segunda-feira, 23 de junho de 2014

A LAGARTIXA E A CASCAVEL.






                    
Era já de tardezinha na estação do calor, pleno verão, como havia chovido horas antes, a cascavel resolveu sair do oco de um tronco onde fazia morada há alguns anos. Sentia o cheiro das folhas secas úmidas pela chuva, imaginou que seria fácil achar alguma presa  para o jantar, quem sabe um rato, uma ave descuidada, uma lebre, preá  ou qualquer outra coisa. Pois após uma garoa os animais e aves saem em busca de alguma novidade, minhocas, insetos cascas de cigarras, elas mesmas e diversos outros, se alegram com a umidade e frescor da terra e aproveitam para saírem mais cedo da tarde de suas tocas, tatus, pacas, cutias, ratos, preás, e as aves em geral gorjeiam alegres com a mudança climática nem que sejam de um dia para o outro. Andam a noite inteira, alguns animais até o sol já alto do outro dia. De buchos cheios, vão para o seus descansos diurnos, pois são noturnos de hábitos! Então como íamos dizendo, a cascavel cautelosa e lenta como é, ia devagarinho por entre os galhos secos e ramos verdes das moitas por onde passava, não fazia um ruído sequer, sempre na espreita de algo que podia lhe satisfazer. Tinha planos de ir até a beira do córrego em busca de saciar a sede e ficar sondando o primeiro descuidado que lhe atravessasse no caminho. Tal sem esperar vem uma lagartixa doida, numa carreira que nem ela sabia do que estava assustada. Deu de cara com aquele brutamonte de cobra. Nossa! Quase que desmaia de susto! Maior do que daquele bicho ou a coisa que a fazia correr daquele jeito! Ficou branca, e aterrorizada de medo da cascavel, nem pode articular uma sílaba sequer, fugiu-lhe a fala, aqueles olhos esbugalhados, parecia pregada no chão, uma estátua de tamanho que foi seu susto. A cascavel por sua vez vendo-a naquela situação teve pena daquele bichinho que além de pequenino é inofensivo. Perguntou-lhe: O que foi? O que aconteceu contigo? Estás tremendo?  O que te assustou tanto? A pobre lagartixa não balbuciava uma palavra. Mas a cascavel mostrando-se calma e com um jeito amigável ela criou coragem e respondeu: Nada! Nada como? Interpela a cobra! Muito sem graça, a lagartixa retrucou: Assustei-me da senhora, és um bicho que além de grande e perigoso! Eu quase esbarrei em ti sem perceber! Nossa como escapei dessa! Que nada disse a cobra, será que sou tão perigosa assim? Mas com você não! A essa altura a lagartixa tinha criado coragem, animou-se na conversa! A cobra enrodilhou-se para ficar mais a vontade, abriu um sorriso e o papo foi longe. Então disse a cobra, tens medo de mim! Deixe de tolice, tu sois muito mais perigosa do que eu! Se entre nós existe uma perigosa? Será você! Nem imagina como és perigosa e não sabes, quer ver? Vou lhe mostrar como não tens veneno mortal nenhum e mata qualquer vivente, e eu que tenho, ás vezes não mato assim como pensas. Vamos ficar na beirada daquele caminho, ali passa todos os dias aquele homem roceiro. Ficará de um lado, eu ficarei do outro, bem camufladas, vou picá-lo numa das pernas e você aparece de imediato. Ouça o que ele diz. Ele não me verá, mas sim você!  Assim ficaram até o homem passar, tomou a picada da cascavel e a lagartixa apareceu grudada na bainha de sua calça, um filete de sangue apareceu na sua perna, ele olhou, limpou e disse: Bichinho besta, não acha o que fazer? Vem assustar a gente! Foi-se embora pitando seu cigarro e trabalhou o dia inteiro. No dia seguinte fizeram ao contrário, a lagartixa picou-o e a cobra apareceu tocando o guizo, nossa senhora, que pânico! O pobre homem caiu no chão de tanto que assustou, e a dor agora? Gritou para tudo o que era santo, que ele sabia do nome. Já veio a família, prestaram socorro, já foram em busca de recursos para que o sujeito não morresse. Ficou mal num hospital após alguns dias ele retornou com saúde e muito desconfiado quando passava naquele local. Não te falei amiga lagartixa, que o que mata não é a gente? É o susto e o medo quem matam as pessoas. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES SÃO HISTÓRIAS DE MATUTOS.
IMAGINAÇÕES REGADAS COM CONHECIMENTOS DIVERTEM-NOS.

ANASTACIO 22/06/2014.

domingo, 4 de maio de 2014

A ASSOMBRAÇÃO DOS TRES RAPAZES.




               
Era uma vez três amigos estudantes, que cursavam a faculdade, eram muito unidos em torno dos estudos. De modo que tudo o que faziam dava muito certo, verdadeiros ajudadores um do outro, leais mesmo, nenhum deixava nada a desejar em termos de solidariedade, vai um dia, vem outro, o tempo vai passando, um belo dia a formatura deles.  Cada um com a escolha diferente da carreira a ser seguida no transitar pela estrada da vida. Mas unidos na felicidade. Resolveram tirar umas férias após a conclusão dos estudos. Eram assim, um deles gostava de tomar vinho, o outro mais moderado, qualquer coisa lhe servia, mas só para agradar os outros dois. O terceiro não gostava muito de beber, lá de vez em quando sim! Passando por outros lugares vindo da capital onde estudavam e divertindo para se livrarem da estafa de tantos anos de estudos. Vieram para a cidadezinha do interior onde moravam, as demais não distavam muito da sua.  Andavam de jardineira que servia a população naquela região, outras vezes andavam á pé, ali na redondeza que circunvizinhava a sua cidadezinha conheciam tudo. Um dia destes foram a um lugar mais longe dali, numa outra localidade. Iriam pernoitar, foram para uma pensão, lá se acomodando, isto era de manhã! Após o almoço descansaram um pouco. Saíram a passear ao redor do vilarejo. Foram por uma estrada que daria num belo córrego onde era muito visitado por pessoas nos finais de semana. Lugar aprazível, cortado pela estrada que demandava a outras localidades. Na beirada do córrego havia uma invernada com gado e chácaras bonitas de se ver. Ao atravessarem um capão de mato antes da travessia no córrego, tinha um areião na estrada que convidava a gente para ficar sentado nela de tão alva e límpida. Sentaram ali um pouco para descansar e conversar algo a respeito da beleza do lugar. Levantaram e saíram, logo após terem andado algumas centenas de metros pararam. No mato se ouvia canto dos pássaros, gafanhotos e cigarras cantando também. De repente ouviram uma gargalhada: kkkkkkkkkkk . Uma risada feia, não era de gente viva! Arregalaram os olhos! Um deles o mais medroso, disse: Vamos embora daqui! O que será isso? O do meio ficou assombrado que nem a fala saiu! Não sei, responde o terceiro, só sei de uma coisa já estou indo! Corram! Mas o primeiro muito corajoso replicou: Correr coisa nenhuma, eu quero ver o que é? Ouviram mais uma vez:  kkkkkkkkkkkkkk. Seguido de uma voz que dizia: Quem nunca viu o laço do Diabo venha ver! O mais medroso ficou entre o dois, tremia-lhe as pernas! Um disse aos demais: Vocês ouviram bem? Sim, acenou com a cabeça os dois! Vamos lá ver de perto esse negócio! Ao adentrarem no capão viram um vulto enrolado numa capa, com chapéu sobre os olhos escondendo o rosto e desaparecendo entre os arbustos. Me acompanham que lhes mostro uma coisa que nunca viram, dissera o vulto negro! Foram acompanhando aquele espectro que seguia na sua frente de modo invisível, só viam as folhas de mato balançarem, lá adiante embaixo de um pé de Cafezeiro, sombra muito fechada divisaram uma caixote no chão, era uma caixa de couro já desgastada pelo tempo, mas ainda intacta no seu conteúdo. Chegando pertinho, olharam um para o outro, espantados com o que viram, abriram-na: Cheinha de libras de ouro puro, maciço, reluzentes. Perderam até o folego. Nossa! Nunca vi uma coisa dessa! Disse o mais corajoso. Completou dizendo aos outros dois que a essa altura já não tinham mais medo! Laço do Diabo, coisa nenhuma! Ganhamos de alguém este tesouro. Estamos muito ricos. Kkkkkkkkkkkkkk. Sentaram no chão, sem preocupações. E agora? Dissera o medroso. O mais esperto e tomador de vinho, sugeriu: Um de nós volta lá no boteco e traz uma garrafa de vinho para brindar a divisão desta riqueza entre nós. Kkkkkkkkkkkkk. Quem vai? Quem fica? Por fim sortearam um que iria!  Recaiu sobre o mais corajoso! Eu vou então, disse ele! Lá se foi, enquanto os dois ficaram, cresceu num deles uma ambição tão grande por aquele tesouro, arquitetou um plano com seus botões: Esta riqueza é ótima para três, mas para dois ainda é melhor, já sei o que vou fazer. Andou pelo mato e encontrou um pau que lhe serviria de cacete. Enquanto o outro não chegava com o vinho, deitaram nas folhas secas do chão, ficaram conversando, aproveitando cochilou uns instantes, o suficiente para aquele do cacete dar-lhe uma bordoada na cabeça, repetindo-as até certificar que o companheiro estava morto! Vamos ver o que foi buscar o vinho, e o que estava pensando acerca da riqueza. Esta coisa, para três é muito boa. Idealizou também outro plano terrível. Passou num armazém e comprou uma dose de formicida tatu, colocou-a no vinho. Pensou consigo, os dois morrem, eu serei rico sozinho. Prosseguiu no retorno, chegando na entrada do capão, de tocaia numa moita antes estava o assassino do companheiro, com o cacete nas mãos: Ao passar por ela não percebeu nada, tão absorto no pensamento da  riqueza. Tomou uma porretada que seus miolos saíram da cabeça. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Gargalhou o assassino dos dois companheiros. Agora sim! Estou riquíssimo e sozinho! Vou tomar este vinho, tirar uma soneca e logo mais a noite sairei buscar um saco e uma condução para levar minha riqueza sem que ninguém veja! Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Abriu a garrafa e tomou um gole daqueles que o caboclo, o matuto, o sertanejo diz: Uma cipoada e mais um pouco. Caiu tonto, mas ainda pode ouvir daquele espectro antes de morrer: Não te falei que era o laço do Diabo? No mesmo instante aquela caixa se desfez, era um monte de folhas secas. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Aquela gargalhada sinistra até os dias de hoje ecoa no capão quando passa gente por ali. Ficou assombrado aquele trecho de estrada.

MORAL: A NATUREZA HUMANA VENDO MUITO DINHEIRO MUDA O PENSAMENTO!
HISTÓRIA DESTE CABOCLO SERTANEJO LUIZÃO-O-CHAVES 02/05/2014
ANASTÁCIO MS


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O TIO ALEIJADO E O SOBRINHO MEDROSO.


             
              

 Tio, tio Fred? Lá na casinha de barro pertinho da figueira no fim daquela ruazinha morta tem uma assombração! Acabei de ver! Deus me livre de um negocio daquele. Viixi, que coisa mais feia! O sobrinho acabava de chegar assustadíssimo, o coração faltava pouco sair pela boca de tanto resfolegar. O velhote não acreditando no sobrinho, disse: Conversa boba essa, menino! Aqui nunca teve dessas coisas? Quantos anos eu moro aqui, desde menino! Cheguei aqui com cinco anos de idade? Que é isso? Estás delirando! Ou sua namorada deu-lhe o fora e você está insinuando isto como desculpa por ter chegado tão cedo assim em casa. Todo sábado e domingo, você chega lá pelas onze e meia da noite sem nunca ter visto nada? Vá mentir para lá? Não tio, é verdade mesmo! É assombração sim de verdade! Me diz uma coisa filho? Você viu? Ou ouviu? Disse-lhe o tio quase acreditando ser de fato! Olha tio, eu vi um vulto lá dentro, estava meio escuro, por isso não vi direito, mas parecia sentado e um barulhinho que fazia era assim: Crec! Crec! Tchaaaa! Não aguentei de tanto medo, sai correndo de lá e só parei aqui. Nunca mais ponho os pés lá naquele lugar, nunca mais vou ver a Toninha minha namorada de noite. Não vou mais por aquele atalho. Só vou se for de dia, ou se alguém for comigo á noite. O tio Fred ficou encabulado com o relato do sobrinho e disse ao pai do moço que era seu irmão mais velho o Custodio. Compadre, será que isso é verdade do Juca? O Compadre respondeu, não sei não! De repente pode ser! Aqui ninguém sabe disso! Tantos moradores neste vilarejo e na colônia ao redor daqui? Eu duvido muito! Mas o Juca nunca mentiu também! É um moço sério e não iria mentir para nós! Não sei! O tio muito debochado com o sobrinho, disse a ele: Você é um molenga, um medroso, um frouxo, eu só calculo se você estiver com a Toninha e este negócio aparecer! Vai sair correndo e deixa a moça para trás? E se for um apaixonado por ela e pregar-lhe uma peça! Toma-a de você sem trabalho nenhum! Carrega para si e você chupa os dedos! Ah! se fosse no tempo que eu tinha minhas pernas sadias! Você ia ver do que eu seria capaz! Não dá, porque elas hoje são sem serventia, passo o tempo sentado nesta cadeira de rodas! Não sirvo para nada. Eu te mostraria como um homem faz, seu “Cagão”. O pobre rapaz ficou humilhado com o insulto do tio. No fim todos estavam contra ele, que num gesto decidido falou assim para o tio: Se o senhor é homem quanto fala, eu te levo no pescoço até lá para que veja se é verdade ou não! Eu tenho forças de sobra para te carregar aonde o senhor quiser ir e trazê-lo de volta! O senhor é franzino e eu sou forte. Vamos lá então, “seu Papudo” eu tenho pouca coragem, mas forças eu tenho muita. O tio hesitou um instante e disse: Vamos então! Suba aqui no meu pescoço e segure na minha cabeça, eu seguro tuas pernas junto ao meu corpo, disse o sobrinho. Assim fez o tio, lá se foram, com um medo, que o pobre Juca sentia, aproximando da taperinha da assombração pé- ante -pé com mil cuidados e a percepção auditiva aguçadíssima. O luar estava bonito, como a casa era bem na beiradinha da rua dava para ver o claro da lua entrando pela porta da frente que não tinha a folha, refletia lá dentro no piso de terra batida, pararam a alguns metros da casa. O rapaz estava com muito medo, mas o tio dava-lhe um “croque” na cabeça para que chegasse mais perto. O rapaz dava só um passo de cada vez! O tio insistia, mas ele não ia mais! Tremia todo de tanto medo! Resolveu ir de uma vez. E foi-se! Quando chegou em frente a porta, ouviram os estalidos e uma voz vindo lá do escuro! “Está gordo meu Negão?” Nossa! Pra quê? O sobrinho derrubou seu tio do pescoço bem na porta! Foi aquele tombo que chega urrou no chão! Largou o tio e saiu correndo que nada podia lhe alcançar! Ora se não podia! “Seu” Fred levantou de um modo que ninguém sabe como, sarou das pernas naquela hora, passou correndo pelo sobrinho no trecho até sua casa, chegou primeiro! E o compadre Custodio assustou-se do mano que chegou correndo mais que o Juca, e que disse: O negócio é sério Compadre Custodio! Nunca vi um tareco daquele!  Kkkkkkkkkkkkkkkk. Mas compadre eu não entendi, como o senhor chegou até aqui se é aleijado? Nem eu sei compadre responde o mano. Quem espantou mesmo foi o sobrinho. Tio, o senhor correu mais do que eu que sou sadio das pernas. Kkkkkkkkkkkkkkk.  Foi a maior das gargalhadas que deram até aquele dia da vida! Ninguém entendeu! O significado daquilo ninguém sabia! Vamos ver agora quem sabe?


  Parece que o único que sabe sou eu! Kkkkkkkkkkkkkkkk. Confiram! Naquele vilarejo e adjacências morava um casal de folgados, não eram muito dados ao trabalho, apesar de que naquela época as coisas eram fáceis, bom de viver, todos se ajudavam, ninguém passava apertado por nada. Não existiam cobranças de alugueis, agua era de poço, luz era lamparina a querosene, fogão a lenha as roças produziam muito, fartura de tudo, leite de vaca ninguém saia na rua vendendo. Um matava um porco, todos os vizinhos ganhavam um pedaço, frutas e verduras que tinha nos quintais ofereciam aos demais de graça, Tempos de riqueza, de amor fraternal e amizades verdadeiras, não existia miséria como é hoje. Festas diversas e religiosas enfim muita paz entre os povos. Como ia dizendo, o casal era malandro mesmo. De dia ele saia observando tudo por ali ao redor, alguém tinha muita galinha ele vinha á noite e roubava, a esposa depenava a noite mesmo e jogava as penas num poço velho. Cabritos, carneiros novos, e nas roças amendoim, mandioca, milho, melancia, verduras, frutas nos quintais tudo isso ele roubava. Para disfarçar o seu malfeito de quando em quando saia trabalhar de diarista para algum chacareiro, roceiro, cuidar de rebanhos, vivia na boa, ninguém desconfiava deles. Nesta noite planejou de ir roubar um cordeirinho fora do vilarejo, levou a esposa porque iria demorar um pouco, como tinha uma festinha lá no arraial e o povo estaria entretido e quase todos os moradores estariam lá, era fácil para levar o carneirinho, na noite anterior tinha dado numa roça de amendoim e levara meio saco, a esposa ele deixou na casinha de barro no lugar onde o moço assustou. Ela ficou lá dentro sentada num toco, descascava o amendoim torrado com casca e comia os grãos, jogando as cascas no chão. Era o barulho: Crec   Crec e tchaaa!!. Quando o sobrinho e seu tio se aproximaram da porta, para ver a assombração, a esposa do malandro pensando que seria ele com o cordeiro nas costas, perguntou: Está gordo meu Negão? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

HISTÓRIAS QUE APRENDEMOS AO LONGO DA ESTRADA DA VIDA
CULTURA SERTANISTA RECONTADA E DIVERSIFICADA PELA IMAGINAÇÃO
LUIZÃO-O-CHAVES     14/04/2014       ANASTÁCIO MS.

domingo, 13 de abril de 2014

O SAPO-BOI E O COELHO FOTÓGRAFO



O Coelho que sempre vivera trabalhando só no pesado e nas roças, pois a “Era” só beneficiava os que desta faziam sua profissão, lavrador, agricultor, colonos ou roceiros como queiram. De um modo geral eram todos os animais que lutavam pela sobrevivência neste ramo. Era divertido até, mas cansativo também para todos, com o decorrer dos anos. O Carneiro sendo um exemplo lidava só com lãs, tosquiava os demais, lavava as lãs, fazia baixeiros, cobertores e vestimentas diversas, O Cabrito vendia leite e queijo de cabras, esfolava as peles e trocava-as por outras coisas. Dos chifres dos bodes velhos faziam cachimbos, e “Tabaqueiro”, ou “Cornicho” para os antigos tomarem um“Torrado.” De quando em quando uma “Narigada” kkkkkkkkk. O Cavalo, o Burro e o Boi serviam quem precisasse transportando cargas, no lombo, em cangalhas, cargueiros ou carretas, carroças e carros de bois. O Jumento tinha mais regalias, só informava as horas com muita precisão, é como se fosse um relógio da Matriz. Quando abria o par de queixos zurrando, todos já sabiam que a hora era exata. Mas quem cuidava destes era o Saci-Pererê com muito esmero, cuidadoso como só ele sabe ser, dava-lhes banho e tosava as crinas, para vender, sempre que podia aos que se serviam dos préstimos destes animais, exigia em troca alguma coisa assim como: Fumo para o seu Pito, lá de vez em quando uma cachacinha. O Caipora tinha também sua roça, só plantava fumo, fazia cada rolo deste tamanho na época das colheitas das folhas maduras. Ficava horas e horas sentado num toco  baforando o seu charuto, e vendo a fumaça subir. Negociava com o Gambá, fumo a troco de cachaça. O Cachorro sempre trabalhava de vigia. O Macaco tinha um bananal que só vendo o tamanho da roça. O Gato prestava seus serviços caçando ratos nas “Tuias” de mantimentos, porque estragavam as mercadorias em estoque. O Caititu plantava abóboras, batatas, cará, inhames e mandiocas. A dona Raposa vendia galinhas, patos, marrecos, angolas, e aves diversas, sempre gostou destas criações. O Gambá cultivava uma roça de cana de açúcar, pois herdara de seus antepassados um engenho que nele fabricava rapaduras e melado, um alambique que destilava álcool e cachaça, fabricava também outras bebidas. Negociava com a Raposa frangos em troca de cachaça, pois gostava muito de uma cabeça e pescoço de frango bem caprichado. O Peru vigiava para a Raposa, as suas criações do ataque dos gaviões, acauã, caburés, corujões João- Curutú á noite querendo pegar as aves no poleiro. Para isso dispunha de uma espingarda “Pica-pau” daquelas que carrega pela boca do cano, raspava taboca, fazia buchas, derretia chumbo fazendo “balotes”, além dos chumbos “Cabeça de macacos” e “Chumbinhos mostardas” era farta munição. A Paca cultivava milho e feijões, o rasteiro e o de cordas. O Tatú era vagabundo, vivia fazendo buracos por aí a esmo. Os animais grandes precisavam tomar cuidados para não quebrarem a pata em buracos que ele fazia. Sondava as galinhas da Raposa quando estavam chocas, para comer a noite os seus ovos no ninho. O Lagarto Teiú também vadiava o tempo todo, salvo um dia ou outro, vendia uns vidrinhos de mel de abelhas deste “tamaninho” assim, para pingar nos olhos como se fora colírio, para curar cegueira. Vendia uma “Banha” que só ele sabia onde encontrar, diz que curava picadas de cobras.   A Cutia roubava mandiocas do Caititu, e milho de sua prima Paca para assá-las de noite.  O Porco se encarregava de arar as terras e gradeá-las para a bicharada cultivar seus plantios em épocas certas. A Capivara vivia o tempo todo só tomando banho, não tinha o que fazer. Saia tarde da noite nas roças alheias para fazer danos, pastar suas plantações. Além de feia, preguiçosa, arrastando o “bucho” no chão. Mas falando do Coelho, este sentindo cansado daquela vida monótona, pouco dinheiro, porque na maioria dos negócios se constituía em barganhas de mercadorias entre os comerciantes, resolveu mudar de profissão. Queria ser fotógrafo e desenhista de paisagens ou pessoas, bichos de toda a espécie. Desde pequeno levava jeito para isso, ficava horas e horas admirando as paisagens, as serras, o céu azul, o tempo levantando e preparando para chover, as trovoadas, a chuva caindo, os raios quando riscavam o espaço, dando aquele estrondo quando atingiam a terra ou árvores, as tempestades, o arco-celeste, os ventos, o luar quando era noite, as estrelas cadentes, assistia o amanhecer, do crepúsculo as cores que o sol poente coloria o céu. Tudo isso lhe fascinava. Tinha vontade de colocar num quadro ou retrato estas coisas que achava bonitas e que a natureza criara. Ser um artista era o seu sonho. Um dia decidiu a vida. Vendeu e trocou por material de pintura e o que fosse necessário para um começo da nova profissão a sua quitanda de frutas e verduras e os legumes. Organizou tudo conforme planejara. Lá numa travessia da estrada com o córrego e uma parte que dava para um alagado quando o córrego enchia em épocas de chuvaradas. Lugar aprazível, todos os bichos teriam que passar por ali, todos os dias da semana principalmente nos sábados, feriados e dias santos de guarda. Construiu um barracão grande, e dentro o seu ateliê, terreiro amplo, algumas pedras grandes por ser beira de córrego, alguns troncos de ipê deitado com galhos secos. Plantou algumas flores de diversas qualidades para fazer fundo nos seus retratos e quadros de paisagem. Desviou por meio de um “Rego d’agua” um filete do córrego lá bem em cima, veio serpenteando conforme o acidente do terreno, passando por ali como se fosse uma enxurrada, mas permanente! Cresceu muitas samambaias, chapéu-de-couro, açucenas e outras plantas aquáticas, ficou muito bonito. Lá no fundo virou um brejo onde logo se criou muitos sapos, ao redor do seu barraco, plantou diversas árvores para fazer sombras sem esquecer que algumas ao seu tempo dariam frutas. Inspirado nelas formou no quintal um belo pomar com frutas de toda espécie e qualidades. Olha, ficou uma beleza de lugar, do jeito que sonhara há algum tempo, já andava imaginando que faria fortuna com a nova profissão dentro em breve. Mas por enquanto eram apenas sonhos, vamos esperar para mais tarde, quem sabe! Tendo em mãos tudo o que precisava para iniciar, retratou algumas paisagens, desenhou a sua casa e sua família, esposa e dois filhos, o lugar ao redor, pintou que ficou uma maravilha. Colocou a exposição dos passeantes na beirinha da estrada que logo perguntaram se ele fazia para vender, era isso que ele queria. Deu certo! Bateu palmas de contentamento. O primeiro freguês apareceu, foi o “Jegue da mata”. Dai para frente foi só sucesso. Tudo o que era bicho vinha na sua casa ver a novidade. Nem tinha tempo para comer, só atendendo a freguesia. Tudo transcorria as mil maravilhas. Num destes feriados prolongados, a bicharada acabou de tomar conhecimentos daquele trabalho que o Coelho fazia. Quase todos queria ser fotografados! O preço que o Coelho cobrava era razoável, todos poderiam pagar sem problemas, quem não tivesse dinheiro pagava com mercadorias, gêneros alimentícios. Até nisso ninguém se apertava. Tinha um monte de encomendas, por lá passou o Porco com a família, pediu para ser retratados, combinaram o dia de pagar. A Porca deitou-se e os leitõezinhos se ajeitaram para mamar, o Coelho riscou certinho e o Porco foi-se embora. Vai o Tatú, vem a Paca, a Cutia, o Cavalo, o Cachorro, o Gato até o Javali, cunhado do Porco, enfim todos os bichos. Naquela manhã de sábado, aparece lá um Sapo-boi, um baita bicho. Nada mais nada menos ele pesava uns 8 quilos. Foi fotografado também, marcou o dia de pegar a foto, coincidia com a data do Porco, da Rãzinha e outros. Chegando a data lá vem o anfíbio todo alegre, tinha dado um lustro nos chifres com um monte de sapos, todos curiosos para admirarem a foto do velho Sapo-boi, decerto pensavam: Deve ter saído muito bonita! Nós também vamos tirar. Tal não foi a surpresa e decepção que tiveram, saiu horrível, dava até tristeza de ver tamanha feiura, nossa Senhora que coisa! Ao apresentar a foto para o cliente o Coelho nem imaginava a reação do freguês ao ver seu trabalho tão dificultoso nos mínimos detalhes, saiu perfeito, nem o Coelho esperava uma coisa daquelas. Nossa! Mas o Sapo deu um pulo para trás! Esbravejou assim: É esse o teu trabalho? Isso é o que você faz! Cadê sua fama de fotógrafo? Porque me tratou dessa forma? Isso é deboche com a minha cara? Tá pensando que sou trouxa? Faz um serviço deste e ainda quer cobrar? Não aceito a foto! Pode ficar com ela! Não pago um centavo por este serviço mal feito! Não parece nem com minha sombra? O pobre Coelho tomou um susto que até a fala lhe fugiu. Pera aí mestre Sapo, disse o Coelho! A foto do senhor está perfeita! O senhor deve estar nervoso com outra coisa, meu trabalho é bem feito! Caprichei nos detalhes! Repare bem? O Sapo alterou de novo e foi aquele bate-boca sem fim. O Porco vinha chegando e ouviu aquele “Arranca-rabo”. A Rã e outros bichos pegaram suas fotos e ficaram satisfeitos com o trabalho do Coelho, admiravam, elogiavam mostrando uns para os outros. Pagavam contentes agradecendo ao Coelho. Aquilo para o Sapo-boi foi um insulto. O Porco pegou a foto da esposa com os leitõezinhos e ficou maravilhado. Pagou e já ia indo embora quando o Sapo-boi repetiu que o trabalho do Coelho era um serviço “porco”. Nossa! Aí o Porco pediu-lhe explicações!   Porque  é Porco ? Seu atrevido? Está me desrespeitando? Veja como fala?  A sua foto está perfeita, você achou-a feia? Deveria olhar antes num espelho e entender que você não tem beleza, és feio e quer que a foto fique bonita? Isso não tem cabimento! Pague o Coelho e deixe de arrumar encrenca! O Sapo inchou e veio na direção do Porco como se fosse pegá-lo pelo gogó, este não perguntou nada: Tirou o corpo fora e deu-lhe uma focinhada de baixo para cima naquele barrigão do Sapo que virou três cambalhotas no ar e caiu de ponta lá longe que até amassou um dos chifres.


 . Levantou sem graça, enquanto os presentes ao verem aquilo rolavam de tantas risadas. Bateu o pé: Não pago! Nisto foi chegando mais bichos e assistindo aquela discussão. Por fim o Sapo-boi, desapontado, fez uma proposta para o Coelho que reclamava ter gasto tempo e material com a foto e agora perder tudo? Tinha medo do Sapo com aqueles chifres pontiagudos, sorte dele que o Porco deu-lhe apoio e uma lição no Sapo que acalmou os nervos ligeirinho, então dissera ao amigo: Eu reconheço em parte que sou errado! Tratei, tenho que pagar! Mas a foto não me agrada, também tenho direitos, vou recorrer.  Vou pedir aos meus patrícios que aqui estão um parecer que seja justo! Muito embora me parece que, estão meio divididos. Eram uns cento e tantos sapos, de todos os tamanhos, uma saparia que dava até uma guerra. Afirmou, se eles votarem a seu favor, eu pago a foto e acabamos com a contenda. Se caso votarem ao meu favor, vou-me embora sem pagar nada, a foto fica para você. Concorda mestre Coelho? Sim, respondeu o fotógrafo! Então vamos lá: Pedindo atenção de todos os sapos ali presentes disse: Os que acharem que o Coelho tem razão, por favor, fiquem á minha esquerda, aqui deste lado, apontou com o dedo! Agora os que acharem que a razão está do meu lado, passem para este lado de cá, á minha direita! Serão dois grupos! Contaremos um por um de cada grupo, o grupo que contiver maior quantidade de elementos vencerá!  Foi uma mistura de tantos sapos, passa para lá e passa para cá! A bicharada que assistiu tudo, aprovou a ideia, bateram palmas. O Coelho contou de seu lado:  Deu 61. O Sapo contou do outro que eram seus: Deu 60. E agora? Empate técnico! O Coelho vibrou de alegria! Venci, gritava eufórico! Nada disso, disse o Sapo-boi! Está empatado meu caro! Quer ver? Chamou o dito cujo que gerou a diferença! Venha aqui? Era um Sapo já de avançada idade. Pois não, disse ele: Ás suas ordens! O Sapo-boi disse-lhe: O problema aqui está sendo você, terá que ir embora agora! Você é meu parente, mas eu sou seu superior, terá que me obedecer, não esqueça que sou chefe de todos vocês! Ouviu? O Sapo intimado passou a mão no queixo, pestanejou, pensou uns instantes e respondeu: O senhor está muito enganado, eu não vou á lugar nenhum, porque não estou recebendo ordens dessa natureza. Para isso serei juiz desta causa. Para julgar esta questão ou dirimir alguma dúvida, vão precisar de um Magistrado e eu sou formado em direito, entendo de leis, do jeito que o senhor pensar! Só dependo da aprovação da turma aí dos dois lados! Sou candidato único ao cargo de Juiz para esta questão. Aqui não tem nenhum mais que se habilite! A turma nem esperou nada, aclamaram-no! Aprovado! Aprovado!  Aprovado! Mais uma vez a cara do Sapo-boi cai por terra! Voltando ao assunto, e já de posse do cargo disse agora com autoridade: Vocês do lado direito me respondam: Apontou o dedo para o Sapo-boi que estava bem no meio dos dois grupos dizendo: E este “PAGA” a conta? Sua turma respondeu: NÃO PAGA! Virou para a turma do Coelho do lado esquerdo: E para este, ele “PAGA”? A turma disse: “PAGA”! Nossa! Disse o Juiz, está empatado ainda. Está suspensa a Audiência por hoje! Marcaremos outra, em data a ser definida, aguardem a notificação!  Até os dias de hoje perdura a questão! “PAGA” NÃO “PAGA”. Aquele Sapo-boi que gerou a discórdia com o Coelho, e o que se tornou Juiz, e toda saparia mais os bichos que assistiram, morreram todos de velhos, veio uma nova geração de todos, mas a questão continua do mesmo jeito! Ninguém mudou de lado. Continua sem solução a causa! Quando é noite que chove e logo estia, lá no brejo se ouve até ao amanhecer a turma dos dois lados Cantando assim: “PAGA ?”  “NÃO PAGA !”  /  “PAGA ?”  “NÃO PAGA !”  / “PAGA ?”  “NÃO PAGA !” Virou uma orquestra sinfônica!!!   kkkkkkkkkkkkkkkkk.



HISTÓRIAS QUE APRENDEMOS NO CURSO DA VIDA E CONTAMOS PARA DIVERTIREM.
DA CULTURA SERTANISTA ESTA É UMA HISTÓRIA DAS CENTENAS QUE EXISTEM.
“LUIZÃO-O-CHAVES” E SUAS IMAGINAÇÕES.......    
ANASTÁCIO MS 10/04/2014







domingo, 30 de março de 2014

NINGUÉM QUE CONTRARIA O DESTINO PODE SER FELIZ!




Ananias prestava o serviço militar, soldado aplicado, exemplar em disciplina e na obediência á seus superiores hierárquicos, desempenhando suas funções a contento, de muito aproveito nos estudos e aprendizado em tudo o que referia ao bem comum das forças armadas. Em pouco tempo alcançou prestígios e promoções, subindo de patente, foi para a Escola Militar, voltou como terceiro sargento das armas. Ele e seus pais não cabiam em si de contentes com o sucesso. Namorava uma moça muito bela e de boa família, moça de qualidades excepcionais, filha única. Pensava em um possível casamento com ela, mas por enquanto era só namoro firme, ela estudava pensando em um futuro risonho e promissor. De nome Maria Luiza. O que não era de duvidar que acontecesse, pois os bons filhos sempre são bem sucedidos em tudo o que fazem na vida e até bem aventurados. O namoro prosseguia as mil maravilhas, os pais da moça gostavam muito do Ananias que até então era um amor de pessoa, tinha liberdade na casa dela sem deixar faltar o respeito para com todos. Nos fins de semana passeavam quando ele não estava de serviços, se caso estivesse, ela nem saia, ficava em casa com os pais. Revia as lições da semana que passou, assim progredia muito nos estudos. Ajudava a mamãe nas lidas do lar nos domingos. Homem é sempre homem nunca se deve facilitar com eles, quando estavam a sós em casa dela, cobria-a de carinhos e afagos só que sempre pensava em outra coisa além do namoro, mas ela sempre lhe dizia: Não Ananias! Se a gente se casar, sim! Antes não! Ele sorria muito matreiro e concordava com ela. Sabia que ela tinha razão! O tempo passa e um dia ele conheceu uma mulher, numa fila de banco, ela logo demonstrou interesse por ele que não perdeu tempo em corteja-la ali mesmo, deu namoro porque hoje são as mulheres que dão em cima dos homens, ela era branca de olhos azuis, linda mesmo! Só que ela era meio maluca. Mas como beleza encobre defeitos, a amizade ia de vento em popa. Mirela seu nome, encontrou-a mais vezes e a coisa ficou séria, convidado por ela para conhecer sua mãe, porque era filha criada sem pai, ele aceitou de bom grado, foi aceito como seu novo namorado pela sua mãe. Nesta altura ele estava com duas namoradas, e agora? Escolher qual delas? Esta segunda já tinha lhe favorecido, agora a coisa estava complicando. A mãe dela sabia de tudo e que ele não era o primeiro homem na vida dela, tivera outros, mas mesmo assim apertou-o para que se casasse. Moço de futuro, a mãe muito interesseira deu-lhe um bote certo. Ele ficou desarmado além de inexperiente, não teve outra saída a não ser concordar! Mas que desculpa daria para Maria Luiza, em dar-lhe o fora? Assim sem mais nem menos, de repente e sem explicações fundadas! Mas arriscou, disse á Maria Luiza que não dava mais, a moça fitou-o com uma percepção aguda, e lhe disse: Confiei tanto em você Ananias? E tu vens com esta desculpa descabida, pensou bem para me dizer isto? No mínimo há outra por detrás de sua história, de certo te favoreceu. Nada tenho para te segurar! Vai em paz se é assim que quer, desejo que sua desistência não lhe traga decepções futuras! Seja feliz arrematou ela! Ele se foi, dentro de pouco tempo ele casou com a Mirela. Foram morar numa casinha pequena que ele havia comprado com intenção de casar com a Maria Luiza. Tudo bem, a lua-de-mel vai por ai afora, Mirela frequentava uma igreja, com a sua mãe, ele era Católico e não quis misturar as coisas, pelo menos por enquanto, depois decidiria pelo sim, ou pelo não, de tanta insistência das duas, um dia visitou a igreja da esposa, ficou imaginando coisas que não conseguira entender o porquê daquilo. Mas ficou quieto. Ela não cabia em si de tão feliz com o casamento que realizara, era tudo o que queria da vida. Isso já durava dois anos, quando um dia o Pastor de sua igreja inquiriu dos fiéis que aumentassem os dízimos. Mas de uma maneira aviltante no entender do Ananias, dizia que para ser bem fiel teria que despojar de seus bens de raiz para provar o desprendimento das coisas materiais, ele achou aquilo um absurdo! Vender o que tem para doar para a igreja? Nunca vi isso! Minha casa é o que tenho além dos meus proventos mensais. Morar aonde depois? Parecia adivinhar, Mirela e sua mãe tinham um gênio, terrível, eram pessoas de natureza ruim, sem amor, sem afeto e sem consideração.  Ela disse: Vamos morar com minha mãe! Ele não concordou, acabo com o que possuo, para depois ir morar de favor? Nunca! Sou um homem de juízo na cabeça! Deus não quer isto dos seus filhos! Filho de Deus não mendiga o que é dos outros? Isso é fanatismo ou maldade de um lado e tolices do outro! Tirando o que é dos outros? Ela se enfureceu com a tese dele, que ficou quieto! Ela esbravejou de todo jeito que sabia, pois era de uma educação de baixo nível, muito estúpida e grosseira mesmo, naquela noite foram dormir, mas, separados, ela não o aceitou na cama, ele foi para o sofá, levantou cedo foi para o Quartel, estava de serviços, só retornou no dia seguinte, Lá estava ela emburrada! Nem as horas ela respondeu para ele! Arrumou e saiu, nem satisfação lhe deu. Mais tarde ele pensou, deve estar na casa da mãe! Foi até lá, chegou alegre e perguntou dela, está ai, disse a sogra. O que aconteceu com vocês dois? Ele explicou, mas a sogra saiu a favor da filha, complicando ainda mais a situação deles. Ele pensou um pouco e disse: Assim não dá, sogra! Essa igreja não é de Deus! Se fosse, ensinaria a amar o próximo, não querer só dinheiro! Nossa, pra que dissera isto, a sogra chamou a filha e foi aquele bate-boca sem fim, um escândalo. Ele bateu o pé firme, não vou vender a casa por nada! Não vou jogar fora o que comprei com sacrifício para a gente morar, nem dar de mãos beijadas a quem não sabe o que é sacrifício para adquirir as coisas que a gente precisa. Corja de folgados! Mentirosos, vivem iludindo os incautos, usurpando os coitados na sua boa fé. Porque sua mãe não vende a dela e doe para sua igreja? Fique como quiser, não ponho meus pés lá nunca mais. Não sou obrigado! Fique você! Vamos embora para nossa casa que é melhor! Não vou, respondeu ela! Quero ver me obrigar! Fique com sua casa eu fico com minha igreja! Assim não dá querida, deixe disso! Vamos em paz, é melhor! Quer saber de uma coisa, disse ela: Vamos nos separar, quero ver se não vende a casa agora! Quero minha parte dos bens!  Viverei muito bem sozinha, aliás, eu já vivia, não preciso de você! Nem sei porque fui casar contigo! Volto a morar com minha mãe. Armou este truque pensando que ele iria se render aos seus caprichos. Mas não deu certo. Ele se foi triste, pensativo naquele desarranjo da família, mas concordou! Foram para a justiça! Parecia capricho do destino, desenrolou rápido o processo, o divórcio saiu logo em menos de três meses, ela recebeu o que de direito lhe cabia, ele com a sua parte foi para a casa dos pais, ela fez o que prometera, para a casa de sua mãe! Tudo acabado! Acabou-se a felicidade que parecia durar uma eternidade! Ele sentia muito a falta dela, mas não se entregou ao desânimo, continuou firme! Pensava consigo só, isto é um fanatismo religioso dos piores que já vi! Destruir um casamento? Não é coisa de Deus! Duvido que Deus esteja num lugar desses. Excomungam Nossa Senhora e ainda querem o que é dos outros. Tinha ouvido falar que existia uma igreja do Diabo, pensou, deve ser essa! Procurou esquecer daquilo. O tempo vai passando, um dia desses estava sentado num banco da pracinha, numa tarde de sua folga de serviços, quando lá pelas cinco horas, viu quem vinha passando pelo meio da praça; Maria Luiza, meu Deus! Exclamara ele, sem crer no que via! Era ela, em carne e osso. Vendo-o de longe se aproximou dele. Olá Ananias? Ela dissera, tão alegre como sempre! Olá Maria Luiza? Responde ele! Como vai rapaz? Tudo bem contigo? Nossa! Quanto tempo a gente não se via? Pois é, diz ele! Mas os vivos sempre se encontram não é? Sim! Sente-se um pouco Maria Luiza, convidou ele! Não Ananias, eu já vou porque a mamãe sabe a hora que chego! Não posso demorar, mas hora dessas apareça em casa? A gente toma um café com bolinhos, meus pais até hoje sentem sua falta, matarão saudades sem dúvida! Será bem recebido, como sempre! Te espero, combinado? Tchau! Ela se foi e ele ficou olhando-a por trás, tentando acordar algo que dormia naquele espirito tão bondoso! Pensou por muito tempo, e achou o fio da meada: “Decepções futuras” aquilo martelou sua mente. No passado era o futuro que hoje é presente. Balançou a cabeça e tudo clareou como um facho de luz que o iluminara nele naquela hora, dissipando todas as trevas, estava presente a lei da Compensação, do Carma, e em ação! Sentiu vontade de chorar, mas conteve. Levantou e saiu, no domingo próximo estava de folga. Vou almoçar com Maria Luiza, decidido sentiu uma felicidade tão grande que parecia ter saído debaixo de uma grande pedra que lhe comprimia o corpo. No domingo de manhã, lá estava ele, os pais dela agradeceram a visita dele e pediram que ficasse para o almoço, era isso que ele queria. Parecia estar no céu! Já havia dois anos que estivera lá perguntaram sobre o que tinha passado durante este tempo todo, contou tudo sem acanhar. Os pais dela disseram: Meu filho, quando a cabeça falha é o corpo quem padece! Nada melhor que um dia após o outro com uma noite de intervalo! Dias felizes virão! Ananias acabou de entender o que faltava! Passou o domingo, tudo voltou ao seu devido lugar, a sua mente parecia ter despertado de um longo sono de pesadelos! Voltou mais vezes lá na casa dela! Um dia ele perguntou: Você não tem namorado? Não, disse ela! Este ano me formo em Medicina, estudei este tempo todo, deixei para pensar em namoro depois de formada! Depois de você não tive interesse por nenhum outro moço! Sou feliz assim! Porque pergunta? Inquiriu ela! Por nada responde ele! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Caiu na risada da resposta dele! Ora nada! Alguma coisa dói em você? Pergunta ela! Sim, disse ele! Não me dói, me corrói! Posso saber? Disse ela fingindo-se de boba! Pode sim disse ele, arrependo de tê-la abandonado! Ainda amo você! Verdade? Sorriu ela! Pura verdade assentiu com a cabeça! É por isso que você está aqui? Sim, só vou sair daqui hoje com o “Sim” do que vou te pedir! Quero que volte para mim! Quero me casar com você! Arrependi do que fiz no passado contigo, não merecia a ingratidão que te fiz! Esqueça o passado corrigiu ela. Se você quiser esperar até me formar? Te dou o “Sim” que você quer! Ananias não se conteve, tomo-a nos braços, beijando-a apaixonadamente! Ela não resistiu, desceu lágrimas dos olhos. Lágrimas de um amor que não morreu, dormiu por dois anos e pouco! Pegou no queixo dele, olhou firme nos seus olhos e disse: Não me deixe mais, viu? Sofri muito! Só nunca perdi a esperança! Só penso numa coisa agora! O que é? Pergunta ele! A alegria dos meus pais em saber disto! Vai ter com eles agora!  Vocês três que se acertem por lá! Se eles disserem: Não? Ficarei solteira a vida toda, mas nunca desobedecerei eles. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Só para ver o susto que ele tomaria. Ele enrubesceu da surpresa, se bem que esperada. Domingo que vem estarei de serviços, mas virei no sábado á noite falar com eles! Ele veio, combinaram, acertaram, em seguida noivaram, e até a data do casamento ficou marcada. Tudo realizado conforme planejado, felizes a não se conterem, férias de ambos, para a lua-de-mel ser mais agradável! Quando voltaram, olhem a surpresa que lhe aguardava! Nem Imaginam! Mirela lhe perturbando com telefonemas dizendo-se arrependida e pedindo reconciliação! Coisas de mulher doida, duas malucas por falta de uma! Ananias respondeu! Estou casado e feliz, não me importune, por favor! Cuide de sua vida, porque estou cuidando da minha! Na sua vida eu estive! Muito obrigado! Mirela pode ver e sentir, que tinha tudo nas mãos, mas jogou fora por um fanatismo religioso infundado e falta de juízo! Hoje a sua mãe está enferma, com reumatismo e coluna torta, presa numa cadeira de rodas! E agora? Vive só reclamando da vida para os amigos, murmurando, desiludida, e falando mal dos homens. Acha que nenhum presta! Deveria olhar num espelho e deixar os homens em paz! Eles também merecem ser felizes! Fora ele quem Deus criou primeiro!


MORAL: VALE A PENA SER MOÇA DE HONRADEZ, DE CARÁTER E OBEDECER AOS PAIS!
CONTO BASEADO EM UM FATO VERIDICO.
LUIZÃO-O-CHAVES... ANASTÁCIO MS  23/03/2014



segunda-feira, 3 de março de 2014

MARAVILHAS DA NATUREZA- 05- O LAGARTO TEIÚ.


             O lagarto teiú é um dos bichos silvestres e réptil que desperta a curiosidade das pessoas de um modo geral, em especial daquelas que não o conhecem, dos sáurios conhecidos é o que mais apronta das suas, alegre, descontraído, divertido, malandro, valente que só ele sabe ser quando precisa, é habilidoso, corajoso e cuidadoso com tudo. É encontrado em quase todo o território brasileiro, sendo mais comum em regiões quentes, seu habitat e diversificado, vive nos serrados, caatingas, matas, capoeirões, eixos de serras e pedreiras, anda durante o dia em especial nos dias quentes do mês de Agosto, a terra quente de dar medo, ele com toda a comodidade arrasta a barriga no chão com a areia escaldante, Tem até 1.40 m de comprimento, e chega a pesar até 5 kl. Por ser terrestre, não é por isso que ele não sabe nadar, o faz muito bem e com muita rapidez quando é preciso defender a vida na fuga que empreende, só que trepa muito pouco , só em casos extremos, gosta de morar em buracos no chão por ele mesmo cavado, ou em locas de pedras, ôco de pau deitado ou cupins. Em épocas de estações cujos meses são frios, ele hiberna no seio da terra por ser quentinho, lá fica até passar o inverno, de lá não sai para nada, salvo se acontecer de algum dia a temperatura subir, ele da uma escapada para comer e beber alguma coisa, mas volta para o barraco, se a fome apertar come o próprio rabo, quando o inverno acabar lá por Julho em diante aí sim, sai de vez, com o rabo pitoco, mas cresce de novo. É onívoro e tem a língua bifurcada, come frutas pequenas, como jenipapo, goiabas, araçás, ratos, rãs, sapos vermes, minhocas, baratas e outros insetos como: grilos, borboletas e gafanhotos, ás vezes ele trepa em arbustos para pegá-los, quando é aquerenciado em roças, capões de mato perto de casas, come restos de comida, pintinhos, franguinhos já grandes, não perdoa uma ninhada de ovos, atropela a galinha para levantar se estiver pondo ovos ou chocando, precisa almoçar ou merendar, em última instância come até carniças se achar fácil. Atropela cobras desde que não sejam Jiboias, pois estas o pegam sem piedade. Gatos do mato, jaguatiricas e até onças também o pegam, as aves de rapina, como gaviões, corujões, águias, acauãs, gaviões real também o perseguem, e muito bom corredor, ergue o rabo e sai numa desabalada carreira que até onde a gente ouvir o tropel, principalmente em matas ou serrados nas folhas secas, não para por nada. Se resolver acuar num canto que suas costas fiquem protegida, os cães ou um que seja, ele os enfrenta com muita valentia. Usa o rabo como um chicote, sabe dar cambalhotas, e nelas o seu rabo chega sibilar no ar, atingindo o cão ou outro agressor. Se precisar uma luta corpo-a-corpo sabe morder também. É surdo por completo. Mas em compensação enxerga mais que outros animais.  Tem uma pele muito bonita, quando trabalhada dá bolsas, cintos, carteiras e adornos diversos. O teiú é muito apreciado como prato de primeira para muitas pessoas, tem uma carne muito parecida com a do frango novo, há fatos conhecidos que uma família de italianos, que apreciavam tanto o teiú que, trocavam um frango, por um Teiú! Diziam: Escolha no meu terreiro o frango que você quiser, por um Teiú! Pode trazê-lo vivo ou morto! Kkkkkkkkk! A fêmea do Teiú põe ovos em números de até 36, geralmente  em buracos de cupinzeiros ou mesmo em buracos no chão, entre 60 e 90 dias saem os filhotinhos. O lagarto vive muito tempo, há informações que até 14 ou mais anos. Uma particular observação e curiosidade que me impressionou, foi uma briga entre o Teiú e uma cobra jararacuçu, de tamanho médio, ele a encontrou, de imediato insultou-a, a cobra ficou logo irritada com a presença dele, que malandro aproximou dela, como se fosse cumprimentá-la, mas foi para dar-lhe uma chicotada como rabo. Tirando a paciência dela que enrodilhou logo, pondo a cabeça por cima da rodilha, levantando o pescoço de um palmo, mais ou menos, com a cabeça no ar, dando língua, era fácil de dar-lhe um bote certeiro, mas ele não é bobo, afastou-se do perigo! Olhando ao redor juntou algumas folhas secas com as mãos e veio trazendo para perto da cobra, de modo que ela estava atenta aos movimentos dele, não aproximou muito, mas deixou-as ali, foi buscar mais, chegando mais perto do que antes, a víbora dava-lhe língua, ele nem se importava. Fez isto umas três vezes, ficando por trás do monte de folhas com cuidado, ela levantando mais a cabeça, era isto que ele queria; numa rapidez incrível com as mãos e o corpo em forma de arco lançou na cara da cobra aquele monte de folhas, ela deu um bote nas folhas, ele muito do sabido entrou por baixo das folhas e deu uma bocada segura no pescoço dela e ficou seguro sem soltar por nada, foi aquele reboliço no chão, embolados numa luta sem tréguas. Ela se enrolou nele, que por sua vez cravou-lhe as unhas sem dó nem piedade. Enquanto ela não se entregou já sem folego, sufocada ele não largou. Depois de vê-la morta, saiu e foi-se embora! Raro são os casos que ele come-a. Quando a sorte não lhe é favorável, e acontece dela picá-lo enquanto arrasta as folhas secas, ele de imediato sai a procura do antídoto, um reforço para o seu anticorpo anular o efeito da peçonha, que é uma planta de nome: Erva-de-lagarto! É uma planta que tem as folhas muito parecidas com arnica, nas cores  verde e branca  mas rajadas igual o próprio lagarto. Ele a conhece pelo cheiro, então cava as raízes dela que é uma batatinha cheia d’agua, arranca-a e come, dali alguns instantes sai a procura da cobra, agora com muito mais cuidado, se ela ainda estiver no mesmo lugar recomeça tudo de novo, até vencê-la, caso não encontre onde encrencaram, procura até encontrá-la! Desta vez não escapa! Deixei para lhes mostrar como ele sabe colher mel de abelhas, quem diria! Mas é verdade mesmo, não é em todas as abelhas que ele faz isso, se o caseiro da abelha é num oco de pau, rente ao solo, ele rodeia até achar uma parte do tronco que em muitos casos é podre em um dos lados, dali deu a origem da colmeia, ele cava o chão entrando por ali e come os favos, numa boa, jataí, borá, Mandaguari, sete-portas e outros que são mansos. Existe aqui neste estado um tipo de marimbondo de nome: Arixiguana, em outros estados leva o nome de: Caçulunga, bem! É um marimbondo que ferroa doído pra chuchu! Vejam a técnica que ele aplica para saborear o mel destes marimbondos ferozes, sonda ver se os tais estão em paz, não assanhados! Ele vem correndo na direção da cachopa que está uns dez centímetros acima entre galhos de uma planta chamada lixeira do solo, vira cambalhota e com o rabo dá uma lapada nela, que corta fundo, sai correndo com o rabo erguido para não sujá-lo, pois está todo lambuzado de mel, lá longe ele para, já fora do alcance dos marimbondos que ficaram bravos, pacientemente lambe o rabo até ficar limpinho, dá um tempo até que os donos da casa se acomodem. Lá vem ele de novo, bem devagarinho para nunca ser ferroado! Procede assim até se fartar, depois cai fora dali, se os bichos quiserem refazer os estragos da casa, que o façam! Se desertarem dela, amanhã ele volta e come mais a vontade, vai repetindo até acabar a festa!
CURIOSIDADES DA MÃE NATUREZA.
CONHECIMENTOS, CONVIVÊNCIA, IMAGINAÇÕES E CRIAÇÃO DESTA OBRA POR:

LUIZÃO-O-CHAVES     ANASTÁCIO, MS 20/02/2014 

MARAVILHAS DA NATUREZA -04 O CATETO OU CAITITÚ



Falaremos hoje de uma espécie de animal selvagem cujo nome é caititu ou cateto, muito comum em vários estados do Brasil, muito especial nos pantanais sul mato-grossenses. É um animal terrestre, onívoro, mamífero, quadrúpede, vertebrado, da raça suína, mas selvagem! Não é muito grande não! Até um metro de comprimento, chega a pesar 30 quilos. É de fácil convívio em cativeiro, pegam mamadeira e crescem junto com cães e se dão muito bem, para onde um ir, o outro vai também, se outro cão estranhar o seu companheiro, está armada a maior das confusões, sai na defesa de seu amigo, é muito valente! Suas presas incisivas parecem quatro facas, cortam qualquer outro animal com uma rapidez incrível, pode o seu amigo estar envolvido na briga com o outro, ele corta só o adversário, discerne-o pelo faro.  Anda aos bandos de pequena quantidade, de seis á quinze companheiros, gostam muito dos capões altos e secos, serrados, chapadas ás vezes furnas ou eixos de serras.  O seu pelo é de cor preto-cinzento, com um colar esbranquiçado na entrada dos peitos, pelo ralo, longo e grosso, as vezes tem o queixo branco, quando percebe qualquer coisa diferente, arrepia-se todo o dorso, focinho longo muito parecido com o seu parente, o queixada, não é bravo como o referido, é muito corredor quando perseguido pelos caçadores ou até mesmo os predadores, silencioso, vezes por outras dá um “rum” para saber onde estão os companheiros, pois os outros respondem do mesmo jeito, apesar de saber que se norteiam pelo faro entre si, não são encrenqueiros, nem sempre brigam entre si, nem mesmo quando as fêmeas estão no cio, elas copulam com mais de um macho, e aquele que vier é aceito, até 186 dias de gestação, nascem dois filhotes, se a mãe morrer por qualquer causa, a outra fêmea cuida da sua cria, adotando-os, e com 8 meses as leitoas estão já adultas e os leitões só com 1 ano é ficam adultos, se alimentam de frutas do mato, cocos de bacuri, bocaiuva, licurís, ou pindós, buritis, raízes diversas, come rãs, corós de coqueiros e pau podres, ratos, e insetos como besouros, cigarras e minhocas, o líder do bando é sempre o mais velho do grupo,  quando sentem algo diferente como por exemplo, na presença de uma roça, o cheiro de milho verde, abóbora, feijão maduro, mandioca, batatas, rapidinho vem fazer uma visita, depois que saciaram a fome vão em busca de agua, seja num córrego, rios ou poças d’agua no meio do mato, grotas, regatos de serras, e logo se deitam onde estiver fresquinho para descansar, não se afastando muito da roça, nem por muito tempo. Logo voltarão. Se o bando contiver ao menos uns sete ou mais farão um estrago enorme nas roças. Fuçam tudo o que acharem que deve, não desperdiçam nada comem mesmo com gosto. Se não forem notados por ninguém, comerão tudo o que tiver no seu alcance. A roça ficará reduzida a nada! Agora se for caçados pelo homem da roça, esparramam-se todos, cada um que defenda sua vida como puder. Corre muito, chega a desenvolver uma velocidade de até 50 km por hora, na arrancada que der. Se for pego algum, parece que os outros nem dão por fé, passado o susto voltam de novo, enquanto na roça tiver o que comer, jamais abandona o intento de ficarem nas mediações, que problema tem em ficar onde há fartura. Se não puderem vir de dia ficam na espreita e virão á noite sem falta quando dá um chuvisqueiro de dia, então sai a qualquer hora, andam o dia inteiro sem descanso. O roceiro matará o derradeiro que tiver no bando. Neste aspecto são bobocas mesmo. Á noite escolhem um lugar bem ventilado para dormirem, um lugar alto, se houver coqueirais na beira do rio ou córregos, está tudo certo, deitam um ao lado do outro, com as cabeças opostas, de modo que um vigia a traseira do outro, em épocas de muito frio chegam até fazer pilhas, um por sobre os outros, chegam ate gemerem de peso, semelhantes os porcos comuns no mangueirão, então uns vigiando os outros por detrás, terão mais facilidades de defesa contra os predadores, um deles é mais encarniçado, a onça parda. De carne muito boa, salvo quando comem um tipo de erva que os contamina, aí ninguém consegue comer sua carne, o humano que teimar em comer assim mesmo, estará sujeito a uma alergia que dá o que fazer para ser curado, ficam com um almíscar de ervas que ninguém suporta comer. É o seu antídoto contra pestes e doenças que no seu habitat existe. Passado o efeito que dura uns três dias ou mais, depende do tanto que ingeriram logo está bom de novo! Visitam também os barreiros onde há salinização natural na terra, aumentando assim o seu anticorpo. É um porco que não dá gordura, é quase só carne mesmo. É uma pena ser mais um dos animais em extinção, principalmente em arredores de aldeias, com as leis de preservação ambientais, em vigor, além da vigilância de nossas autoridades em circulação por todas as fazendas sítios e chácaras em todas as regiões do estado, a quantidade que tem é muito pequena! Há fazendeiros que fazem muito por eles, não deixa ninguém caçá-los e ainda dá-lhes de comer no meio de suas criações nas pastagens.
CURIOSIDADES DA NATUREZA:  CONHECIMENTOS, CONVIVÊNCIA  E CRIAÇÃO DA HISTÓRIA DE:  LUIZÃO-O-CHAVES. 18/02/2014   ANASTÁCIO MS .