quinta-feira, 28 de março de 2013

MARIDO DE MULHER MALANDRA


           
        
Um dia de manhãnzinha  começamos a bater boca
O motivo da discórdia é porque a grana era pouca
Ela toda descabelada eu careca e sem a tôca
Um frio de rachar os canos e a mulher não cala a boca
Uma fulana sem juízo gritando feito uma louca
Eta mulher mal educada e veste  curta a sua roupa
Não come carne de porco o seu prato é só garoupa
Eu não posso falar nada já destranca a sua boca
Baiana de jiquié da família dos Arouca
Eu ganho milão por mês  inda acha a grana pouca
Compra brincos e bugigangas e diadema prá cachopa
Cabelos tipo bombril da cor de mel de oropa
Sapato salto de agulha igual ferrão de mutuca
Não descuido dessa coisa com seu gênio de maluca
Sou manhoso e inteligente charmoso e bom de cuca
Sou nascido aqui no Rio la na Barra da Tijuca
Essa cria não  da paz e minha vida ela futuca
Bem antes de ficar velha a mulher já tá caduca
O cabelo tá uma maçaroca ainda quer fazer pituca
Vamos sair de moto ela não quer a garupa
Tem coisa que a gente vê é o diabo que cutuca
Os cabelos eriçados parecendo uma arapuca
Eu sempre fui  precavido mas caí nesta combuca
Trato ela de amor ela diz :  Fiiii......duma  P.........   
Arrependo  ter tirado das gandaia e das movuca
As mulheres de hoje em dia são poucas que os pais educa
Esta minha é das piores só sabe armar curuca
Prá rapar todo o  dinheiro me deixando na sinuca
Fiz as contas e acho  caro para ensebar  minha bazuca
Prá de nada nós ter  falta  cedinho já vou prá luta
Trabalho de sol-a-sol é grande minha labuta
Ela dorme até tarde inda acha a grana curta
Meus negócios  estão em dia minhas contas são enxutas
Descosturo  seus ouvidos ,coitado é quem não escuta
Desta vez  vou dar no pé : Cace outro Fiii... duma  P..........



 LUIZÃO, O CHAVES!





JOÃO PENEIRA



             

Conto um fato pra vocês há muitos anos passados
Na  cidade  de  Curvelo  um  pequeno  povoado
Do grande estado mineiro o que se deu com um delegado
De uma comarca distante para lá designado
Ia desarmar o povo caso muito complicado

Delegado  la chegando  foi  o povo  conhecer
Armado  e  com dois  praças  pra  cumprir o seu dever
De agora  em  diante só a policia  que  armas pode  ter
Valentões  e  baderneiros  comigo  não tem  haver
Agora temos autoridade é o que tenho pra dizer

João Peneira toma as dores dos amigos e compadres
Homens  daqui  não são moleques  ninguém  faz  barbaridades
Somos um povo  ordeiro  isto é uma  grande verdade
Nunca  criamos  bandido  mas  chegou  três de outra cidade
Todo o povo  daqui  trabalham  são heróis  e não covardes

O doutor  com os  seus   praças  João Peneira  encontrou
Me dê logo suas armas delegado lhe intimou
Peneira ficou sorrindo com o doutor até brincou
Um tatu que tem dois rabos aqui nunca  cavucou
Sou homem  igual o senhor minhas  armas não lhe dou

O delegado  faz o cerco  João se  desdobra  em rasteiras
Todos  os três  de pé pra cima fincam a cara na poeira
Os  praças  levanta  e  corre  mas  o doutor  cai na  besteira
Foi  coçar seu  trinta e  dois  levou  chumbo  na  peiteira  
Sua camisa manchou de sangue bem em cima da algibeira


                   LETRA DE: LUIZÃO-O-CHAVES
                       MODA DE VIOLA
                REINALDO   RAÍ   E   RAQUEL

  

EMBAIXADORES DA VIOLA




                     
Saí fugido de casa em meados de Fevereiro
Paremos na emigração eu e quatro companheiros
Com destino á São Paulo,  eu  menti : Não sou mineiro
Mas  deixo   Minas Gerais  para ser aventureiro
Andando pra todo lado sempre com muito cuidado
Não pareço  biboqueiro.

Bom de foice e na enxada o melhor dos machadeiros
Eu não enjeito  serviço  pra não me faltar dinheiro
Minhas contas são em dia sem faltar nenhum cruzeiro
Homem tem obrigação de nunca ser caloteiro
Se o sujeito é o que enrola não é da minha escola
Tá fora do meu carreiro.

Não meto a  mão em  combuca  nem o pé no formigueiro
Aprendi   tocar viola  arrumei  dois  companheiro
Tá formado o nosso  trio  dele sou o katireiro
Reinaldo, Raí e  Raquel  o sucesso  veio ligeiro
Nós cantamos o sertanejo  com seus  fatos  verdadeiro
A gente canta é por prazer nem sempre é por dinheiro
Nós grudado nas viola nosso tiro é certeiro
As suas cordas tinindo escutaram  no  estrangeiro
De lá veio uma medalha : “ Embaixador dos Violeiros”
Prá  ganhar um trem  assim no meio  tem um mineiro
Agradeço ao Dom Divino e também  aos companheiros
De berço minha profissão sou filho dum carpinteiro.
Fiz uma casa bonita  de tábuas  só de faveiro
Portas de jacarandá os portais é de  anjiqueiro
Forro e  piso é de angelim  só porque gosto do cheiro
Não tem bala que atravessa, e ficou bonito à beça.
É a marca dos mineiros
Nos domingos e feriados a  gente vira um  Pirangueiro
Vou remando a canoa  pescamos   no pirizeiro
Faço um peixe temperado e assado no braseiro
É festa do pescador nós festeja o dia inteiro
Além da nossa amizade temos a felicidade
De nenhum :  Ser cachaceiro.

                      FIM

LETRA DE: LUIZÃO-O-CHAVES
CANTAM:  REINALDO,  RAÍ  E  RAQUEL



Luizão, o Chaves!

CAPRICHO DO PRACINHA


   
              
Eu comparo o sertanejo com a pureza dos cristais
Além do gosto apurado tem gosto pelo que faz
Provo o gosto do meu povo com ideias geniais
Apresentei  este pagode gostaram e correram atrás

Comparando as naturezas  vejo que não são iguais
Um povo metido em guerra e outros pedindo paz
Se  pegarem na minha viola não saberão o que faz
Mas ouvindo o meu pagode deixa a guerra e correm atrás

Amo o tinido desta viola nos repicados especiais
Gosto da simplicidade o seu bem me satisfaz
Se gostaram do que fiz prometo caprichar mais
Meu pagode tá no trecho a turma correndo atrás

Sou pracinha ex-combatente o que fiz poucos que faz
N a segunda grande guerra dei a vida pela paz
A  sorte me rodeava na manga eu tinha um ás
Meu anjo da retaguarda  da morte correu atrás

Um soldado inteligente muito além de perspicaz
A morte me recusou derrubaram o seu cartaz
Sou feliz voltei com vida de nada eu preciso mais
Sendo o gênio da viola também vou correr atrás

O pagode é universal vem dos nossos ancestrais
Raiz da nossa cultura pode ser que alguém desfaz
Percorreu o Brasil inteiro parou em Minas Gerais
Agora nós tamos juntos não ficou ninguém  lá atrás

Luizão,o Chaves!     

domingo, 3 de março de 2013

Retrato do sertão



Tô por ver coisa mais bela, que o amanhecer no sertão,
O sol por detrás da serra, nas nuvem faz um clarão,
Nas campinas orvalhadas, canta triste um perdigão,
No cantinho da invernada, ta pastando meu alazão,
Um carijó cantando alegre, na comieira do galpão,
O sereno da madrugada, cristando o morro faz cerração.

O meu velho cão de guarda late corre e rodopia,
É meu grande companheiro, nas lutas do dia a dia,
Muge a vaca berra o touro, a bezerrada na arrelia,
Passarada no pomar, orquestrando a melodia,
Os macacos lá na mata, tanto grita como assobia,
Como é lindo meu sertão, quando vem rompendo o dia.

Pra dar vida a natureza, obedece ordens do criador,
Com seus raios luminosos, o sol mostra o seu fulgor,
Uma brisa delicada, tira o orvalho da flor,
Vou indo pra minha lida, pois é grande o meu labor,
O sol vai alto, é meio dia, mas suporto o seu calor,
Vou trovando alguns versos lembrando do meu amor.

Fim do dia o astro rei, já no poente em despedida,
É uma cena deslumbrante, a paisagem é colorida,
Tô voltando para o rancho, com a minha missão cumprida,
Os seus raios vão sumindo, chegou o fim da nossa lida,
Me recebem com amor, a minha família querida,
Enquanto Deus me der licença, assim vou lutando pela vida.
Luizão, o Chaves!!!

Caboclo de verdade



Sou caboclo é verdade de botinão e chapéu de palha,
Minha herança é uma caneta, não vi outra que me atrapaia,
As coisa que eu escrevo qu’ela, corta tanto igual navaia,
Peço que o sertanejo da minha mente não saia,
Tenho o peito sarado e minha voz o vento espaia.

Do meu povo, os trizavós, são dos incas e tem dos maias,
Este sangue que eu tenho,  cozotro num embaraia,
Filho do torrão mineiro, da cidade de Jandaia,
Lá enrriba das colinas, mais bela do que as praia,
Uma vertente cachoeira, do alto as água esmaia.

Meu burrão de sete palmo é só de prata a minha traia,
Ando no passo picado, as argola toda chaquaia,
Na cintura um niquelado, traça mais do que metraia,
To indo robá um amor pras banda dop Araguaia,
Entrar num ninho de cobras, o reduto dos Fanaia.

Comigo num tem mosquito e num vô fugi da raia,
O buraco é mais embaixo, vou mostrar para os lacraia,
Que mato onça acuada armado só de zagaia,
Quanto mais tô em perigo os meus golpe nunca faia,
Por ser muito inteligente, o que faço ninguém vaia.

Meu sogro e três cunhado me esperava na tocaia,
Comeram gato por lebre, dei rasteira nos canaia,
Domingo cedin na missa, na igreja entrei de saia,
Ela em traje de vaqueiro, pondo meu chapéu de paia,
Passemo no meio do povo, esbarrei num dos Fanaia,

Quando descobriro e como que caíro na trapaça,
Foi só bala que zunia, quebraro todas vidraça,
O povo da missa correu, espalhando pela praça,
Eles formam uma matilha, pra perseguir a caça,
Nóis decola de avião, ficaro vendo a fumaça.

Luizão, o Chaves!!!

MONARCAS EM DESFILE


O sol reina lá no espaço, e na lagoa é o jacaré,
Tubarão é o rei dos mares, a piranha é do aguapé,
O Scania rei do estradão, rei dos carros é o Chevrolet,
A rainha das canoas foi a arca de Noé.

Curupira rei da mata, touro rei da invernada,
faz rodeio no rebanho pra escorar a onça pintada,
Mangangá o rei d’abelha mas de mel nunca tem nada,
Gonzaga rei do baião, Malasarte da enrolada.

Vieira rei do katira toca, canta e bate o pé,
Carreiro rei do pagode, Correia do chamamé,
Reis da noite: corujão, curiango, e caburé,
Moura Andrade Rei do gado, Lunardelli é do café.

O leão o rei da selva e também da bicharada,
Papagaio rei da conversa, cachorro rei da caçada,
Alazão rei da saída, pangaré rei da chegada,
Lampião rei do Cangaço, Bezerra rei da emboscada.

Tarzan rei dos macacos, dos gorila e chimpanzé,
Galo índio no terreiro, depois canta o garnisé,
Rei do drible você sabe, foi Garrincha “seu Mané”,
Da fumaça é Maradona, rei da bola é só Pelé.  


As nações se estranhando, o rei de cá com o rei de lá,
Vivem arrotando grosso, guerra nunca vai faltar,
No bate boca dos reis, soltam a bomba nuclear,
É a destruição da Terra, rei nenhum vai escapar,

Teve um rei feito de barro, da costela sua muié,
O Sansão o rei da força, Abraão o rei da fé,
Salomão o rei mais sábio, a Sabá foi ver se é,
O mais valente o rei Davi, no rei Golias pisou os pés.

Um rei de grande beleza, meu Brasil ó pátria amada,
Cristo Redentor o mar, a cidade iluminada,
O Cruzeiro alto nos céus brilha nas noites estreladas,
Amazônia pulmão verde, reino da selva encantada.

Rainha e Santa dos Céus, Maria de Nazaré,
Quando deu Jesus pra nós, derrotou o rei Lúcifer,
Com este poder imenso, e por me sustentar em pé,
Me tornei rei sertanejo e vou longe se Deus quiser.

Imaginações deste caboclo sertanejo para:
"COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"