nas costas, perguntou: Está gordo meu Negão? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

HISTÓRIAS QUE APRENDEMOS AO LONGO DA ESTRADA DA VIDA
CULTURA SERTANISTA RECONTADA E DIVERSIFICADA PELA IMAGINAÇÃO
LUIZÃO-O-CHAVES     14/04/2014       ANASTÁCIO MS.

domingo, 13 de abril de 2014

O SAPO-BOI E O COELHO FOTÓGRAFO



O Coelho que sempre vivera trabalhando só no pesado e nas roças, pois a “Era” só beneficiava os que desta faziam sua profissão, lavrador, agricultor, colonos ou roceiros como queiram. De um modo geral eram todos os animais que lutavam pela sobrevivência neste ramo. Era divertido até, mas cansativo também para todos, com o decorrer dos anos. O Carneiro sendo um exemplo lidava só com lãs, tosquiava os demais, lavava as lãs, fazia baixeiros, cobertores e vestimentas diversas, O Cabrito vendia leite e queijo de cabras, esfolava as peles e trocava-as por outras coisas. Dos chifres dos bodes velhos faziam cachimbos, e “Tabaqueiro”, ou “Cornicho” para os antigos tomarem um“Torrado.” De quando em quando uma “Narigada” kkkkkkkkk. O Cavalo, o Burro e o Boi serviam quem precisasse transportando cargas, no lombo, em cangalhas, cargueiros ou carretas, carroças e carros de bois. O Jumento tinha mais regalias, só informava as horas com muita precisão, é como se fosse um relógio da Matriz. Quando abria o par de queixos zurrando, todos já sabiam que a hora era exata. Mas quem cuidava destes era o Saci-Pererê com muito esmero, cuidadoso como só ele sabe ser, dava-lhes banho e tosava as crinas, para vender, sempre que podia aos que se serviam dos préstimos destes animais, exigia em troca alguma coisa assim como: Fumo para o seu Pito, lá de vez em quando uma cachacinha. O Caipora tinha também sua roça, só plantava fumo, fazia cada rolo deste tamanho na época das colheitas das folhas maduras. Ficava horas e horas sentado num toco  baforando o seu charuto, e vendo a fumaça subir. Negociava com o Gambá, fumo a troco de cachaça. O Cachorro sempre trabalhava de vigia. O Macaco tinha um bananal que só vendo o tamanho da roça. O Gato prestava seus serviços caçando ratos nas “Tuias” de mantimentos, porque estragavam as mercadorias em estoque. O Caititu plantava abóboras, batatas, cará, inhames e mandiocas. A dona Raposa vendia galinhas, patos, marrecos, angolas, e aves diversas, sempre gostou destas criações. O Gambá cultivava uma roça de cana de açúcar, pois herdara de seus antepassados um engenho que nele fabricava rapaduras e melado, um alambique que destilava álcool e cachaça, fabricava também outras bebidas. Negociava com a Raposa frangos em troca de cachaça, pois gostava muito de uma cabeça e pescoço de frango bem caprichado. O Peru vigiava para a Raposa, as suas criações do ataque dos gaviões, acauã, caburés, corujões João- Curutú á noite querendo pegar as aves no poleiro. Para isso dispunha de uma espingarda “Pica-pau” daquelas que carrega pela boca do cano, raspava taboca, fazia buchas, derretia chumbo fazendo “balotes”, além dos chumbos “Cabeça de macacos” e “Chumbinhos mostardas” era farta munição. A Paca cultivava milho e feijões, o rasteiro e o de cordas. O Tatú era vagabundo, vivia fazendo buracos por aí a esmo. Os animais grandes precisavam tomar cuidados para não quebrarem a pata em buracos que ele fazia. Sondava as galinhas da Raposa quando estavam chocas, para comer a noite os seus ovos no ninho. O Lagarto Teiú também vadiava o tempo todo, salvo um dia ou outro, vendia uns vidrinhos de mel de abelhas deste “tamaninho” assim, para pingar nos olhos como se fora colírio, para curar cegueira. Vendia uma “Banha” que só ele sabia onde encontrar, diz que curava picadas de cobras.   A Cutia roubava mandiocas do Caititu, e milho de sua prima Paca para assá-las de noite.  O Porco se encarregava de arar as terras e gradeá-las para a bicharada cultivar seus plantios em épocas certas. A Capivara vivia o tempo todo só tomando banho, não tinha o que fazer. Saia tarde da noite nas roças alheias para fazer danos, pastar suas plantações. Além de feia, preguiçosa, arrastando o “bucho” no chão. Mas falando do Coelho, este sentindo cansado daquela vida monótona, pouco dinheiro, porque na maioria dos negócios se constituía em barganhas de mercadorias entre os comerciantes, resolveu mudar de profissão. Queria ser fotógrafo e desenhista de paisagens ou pessoas, bichos de toda a espécie. Desde pequeno levava jeito para isso, ficava horas e horas admirando as paisagens, as serras, o céu azul, o tempo levantando e preparando para chover, as trovoadas, a chuva caindo, os raios quando riscavam o espaço, dando aquele estrondo quando atingiam a terra ou árvores, as tempestades, o arco-celeste, os ventos, o luar quando era noite, as estrelas cadentes, assistia o amanhecer, do crepúsculo as cores que o sol poente coloria o céu. Tudo isso lhe fascinava. Tinha vontade de colocar num quadro ou retrato estas coisas que achava bonitas e que a natureza criara. Ser um artista era o seu sonho. Um dia decidiu a vida. Vendeu e trocou por material de pintura e o que fosse necessário para um começo da nova profissão a sua quitanda de frutas e verduras e os legumes. Organizou tudo conforme planejara. Lá numa travessia da estrada com o córrego e uma parte que dava para um alagado quando o córrego enchia em épocas de chuvaradas. Lugar aprazível, todos os bichos teriam que passar por ali, todos os dias da semana principalmente nos sábados, feriados e dias santos de guarda. Construiu um barracão grande, e dentro o seu ateliê, terreiro amplo, algumas pedras grandes por ser beira de córrego, alguns troncos de ipê deitado com galhos secos. Plantou algumas flores de diversas qualidades para fazer fundo nos seus retratos e quadros de paisagem. Desviou por meio de um “Rego d’agua” um filete do córrego lá bem em cima, veio serpenteando conforme o acidente do terreno, passando por ali como se fosse uma enxurrada, mas permanente! Cresceu muitas samambaias, chapéu-de-couro, açucenas e outras plantas aquáticas, ficou muito bonito. Lá no fundo virou um brejo onde logo se criou muitos sapos, ao redor do seu barraco, plantou diversas árvores para fazer sombras sem esquecer que algumas ao seu tempo dariam frutas. Inspirado nelas formou no quintal um belo pomar com frutas de toda espécie e qualidades. Olha, ficou uma beleza de lugar, do jeito que sonhara há algum tempo, já andava imaginando que faria fortuna com a nova profissão dentro em breve. Mas por enquanto eram apenas sonhos, vamos esperar para mais tarde, quem sabe! Tendo em mãos tudo o que precisava para iniciar, retratou algumas paisagens, desenhou a sua casa e sua família, esposa e dois filhos, o lugar ao redor, pintou que ficou uma maravilha. Colocou a exposição dos passeantes na beirinha da estrada que logo perguntaram se ele fazia para vender, era isso que ele queria. Deu certo! Bateu palmas de contentamento. O primeiro freguês apareceu, foi o “Jegue da mata”. Dai para frente foi só sucesso. Tudo o que era bicho vinha na sua casa ver a novidade. Nem tinha tempo para comer, só atendendo a freguesia. Tudo transcorria as mil maravilhas. Num destes feriados prolongados, a bicharada acabou de tomar conhecimentos daquele trabalho que o Coelho fazia. Quase todos queria ser fotografados! O preço que o Coelho cobrava era razoável, todos poderiam pagar sem problemas, quem não tivesse dinheiro pagava com mercadorias, gêneros alimentícios. Até nisso ninguém se apertava. Tinha um monte de encomendas, por lá passou o Porco com a família, pediu para ser retratados, combinaram o dia de pagar. A Porca deitou-se e os leitõezinhos se ajeitaram para mamar, o Coelho riscou certinho e o Porco foi-se embora. Vai o Tatú, vem a Paca, a Cutia, o Cavalo, o Cachorro, o Gato até o Javali, cunhado do Porco, enfim todos os bichos. Naquela manhã de sábado, aparece lá um Sapo-boi, um baita bicho. Nada mais nada menos ele pesava uns 8 quilos. Foi fotografado também, marcou o dia de pegar a foto, coincidia com a data do Porco, da Rãzinha e outros. Chegando a data lá vem o anfíbio todo alegre, tinha dado um lustro nos chifres com um monte de sapos, todos curiosos para admirarem a foto do velho Sapo-boi, decerto pensavam: Deve ter saído muito bonita! Nós também vamos tirar. Tal não foi a surpresa e decepção que tiveram, saiu horrível, dava até tristeza de ver tamanha feiura, nossa Senhora que coisa! Ao apresentar a foto para o cliente o Coelho nem imaginava a reação do freguês ao ver seu trabalho tão dificultoso nos mínimos detalhes, saiu perfeito, nem o Coelho esperava uma coisa daquelas. Nossa! Mas o Sapo deu um pulo para trás! Esbravejou assim: É esse o teu trabalho? Isso é o que você faz! Cadê sua fama de fotógrafo? Porque me tratou dessa forma? Isso é deboche com a minha cara? Tá pensando que sou trouxa? Faz um serviço deste e ainda quer cobrar? Não aceito a foto! Pode ficar com ela! Não pago um centavo por este serviço mal feito! Não parece nem com minha sombra? O pobre Coelho tomou um susto que até a fala lhe fugiu. Pera aí mestre Sapo, disse o Coelho! A foto do senhor está perfeita! O senhor deve estar nervoso com outra coisa, meu trabalho é bem feito! Caprichei nos detalhes! Repare bem? O Sapo alterou de novo e foi aquele bate-boca sem fim. O Porco vinha chegando e ouviu aquele “Arranca-rabo”. A Rã e outros bichos pegaram suas fotos e ficaram satisfeitos com o trabalho do Coelho, admiravam, elogiavam mostrando uns para os outros. Pagavam contentes agradecendo ao Coelho. Aquilo para o Sapo-boi foi um insulto. O Porco pegou a foto da esposa com os leitõezinhos e ficou maravilhado. Pagou e já ia indo embora quando o Sapo-boi repetiu que o trabalho do Coelho era um serviço “porco”. Nossa! Aí o Porco pediu-lhe explicações!   Porque  é Porco ? Seu atrevido? Está me desrespeitando? Veja como fala?  A sua foto está perfeita, você achou-a feia? Deveria olhar antes num espelho e entender que você não tem beleza, és feio e quer que a foto fique bonita? Isso não tem cabimento! Pague o Coelho e deixe de arrumar encrenca! O Sapo inchou e veio na direção do Porco como se fosse pegá-lo pelo gogó, este não perguntou nada: Tirou o corpo fora e deu-lhe uma focinhada de baixo para cima naquele barrigão do Sapo que virou três cambalhotas no ar e caiu de ponta lá longe que até amassou um dos chifres.


 . Levantou sem graça, enquanto os presentes ao verem aquilo rolavam de tantas risadas. Bateu o pé: Não pago! Nisto foi chegando mais bichos e assistindo aquela discussão. Por fim o Sapo-boi, desapontado, fez uma proposta para o Coelho que reclamava ter gasto tempo e material com a foto e agora perder tudo? Tinha medo do Sapo com aqueles chifres pontiagudos, sorte dele que o Porco deu-lhe apoio e uma lição no Sapo que acalmou os nervos ligeirinho, então dissera ao amigo: Eu reconheço em parte que sou errado! Tratei, tenho que pagar! Mas a foto não me agrada, também tenho direitos, vou recorrer.  Vou pedir aos meus patrícios que aqui estão um parecer que seja justo! Muito embora me parece que, estão meio divididos. Eram uns cento e tantos sapos, de todos os tamanhos, uma saparia que dava até uma guerra. Afirmou, se eles votarem a seu favor, eu pago a foto e acabamos com a contenda. Se caso votarem ao meu favor, vou-me embora sem pagar nada, a foto fica para você. Concorda mestre Coelho? Sim, respondeu o fotógrafo! Então vamos lá: Pedindo atenção de todos os sapos ali presentes disse: Os que acharem que o Coelho tem razão, por favor, fiquem á minha esquerda, aqui deste lado, apontou com o dedo! Agora os que acharem que a razão está do meu lado, passem para este lado de cá, á minha direita! Serão dois grupos! Contaremos um por um de cada grupo, o grupo que contiver maior quantidade de elementos vencerá!  Foi uma mistura de tantos sapos, passa para lá e passa para cá! A bicharada que assistiu tudo, aprovou a ideia, bateram palmas. O Coelho contou de seu lado:  Deu 61. O Sapo contou do outro que eram seus: Deu 60. E agora? Empate técnico! O Coelho vibrou de alegria! Venci, gritava eufórico! Nada disso, disse o Sapo-boi! Está empatado meu caro! Quer ver? Chamou o dito cujo que gerou a diferença! Venha aqui? Era um Sapo já de avançada idade. Pois não, disse ele: Ás suas ordens! O Sapo-boi disse-lhe: O problema aqui está sendo você, terá que ir embora agora! Você é meu parente, mas eu sou seu superior, terá que me obedecer, não esqueça que sou chefe de todos vocês! Ouviu? O Sapo intimado passou a mão no queixo, pestanejou, pensou uns instantes e respondeu: O senhor está muito enganado, eu não vou á lugar nenhum, porque não estou recebendo ordens dessa natureza. Para isso serei juiz desta causa. Para julgar esta questão ou dirimir alguma dúvida, vão precisar de um Magistrado e eu sou formado em direito, entendo de leis, do jeito que o senhor pensar! Só dependo da aprovação da turma aí dos dois lados! Sou candidato único ao cargo de Juiz para esta questão. Aqui não tem nenhum mais que se habilite! A turma nem esperou nada, aclamaram-no! Aprovado! Aprovado!  Aprovado! Mais uma vez a cara do Sapo-boi cai por terra! Voltando ao assunto, e já de posse do cargo disse agora com autoridade: Vocês do lado direito me respondam: Apontou o dedo para o Sapo-boi que estava bem no meio dos dois grupos dizendo: E este “PAGA” a conta? Sua turma respondeu: NÃO PAGA! Virou para a turma do Coelho do lado esquerdo: E para este, ele “PAGA”? A turma disse: “PAGA”! Nossa! Disse o Juiz, está empatado ainda. Está suspensa a Audiência por hoje! Marcaremos outra, em data a ser definida, aguardem a notificação!  Até os dias de hoje perdura a questão! “PAGA” NÃO “PAGA”. Aquele Sapo-boi que gerou a discórdia com o Coelho, e o que se tornou Juiz, e toda saparia mais os bichos que assistiram, morreram todos de velhos, veio uma nova geração de todos, mas a questão continua do mesmo jeito! Ninguém mudou de lado. Continua sem solução a causa! Quando é noite que chove e logo estia, lá no brejo se ouve até ao amanhecer a turma dos dois lados Cantando assim: “PAGA ?”  “NÃO PAGA !”  /  “PAGA ?”  “NÃO PAGA !”  / “PAGA ?”  “NÃO PAGA !” Virou uma orquestra sinfônica!!!   kkkkkkkkkkkkkkkkk.



HISTÓRIAS QUE APRENDEMOS NO CURSO DA VIDA E CONTAMOS PARA DIVERTIREM.
DA CULTURA SERTANISTA ESTA É UMA HISTÓRIA DAS CENTENAS QUE EXISTEM.
“LUIZÃO-O-CHAVES” E SUAS IMAGINAÇÕES.......    
ANASTÁCIO MS 10/04/2014