quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O SAPO, A ONÇA E O COELHO.

                                       
             
Nas suas andanças pela mata a onça sem querer porque estava olhando para cima pisou nuns galhos finos e cobertos por folhas secas num trecho onde tinham um bando de macacos numa fruteira e numa bagunça danada, a dona onça estava de fininho sondando o chefe do bando para não ser vista e surpreende-los, quem sabe pegaria ao menos um deles. Ao pisar naquele monte de folhas secas, o coelho que estava dormindo embaixo saiu louco da vida até sem direção para onde iria. Até a onça levou um susto dele, pois estava concentrada nos macacos, imaginou ser um rolo de cascavel, mas não esperava que fosse o seu tão caçado coelho que estava por ali naquele hora, é que ele estava dormindo. Dois assustados ao mesmo tempo. Como o coelho deu alarme na sua carreira e passando embaixo da macacada, estes viram a onça, foi aquele reboliço, macacos se atiraram para todos os lados, o coelho então nem se fala, a onça ficou puta da vida com o coelho e resolveu: Já que não pude almoçar um macaco, vou jantar você hoje seu "Safado". Saiu na perseguição dele, vai aqui, vira ali e até que passou na porta de um buraco de tatu, uma antiga morada, vendo um sapo deste tamanho, um baita cururu que morava ali. Estava em pé na entrada do buraco espiando o movimento da bicharada da mata naquele horário. Trazia na cintura um facão. Era lá pelas oito horas da manhã. Já foi perguntando ao sapo: O coelho passou por aqui ou entrou aí neste buraco?. O sapo ficou meio sem jeito, não querendo falar no assunto, passou a mão no queixo e piscando muito resolveu olhar para o outro lado como quem quisesse desviar a atenção do felino. Mas a onça falou de novo: E daí seu feioso, o coelho tá aí ou não tá? Fale de uma vez e deixe de ser besta! É que eu não gosto de dar informações de ninguém dona onça, disse o batráquio! A gente arruma inimizades por ser linguarudo! Não gosto da vida alheia. Não sei do coelho amiga! Olhe aí as pegadas dele replicou a onça, está aí dentro sim, está ou não está? O sapo assentiu com a cabeça afirmativamente. Então cuide dele viu? Vou buscar um enxadão e uma pá para cavucar e arrancar este safado, vou  janta-lo ainda hoje. O sapo meio sem graça, falou: Eu já vou amiga! Nada disso, fique aí cuidando dele, não o deixe escapulir senão lhe arranco a cabeça fora do corpo.O sapo pensou em correr mas não dava mais, a onça o pegaria sem trabalho nenhum, pensou: Está bem vou cuidar dele, disse o sapo, pode ir descansada, não deixarei a senhora decepcionada. Então o sapo bravateou: Vou mostrar-lhe do que o mestre cururu é capaz. Sapeque o facão nele completou a onça, e se eu matá-lo replica o sapo! Melhor ainda sorriu a onça, me poupará trabalho de cavucar-lhe. Deixa comigo emenda o sapo: Vou destripa-lo já. A onça se foi e o coelho lá dentro escutou toda a conversa. Estou perdido nas unhas destes dois, pensou: Inda não vi: Sábado sem sol, domingo sem missa e nem segunda sem preguiça. kkkkkkkkkkkkk Fez um plano, este sapo e grande prá chuchu, maior do que eu, não aguento lutar com ele para sair desta enrascada, além disso ele está armado com um baita facão na cintura, eu sem nada nas mãos. Ele sozinho já fecha a porta. Pera  aí! Já sei! Veio até a porta fingindo estar comendo alguma coisa gostosa. O sapo lhe perguntou: O que está comendo tão gostoso assim, mastigando alto com tanto ruído? E amendoim torrado com açúcar responde o coelho, quer provar? Claro que quero animou-se o sapo. Então vamos brincar, abra a boca e feche os olhos, depois em seguida feche a boca e arregale bem os olhos, vamos ensaiar, sempre alternando viu? O sapo fez direitinho. Isto, disse o lebre! Agora vou jogar na sua boca o amendoim numa dessas. Está feito disse o sapo e começou a sessão de abre e fecha. kkkkkkkkkkkkk. Numa daquelas o lebre mandou um punhado de areia nos olhos do sapo, que ficou cego na hora, o coelho se aproveitou daquela brincadeira de mau gosto e deu uma peitada no sapo que caiu de costas com facão e tudo,  o lebre saltou por cima dele e deu no pé deixando-o a esfregar os olhos num desespero. Coelho desgraçado, resmungou o sapo. Me passou para trás. Dai a pouco chega a onça com as ferramentas. E daí companheiro cadê o bicho? Tá aí dentro responde o sapo. Vamos arrancá-lo já, dissera a onça. Mãos á obra e começou a cavar, o sapo coitado estava gelado de tanto medo, só imaginava na ira da onça ao ver que fora enganada mais uma vez, enquanto isso o lebre dava boas gargalhadas lá bem longe dali. Saboreava  um velho ditado sertanejo: Enquanto existir um trouxa, o esperto não passa apertado. kkkkkkkkkkkk. Chegou no fim da escavação e nada do coelho.  Cadê o coelho mestre sapo? Mentiroso, deixaste o bicho ir embora seu covarde, e agora o que faço com você? Mas o coelho me enganou dona onça! Me jogou areia nos olhos, dissera o sapo tremendo de tanto medo. Fugiu mesmo, nem sei para que lado, só sei que sumiu. A senhora me desculpa! A onça sentou e ficou olhando para o sapo e pensando: Se este camarada fosse de carne boa eu o devoraria agora mesmo. Ficaria no lugar do coelho fujão, mas é um bicho feio e fedorento, urina fétida e ainda joga leite na gente, acho que vou desculpá-lo. Não há outra solução. Vou desculpá-lo sim, dissera ao sapo, mas jogarei você bem longe daqui, lá na cabeceira do ribeirão. Pegou-o por uma das pernas e saiu mata afora até no rio, jogou-o com força numa pedra lá do outro lado. Se foi desapontada com tanto trabalho por nada. O coelho mudou de mata também onde não havia onças e nem sapos cururus!  kkkkkkkkkkkkkkk. 02/11/2016


FABULAS PARA  "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"  

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

CULTURA SERTANISTA QUE NOS DIVERTEM- PARTE -03


                        O QUE É, O QUE É?
01-Joguei fora a comida e comi a vasilha que a continha?
02-Porque o rei andou com os pés no ar?
03-Quanto mais fofo melhor para a sua bunda?
04-Que diferença tem o padre e um rôlo de linguiças?
05-O que é que tem os dentes na cabeça, não tem queixo mas tem barbas?
06-Tem pé mas não caminha e tem olho mas não vê nada?
07-Que nome tem a flor que o burro carrega nos cascos?
08-Em quantos estados no Brasil tem água?
09-Qual o estado mais populoso do Brasil?
10-Comprei para comer mas não comi?
11-Quem é que tem mais olhos?
12-Tenho cabeça mas não tenho juízo, tenho barbas e não tenho rosto,tenho rabo sem ter bunda, vivo de cabeça para baixo e não fico tonto?
13-O que a folha de papel disse para a caneta?
14-Como é que 8x8 dá 500?
15-Meio careca tem 500 fios de cabelos, e o careca inteiro quantos fios terá?
16-Foi criado num laboratório uma bactéria que a cada minuto reproduzia o dobro, no recipiente que se encontrava levou 15 minutos para chegar ao meio, e para enchê-la, que tempo gastará?
17-Qual a palavra que foi criada para nunca dizer a verdade?
18-Qual as filhas que só tem pai, elas só usam meias e andam sem sapatos?
19-Quando seu pai nasceu a filha ja andava no mundo?
20-O pai é verde, a filha encarnada, ele é manso ela é danada?
21-Em cima de ti trepo, fico de vai e vem, você me lambuza todo, mas seu gostoso comigo vem?
22-Sou mais alto do que um homem, mais baixo do que uma galinha?
23-Quem disse que na hora que falou foi no céu e voltou?
24-Qual o animal que não tem fel nas vísceras?
25-Uma casa tem quatro quartos, cada quarto tem quatro cantos, cada canto tem um gato sentado, cada gato enxerga três. Quantos gatos tem na casa?
26-Numa dispensa tem uma vasilha contendo nove orelhas de porco salgadas. Tem um buraco na parede, entra um gato para roubá-las, cada dia ele sai com três. Quantos dias ele leva para carregar todas?
27-De que lado que fica a asa da caneca? Durmo em pé, para andar e passear é só deitado?
28-Ele só morre se for queimado, ela só morre cantando?
29- Qual é a construção que começa pelo telhado?
30-Uma casinha branca sem portas e nem janelas, mas tem um morador dentro dela?
31-Vejo na lua,  na rua, não esta na minha mas está na sua?
32-Diga o nome de quatro frutas com a inicial "L"?
33-Na água nasci, nela vivi e se me por nela, vou sumir?
34- Quem é que tira a roupa para mostrar os dentes, tira os dentes e mostra o corpo?
35-Barriga d'agua, tripas de pano e cabeça de fogo?
36-Nome de uma cidade de São Paulo que se tirar a última letra, é nome de caça?
37-Nome de um estado brasileiro que se tirar a última letra é nome de peixe?
38- O que a mulher tem no começo e o homem tem no fim?
39-Qual a mulher que tem o nome de um carro?
40-Um avião viajam quatro romanos, um inglês e uma brasileira, a aeromoça, como ela se chamava?
41-Escreva Perfeito só Deus, com apenas uma letra?
42-Atirei no calcanhar, acertou no nariz por que será?
43-O elefante bateu na cerca e esta caiu, que horas são?
44-Um maluco estava de relógio novo que ganhara, um gaiato lhe perguntou as horas só para debochar do coitado, ele olhou o fulano e apontou para a esquina onde tinha uma matilha de cães brigando informando as horas. Que horas eram?
45-Quem é que só trabalha com as mãos enfiadas na boca?
46- O que  é que Deus fez mas não terminou de fazê-la, se você quiser usar termine a tarefa?
47-O que é que tem no pomar e na suas vestes?
48- Quatrocentos bois correndo quantos rastros fazem?
49- Qual a cidade que nela não há sogros e nem sogras?
50-Nasce aos sopapos e morre á faca?


PARA "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES" ANASTÁCIO MS 28/10/2016

DEFUNTO APANHA ANTES DE SER ENTERRADO.


Quase todas as histórias que o povo conta uns para os outros, passando conhecimentos, cultura ou até mesmo para passarem o tempo em rodas de amigos ou familiares quando se reúnem, nas portas de botecos, onde se aglomeram gente, que sempre tem um contador desta arte sertaneja, o citadino quase não sabe de nada a esse respeito, menos ainda de outras culturas a não ser o que estuda e aprende, a cultura sertanista é muito antiga, data de desde quando o homem pisou na terra, recebendo o dom da fala, aprendeu a conversar, ver os acontecimentos no dia a dia consigo e com os outros, sai para viajar ou trabalhar  e vê muitos casos e coisas acontecidas e volta  contando para os que não sabem. Isto acaba se tornando em "Causos" que passam de geração em geração. Nos dias atuais quase ninguém sabe destas coisas tão simples mas divertidas até. Os nossos antepassados sabiam muito a esse respeito, nós já sabemos muito pouco. A evolução dos povos as tecnologias de uns tempos para cá tomou o lugar desta arte. Rádios, televisão, videogame, celulares, filmes, internet e outras diversões tomam o tempo das pessoas, ninguém mais, até pais e esposo não dá-se ao luxo de ao menos conversar com os filhos e esposa em famílias. É cada um para um lado e solitário, rindo sozinho das coisas que veem nos seus divertimentos a sós. Veem muito, falam pouco, escutam menos ainda e por fim quase não aprende a conviver com o seu próximo. O elemento humano está muito desvalorizado, quase ninguém liga para os outros. Ficam tapados até certo ponto. Não sabem nem conversar, quando vê um desembaraçado, ficam de queixo caído admirando como é que aprendeu tanta coisa assim. kkkkkkkkkkk. Não é que o outro aprendeu tanto, é ele que ficou para traz. Quando contamos algum fato as pessoas que nos rodeiam ficam boquiabertas e até duvidando daquilo que falamos, pensam que somos inventores daquele assunto, pensam que somos mentirosos, mas não somos não! Vivenciamos uma geração maravilhosa, os nossos antepassados eram pessoas boas, verdadeiras, educadas, respeitosas, sem malícias, ou preconceitos, sem subestima a outrem, de caráter, de moral elevada, de consideração ao próximo, de famílias unidas, famílias exemplares, sem divisões, enfim de condutas irrefutáveis, um modelo para os dias atuais. As pessoas más nunca deixaram de existir, em toda a história elas sempre marcaram presenças. São como ervas daninhas no campo, é o mundo do trigo e do joio! Ninguém pode duvidar, nem achar que tudo é ruim ou bom demais. Tá tudo misturado! Cultive o que você quiser, a terra dá de tudo, produz o que lançar nela. Só que ela requer tudo de volta, requer um troco de tudo que oferece aos humanos e a toda criação que dela depende para sobreviver. Dela saímos e para ela retornaremos sem dúvida! Não importe quanto tempo demorar, ela tem paciência e espera! Certa ocasião fomos surpreendido por um caso raro mas verdadeiro, tivemos que dar um "Couro" num defunto no caixão antes de sepultá-lo. Curioso não? Sim! Não sabemos a origem desta prática, mas ela é muito antiga, é dos tempos dos "Corpos Secos", nem sabemos também como foi descoberto, visto os tais corpos. Quanto ao defunto que apanhou, nós não sabíamos que aquele fulano antes de morrer há muitos anos dissera que não queria ser enterrado naquela região. Ele era de outras terras onde nascera e fora criado, queria que o levassem para lá quando morresse. A gente não adivinha o que os outros pensam e querem. Foi uma luta para carregar o caixão dele, tempos antigos que os defuntos eram levados ao cemitério em redes, banguês, atravessados no lombo de animais, carretas, carros de boi, carroças, pois os cemitérios eram muito longe um do outro nos sertões, não eram tão movimentados como são hoje em dia. Morriam pouco as pessoas, assim mesmo eram de velhice. Hoje morre gente de todos os jeitos e toda hora. De onde o defunto residia até ao cemitério dava uns dois quilômetros. Teríamos que levá-lo a punhos pela alça do caixão. Uma turma revezava com a outra, eram bastante gente, na sua maioria homens fortes, quatro largava da alça do caixão e quatro pegava. O homem era franzino, pesava decerto uns cinquenta quilos no máximo, parece que só os ossinhos que lhe dava o peso, magrinho e ainda velhinho. Saímos com o cortejo fúnebre, tudo bem na saída, andamos um pouco e o caixão começou a pesar como se fosse chumbo  que tinha dentro. Assustamos com aquele peso sem explicações nenhuma. Todos nós, um olhando para os outros, desconfiados e sem querer ser o primeiro a dar o alarme, cansamos, pusemos o caixão no chão e sentamos para recobrar as forças. Pusemos a pensar. Sempre fomos bons amigos quando ele era vivo. Deixe de história "Seu defunto"! Você não engoliu chumbo para pesar tanto assim? Nós somos fortes, e não estamos aguentando carregá-lo? Sentados na beira do caminho, ficamos tentando ver ou adivinhar o que causava aquele desconforto nos companheiros. levantamos várias hipóteses: Dizem uns que se o "Seu defunto" fora mau enquanto viveu, matando seu próximo e este ao saber de sua morte veio e sentou em cima de seu caixão, ao invés de carregarmos um, vamos levar um monte? Outros dizem que ninguém sabia se ele queria ser enterrado naquele cemitério porque haviam sepultado um seu inimigo ali, e não queria ser vizinhos de sepultura. ou queria ser levado para outra localidade, outro cemitério! Ou ao lado de seus entes queridos que foram antes dele para ficarem juntos. Num abrigo familiar como se fazem nos dias de hoje. Jazigo de família! Ninguém sabia o que seria a solução mais correta. Sempre tem nos velórios alguns que aproveitam passar a noite velando o amigo e tomando uns goles de cachaça. Amanhecem "Cabeçudos," tontos de sono  e da pinga, logo um deles deu uma opinião: O negócio é que este defunto não quer ir mesmo, mas ele irá nem que seja na "Marra." Ele não tem querer! Ora se não vai!  Estamos aqui para sepultá-lo, ele não manda na nossa vontade, terá que ir sim! Logo na derradeira viagem querendo por "Gosto ruim" na sopa? Essa não! Ou se algum de nós  te ofendeu e nem percebeu, perdoa nós todos e vamos ficar de bem "Seu defunto", ódio, rixas, intrigas ou malquerenças, não levam á nada dissera um dos acompanhantes! Vamos tentar mais uma vez pessoal, se ele teimar conosco dar-lhe-emos um "Couro". Defunto não escuta, mas este fica bem avisado. Peguem ai pessoal, agora ele vai! Andamos uns trinta metros que pareciam trezentos, fazendo uma força de leão, suor corriam as bagas de nossos rostos, camisas pregadas no corpo de tanto que  suamos, nossas pernas amoleceram, resfolegando o companheiro ordenou: Parem! Esperem aí que ele já vai! Vamos dar um "Cacete" nele. Entrou no mato na beira da estrada quebrou uns galhos de qualquer arbusto com bastante folhas e bem verdinhas, quanto mais verdinhas melhor, os trouxe e começamos a bater no caixão com o fulano lá dentro. Foi um sobe e desce de cipoadas que até parecia estarmos batendo arroz numa banca lá na roça. kkkkkkkkkkkkkk!  Jogamos foras os talos, porque as folhas saíram todas, pegamos nas alças do caixão de novo e ai ele foi! Não deu mais trabalho até o fim do trecho, até sobrou terra quando sepultamos e alisamos o seu túmulo com a pá, ele não era miserável, disse um dos acompanhantes. Deixamos alguns buquês de flores e velas acesas para ele e: Adeus amigo! Viemos embora contando aquela história feia. Nunca esquecemos disto! 1962.

CONTO PARA O BLOGGER "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"

ANASTÁCIO MS 24/10/2016

sábado, 22 de outubro de 2016

CULTURA SERTANISTA QUE NOS DIVERTEM -Parte - 02


                           O QUE É, O QUE É?
 01-Houve um homem no mundo que sem culpa ele morreu, sua mãe não teve pai, nem seu pai nunca nasceu a sua avó foi virgem até o dia que seu netinho morreu?
02-Qual é a família que ao entrar em casa saem todos pela janela e ninguém fica dentro, se um errar a entrada todos os demais erram.?
03-O que é que a mão direita faz e a esquerda não faz, ou vice e versa?
04-Nasce na água, vai para o ar, vive na terra e tem medo do fogo?
05- O que é que sentado é mais alto do que em pé?
06-Quem que tem os joelhos para trás?
07-Quando sobe é macho e de amarelo, quando desce é fêmea vestida de branco?
08-O que é que na fêmea é grudado lá em cima e no macho é dependurado e balança?
09-Campo grande, gado miúdo, moça bonita e um velho carrancudo?
10-Nasci num campo florido coberta de verdes laços, todos derramam lágrimas se me cortarem em pedaços?
11-O que tem a língua grudada no céu da boca?
12-Quem entrou na igreja de cabeça para baixo?
13-Se mexerem no meu umbigo tiro a língua para você?
14-O que é que eu vejo, você vê mas Deus nunca viu?
15-Sempre passei na água e nunca me molhei?
16-Corre, corre R$120.00 pus nas costas por R$ 100.00, por na boca R$ 50,00, nos pés e na barriga R$ 20.00 para arrastar R$50,00.
17-Qual é o santo que está entre quatro presidentes?
18-Não tenho boca mas falo de tudo um pouco, nunca tive pernas mas vou á todo lugar?
19-Verde por fora roxinho por dentro tenho uns cabelinhos na boca e um pinguelo no centro?
20-Feita para andar mas nunca saio do lugar?
21-Estou viajando com os pés na estrada e minhas costas estão lá em casa?
22-Ontem eu era filha, hoje eu sou mãe, estou criando filhos alheios e marido de minha mãe?
23-Saí cedo para ir pescar na sexta, limpei o pescado, fritei e comi os peixes na quinta da mesma semana?
24-Tem rabo, focinho, pernas, orelhas e ronco igual porco mas não é porco?
25- O que é que parece com a metade da lua?
26-Quanto é maior menos se vê? Quanto mais se tira mais aumenta?
27-Quanto mais cresce mais fica perto do chão?
28- Qual a planta que tem a raiz para cima? Atenção: São duas respostas
29-.Pés redondos mas fazem rastros compridos?
30-Tem asa mas não voa, tem bico mas não bica, tem chapéu mas não é homem?
31-Quais o pés que: Mais pesado? Mais perigoso? Mais dolorido? Mais chato? Que te manda embora?
32- Ruim para se comido bom para ser cagado?
33-Capote sobre capote mas sempre do mesmo pano, para você adivinhar te dou prazo de um ano?
34-Quatro garrafas cheias e de boca para baixo sem tampas e não derrama?
35-Quatro na cama, quatro na lama, dois parafusos e só um que abana?
36-Qual a parte do boi que se chama cachorro?
37-Qual o estado brasileiro que teve vontade de ser um carro?
38-Qual palavra de começa com "c" e termina com "u"?
39-Sabe da guerra que não durou 5 minutos e acabou sem morrer nenhum da tropa?
40-O que é que você tem mas troca quando vai usar no bate-papo?
41- Sabe quantos quilos pesa a terra? E o mar quantos litros de água tem?
42-Qual foi a maior enchente que já deu na terra?
43-Um pai pediu ao Juiz dividisse aos seus 3 filhos 17 cabeças de vacas. Ao mais velho caberia 1/2, ao segundo 1/3, e ao menor 1/9, sem matar nenhuma rês ou vender! Resolva!
44-Uma moça foi á padaria, pediu que lhe desse o que os homens dizia que ela tinha, o vendedor atendeu. Perguntou-o quanto custa? Ele responde: O que os homens dizem que sou! Ela tirou o dinheiro e pagou! O que ela comprou? Quanto custou? E o que era o produto?
45-Uma moça bateu o carro num poste da rua, o guarda viu e veio multá-la pela infração cometida. Perguntou o seu nome o que ela respondeu: Está na ocorrência! No acontecido! Adivinhe se puder o nome da moça!
46- Onde é que está chovendo e o pó aumentando cada vez mais?
47-Ela abre as pernas entra só a cabeça e fica vendo tudo?
48-Quando é que a mulher vira peixe?
49-Quando é que 3x8 da 26?
50-O que é que só anda atrasado e levado?
 NOS ACOMPANHE EM"COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"


O VELHO DEFICIENTE E O PEÃO

                                         
            
Em certa ocasião num dos bares mais movimentados da pequena cidadezinha no interior do Estado de S. Paulo estava um peão do trecho tomando alguma coisa. Há uns dois dias estava por ali se divertindo, ora reencontrando com outros amigos do trecho, de longas datas, solteiros, solitários casa não tinham a não ser o acampamento quando trabalhavam pelos sertões com empreiteiros que eram muito comum naqueles tempos de outrora, fora isso paravam nas pensões ou hotéis. Nesta tarde estava sentado numa única cadeira do bar naquele horário. olhava as pessoas passarem na calçada e na porta do bar, também lá do outro lado da rua. De quando em quando tomava um gole da bebida que o dono do estabelecimento lhe servira  De repente entrou no local um senhor de idade avançada e deficiente assessorado por uma muleta num dos lados e na outra mão tinha uma bengala que lhe servia de cajado. Foi direto na mesa do peão e fixou o olhar neste e sem dizer nada deu-lhe uma bengalada na cabeça. O Peão chegou a ver estrelas, tamanha a força que o velho lhe bateu, ainda intimou-o: Me dê esta cadeira pra mim sentar, você é novo pode bem ficar em pé. Saia logo daí! O peão cego de dor e de raiva daquele velho intruso, atrevido e arrogante, não pensou duas vezes: Sacou de uma arma que trazia embaixo da camisa e fez um disparo  no ancião. O velhote caiu ensanguentado no salão do bar, resfolegando e moribundo para morrer, o balaço foi mortal. Dentro de alguns segundos expirou, estava morto. Foi um reboliço da população ao ouvirem o disparo que ecoou na currutela, foi ouvido nos quatros cantos da cidadezinha. Saiu gente de todos os lado para ver o ocorrido. Curiosos não faltou na ocasião, mas as autoridades competentes para atender o caso iria demorar algum tempo, pois nem destacamento de policia existia por perto. Teria que vir de outra localidade, enquanto isto não acontecia o criminoso deu no pé. Era caso raro acontecer isto naqueles tempos, tempos de paz, as criaturas dificilmente se estranhavam um ao outro. Todos tinham trabalho, atividades e afazeres para cuidar. Não havia vadiação como nos dias atuais, tanto é verdade que naquele bar que aconteceu o crime só havia o peão e a vítima naquela data e horário. Até que chegou as autoridades para  atender o caso o peão já estava pra lá de Bagdá. Desconhecido, estranho, forasteiro naquelas paragens. As autoridades só dispunham de informações esporádicas da população. Quando os populares se aglomeraram no local nem sequer repararam as características do desconhecido e delator. Este fugira com muita esperteza e segurança. O caso ficou pendurado, ninguém dava informações precisas,  O caso encerrou por alí. Mas as autoridades ficaram á espreita de algum desconhecido entrar na cidadezinha, poderia ser quem fosse, seria preso e interrogado, posteriormente liberado, foi-se muito tempo sem obterem êxito nas buscas. Um dia em outra cidadezinha alguém dedurou um elemento que julgavam ser o infrator, preso e interrogado ficou por uns tempos na cadeia.  Mas não tinham como provarem, mas a suspeita era forte por parte da policia. Esta resolveu torturá-lo até confessar o crime. Imaginem os senhores o suplicio que este homem sofreu.  Ele possuía uma deficiência numa das pernas, a sua canela era ressequida, era quase só a pele e osso, o que fizeram? Um carrasco preparado para esta tarefa ao entrar na cela onde se encontrava o prisioneiro disse:lhe Caboclo vá contando o que fizeste com o velho lá no bar do japonês que é melhor para você. Me poupará um trabalho muito ruim de fazer, apesar de ser obrigado a executá-lo. Não tenho pena nem dó de ninguém que está nas minhas mãos. Só tinha pena desta mulher apontou o dedo, aquela que aparece naquela foto, ali no corredor, era minha mãe e já faz dez anos que faleceu. O preso lhe respondeu: Não tenho culpa nenhuma do que me acusam, sustentou o meliante. Não sei, retruca o carrasco, é o que vamos ver agora. Dizendo isto pegou uma grosa desta que marceneiros usam para grosar madeiras e moldá-las como é o seu ofício. Amarrou o peão com as mãos para trás, amarrou a perna  seca bem esticada, de modo não poder encolher ou torcer para os lados, pegou a ferramenta e esfregou-a com toda força no osso da canela do infeliz homem, saía tiras da pele,e as poucas fibras da carne e lascas de ossos além de um rio de sangue que banhava até o piso da cadeia. Isto por varias vezes e ainda perguntava ao infeliz: Foi você quem matou o velho? Este respondia entre gritos e lágrimas de dor: Não senhor, não fui eu! Nem conheci o tal velho! Deve ser parecido comigo e vocês confundiram nos dois. Pelo amor de Deus não faça isto comigo! Continuarei te torturando até você confessar o crime respondia o carrasco. Ficou horas nesta agonia, o carrasco lhe interrogando e ele sustentando o "Não". Já não havia mais o que fazer. Nisto chegou um superior que ordenara as torturas, olhou o homem deitado, agonizante de tanta dor, gemendo e chorando de tanta agrura, disse: Com tudo isto este homem nada confessa, deve ser inocente mesmo! Poupe-o, leve ao hospital para ser atendido. Estão suspensas a sessão de torturas até que ele fique curado. Onde ele pisava ficava uma poça de sangue. Depois veremos o que fazer dele. Nunca ví um homem desta natureza disse o carrasco. É capaz que seja inocente como afirma. Levaram-no a casa de saúde e por lá ficou mais de quinze dias. Quando retornou para a cela ficou morrendo de mêdo de voltar a sofrer mais torturas. Mas não aconteceu. O juiz deu o caso por encerrado e libertou-o. Passados muitos anos ele contava o caso aos amigos bem longe dali: Fui torturado com requinte de crueldade por aquele maldito carrasco, que o Diabo o leva para os quintos dos infernos. Teve uma hora que quase confessei, fiz xixi, fiz coco, gritei para tudo o que era Santo que eu conhecia de nome, isto de tanta dor que padeci, mas já tinha sofrido muito e resolvi morrer e nunca contar, seria muito desaforo depois de tanta agrura voltar atrás na palavra dada, homem tem que ser homem, afirmou! Não paguei a justiça terrena. Só Deus pode me condenar por este crime! Reconheço ser culpado pela morte do velho. Pena o que fiz, deveria ter tido um momento de reflexão. Mas perdi a cabeça e cometi esta coisa terrível que é a pior que um ser humano pode fazer na terra enquanto viver. Fiz num repente mais rápido do que um estalo de dedos. Melhor seria sair, e ir embora com um "galo" na cabeça, do que ter ficado sem o osso da canela roído por uma grosa de marcenaria.
CONTO VERÍDICO PARA O NOSSO BLOGGER "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES".

DEFENDENDO NOSSA CULTURA SERTANISTA- ANASTACIO MS 17/10/2016

CULTURA SERTANISTA QUE NOS DIVERTEM. PARTE-01

                      
                                     O QUE É, O QUE É?
01-Quatro em cima de quatro, um quatro o quatro esperou; teve um dos quatro que não veio. Quatro se foi e quatro ficou?
02-Quantos Mares você conhece, qual deles é o mais perigoso?
03-Você me pediu, eu te dei, mandei-lhe o espeto, você sentiu e gritou então eu tirei; você chorou eu te alisei pra te consolar!
04-Estou aqui, quem me mandou está mesmo ali, não pegue, se me pegar vai subir e nunca mais volta aqui!
05-Peguei bem no meu regaçado e meti no seu arreganhado, você gostou e me disse: Muito obrigado?
06-Qual é a ave que é sem penas e sem bico, mama quando é pequeno e voa para todos os lados?
07-Está no fundo da água, lá no cemitério, em casa e na igreja?
08-Daqui para lá sou um pássaro voando, mas de lá para cá sou a mesma ave; só que estou regressando?
09-Uma casa com quatro esteios, coberta com uma só telha com a chaminé para baixo e uma corda de arrasto quando sai do lugar?
10-Sou curto, grosso e reforçado, entro seco e só saio molhado?
11- Sou baixinha,tenho a boca maior do que meu corpo, e as minhas orelhas grudadas na beirada do meus beiços?
12- Não tenho corpo nem cabeça, mas tenho boca sem ter dentes, chego de fininho fechando a boca engulo toda a gente?
13-Em cima de ti eu trepo, embaixo de mim é você que tenho, faço muita força e muito empenho para empurrar dentro de tí tudo o que eu tenho: depois de tudo acabado fiquei até suado mas contente e realizado?
14-Qual é a coisa mais boca grande que conheces? Porque que o boi baba?
15-Tenho quatro pernas, ando e faço só um rastro, fui criado com leite?
16-O que é que as mulheres tem no meio das duas pernas?
17-O que é que os homens tem que está abaixo da cintura, acima das coxas, quando eles andam aquilo balança?
18- Porque que o galo quando canta fecha os dois olhos?
19-Tenho quatro pernas um pedaço de ferro na testa e ando arrastado?
20-Onde foi que o boi passou correndo e a mosca nunca passa voando?
21-Entro meio mole e balançando mas quando saio é duro e pingando?
22-O que faço para um barril de madeira de 100 kl. para ficar mais leve até que eu possa carregá-lo?
23- Tenho uma coisa e você tem outra da mesma, a sua está cheia e derramando, a minha está vazia e ambas tem mesmo peso?
24-O Um peão colocou 10 vacas no mangueirão para criar aquela noite, no dia seguinte amanheceu as 10 vacas e 11 bezerrinhos recém nascidos, mas nenhuma pariu 2 bezerrinhos?
25-Tem pescoço mas não tem cabeça, tem peito, tem barriga, braços e sem pernas, vai para tudo que é lado?
26- Um peludo em cima de muitos pelados, os pelados só saem debaixo do peludo quando estiverem peludos também?
27- O que é que poucos sabem fazer, se por sal ninguém come, e se por açúcar não há quem possa comer?
28-Vai tomar banho e deixa a barrigada em casa? Pula para cima e cai virada no avesso?
29-Um é bom, dois é demais e três é uma cidade de Minas Gerais?
30-Branco de nascença. preto de natureza, morte para ele é saúde, vida para ele é tristezas.?
31-Pela manhã o burro está no canto da cerca, as nove horas está no córrego, ao meio dia  onde está?
32-O que é que tem: Asas de águia, pescoço de touro, focinho de vaca, corpo de avião, pernas fortes mas não anda?
33-Caixinha de bom parecer não há carpinteiro que consiga fazer?
34-Nasceu no Brasil vive aqui faz de tudo mas não anda no Brasil?
35-Deus te deu uma vez, deu duas vezes e você não cuidou e perdeu, agora se quiser compre?
36-Nasce em pé, vive em pé mas quando vai andar só vai deitado?
37-Altas torres e bela janelas, abrem e se fecham sem ninguém tocar nelas?
38-Já fui carne e couro, hoje sou apenas couro, vivo de boca aberta esperando carne e couro?
39-Eu e você temos duas quantias em dinheiro diferentes uma da outra, mas nenhum de nós sabe o valor que o outro tem; se eu te der xis a sua quantia dobra de valor; se me deres xis ficaremos iguais Quanto temos cada um?
40-Qual é a diferença entre um velho cansado e um bom negócio que está difícil de realizar?
41-O que é que mais cheira no mundo? Qual é a letra que não tem no alfabeto brasileiro?
42-Qual é o animal que anda com as quatro patas para cima?
43-Qual é a letra que diz enxergar? Plantei chumbo e colhi chifres?
44-Ver o nome de estado brasileiro cujo nome tem dez letras e não repete nenhuma?
45- Quais países que tem nomes de aves? Plantei tabinhas, espicha cordão e da novelos?
46-Só tem um dos olhos e passa a vida inteira chorando?
47-Te dou  R$20.00, quero que compre 20 cabeças de galinhas: Galos á R$ 3.00, Galinhas á R$ 2.00, e pintos á R$ 0.50. Não deve sobrar dinheiro e nem faltar aves.
48-Veja a diferença entre a Ema e o Avestruz?
49-O que é que te acompanha o dia todo e quando você entra em sua casa ela fica lá fora?
50-Qual é a planta que não dá galhos? Quem anda contigo sem fazer barulho!
ESPERO QUE GOSTEM DESTA ARTE TÃO DIFUNDIDA EM ÉPOCAS REMOTAS ANOS 1950.
 SIGAM POSTAGENS ANTIGAS  EM "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"


quarta-feira, 20 de julho de 2016

UM GATO DIFERENTE DOS DEMAIS!

                                       


Era uma vez um casal que moravam num pequeno sítio onde trabalhavam na roça. Não tinham filhos, não tinham dinheiro, nem casa bonita, não tinham bens mas viviam uma vida tão feliz que todos os amigos, conhecidos e vizinhos admiravam a harmonia que reinava entre os dois, afeto, carinhos, respeito, consideração, eram oriundos de famílias pobres, distintas mas muito honradas. Apesar de existirem muito poucos casais que vivem sem broncas e desacertos entre si, em especial na questão de afinidades, gênios, naturezas bondosas, sem rispidez de um para o outro, lealdade, sinceridade, pareciam terem nascidos um para o outro mesmo. Como sabem é muito difícil pessoas assim não serem invejadas por terceiros que em muitos casos são casais que tem este sentimento mau de outrem. Aquela influência maligna em muito destrói a vida de muita gente que não merece. Até Deus foi invejado por outra força quando por ocasião da criação do paraíso, do mundo e de todos nós como obra prima de sua bondade. A inveja mora na terra. Imaginem nós que estamos de frente com ela, lutamos aqui contra tudo o que é mau e somos tão frágeis! Este casal pareciam duas aves quando pousam no galho de uma arvore, um fazendo caricias no outro, exemplo: Pombinhos, araras, periquitos etc. Como esta coisa terrível chamada inveja é mesmo um atraso de vida para quem a possui e para o outro lado que é invejado também. Os maus fluídos irradiados por mentes venenosas e transmitidos por olhares como setas inflamadas de tais pessoas atingem mesmo o alvo, inda mais se este estiver a descoberto, sem a proteção Divina,  vamos citar um exemplo: Há mulheres que tem um cabelo bonito, bem cuidado, lindo de se ver, de repente começa a cair sem explicação nenhuma, em muitos casos é alguém de olhar ruim que lançou olhares invejosos que o povo costuma chamar de "Quebrante" por que quebra a beleza de alguma coisa, crianças bonitas, jovens e adultos elegantes, bem quistos, desembaraçados, bem posicionados na vida, progressistas, bem sucedidos no que fazem e vivem, pessoas exemplares de conduta impecáveis,  plantações, animais de estimação, hortaliças etc. Voltando ao casal de personagens deste conto, um dia a esposa amanheceu esquisita, calada com propensão ao desleixo de si própria e da casa. O esposo percebeu a mudança repentina mas ficou quieto por enquanto, deve ser qualquer coisa insignificante que a perturbou, mas que logo passará, pensou! Mas não passou, foi ficando triste, acabrunhada, desalentada, quase não falava com o esposo mais, este começou a ficar preocupado e indagou-a: Meu amor o que há com você? Há dias que noto sua indiferença com tudo ao seu redor, até comigo. O que lhe fiz que a magoou tanto assim: Nada! Respondeu ela! Ninguém me maltratou! Sinto vontade só de chorar, agora não sei porque! Ele foi para o trabalho ela ficou em casa naquela profunda tristeza. No outro dia ele precisou fazer uma viagenzinha curta, que logo mais á noite estaria de volta. Na chegada de sua casa ao retornar da viagem viu um gatinho preto na beira do caminho, estava magrinho de dar dó, pegou-o no colo e levou-o para casa, este roncava feliz nos teus braços como agradecendo-o por tê-lo dado guarida. O homem pensou: Coitadinho, alguém deve ter extraviado você, vamos para minha casa, lá terá de tudo e será bem cuidado por minha esposa. Logo a esposa ficou melhor, mas muito irritada, não tinha mais paciência com seu marido. Desandou a brigar com ele, nada estava bom para ela, fazia de tudo para tirar a paciência dele também. Aquele lar que parecia um pedacinho do céu, virou uma coisa, um desarranjo entre ambos, acabou-se a paz que reinava entre eles dois. Era só brigas, contendas, desaforos de todos os lados. Nem na hora das refeições paravam de brigar. Um dia destes ela serviu o almoço, já na mesa quando ele foi tomar a refeição apareceu no feijão uma barata morta e cozida. Nossa, que nojo! Ele perdeu a paciência, quis esfregar a barata na cara dela para ter mais atenção quando fizesse o almoço. Foi aquele pampeiro. Ninguém almoçou! Ele disse: Dê a barata de comida para o meu gatinho, quem sabe ele comerá! Gato come baratas mesmo! Saiu sem almoçar. Ela foi ver o gatinho para cuidar dele, este correu dela, ficou lá longe miando. Relutou muito com o gato, mas este não quis saber de nada, não lhe atendia mesmo. A pobre mulher ficou sem saber o que fazer, deixou-o para lá, ele ficou sentado lá no fim do terreiro, se lambendo todo. Parecia que nem sentia fome, olhando-o bem viu que ele não tinha nada de magreza, estava de pelos lisinhos e roliço, gordinho até! Ficou imaginando o que seria aquilo! Foi só o marido chegar no meio da tarde lá vem o gato miando como se tivesse reclamando da vida para ele. Nesta altura o gatinho estava só pele e ossinhos, magrinho de dar dó. O marido já bronqueou com ela vendo-o naquela situação de fome. Enquanto os dois batiam boca por causa do gato este roçava nas pernas dele e fazia "rom rom". Ela percebeu o que tinha suspeitado. O gato era o pé de encrenca deles. Pensou consigo:  Os gestos deste bicho não me cheiram nada bem! Gato esquisito? Ora tá magro, ora tá gordo? Calou a boca e pensou: Santa mãe do céus! O que faço agora? Deu-lhe de comer na frente do marido este comia grandes bocados de vez como se estivesse morrendo de fome. Naquela tarde ele precisou fazer uma viagem longa. Só voltaria no dia seguinte lá pelas cinco horas da tarde. Ela arrumou suas coisas numa sacola e ele viajou á pé. Quando anoiteceu estava longe de casa e teve que pernoitar ao lado da estrada mesmo, era longe de qualquer lugar ou habitação que pudesse lhe servir de abrigo, o tempo estava bom, céu limpo com algumas nuvens de sombras, por sinal havia uma figueira vermelha e muito grande, frondosa na beira da estrada, ele subiu nela e se empoleirou num dos galhos bem no alto, armou a rede e ficou sentado nela com os pés apoiados noutro galho, tomou sua matula, bebeu água de uma cabacinha que trazia na cintura e ficou imaginando como andavam as coisas lá em casa. Estavam mal, mas nunca tinha acontecido isto em suas vidas, porque agora? A noite se foi adentrando olhou no relógio dez, onze horas e logo daria a meia noite, um silêncio de dar medo, nem as aves noturnas piavam naquela noite sinistra. Ar parado, nem brisas, nenhuma folha se agitava, os insetos da noite, grilos e gafanhotos e outros, todos em silêncio. A noite não era como as demais, parecia adivinhar que  algo estranho iria acontecer. De repente ouviu um barulho de pisadas e murmúrio de pessoas que se aproximava da sombra da figueira, olhou mas não viu ninguém, o luar era apagado mal se via a lua entre as nuvens, com uma luz cálida,  acanhada, embaixo da figueira era mais escuro, de repente apareceu a figura de um homem peludo parecido com macaco e deste tamanho, de rabo e com chifres, com uma tocha de luz amarela nas mãos, colocou-a no chão e esperou alguns instantes e logo foi chegando mais elementos da mesma extirpe, mesma qualidade e espectro, parecia visões de outro mundo. Ajuntou ali uns quantos e começaram como se fossem membros de um conselho em uma reunião onde discutem suas  ideias, razões e feitos. O grandalhão era o chefe, inquiria dos demais os serviços prestados até ali. Disse a um: O que fizeste companheiro? Respondeu-lhe o interpelado: Fui num boteco e fiz uma bagunça danada, fiz um fulano encher o "Tampo" de cachaça e dar um tapa na cara de outro e este o matou! O sangue dele estava quentinho e gostoso, tomei porre, estava sedento por sangue e me fartei. Beleza, disse o chefão! Assim é que se faz. Continue viu? E você o que fez? Pergunta ao outro: Fiz um casal separar, o homem pensou que a mulher lhe traía e o fiz matá-la e ao outro o traidor também. Dois mortos e ele tá na cadeia. kkkkkkkkkkkkk.  Ótimo companheiro, isto mesmo! Vamos acabar com a raça humana aos poucos! Vamos promover o que pudermos de brigas, contendas, guerras, encrencas por causa de dinheiro, terras, gado, coisas insignificantes, fofocas também, os homens tem que brigarem, vamos tirar-lhes a paz nem que seja por um palito de fósforos. kkkkkkkkkkkkk. Indo ao terceiro: E você o que faz? Este disse: Moro numa casa e nela me transformo num gatinho preto, o homem me achou na estrada e levou-me para sua casa, nem sabe o que sou. É daqueles sujeitos tolos, que tudo o que acha já vai pegando e levando. Se ele soubesse do que sou capaz de fazer! Mas por enquanto faço-o brigar com a esposa todos os dias. Ele me ama mais do que a ela, e nisto eu fico a vontade. Fico gordinho quando ele não está em casa e quando ele chega eu fico magrinho. kkkkkkkkkkk. Ele disse que vai meter a cabeça dela num tacho de água fervente, caso não me cuide bem. Ele viajou e logo volta, assim que chegar vou por o "Pau para quebrar". Ela chora e ele está cada vez mais furioso! Tá no papo aqueles dois, vou atentar mesmo sem dó. Manda ver, responde o chefe. O homem lá na rede morrendo de medo que nem suspirava. Até tremia ouvindo aquilo tudo! De repente ouviram o canto de um galo, longe dali, o chefe apurou os ouvidos e disse: É um galo índio, o canto é curto, depois ouviram outro mais distante ainda: Este é um garnisé. Quando ouviram o terceiro galo que era um galo músico, batia a meia noite em ponto. Esta qualidade de galos não mentem. Informam a hora exata. Saíram todos na carreira, cada um por um lado. Os demais da cúpula ficaram sem dar explicações ao chefe pelo tempo ter-se esgotado. Fugiram todos! Escureceu tudo a volta e silenciou novamente. O homem sentiu um calor no corpo, estava tão gelado e adormecido pois parecia que tinha saído de uma geladeira, aquele grupo, aquela falange de espectros desconhecidos e terríveis irradiou um influencia negativa que o atingiu, respirou aliviado e recobrou as forças que lhe tinham sumido. Imaginou consigo: Nunca imaginei ver um negocio deste! Passou o resto da noite em claro, sentado na rede, arrepiava até quando se lembrava daquelas conversas e  daqueles bichos horrendos. Nem retomou a viagem, voltou dali mesmo para a sua casa no clarear do novo dia. Chegou antes da hora prevista e combinada com a esposa. Esta o recebeu feliz da vida como sempre o fizera. Ele chegou assim meio acanhado e preocupado com o que vira na noite passada lá embaixo da figueira. Nada disse á esposa a respeito do que viu e ouviu. O gato lá estava magrinho como sempre. Ele deu uma bronca na esposa por causa do bicho.  Mas foi uma bronca de mentirinha, falsa para enganar o gato a quem ele já ficou sabendo quem era. Contra esperto? Tem que ser esperto e meio! Pensava consigo: Este gato me paga! Custará caro sua ousadia! A esposa só derramava lágrimas sem ter como se defender. O marido disse-lhe: Faça um fogo na trempe e coloque o tacho maior com água para ferver. Que seja logo! Não quero demora! Hoje você me paga! A pobre mulher desmaiou até de tanto terror, sabia que morreria mesmo. Ele acudiu ela mas fê-la acender o fogareiro. Ela fez tudo em prantos, chorava como criança, ele estava quieto sentado num pilão com o gato no colo acariciando-o. O gatinho estava todo cheio de razões, roncava de satisfação por ser tão querido dele. A água ferveu, estava pulando as borbulhas e o homem foi lá e meteu a pontinha do dedo e viu que estava no ponto mesmo, quase chorou de dor na queimadura do seu dedo na água fervente. Foi na dispensa e trouxe uma lata de soda caustica e despejou no tacho. Ficou de modo que o que caísse dentro, dissolveria em questão de minutos. A mulher via aquilo tudo horrorizada. Como estava com o gato nas mãos, alisou-o, acariciou-o, fez mímicas com o bicho de todo os jeitos, este nem sabia o que ia acontecer. Aproximando do tacho gritou para a mulher: Venha cá, sua vagabunda! Vou lhe mostrar do que sou capaz! Não quiseste cuidar bem do meu gatinho? Vais ver agora o que é bom? Ela vinha chorando e quando chegou perto do marido este ao invés de pegá-la pelos cabelos, arremessou o gato dentro do tacho com toda força que tinha. Quando o gato caiu lá dentro deu um estouro como se fosse uma bomba, na explosão dentro do tacho fervente esparramou água quente para tudo o que foi lado! Ficou uma catinga, um fedor de enxofre que ninguém suportava! Sumiu o gato! A mulher levou um susto daquele estrondo e ficou sem entender porque ele fizera isto já que gostava tanto do animalzinho. O marido sentou e com calma lhe contou toda a história que vira na noite anterior. Ali estava patente um espírito mau, um dos mais imundos, o da inveja, destruidor de lares e da felicidade alheia representado e na forma de um simples gato. Nunca mais brigaram por nada desta vida! A paz voltou a reinar em seu lar! Viveram felizes até o fim.

CONTOS POPULARES DA CULTURA SERTANISTA PARA O BLOGGER.


"COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES" ANASTÁCIO MS  16/07/2016