sábado, 6 de fevereiro de 2016

UMA AVENTURA NO DESERTO!

                                       

Num dia destes o cordeiro amanheceu muito pensativo e falando com seus botões, a ovelha vendo-o assim apreensivo perguntou-lhe o que era que tinha. Ele respondeu: Pensando numa viagem maravilhosa que sonhei esta noite que fazíamos, era um grupo de animais de nossa comunidade. Do nosso circulo de amizades, aqui ao redor. Então porque não fazemos? O que é que falta? Vamos nos organizar então! O cordeiro pensou e repensou, vamos sim, concluiu! Foi na invernada e falou com o touro e a esposa que tinha um bezerrinho novo, com o cavalo, o galo, o pato, o peru, o ganso, o gato, o papagaio, o jumento, o bode, o camelo, e o pavão, achou que já tinha formado a comitiva com esta turma e convocou-os para uma reunião no estábulo naquela manhã, ninguém podia faltar, era de muita importância para todos. Expondo sua ideia, todos o ouviram atentamente. Acharam muito oportuna esta viagem inda mais sendo num final de ano a data era 27 de Dezembro. O destino seria a pequenina cidade de Belém. Mas o que vamos fazer nesta cidadezinha? Perguntou o peru! É que lá nasceu o menino Jesus, e nós vamos visitá-lo, replicou o cordeiro. Agora pela manhã recebi a noticia de fonte segura, confirmando que o meu sonho foi real. Ah! sim. Agora entendi atalhou o galo. Festa em família não é? Nossas esposas vão também? Claro que sim, completou o cordeiro. Então vamos traçar os planos da viagem, estudaremos juntos os pormenores, ver as incertezas, dúvidas, o horário de saída e a distância a ser percorrida e o horário de chegada ao destino. Era muito longe, dava uma jornada de 12 horas sem interrupção, não tinha atalho nenhum. Ainda por cima era num deserto, e o sol causticante? Os ventos com poeira? Rajadas de um calor sufocante em certas horas do dia. Que horas sairiam? Será que todos suportariam a fadiga da viagem? Estariam preparados para esta aventura? Precisavam pensar bem para não tornar a viagem num suplicio para os mais fracos. Alguém cansaria com certeza, não poderiam de forma alguma abandonar uns aos outros. Sair juntos e chegarem juntos. Ninguém poderia ficar na arribada. Seria muito perigoso. A travessia do deserto era difícil, precisavam de cautela. De fôlego, de saúde e resistência física para aguentar a viagem. Na reunião trataram de tudo e ficaram todos pensativos, mas de comum acordo, ninguém falharia. O camelo foi o primeiro a argumentar: Bem no meio do trecho tem um oásis, sabem o que é isso? Não, disseram todos. É uma mina de agua bem fresquinha, um olho d’agua ladeado por matos, arbustos e coqueiros para conservação do mesmo. Tem até sombras ao redor. Ele não seca em tempos nenhum! Já passei por lá em viagem com o patrão. Ponto de parada obrigatória. Daqui lá dá 6 horas de marcha. Até Belém são mais 6 horas. Então fica fácil entender dissera o cavalo. Verdade assentiu o burro. Depende da hora da partida, senão ficará pesada a jornada para alguns de nós. O bode disse: Para mim e a minha velha, não há problemas, nós somos de região sêca. E as aves que nos acompanham? Elas tem perninhas curtas, com certeza vão cansar primeiro. O pavão cortou-o: Se precisar eu alço um voo. E os outros que não voam? Como é que ficam? Perguntou o cavalo! Quem dá carona para eles? Algum de nós ainda terá que levar matula para todos. Capim verdinho, milho, forragem, feno, mandioca em crueira, frutas como bananas, melancia, melões e outras que contém agua, vitaminas e sais minerais para nossa resistência ser maior, teremos que levar muita coisa, somos muitos para comer, levaremos nas bruacas de cargueiro, aquelas próprias dos boiadeiros, cabaças de agua atreladas e uma cuia para por a agua para todos beberem no transcurso da viagem e saciarem a sede até no oásis. Esta tarefa é minha, do burro e do camelo. Levar víveres para no mínimo dois dias. Lá a gente abastece de agua para chegar até Belém. O gato estava sentado assistindo os animais falarem e argumentou: Tem uma coisa que ninguém lembrou: No oásis ninguém pode tomar banho dentro da mina, ganso e o pato gostam de fazer isso quando vê agua. Pode banhar sim, para descansar da fadiga, mas só de caneco. Um carrega agua para o outro numa vasilha, até que todos se lavem. Muita solidariedade no grupo. O pato ficou bicudo ouvindo isso. No deserto de dia é quente e de noite esfria muito. Estejamos preparados então.   Sim, tem outra coisa, não vamos levar nenhum presente para o recém-nascido? Todos irem de mãos abanando não está certo! Não podemos mesmo ir assim sem nada, completou o papagaio. Cada um escolhe um presentinho diferente do outro. Aí sim! A galinha disse: Eu levo ovos fresquinhos para alimentar o nenê. A pata também disse o mesmo. O pavão disse: Abrirei as minhas asas para o nenê se divertir com minhas lindas penas. O ganso disse: Sou o melhor vigia que existe, se lembram dos meus antepassados do Capitólio? A cabra disse: Darei leite para ele. A vaca daria leite para todos, mamãe, papai e o neném. O jumento disse: Eu dou carona para a família Divina a hora que precisar. A ovelha disse: A minha lã vai aquecer toda a família á noite, lá é muito frio. Nós também oferecemos montaria em caso de precisarem viajar longe, foi o que disse o burro, cavalo e o camelo. A perua falou: Meus ovinhos são muito nutritivos para o neném. A gata falou: Vou fazer carinho no bebezinho e roncar para ele dormir feliz. Os louros disseram: Vamos cantar “Currupaco” assoviar e conversar com o bebê. O cão e a cadela dando por falta dos animais, farejou o chão e foi até lá no estábulo e viu a reunião animada, deitou-se no chão do lado de fora e ficou ouvindo tudo. Ninguém se lembrou dele e da sua esposa com os seus dois filhos já grandes. Quando terminou a reunião que iam saindo o cão perguntou ao cordeiro: Porque não se lembraram de nós os cães? Nenhum de vocês gosta mais de crianças do que nós! Sabiam disso? Nós iremos também, mesmo sem sermos convidados! Pode ter certeza disso! Foi um reboliço! Protestaram: Só vai quem foi convidado, intrusos não vão. Disseram quase todos, menos o cavalo, o burro e o camelo. Estes disseram aos demais: Seria bom se os cães fossem também, eles são ótimos companheiros de viagem. O patrão e nós quando viajamos os levamos sem falta. Mas o chefe da comitiva é o cordeiro, só ele dá a palavra final. Continuaram obstinados em não levar os cães. O cordeiro ficou pensativo, mas não disse nada a respeito dos cães. O louro perguntou aos contrários: Por que esta discriminação aos cães? O que há de mal neles? Dando uma forcinha para seus amigos do mesmo terreiro. O pato tomou peito e retrucou: Os cães não tem educação, peidam em qualquer ambiente. Nem pedem licença para fazer isso. E lá tem um recém-nascido, agora ele vai ficar respirando peido? Acha que pode? Não pode ir mesmo e pronto! Formaram um bate-boca entre o pato e o cão. Este disse: E você pato que caga pelo terreiro todo, lambuza por onde passa! O que me diz? Kkkkkkkkkkkkkkkk. Todos riram a beça. O pato e o cão foram os únicos que não riram. O cordeiro disse: Parem com isso! Silenciou tudo. O cordeiro emendou: Faremos a jornada em dois turnos. Sairemos amanhã após as 12 horas. Ao anoitecer estaremos no oásis, lá nós acamparemos, descansaremos á noite, e muito cedo lá pelas 3 horas da madrugada levantaremos acampamento e chegaremos bem antes da dez horas em Belém viajaremos com a fresca da manhã. Acabada a reunião saíram todos, cada um foi cuidar da vida e do seu trabalho. Nada se comentou depois. Chegando em sua casa a cadela disse ao marido: E agora meu velho, que faremos? Nós iremos de qualquer jeito, eles são orgulhosos e trouxas se quer saber. Respondeu o cão, Na travessia do deserto há perigos e eles nem nisso pensaram. Já passei por lá e conheço tudo. A noite tem coiotes, lobos, raposas, gambás, que vem beber no oásis, corujões que vem de longe, de dia tem abutres, águias sobrevoando o deserto em busca de animais mortos que perecem na travessia, malucos de fome atacam os vivos também. Nenhum deles sabe se defender, se os coiotes ou lobos os atacarem. E as aves? Mais indefesas ainda. Vamos ajudá-los sem que eles percebam. Na hora do perigo irão tremer, ai nos os salvaremos. Fazer favor não custa nada para nós e nossos dois filhos que estão grandes. Admiro eles armarem contendas conosco, baita ignorância, somos todos iguais. Cada um tem seus préstimos, todos nós somos úteis. Ninguém é inútil como muitos pensam. Defeitos e falhas, quem não tem? Faremos o seguinte: Eles saem e nós observamos, depois de uma hora de viagem iremos atrás deles. Os alcançaremos num piscar de olhos. Duvido que eles façam a gente voltar. Kkkkkkkkkkkkkkkk. Assim fizeram, a turma estava bem adiante quando olharam para trás e viram os quatro cães se aproximando deles. Chegaram felizes abanando os rabos. E agora, o que fazer? Perguntaram! Nada! Foi o que o cordeiro falou. Não adianta brigar com eles agora. Eles não voltarão! Vamos todos e pronto! Os contrários ficaram calados. De quando em quando viam nos ares águias, urubus, falcões, cancões, carcarás, gaviões se aproximando, cada um deste tamanho. As aves gelaram ao ver seus predadores sobrevoando-os com vontade de atacá-los. Rodeavam lá das alturas, davam rasantes, calculando como fariam para janta-los, os únicos que atrapalhavam eles eram os quatro cães que ficavam ao redor da comitiva. Estes olhavam para cima e latiam metendo medo neles. Nenhum se atreveu a dar um bote nas aves. Chegando no oásis já cansados fizeram a parada, todos sentaram e deitaram no chão para descansar. Lá vem a noite e com ela se ouvia uivos de coiotes, lobos e até outros felinos famintos, gambás, corujões e outros. A comitiva agrupou num só lugar, uns protegendo os outros, os maiores faziam parede e os pequenos tudo embolado encostando um no outro, tremiam de tanto medo, as aves então, nem piavam, o pato então, nem cagou de tanto medo. Comeram, beberam agua e se preparavam para dormir quando um coiote uivou bem pertinho deles, dois dos cães saíram em sua perseguição e o afugentou para longe. Os outros dois ficaram de guarda. Os cães disseram a todos: Pode ir dormir, nós vigiaremos vocês. Ninguém nos atacará. Só que os cães não pregaram os olhos durante a noite, toda hora ouviam barulho dos predadores aproximando, latiram a noite toda. Quando foi madrugada levantaram acampamento, seguiram a viagem em paz. Nada os incomodou até o fim da viagem. Na viagem de regresso aos seus lares transcorreu tudo em paz também. Os que protestaram contra os cães, nem olhavam nos seus rostos de tanta vergonha que passaram. Os demais conversavam o tempo todo com os cães. Afinal o burro, camelo e cavalo eram dos cães velhos amigos de viagem. Um deles observou e falou na frente de todos; Imagino se os cães não tivessem vindo conosco! O que seria de muitos de nós?


CONTO  ENDEREÇADO ÁS CRIANÇAS QUE GOSTAM DE HISTÓRIAS ASSIM.
NOSSOS PAIS CONTAVAM PARA NÓS QUANDO ÉRAMOS PEQUENOS.
“COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES” NOSSA CULTURA SERTANISTA.
ANASTACIO MS, 26/01/2015


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

PREZADO VISITANTE DESTA PÁGINA DE HISTÓRIAS E CONTOS.

    
Nós e titular desta página, deste Blogger “Coisas de Caboclo de Luizão-O-Chaves” vimos atentamente este ano de 2.015 se findando na alegre companhia de todos vocês. Para nós esta página que é tão simples, mas de boa qualidade em seu conteúdo sentimos a obrigação de vos agradecer pelas visitas. Vocês não tem preço para nós! São iguais ao Diamante que nos dão seu brilho sem nada exigir em troca. Obrigado de coração! A nossa equipe da redação que elaboram nossas histórias, o Cavaleiro Solitário que é o nosso mensageiro na divulgação desta por onde passa, tomamos a liberdade com sentimento de gratidão por vosso carinho e atenção, viemos formular-vos um novo convite para juntos seguirmos por mais uma jornada de 366 dias (sim esse ano é bissexto) neste ano novo que se iniciou 1º/01/2016.

Vamos seguir juntos novamente como fizemos no ano passado? Obrigado pelo “SIM”. O nosso boníssimo e soberano Deus e nosso Pai Celestial juntamente com a Virgem Maria Santíssima, Rainha dos Céus e Mãe de todos os filhos de Deus, tanto nos Céus quanto na terra, nos acompanharão nesta nova etapa da vida, como fizeram no ano passado. Daí o motivo de termos chegado até aqui, vivos, com saúde, fortes, saudáveis, felizes e sobretudo: Vitoriosos! Feliz Natal! Boas festas! Venturoso ano de 2016.
ANASTÁCIO MS, 1º/01/2016
LUIZÃO-O-CHAVES.



O VIGÁRIO E O BANDO DE PATOS.

                                        


Há muitos anos passados existiu um velhinho que criava um neto, este já estava com oito anos de idade. Garoto esperto demais pela sua idade e era um menino muito prestativo, obediente e cuidadoso com o seu avô, fazia de tudo numa casa, até cozinhar já sabia, lavava suas roupinhas e as do vovô também, pois moravam somente os dois. O garoto tinha ideias de adulto, palavreados diversos como se fosse um peão do trecho, um adulto vivido, andado, mas muito respeitoso com os mais velhos. Cuidava das galinhas, recolhia os ovos que elas punham, deitavam as outras para chocarem, dava comida para os porcos, e os leitõezinhos ele coçava-os amansando a todos, ia ao roçado do Vô e trazia de lá, mandioca, abóboras, milho verde, maxixe, pepinos e toda hortaliça que o velhinho cultivava, moravam á beira de um riacho que dava nado. O moleque parecia uma piaba quando entrava na agua, nadava até com as costas de fora. Apostava com os patos quem era o melhor nadador. Montava os cabritos e os carneiros, cuidava bem da montaria do Vô, um cavalo pampa que nos fins de semana o velho ia ao vilarejo comprar algo que precisasse etc. A pequenina chácara era de propriedade do velho, sozinho imaginava que quando morresse deixaria para o netinho aquela herança. Uma única coisa que o velho sempre quis, era que o seu neto estudasse e se formasse para ser padre. Mas não dispunha de recursos para isto, então se conformava com a situação de pobreza que tinha. Os tempos passam e um dia passando por lá um padre que fora destituído do cargo de pároco de uma cidadezinha não muito longe dali. Andava a esmo procurando um lugar para viver de outra maneira, nas suas andanças e por acaso chegou até ali naquela chácara que entremeava uma vilazinha e os sítios da região, vendo o garoto perguntou: Garoto, este ribeirão e raso? Sim, dissera o moleque, toda hora o gado de meu avô atravessa-o para lá e para cá rapidinho sem perigo nenhum de se afogarem. Nossa disse o padre, então vou atravessá-lo já, preciso ir para o outro lado, mas o menino não lhe disse que havia um barquinho usado para a travessia dos viajantes que por ali passavam. Seu avô é quem fazia isso e arrecadava  alguns trocadinhos dos povos que atravessavam o ribeiro. Ele também já fazia isso, sabia remar e transpunha as pessoas do outro lado sem problemas. Mas o menino nem pensou nisso, estava disposto a judiar, caçoar ou debochar e ver o padre nadar com aquela batina longa.  Este sem ao menos imaginar as intenções do traquina, remangou as calças, prendeu a bainha da batina na cintura e se atirou nas aguas que tinham uma correnteza forte e esta começou arrastá-lo. Como o ribeirão era fundo e o vigário não sabia nadar foi igual uma pedra para o fundo sem saber da verdade. Com a batina, calçados, mochila e tudo que molhados pesaram mais além dele ser gordinho, estava se afogando aos gritos de socorro, mas o moleque rolava no chão de tanto ir da ingenuidade do infeliz padre. Kkkkkkkkkkk. Estava brincando com o senhor, aí é fundo pra burro, se o senhor não sabe nadar vai morrer de tanto beber agua. O gado quem te falei são os patos e gansos do vovô. Kkkkkkkkkkkkkk. O pároco gritava desesperado e o menino nem ligava, quando ele viu que o homem morreria mesmo, correu pegando o barquinho e pegou o padre pela gola da batina e disse-lhe: Segura aí na beirada do barco que eu remo e lhe tiro para fora. Levou-o para o outro lado para onde o padre iria. Ancorou na margem e o padre saiu com a barriga deste tamanho de tanto beber agua. O garoto disse: Sente ai no chão que vou te ajudar. Disse-lhe: Fique curvado e meta o dedo na goela, provoque vômito e assim vomitará toda a agua que o senhor bebeu. O Padre fez e deu certo! Desculpe-me senhor padre, eu pensei que soubesse nadar, justificou de mentirinha o garoto. O Padre pensou consigo: Que moleque desgraçado! Quase morri por causa de suas brincadeiras bestas! Mas estou salvo! Sorte que este miserável é um moleque muito inteligente. Desta eu não sabia. Deitou na relva e descansou um pouco para retomar a viagem. Depois levantou e foi-se embora todo molhado parecendo um pinto que caiu numa poça d’agua de chuva! Passado uns dias o vigário que não conseguira esquecer aquele incidente, daquela traquinagem do moleque, armou um plano para se vingar do menino travesso, voltou lá na casa do velho e chegando muito alegre na beira do riacho deu um grito para o moleque lhe atravessar de barco, num instante o garoto o fez. Sempre sorridente quis ver o velhinho, que o recebeu muito bem. O padre deu uns trocados ao velho e algumas moedas para o garoto que ficou feliz com a gorjeta. O padre viera ainda ressentido com o moleque com o que este fizera, quase afogando-o, nem o velhinho sabia de nada pois o garoto nunca dissera nada a este respeito, o padre se mostrava alegre por fora, mas por dentro remoía um ódio do moleque e ninguém desconfiou de sua intenções  Conversou um pouco e depois foi direto ao assunto. Eu vim aqui senhor, para lhe pedir uma coisa, não sei se irá me atender. Diga o que é reverendo: Se puder lhe falo já, respondera o bom velhinho. Eu queria que o senhor me desse este menino, o seu neto. Acho-o muito inteligente, esperto e gostei dele, sou um padre, só que me casei, tenho uma família agora e quero levá-lo para morar conosco. Vou ensinar-lhe tudo de bom que conheço. Será um grande homem no futuro até padre se ele quiser ser, eu o ajudarei. Vou fazê-lo estudar com o maior prazer, caso o senhor consinta vou levá-lo hoje mesmo, moro logo ali bem pra cá daquela cidadezinha, moro de favor num terreno de uma senhora viúva. O velho ficou de queixo caído vendo tão boas intenções do padre. Pode levar o meu neto sim, fico muito feliz em saber que meu netinho está em boas mãos e bem cuidado. Você vai meu filho? Perguntou ao menino! Sim vovô eu vou! Ingênuo como são as crianças em acreditarem nos adultos nada pensou em contrário. Arrumou suas coisas num piscar de olhos, despediu do avô e se foi com o malvado vigário. O pobre velho nem dormiu naquela noite de tão feliz, finalmente um dia a sorte lhe sorriu, agora sonhava acordado, parecia ver seu netinho vestindo uma batina. Mas ainda é cedo, vejamos o que aconteceria depois! O menino chegando no novo lar que era uma casinha de barrotes revestido de sapés, e coberto de folhas de coqueiro. Lá fora um jirau que lhes serviam de mesa no jantar, e por a vasilha de agua para esfriar com o sereno da noite e cedinho colocava na moringa e na talha para beberem agua fresquinha o dia todo. Tinha também uma ramada de maracujás para sombrearem ao meio dia. A iluminação noturna era uma lamparina de uma latinha de óleo, á querosene. O piso era terra batida. Só tinha uma cama, a do padre com a esposa, a casinha era dividida em quarto e cozinha, de um lado um jirau com as panelas e um fogão de barro, do outro uma tarimba para o moleque dormir, o colchão dele era um saco de estopa enchido com capim e palha de milho. Um cobertorzinho ralo que por sorte não fazia frio naquela estação do ano senão tiritava batendo o queixo a noite inteira. O padre lhe avisou: Quero que levante cedo e acenda o fogo no nosso fogãozinho de lenha. Faça café, varra o terreiro, com a vassoura de ramos, cate o cisco e jogue naquele buraco, lave as vasilhas da janta, coloque feijão para cozinhar. Va no poço tire agua, mas cuidado com o sarilho para não deixa-lo escapar das mãos e bater no seu rosto, a corda é nova e o balde é pequeno e você aguenta tirá-lo cheio de agua, encha as vasilhas, a agua de beber primeiro coe e depois coloque na talha lá dentro. No dia que a esposa for lavar roupas tu terás que tirar agua do poço para ela fazer o serviço. Cate gravetos sempre para no dia seguinte acender o nosso foguinho, se o tempo estiver com jeito de chuvas previna bastante, os gravetos bem sequinhos. Ali nos fundos tem galhos de lixeira. Está bem? Sim senhor disse o menino, estava contente por que tudo isso ele sabia fazer. Mas o padre estava lhe agradando para dar-lhe uma surra. Pegou-o do meio, tirou o cinto e disse-lhe: Vou dar-lhe um couro para nunca mais brincar com padres. Você me desrespeitou aquele dia lá no riacho. Quase morri afogado. Sovou o infeliz e indefeso garoto que gritava para tudo que era santo que sabia de seu nome. Ficou todo marcado das lapadas de cinto. Foi dormir naquela noite de couro quente e o padre ficou feliz com o que fizera e pensando: Agora vais me pagar, está em minhas mãos “seu cachorro,” desta vez arranco-lhe o couro das costas. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. De noite o padre roncava e ele, o menino pensava: Se soubesse que era assim nas unhas deste ordinário, padre desgraçado, eu não teria vindo. E agora como farei para ir embora? Terei que fugir, vou sondar um descuido seu e caio fora. Mas o padre não descuidava por nada, parecia adivinhar as intenções dele. Chamou o menino e disse: Se for embora de mim te sigo e lhe mato na estrada. Fique quieto aqui. O menino ficou com medo e resolveu ficar, desse no que desse. Deitado na tarimba o moleque pensava consigo: Se tivesse pensado duas vezes teria deixado esta peste de padre ter morrido afogado. Cobra a gente tem que bater só na cabeça. Dei bobeira! Seria uma víbora á menos! Mas a gente não adivinha! Meu avô nunca me bateu, e esse maldito padre enxovalha as mãos em mim. Estou perdido! Logo cedo o padre chamou sua esposa e perguntou ao moleque: Sabes quem é esta dona? Sei sim senhor, respondeu ao padre: É a sua esposa. Nada disso, ela se chama minha “Folgazona”. Pegou-o de novo e deu-lhe outro couro. E quem eu sou, tu já sabes?  Eu sei senhor, é um vigário! Nada disso, meu nome é “Papa-hóstia”! Deu-lhe mais um couro. O moleque estava mole de tanto apanhar. Amanhã tem mais dissera o padre. No outro dia começou tudo de novo. Apontou para o fogo e perguntou: Sabe o nome disto: É fogo responde o menino. Nada disso, isto se chama “Traficância”. Mais um couro no moleque. Pegou um copo com agua e disse: Como se chama isto que tem no copo? Agua disse o menino. Nada disso. Isto se chama “Abundância”! Deu-lhe mais algumas cipoadas no couro! Pegou o gatinho da esposa e pergunta de novo, e este bicho? É um gato! Nada disso, o seu nome é “Papa-ratos”! Deu-lhe mais umas lapadas. O pobre menino estava todo marcado, as primeiras marcas não tinham sarado ainda e recebia mais outras em cima que estavam virando feridas. Um sofrimento daquele jamais imaginou passar em sua vida. Jantaram e foram dormir e lá na alta madrugada o moleque traçou um plano, este padre vai se arrepender do que está me fazendo, esse mentiroso enganou o meu avô e eu também, farei com que chore lágrimas de sangue! Há de ver comigo! Até ao fim da vida dele irá se arrepender de ter me trazido para sua casa. Homem é o bicho mais perigoso que existe na terra, eu sou ainda pequeno, mas o espinho de novo já mostra a ponta. Kkkkkkkkkkkkk. Riu baixinho. Logo cedinho o menino acordando, pegou o gatinho, enquanto o vigário dormia ainda, roncava que até dava dó em acordá-lo, amarrou um maço de palhas de milho bem sequinhas no rabo do gato, e riscou o fósforo e pôs fogo, o gato se viu maluco com aquilo, e desesperado com aquela coisa lhe queimando por detrás saiu correndo e rodeou a choça, louco sem rumo e sem direção, trepou na parede da casa, o fogo pegou nos sapés e alastrou na cobertura. A choça com o padre dentro parecia uma bola de fogo. O moleque deu uma baita gargalhada e gritou: Levanta seu “Papa-hóstia,” dos braços de sua “Folgazona” porque lá se foi o “Papa-ratos” com a “Traficância” no rabo, se não acudir com a “Abundância” vocês dois além de assados levarão uma carta para o Diabo.  Quando o padre acordou, com aqueles gritos e debaixo daquele fogaréu saiu de qualquer jeito, sufocado, sem roupas e todo sapecado com a esposa. Esta tinha os cabelos longos e foi um sacrifício para o padre apagar o fogo na cabeça dela. Nem no jirau lá fora tinha uma gota de agua para socorrer a esposa. Pois o moleque havia derramado a agua das vasilhas da cozinha, do balde, do pote, da talha e da moringa também. Ficaram nus, suas roupas queimaram todas. Esbravejava, praguejava o moleque de todos os impropérios, xingava-o de todos os nomes maus que sabia. Este saiu rindo bem alto e dizendo: Me pegue agora seu “Pelado”! Num instante o moleque sumiu na estrada. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Tchau mesmo! Nós os caboclos sertanejos costumamos dizer: Quando a vela é muito grande, o Santo desconfia do pedido! Se trovejar muito, a chuva é pouca! Quem muito prometer, nada vai cumprir!

MAIS UM CONTO PARA “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”.
COISAS E CASOS ENGRAÇADOS QUE OS PEÕES CONTAM NO GALPÃO.
ANASTACIO MS, 13/01/2016.

      

O MENDIGO E O REI ENIGMÁTICO.

                             
                        
Em uma época da antiguidade existiu um monarca que governava uma nação muito rica e grande também, sua majestade era muito bondoso com o seus governados. Não lhes deixava faltar nada, acudia quem precisasse de sua ajuda. Reino próspero, feliz onde todos trabalhavam para a grandeza desta nação. O rei ficava muito contente com o progresso de seu povo. Mas ele era esquisito quando estava a sós. Monologava, ria, parecia estar vendo coisas do além, jogava damas, cartas, dominó, e outras diversões de dois ou mais, só que   jogava sozinho, ganhava e perdia, ficava até as altas horas da madrugada fazendo estas coisas. Dormia tarde e levantava muito cedo. Inventava coisas que só ele entendia. Fora do horário de suas resoluções com os seus imediatos, conselho e súditos em favor da nação. Gostava muito de adivinhações e enigmas, quebra-cabeças e outras. Um dia estava na varanda olhando o infinito e o horizonte no crepúsculo de um dia findo. Contemplou as belezas da mãe natureza e viu que Deus era muito bom, pensou muito e depois concluiu: Primeiro é Deus e depois o homem, esta é uma verdade mais pura que conheço. A obra dele é perfeita, não fica dúvidas nenhuma! Se a gente estiver bem com Deus fazemos coisas que nem achamos que foi possível. Sentiu que na terra e naqueles tempos ele era o único homem que sabia de coisas enigmáticas. Tanto as criava com as decifravam. Ninguém mais além dele, Criou um enigma que ninguém sequer tinha ouvido falar na terra. Como era muito rico e possuía só uma filha que seria sua herdeira de tudo que possuía, lançou um desafio aos demais homens da terra, quem o decifrasse e se fosse moço casaria com a princesa. Se fosse casado levaria a metade dos seus bens. Se fosse mulher seria a mesma coisa. Se fosse velho seria assistido pelo resto de sua vida pelo monarca e seus herdeiros. Fosse de onde fosse até os confins da terra, de todos os reinados que existissem nela. Fez a noticia percorrer toda a população que existia naquele mundo de meu Deus. Levou muito tempo para ser conhecido tal como ele queria. Vinha povos de todo lado, de todas as nações, voluntários, súditos, imediatos, camponeses, príncipes, princesas, reis, imperadores, duques, guerreiros famosos, desocupados, servos, cativos, sábios, malucos, e toda sorte de indivíduos de todas as raças, índios, adivinhadores, cartomancistas, ledores de sorte etc. No pátio de seu castelo montou um palanque semelhante os dos políticos fazerem discursos, de frente para o público, de costa para o castelo, e do outro lado de frente com ele montou outro nos mesmos moldes, este ficaria de frente para o castelo de modo que o público ficaria no meio dos dois. Ele o Rei subiria no primeiro. O desafiado ficaria no outro, mas de frente um para o outro á distância de quarenta metros. O Rei faria sete gestos ou sinais com as mãos e o outro teria que interpretá-los sem palavras, simplesmente com os gestos também, caso o desafiado não fosse bom em sinais, gestos ou senhas poderia interpretar com palavras também, mas em tom de voz baixa para um interprete ao seu lado, este diria depois para o rei. Este seria uma testemunha de ambas as partes. Surgiu gente de todas as espécies e raças, de tudo que era lado do planeta, aquilo virou a maior atração neste reinado, este monarca ficou conhecido universalmente, um homem fantástico, famoso, sábio, inteligente, querido, e muitos outros adjetivos que ele merecia. Mas ninguém conseguia interpretar seu enigma. Era um mistério! Acendia a curiosidade que qualquer pessoa que o conhecesse. Acima dele somente o Rei Salomão é o que dizia sempre! Apesar de famoso não se envaidecia. Era o mesmo, simples e agradável como sempre fora. Como não houve ninguém que o vencesse, permanecia o enigma. Acontece que neste reinado existia uma velhinha viúva e esta tinha um filho que era lelé da cabeça, meio maluco, meio gira, meio doido, um desequilibrado das faculdades mentais. Como o povo costuma dizer: Aquele louco! Mas o rapaz não era louco! Tinha dias que ele estava atacado, sorria do nada, parece que via algo sobrenatural, outro dia chorava como uma criança sentada na sarjeta. De repente ficava furioso, falando alto e bravo, mas não ofendia a ninguém, ademais o povo já o conhecia e nem ligava para ele. Como sempre tem pessoas criativas em toda parte, um dos desafiados que perdera a questão para o rei, viu aquele moço doente da cabeça disse. Acho que só este maluco pode decifrar o enigma do nosso monarca. O rei parece doido, este também é doido! Quem sabe darão certo! As pessoas certas não decifraram, quem sabe este maluco conseguirá. Foi lá e falou com a majestade se podia apresentar-lhe aquele rapaz. O rei não fez questão, aceito sim disse: Traga-o á minha presença intimou. Ai o rapaz daquela ideia titubeou, e se ele não quiser vir o que direi ao monarca? Pensou consigo! Mas aquele dia o moço estava bom e aceitou ir á presença do monarca. Foi marcada a data para o evento que seria mais uma tentativa de alguém resolver o enigma. No dia certo lá estava o rei no seu lugar de honra e o moço bem arrumado bem vestido bem alinhado e estava até bonito mesmo. Todos olharam o rapaz e reconheceram que era aquele doido que perambulava pelas ruas e sarjetas. Não foi aplaudido como os demais! Mas ele se comportou decentemente sem se importar com salva de palmas ou não, ou com outra manifestação de aplausos. Finalmente estavam os dois frente a frente. O rei rodeado pelos seus imediatos e o conselho real, a rainha e a princesa. O povaréu na maior descrença com o pobre moço. Onde que alguém iria imaginar que uma pessoa sem estudo, sem instrução, sem referência nenhuma, sem sabedoria, até mesmo sem boa saúde fizesse frente ao Rei daquela nação que era tão sábio. Era simplesmente mais uma forma de divertir o povo. Todos a postos: Deram abertura na cerimônia com todo respeito e reverência aos reis e imperadores visitantes. Feita a apresentação do moço ao público o rei enviou dois de seus imediatos para ficar ao lado do moço, para assisti-lo em caso deste não entender os sinais do rei ou dar as respostas á eles com palavras, seriam eles interpretes e testemunhas do que dissesse ou fizesse o moço, pois ele era débil mental. Mas desta vez se enganaram com o moço, parecia estar bem preparado para tal. O rei deu a saída do seu enigma. 1º O rei olhou para os céus acima do horizonte levantando o seu braço direito igual os militares quando juram á bandeira de sua pátria, em seguida abaixou o braço e a cabeça. O moço entendeu e disse: Ele crê que existe um só Deus vivo e verdadeiro rei do universo e reverenciou-o!  2º O rei olhou direto para o moço ajeitando a coroa na cabeça. O moço disse: Ele diz que é o nosso rei. Curvo minha cabeça a ele e digo-lhe que aceito o seu jugo. O rei observou o sinal do rapaz. 3º O rei mostrou o dedo indicador da mão direita na vertical com os demais fechados e a mão voltada para si. O moço disse: O rei está dizendo que é só um Deus que existe. 4º O rei levantou a cabeça para o rapaz!   O rapaz disse: Está me perguntando se eu concordo! O rapaz mostrou-lhe os dois dedos seus, dizendo-lhe que são dois Deuses. Pai e Filho. 5º O rei mostrou os seus dois dedos. O moço disse: Ele pede-me que confirme se é só dois Deuses mesmo?  O rapaz mostra-lhe três dedos seus respondendo sua pergunta: São três Deuses. 6º O rei levantou sua mão com os três dedos juntos.  Disse o moço: Ele está me inquirindo: Porque são três Deuses? O rapaz levantou a mão com os três dedos e fechou o punho! Neste gesto o moço disse ao rei que são três pessoas numa só! Pai, Filho e Espirito Santo que formam a Santíssima Trindade! 7º O rei levantou a mão direita espalmada para o rapaz. Este disse: Sua majestade esta me saudando agora dizendo: Paz seja convosco! O rapaz fez a mesma saudação! O rei bateu palmas e em seguida chamou o moço para lhe acompanhar. Fui aprovado dissera o moço! Kkkkkkkkkkkkkkkkkk.  Foi uma grande festa, o moço foi muito aplaudido, muito admirado pelo povo, o homem que o apresentara, disse á multidão: Aqui na terra não há primeiro sem segundo. Enquanto nascer homens que inventam uma máquina, nasce um mecânico para consertá-la. Há um que pergunta? Há outro que responde! Nisso o rei deu ordens para que o moço fosse tratado por especialistas em medicina. O moço sarou da doença que sofria há anos. Dentro de um ano foi realizado o casamento.


MAIS UM CONTO PARA O BLOGGER “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”

ANASTÁCIO MS, 19/01/2016 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O MOÇO QUE SOFRIA DOR D’OLHOS.

                                      


      
Ao longo da história da humanidade sempre existiu pessoas símplices de coração, aquelas que creem em quase tudo que os outros falam sem saber se a fonte da informação é, ou não verdadeira. Até parecem ser trouxa dos outros, as vezes pouca convivência com os demais, poucas instruções da vida, quase nem andaram pelo mundo afora, outros não tiveram oportunidades de lidar com as pessoas mais instruídas, mas é simplicidade em alto grau! Há também o outro lado que são aquelas adiantadas em demasia, pensam serem donas do mundo e saberem de tudo, andaram iguais notícias ruins e acham que as outras pessoas foram criadas dentro do ôco de um coqueiro sem nada conhecerem. Sempre houve os dois lados, um da verdade e o outro da mentira. As pessoas de um modo geral usam os dois, de acordo com suas malícias, ocasiões ou interesses. Depende muito da situação de alguns no momento, estes são de seriedade ou de deboches, caçoadores, zombeteiros ou de gozação com o seu próximo, aquele tipo de gaiatos, desocupados, brincalhões, pilhériantes, até falto de respeito etc.. Sabe nestes botecos isolados da cidade, vilarejo ou corrotelas? Aqueles comerciozinhos ralés que ficam nas pontas de ruas, onde se ajuntam todo tipo de cachaceiros, vadios, morrem-andando e outros mais. Tem outros melhorzinhos nas beiras de estradas que demandam colônias e assentamentos ou uma região isolada e muito longe da cidade. Sempre há pessoas que montam um boteco para a sua atividade, ganham a vida e prestigio, ás vezes é um ótimo ponto de informações para os viajantes que vem de outras localidades, tais como: andarilhos, passageiros, boiadeiros, tropeiros, que até fazem uma parada nestes pontos. Nada mais é do que um boteco que se vende de tudo, em um passado não muito remoto, existiam muitos deles para tudo que era canto que a gente viajava, parecia ser um ponto de parada obrigatório. O botequeiro é sempre uma pessoa muito comunicativa, alegre e que sabe lidar com tudo que é tipo de pessoas. Muitos destes lugares com o correr dos tempos se tornaram vilas, e até cidades pequenas. Aquele botequeiro fora um pioneiro daquelas paragens que progrediram muito. Num destes botecos tomamos o seu como exemplo, aconteceu algo que a gente até admirou no final deste conto. Chegou um sujeito num dia de tardezinha no tal boteco para comprar algo que estava precisando, como sempre, o lugar bem frequentado, e independente do horário e da data, sem levar em conta se era meio de semana ou domingo, feriados ou dia Santo de guarda, o rapaz estava com um chapéu de palha de abas largas cobrindo os olhos, estava sempre olhando para baixo evitando a luz do sol e o clarão do dia, chegando cumprimentou a todos os presentes sem levantar o olhar ao botequeiro, este ficou incomodado com sua atitude, pois todos nestes lugares olham diretamente no rosto dos demais. Teve a audácia e curiosidade de perguntar: Porque o senhor não levanta as vistas? Acaso aqui tem alguém que o senhor não gosta? És foragido da justiça e está com medo de ser identificado? Afinal o que há contigo? O moço respondeu: Nada disso meu amigo, eu estou com as vistas que nem posso olhar direto á alguém, me dói muito, estou com dor d’olhos, os meus estão inflamados que nem sei como ainda estou andando. Mas preciso! Dor d’olhos para os que não sabem é: Uma inflamação nos olhos conhecida nos dias atuais por Conjuntivite. Então o senhor me desculpa, justificou o botequeiro! Nisto um gaiato que estava de um lado intrometeu na conversa dizendo: Isto não é nada amigo, sei de um remédio que cura isto muito rápido. Qual é? Perguntou o doente interessado. Mas o gaiato estava de brincadeira com o infeliz, aquele tipo que ri da desgraça alheia, embaixo de um deboche silencioso, escondendo o riso mas, louco para rir alto, porque os olhos do homem estavam todo ramelados, escorrendo prurido, foi e ensinou: Passe pimenta malagueta que sara ligeiro. Os demais presentes ficaram quietos. Ninguém ouvira falar de um remédio louco desses. Pimenta? Logo malagueta? A qualidade de pimenta de maior ardume que se conhece, e que chega a queimar onde pinga uma gota de seu liquido. Um absurdo! Mas o coitado estava em desespero com aquela dor insuportável, creu na conversa do fulano desconhecido. Disse: Ah! eu vou fazer assim que chegar na minha casa. O outro completou, basta pingar uma só gotícula em cada olho e pronto, estará curado!  Olhem que maldade do gaiato, e a ingenuidade do outro que nem sequer imaginou que era crueldade do estranho.  Era mesmo para judiar do coitado, naquela simplicidade e inocência que parecia uma criança, chegando na sua casa fez o remédio, quase que morre de tanto ardor nos olhos, pois estavam feridos pela inflamação, lacrimou demais até aliviar o ardor, mas a cura foi rápida, no dia seguinte já estava enxergando bem, com dois dias mais nem sentiu mais nada, estava curado mesmo. Feliz da vida continuou a trabalhar, nem lembrou mais da doença que o afligia tanto e nem do gaiato. Muito tempo se passou, anos até! Em outro ponto de boteco um dia ele passou vindo de viagem. Lá se encontrava um senhor sentado num banco embaixo de uma árvore com as vistas baixas, este apeando do cavalo amarrou-o num palanque e curioso vendo o estranho sentado ali. Pensou consigo: Se não estiver bêbado, está doente! Indagou: O que o senhor tem? Posso ajudá-lo? O outro disse: Estou com dor d’olhos, estou passando mal há dias, não houve remédio que me curasse até agora, já nem sei o que fazer mais. O viajante se lembrou de alguns anos passados quando estivera assim, lembrou-se da pimenta malagueta que o curara naquela ocasião. Com a mesma simplicidade de sempre, disse ao estranho: Estive assim como o senhor está agora, há uns quinze anos passados e num boteco como este, um sujeito me ensinou pingar uma gota em cada olho de caldo de pimenta malagueta, fui curado e até hoje não senti mais nada nas vistas. Imaginem, se ele não sabia deste remédio! Claro que sabia! Porque não o fez? Porque na ocasião queria judiar do outro. Lhe causava medo o que fizera na ocasião! Naquela hora o seu subconsciente fê-lo lembrar de tudo isso: Pensava consigo: Ele não merecia sofrer mais! Agora a moeda mostra o seu outro lado: Desejando a minha cura assim como foi curado! A simplicidade dele voltou á tona: A decisão é minha! Aceito ou não a receita dele? Aquela receita que na verdade era minha! Agora chegou a minha vez de provar! Ouvindo o outro atentamente, levantou-se indo para a casa e fez o remédio. Perdeu as vistas! A gotícula do caldo da pimenta cegou-o por completo. Não enxergou mais dali em diante, ficou sendo guiado por um garoto de seis anos.  E como já sabem. Vamos repetir! Naquele dia, exatos há quinze anos passados fora ele, o gaiato que tinha ensinado aquele remédio louco ao outro, ensinara por malvadeza, por deboches, por gozação com a dor que o coitado sofria, para vê-lo sofrer ainda mais! Mas aquele não lhe reconheceu no momento do reencontro. Enquanto a inocência do primeiro lhe salvou as vistas porque a inocência salva! Mas o castigo também vem, e vem á cavalo! E como recompensa ao segundo por sua maldade ficou cego. Daí nasceu o ditado: “Pimenta no olho dos outros é refresco”.

CONVERSAS DE PEÕES PARA O BLOGGER“COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”
CULTURA SERTANEJA QUE DIVERTEM OS MATUTOS EM RODAS DE AMIGOS.

ANASTÁCIO MS 25/12/2015

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

MESTRE MACACO E DONA ONÇA.

               
                            
Mestre macaco sempre se vangloriava quando escapava dos ataques e das artimanhas de dona onça, pois ela sempre foi uma caçadora implacável dos símios. Ele era um dos embaraços na vida dela, pois a desmascarava sempre, em lugar de caçado sempre sobressaia vitorioso, ela anda solitária nas matas, principalmente quando sai para caçar, eles os macacos estão sempre aos bandos. Aos bandos tem uma vantagem sobre ela, se uns não a verem, os outros darão por fé do felino até mesmo pela catinga que ela exala do seu corpo. Ficam espertos ao sentirem o cheiro do perigo lhes rondando. Lá de cima dos galhos é mais fácil para sentir o mau cheiro dela, aquilo sobe no ar. Ela também tem seu forte, sabe onde eles vão beber agua na mata, ás vezes numa poça d’agua, salvo sendo no rio para que eles continuem na vantagem de não ter que ir só num ponto da aguada. Mas para quem é caçador tem o seu dia de sorte, e para quem é caçado, se descuidar terá seu dia nefasto. Foi o que aconteceu numa certa manhã, estavam os macacos num pé de jatobá muito grande e de muitas frutas no ponto de saborearem, cada fruto deste tamanho, era um póc,  póc e póc que não tinha mais fim, quebrando-os nos galhos com facilidade incrível, aquela polpa sequinha, doce que era uma delicia, estavam entretidos na festa e não viram dona onça espreitando-os numa moita embaixo da fruteira, naquela manhã uma brisa suave tangia, ela quietinha que nem piscava os olhos, num instante daqueles bem traiçoeiros, um dos macacos desceu pau abaixo  num cipó, ninguém sabe se ele queria balançar nele, porque os macacos depois de bucho cheio brincam nos cipós igual crianças numa corda dependurada, ou ia descer até no chão para ver alguma coisa, pois são muito curiosos, além de dizerem que os felinos atraem suas presas com um magnetismo que possuem num olhar que é fulminante, como nada percebeu de perigo pois o sentinela estava atento e de quando em quando descia do seu ponto de observação e pegava um fruto e retornava para o seu lugar sempre vigiando os companheiros naquela folia, mas desta vez falhou, de repente surge a dona onça e “Zás” no descuidado, saiu com ele entre os dentes sem machucá-lo, parece que ela só queria pegá-lo mesmo, este gritou como um maluco de tanto desespero, mas nada adiantou, estava pego mesmo. Desta vez a sorte não lhe favoreceu. A macacada esparramou para tudo que foi lado, ninguém veio socorrer o amigo. E agora? Dona onça colocou-o delicadamente no chão e sentou na frente dele e disse: Eu sabia que um dia você caía! Eu não desisto fácil amigo! Agora está no meu domínio, corra agora, quero ver? O macaco fazia pipi e cocô tudo misturado, deu-lhe uma diarreia repentina, nem ele sentia o que estava saindo primeiro. kkkkkkkkkkk, gritava, grunhia, choramingava, rolava no chão como se pedisse clemência ou misericórdia a ela para soltá-lo. A comadre onça lambia os beiços e dizia: Estou sem almoço até agora meu camarada, e te garanto que até amanhã nestas horas ainda estarei arrotando você, está gordinho, eu e minhas filhas estamos famintas, vai ser uma festa quando te levar em casa, lá no oco da figueira, dizendo isto o abocanhou com delicadeza e saiu toda faceira, também pudera não é? Um petisco daquele. Enquanto carregava-o dizia: Duvido muito sair desta, meu compadre! Faz um longo tempo que aguardava esta oportunidade que custou, mas ela chegou! Chegando embaixo da figueira colocou-o no chão e gritou: Filhas venham ver o que a mamãe trouxe para nós! As duas saíram do oco e espantaram ao ver o mico no chão que já nem gritava mais de tanto terror, estava paralisado, todo lambuzado e fedorento, somente esperava a morte. Só pensava uma coisa: Desta vez estou ferrado mesmo. Felino desgraçado, desta vez me grudou! Não sei se vocês os nossos leitores sabem de uma curiosidade sobre a onça: Ela tem um ódio terrível de macacos por terem a forma dos humanos a quem ela odeia até a morte, tem o maior prazer por instinto de atacar os homens e matá-los. Como nos contos de fadas a onça tinha uma cuia grande que quando as meninas eram pequeninas dava-lhes agua para beber. E um velho tacho de ferro que certa vez ela roubara do homem contendo carne em salmoura lá fora no terreiro da casa dele, era a boquinha da noite quando o velho camponês tinha saído e ela com uma fome e atraída pelo cheiro da carne da vaca que recém tinham matado e que no outro dia seria colocada no estaleiro para secar. Dona onça arrastou o tacho por uma das asas, carregou a carne com tacho e tudo para a sua toca na mata. Planejou comer o macaco cozido ou assado no fogo, primeiro ela o meteria no tacho com agua fervente para pelá-lo como os homens fazem com capado gordo. Chamou as meninas e disse-lhes: Venham aqui, vou ensiná-las a pegar bichos como este e ao mesmo tempo dar-lhe uma boa lição, todos os felinos assim como nós, fazem isto quando agarramos uma presa, brincamos muito com ela para depois saborear, dizendo isto pegou o macaco e lançou-o para uma das filhas a Sinhá. Jogue-o para sua irmã a Cuca e esta depois para mim, o infeliz mico parecia uma peteca ou uma bola de pingue e pongue, de garras em garras. O bicho miserável estava todo esfolado, sujo de terra e sem ânimo até para se mover, fizeram esta brincadeira por um bom tempo, as oncinhas adoraram fazerem isto, nisso dona onça se lembrou dos desaforos que este lhe tinha feito em outros tempos, lembra quando me insultava estando trepado nos galhos altos? Ria, debochava da gente e até urinava em mim lá de cima? Vocês todos gritavam, foó, foó, foó e me atiravam frutas fazendo a maior farra? Agora pagará caro teus deboches. Com onça não se brinca, ouviu? Aqui com a gente o buraco é mais embaixo! Vocês os símios são muito inteligentes mas por outro lado são esquecidos, sabem de cór e salteado que: "Na mata que tem onças, macacos não fazem baile" kkkkkkkkkkkk. Descuidou? Esqueceu? "Dançou" O mico só olhava para elas, estava entregue mesmo a triste sorte. Aqui se faz as coisas, aqui se paga, companheiro! Dizendo isto deu uma paradinha na brincadeira. Vou dar uma saidinha rápida, falou ás meninas, vou ver algum tempero para a gente colocar neste safado que já me deu muita raiva, vamos comê-lo bem temperadinho. Nunca me esqueci daquela carne que roubei com o tacho daquele velho sozinho, estava uma delicia de bem temperada. Enquanto saio, vocês cuidem deste fulano, assim: uma vai catar gravetos para acender o fogo, a outra não tira os olhos dele, e muito cuidado, ele é cheio de truques igual os homens. Não facilitem! Acendendo o fogo, coloquem agua da mina no tacho para ferver no fogãozinho entre aquelas duas pedras, por via das dúvidas deixo-o amarrado com estes cipós finos. Cuidem bem que já volto. Depois das instruções dona onça se foi. Lá ficaram os três, um olhando para o outro! Uma oncinha trouxe só dois gravetos, era muito preguiçosa mesmo, a outra brigou: Só isso maninha? A mãe quando vier vai dar bronca na gente, até lá a agua não estará quente, como é que vamos pelar este fulano, ajamos rápido, anda logo! O macaco pensou com seus botões e disse: Não quer que eu as ajude? Sei acender fogo com duas pedras e assoprando o fogo levanta rápido, querem ver? Pensava consigo: É agora ou nunca! Quá, tu sabe de nada "Chico"! Replicou a oncinha! Me solta que lhes mostro, argumentou o símio. Aprendi muita coisa com os homens, fui criado com eles, só depois que fugi para a selva. Vocês felinos de nada sabem a não ser pegar os filhos alheios e comê-los. Sei que eu vou morrer mesmo. As tolas acreditaram no sujeito que é descarado, cara de pau, cínico e mentiroso de natureza, foi e soltaram-no, vamos buscar a lenha disse o mico, uma de vocês fica e a outra vai comigo. Saíram os dois na mata em busca dos gravetos, bem perto dali ele achou um pedaço cerne de aroeira bem na medida de um bom cacete, era o que ele queria, dizendo: Este eu levo, você pega umas folhas secas para o facho. Abrace as folhas o quanto que puder. Siga na frente, a tola da oncinha obedeceu, ele segurou bem o pau e deu uma tremenda cacetada na cabeça dela que ela só tremeu. Gritou para a outra: Venha aqui depressa Sinhá, que sua irmã desmaiou, a outra veio apressada para acudi-la, o macaco disse: Ela está mal, faça respiração boca-a-boca que ela volta a si. A outra abaixou e chorando abraçar a irmã, nisso o macaco pensava: Agora desconto o couro que me deram, aproveitou e deu-lhe uma paulada na nuca, largou o pau ali mesmo e saiu a mil. Deu no pé, subiu numa árvore saiu pulando de galho em galho, de uma árvore para outra, sumiu na mata para nunca mais voltar ali por nada desta vida. De per si ambos, onça e macaco fizeram um juramento. A onça chegou e vendo as filhas mortas prometeu se puder não deixar um macaco vivo de tanto ódio que sentiu dele, homens e macacos são iguais pensou, e este prometeu de jamais comer jatobás. Kkkkkkkkkkkkkkkkk.

FABULAS PARA O BLOGGER “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”
NÓS NÃO DEIXAREMOS A CULTURA SERTANISTA ACABAR, VAMOS INDO!

ANASTACIO MS. 15/12/2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

NÃO SEI COMO SERÁ, NINGUÉM SABE! MAS UM DIA ACONTECERÁ.


Numa tarde de primavera, no mês de Novembro a fase da lua era antevéspera da cheia, céu limpo sem uma nuvem, os quadrantes dos pontos cardeais estavam da mesma cor, pois é sabido que no nascente sempre é mais claro e o poente é sempre rubro, mesmo sem ter nuvens, os outros dois não colorem o universo. Naquele dia o sol demorou um pouco mais para se por, estava brilhante, parecia estar feliz por sua missão ter sido cumprida desde a criação do universo, deu cinco horas, lá está ele no alto, deu seis, sete, oito e nove horas da noite, ele no mesmo lugar. Parecia estar num lugar nos confins da terra, lá pelo polo norte onde o dia dura 24 horas ou dependurado por uma corda e esperando alguém cortá-la para que caísse, sumisse desaparecendo no horizonte e vindo á noite. Quase ninguém percebeu este fenômeno da natureza. Os ventos não assopravam de nenhum quadrante, tudo quieto, não se via uma folha das arvores e dos jardins se mover. Parece que a natureza aguardava uma ordem superior para agir, o mar calmo, nenhuma ave gorjeiando, anunciando o fim do dia como era de costume. Os animais do campo silenciosos também, os domésticos numa tristeza que a gente percebia. Adivinhavam algo. Os humanos na bagunça de sempre. Correndo de carros para cima e para baixo, outros á pé indo e vindo dos seus serviços.  No fim do dia muitos ficam nos bares bebendo, outros vão para casa, passam no mercado, nos caixas eletrônicos, na lotérica, alguns vão no rio pescar a boquinha da noite, outros no campo de futebol numa pelada, os roceiros chegam da labuta diária, tropeiros e boiadeiros chegando no pouso, outros assistindo o jornal na televisão as mulheres preparando o jantar, as crianças chegando da escola, os estudantes da noite se arrumando para saírem. O comércio diário fechando as portas, as lanchonetes noturnas abrindo as suas para receberem seus fregueses para tomarem lanches, enfim todos ocupados com alguma coisa, raro um ou outro que olha para o céu, ainda mais na cidade que logo a iluminação pública tira-lhe toda a visão noturna deste. Ninguém está preocupado com nada disso. O mundo está girando? Que continue assim! Poucos se lembram de Deus. Os poucos que assim o fazem estão indo para a missa das sete, ou ao culto. Outros vão indo para uma festa de casamento. Ao estádio de futebol ver o final do campeonato, as torcidas se esfolando etc. Os que viajam por terra estão atentos ao trânsito, os marinheiros no convés de suas embarcações, são os mais atentos, porque veem somente as aguas e o céu. Os pilotos das aeronaves quase nada percebem, se orientam pelos instrumentos sofisticados exclusivos para navegação aérea, quando olham para baixo só vê escuridão e as luzes das cidades e nas torres que indicam os perigos para eles. Os cientistas ocupados, os vigilantes do espaço em suas tarefas, uma nação vigiando a outra, pesquisando o universo, fazendo descobertas, vasculhando o espaço e viajando para outro planeta, enfim todo mundo ocupado. De repente o sol se foi, cadê a lua, as estrelas, o clarão normal de fim de tarde? Nada se via a não ser uma escuridão macabra, diferente de todas conhecidas. Os povos da periferia das cidades, os sertanejos lá pelos campos e matos começaram se alarmando, todos assustados vendo aquilo com espanto. Nem dia e nem noite, e agora? Os homens da ciência perceberam por uma coisa, com esta explicação, as telas dos radares escureceram de repente. Não mostraram mais nada.  Suas aparelhagens não detectaram nada no espaço sideral, tudo normal, os aparelhos, as sondas funcionando perfeitamente. Mas foram pegos de surpresa! O Fenômeno foi silencioso demais! Agora sim, começaram, tentando comunicarem-se, todas as nações mesmo que seria dia para uns e noites para outros a escuridão era completa para todos. Para uns custou anoitecer e para os outros estava custando amanhecer o dia. Em todo lugar, nem dia e nem noite. Os povos se alarmaram de uma vez. Desconfiaram ser o tão falado fim do mundo. Foi um reboliço geral, orações, preces, arrependimentos do mal que fizeram. Só se ouvia gritos, aflições, lamentações, desesperos, choros, pedidos de clemencia e perdão de uns para os outros, uma agonia sem fim clamando á Deus por misericórdia e perdão, os poderosos chefes das nações da terra entraram em pânico, esquecendo até de suas riquezas, das guerras, do ódio, das lutas, das discórdias e das pelejas, além das sofisticadas armas de guerras com os soldados nos campos de batalha não responderem mais ao comando de via satélite. Paralisou tudo de repente, como se um poderoso campo magnético que aproximou da terra e travou todo o planeta, nada funcionou a partir daquele momento nada elétrico, mecânico ou eletrônico funcionou mais, nem carros, todas as luzes da terra se apagaram, as aguas dos rios, mares e lagos se aquietaram ante aquele poder imenso. As crateras dos vulcões, os suspiros da terra, foram lacradas, a entrada do oco da terra e suas ramificações com seus habitantes, a civilização da parte ígnea ficaram sem ação lá no fundo. As temíveis feras do reino abissal, monstros marinhos, descomunal, dragões, serpentes gigantescas que ninguém imagina o tamanho e a ferocidades delas e que estão presos lá nas profundezas do oceano, abaixo da concavidade que cobrem o fundo dos mares como se fossem um telhado protegendo as feras, que vivem nas areias que formam o assoalho dos mares formando um vácuo deste reino maléfico e terrível que emergindo das aguas, saindo de lá e invadindo a terra não ficará um ser vivo neste planeta, devorariam tudo em poucas horas. Outros são seres desconhecidos do homem que vigiam as riquezas, guardam os segredos e mistérios do mundo marinho, nas profundezas dos oceanos. Estão presos há milhões de anos por ordem Divina. Nem estas feras tiveram o direito de aniquilar a raça humana criada por Deus, bem que queriam, porque para isso foram criadas pelo maligno, nem os chefes das nações que dominam e ardem em desejo de despejar bombas atômicas sobre os demais mostrando seu poderio nuclear* Deus não permitiu nada disso. Nem mesmo a queda de um meteoro na terra, conforme a ciência prevê para destruir tudo. Nada passa na frente de Deus sem o seu consentimento. Não houve radares, sensores, rastreadores, detectores, ou similares de engenhos fabricados por humanos nesta terra que conseguiram sinalizar algo sobrenatural vindo da parte de Deus para os povos. Cadê os homens chefes de estado, influentes na politica do mundo? Cadê os mandatários do mundo globalizado? Cadê os políticos que passaram a vida inteira articulando entre si uma maneira de cada vez mais dominar e oprimir os mais fracos?  Cadê os seus poderes? Evaporou ou condensou? Há quem duvide, mas Deus existe e é Supremo! Querendo ou não, os humanos são subordinados á tua supremacia. Uns disseram algo enquanto puderam balbuciar alguma coisa, isso não é nada, logo passa, deve ser algum eclipse total, os mais experientes e sábios diziam: É o Juízo Final! Podem crer! Calma gente, espera ao menos mais um pouco, Jesus já aparece para levar a gente para o céu! Gritar por quem? Correr para onde? Esconder em que lugar? Pedir socorro para quem? Não demorou muito: Os humanos também ficaram paralisados em seus lugares. Inertes, estáticos e duros como pedras. A terra tremeu de tanto clamor dos povos, começou a girar em sentido anti-horário, o calor estava aumentando sem explicação para tamanha rapidez!  Não se sabe por quanto tempo ela girou ao avesso, de repente a terra parou de girar de vez, foi sentido apenas pelo cérebro das pessoas enquanto vivas! A escuridão contínua, que horas são? Ninguém sabia! Sabem o que aconteceu? Sabem que horas são? É hora de receber as recompensas pelo que fizemos de bom na terra! É hora do acerto das contas com o Divino Criador, aqui se faz o mal, aqui se paga! Quem para cá veio, terá que voltar! Ninguém aqui é eterno, da terra fomos criados? Para ela retornaremos! Ela deu tudo, mas agora requer tudo de volta. Não foi a segunda vinda de Jesus á esta terra! Foi a terceira e última! Veio para arrebatar os seus escolhidos, já estavam escolhidos, sim isso mesmo! Ele veio numa surdina como fora predito por ele mesmo. A sua segunda vinda se deu do modo como aquele anjo dissera, aquele que apareceu vindo dos céus na hora que Jesus subiu ao Pai, lembram o que disse o anjo? Varões galileus, que estais olhando para o céu? Este Jesus que vedes subir ao pai, da mesma maneira e forma ele voltará. Quem os viu subir senão os seus discípulos, os seus escolhidos, aqueles que conviveram, ouviram e guardaram seus ensinos? São aqueles que ficaram com ele unidos até o fim de sua jornada entre os homens até a sua crucificação. Foram cento e quarenta e poucos que assistiram a sua Ascensão. E da forma que ele partiu foi num corpo espiritual, angelical, Santíssimo e não material a ponto de ser visto e contemplado por todo o olho humano como muitos pensam. Os demais povos do mundo na época estavam todos ocupados em seus afazeres, tal e qual como ele nascera, só os três Reis Magos e os pastores que cuidavam de seus rebanhos foi que viram o sinal de sua chegada, do seu nascimento neste mundo, naquela humilde estrebaria, uma linda estrela que indicou o local do seu nascimento, nas aparições e transfigurações foi sempre assim, já que não estão nem aí para o Divino Mestre. Nem deram por fé também quando este partiu para o seu Pai. Já tinham crucificado ele mesmo, foi noticiado a sua ressureição e subida aos céus. Fazer o que mais? Enquanto o universo estava escuro e o povo assombrado, ele Jesus com os seus Santos apareceram nas alturas, sua luz, seu resplendor de glória iluminaram todos os seus filhos, somente seus filhos aqui presentes, nesta hora seus corpos físicos ante a luz Divina foram desfeitos como por encanto, tomando a mesma natureza de Jesus, o mesmo corpo celeste, angelical e Santíssimo, sendo desfeito o corpo material no ar como uma neve na frente de uma forte luz do sol. Desaparece e ninguém vê para onde foi! Os seus espíritos foram levitando na direção do Mestre agora em corpos angelicais como dissemos. Na forma como são os anjos celestiais. Á todos estes, ele atraiu para junto de si! Seus filhos, sua riqueza, sua honra, o fruto do seu sacrifício na cruz, são aqueles que lutaram na terra até o último instante de suas vidas terrestres. Fiéis, obedientes, dedicados, leais, sinceros, puros, limpos de coração e vencedores do pecado e das injustiças que abominaram a terra. Via-se uma escadaria ligando a porta dos céus com a terra, lá no fim dela de um lado uma mulher com vestes angelicais, azuis claras bordadas com fios de ouro, com uma coroa de ouro na cabeça ostentando uma grande majestade. Esta é a Virgem Maria Santíssima, a mãe de Jesus, Rainha dos céus e mãe de todos os filhos de Deus tanto na terra quanto nos céus. Á esta é que devemos muita gratidão por ter nos dado seu filho Jesus para a nossa salvação. Do outro lado outra senhora vestida do linho branco e o mais puro dos linhos conhecidos, também com uma coroa de doze estrelas na cabeça, as estrelas significam os doze apóstolos de Jesus, portanto é Rainha deles e de seus discípulos, ostentando uma majestade e tendo sob seus pés a lua e o sol, ela tem poder sobre todos os astros e o domínio sobre toda a terra e a natureza, esta é o Consolador prometido por Jesus quando ele partiu daqui da terra, antes de voltar ao Pai deixou a promessa, cumpriu-a na pessoa desta santa. De um lado e outro da escadaria, um corredor formados por anjos perfilados e a postos, com instrumentos de músicas e executando uma melodia em saudação aos salvos que comandados por um senhor de avançada idade, com um semblante alegre e com os cabelinhos alvos como a lã de um lado no inicio da escadaria, este homem é o último profeta que Deus levantou nesta terra para concluir a sua obra de caridade, salvação e redenção iniciada por seu filho Jesus, do outro lado estava Jesus com o cetro do poder em uma das mãos, na sua mais bela aparição de todos os tempos, ambos recebiam todos os salvos indicando-lhes a subida da escadaria para adentrarem o recinto dos céus e serem apresentados ao Pai Celestial em sua glória. Os demais povos que ainda estavam na terra olhando para cima, petrificados naquela escuridão tremenda, não tiveram o direito de ver a aparição de Jesus, e nem participar desta magnifica cerimônia Celestial. Quem amou a luz ficou na luz, quem não amou, ficou onde escolhera: Em outro lugar! São os que não se arrependeram de seus delitos e seus pecados, iniquidades, das injustiças praticadas, das maldades, suas falta de amor ao próximo, ódios, do sangue que derramaram na terra, das feitiçarias, bruxarias, adultérios, e todas as obras más, infrutuosas das trevas, estas os impediram de contemplar a Divina luz. Para os maus anoiteceu e não amanheceu! Para os bons e humildes de coração, não anoiteceu! Mas amanheceu um dia lindo que durará até a eternidade, onde nunca e jamais chegará uma noite. Ficando assim, patente as duas situações dos habitantes da terra: Enquanto a terra é escura de um lado para os povos pecadores, os maus, os falsos profetas e fingidos. Do outro resplandecente para os que foram seus verdadeiros filhos. Quem creu e obedeceu a Jesus como lhes foi ensinado, viram a sua aparição e foram com ele. Os demais, os desobedientes ficaram na escuridão sem ver a sua aparição, esperando ele voltar. Quem creu e praticou boas obras não entrou em Juízo! Quem não creu, nem praticou o bem já foi julgado por suas obras más! Com Deus não se brinca! Mas facilitaram com as trevas! São dois reinos bem distintos um do outro! Chegou o fim de tudo, um tempo tão comentado e esperado pela humanidade. Fechou a oportunidade de salvação para os humanos e as portas do reino do Céu para sempre. De repente o magnetismo desapareceu. Misturou tudo. Agora será executado o Juízo Divino. Por quanto tempo? Só Deus sabe! Sabe-se que a qualquer momento descerá do céu fogo e enxofre para castigar os que desprezaram a Deus e amaram as trevas é o lago de fogo citado no apocalipse. Logo após, um novo fato! No inicio da criação, do nada, Deus fez tudo! Agora na consumação, do tudo ele fará o nada! E se isso acontecer assim? E se for pior? Nós não profetizamos, não adivinhamos isso. É um conto apenas que nós escrevemos! Os contos são contos! É da nossa imaginação. Um dia poderá ser uma realidade, aqui embaixo tudo tem fim, só não sabemos como e nem quando isto se dará! De uma coisa estamos certos, o castigo nas cadeias da escuridão das trevas é milhões de vezes pior do que imaginamos ser. Ai de quem perder a sua salvação! É a pior dor que uma alma sente! É um caso para pensarmos, de onde viemos, onde estamos, e para onde iremos mediante o que fizermos, estamos fazendo e o que poderemos ainda fazer de bom nesta terra, que tem o domínio das trevas, é nua, crua, terrível, pecadora, perversa e má! Porque aqui predomina toda espécie de maldade e a ganância por riquezas, estas ficaram tudo aqui, ninguém levou nada. Foram enganados! Estamos vivendo e lutando num território alheio, inimigo, estranho, e esquisito isto se você pensa como nós. Com muito respeito de nossa parte as crenças ou descrenças e linguagem de cada um, livre arbítrio para todos. Vamos refletir nisso? Boa sorte para todos nós!


UM CONTO QUE SÓ EU CONTO, PARA “COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES”

ANASTÁCIO,MS 1º DE NOVEMBRO DE 2015.