domingo, 13 de abril de 2014

O SAPO-BOI E O COELHO FOTÓGRAFO



O Coelho que sempre vivera trabalhando só no pesado e nas roças, pois a “Era” só beneficiava os que desta faziam sua profissão, lavrador, agricultor, colonos ou roceiros como queiram. De um modo geral eram todos os animais que lutavam pela sobrevivência neste ramo. Era divertido até, mas cansativo também para todos, com o decorrer dos anos. O Carneiro sendo um exemplo lidava só com lãs, tosquiava os demais, lavava as lãs, fazia baixeiros, cobertores e vestimentas diversas, O Cabrito vendia leite e queijo de cabras, esfolava as peles e trocava-as por outras coisas. Dos chifres dos bodes velhos faziam cachimbos, e “Tabaqueiro”, ou “Cornicho” para os antigos tomarem um“Torrado.” De quando em quando uma “Narigada” kkkkkkkkk. O Cavalo, o Burro e o Boi serviam quem precisasse transportando cargas, no lombo, em cangalhas, cargueiros ou carretas, carroças e carros de bois. O Jumento tinha mais regalias, só informava as horas com muita precisão, é como se fosse um relógio da Matriz. Quando abria o par de queixos zurrando, todos já sabiam que a hora era exata. Mas quem cuidava destes era o Saci-Pererê com muito esmero, cuidadoso como só ele sabe ser, dava-lhes banho e tosava as crinas, para vender, sempre que podia aos que se serviam dos préstimos destes animais, exigia em troca alguma coisa assim como: Fumo para o seu Pito, lá de vez em quando uma cachacinha. O Caipora tinha também sua roça, só plantava fumo, fazia cada rolo deste tamanho na época das colheitas das folhas maduras. Ficava horas e horas sentado num toco  baforando o seu charuto, e vendo a fumaça subir. Negociava com o Gambá, fumo a troco de cachaça. O Cachorro sempre trabalhava de vigia. O Macaco tinha um bananal que só vendo o tamanho da roça. O Gato prestava seus serviços caçando ratos nas “Tuias” de mantimentos, porque estragavam as mercadorias em estoque. O Caititu plantava abóboras, batatas, cará, inhames e mandiocas. A dona Raposa vendia galinhas, patos, marrecos, angolas, e aves diversas, sempre gostou destas criações. O Gambá cultivava uma roça de cana de açúcar, pois herdara de seus antepassados um engenho que nele fabricava rapaduras e melado, um alambique que destilava álcool e cachaça, fabricava também outras bebidas. Negociava com a Raposa frangos em troca de cachaça, pois gostava muito de uma cabeça e pescoço de frango bem caprichado. O Peru vigiava para a Raposa, as suas criações do ataque dos gaviões, acauã, caburés, corujões João- Curutú á noite querendo pegar as aves no poleiro. Para isso dispunha de uma espingarda “Pica-pau” daquelas que carrega pela boca do cano, raspava taboca, fazia buchas, derretia chumbo fazendo “balotes”, além dos chumbos “Cabeça de macacos” e “Chumbinhos mostardas” era farta munição. A Paca cultivava milho e feijões, o rasteiro e o de cordas. O Tatú era vagabundo, vivia fazendo buracos por aí a esmo. Os animais grandes precisavam tomar cuidados para não quebrarem a pata em buracos que ele fazia. Sondava as galinhas da Raposa quando estavam chocas, para comer a noite os seus ovos no ninho. O Lagarto Teiú também vadiava o tempo todo, salvo um dia ou outro, vendia uns vidrinhos de mel de abelhas deste “tamaninho” assim, para pingar nos olhos como se fora colírio, para curar cegueira. Vendia uma “Banha” que só ele sabia onde encontrar, diz que curava picadas de cobras.   A Cutia roubava mandiocas do Caititu, e milho de sua prima Paca para assá-las de noite.  O Porco se encarregava de arar as terras e gradeá-las para a bicharada cultivar seus plantios em épocas certas. A Capivara vivia o tempo todo só tomando banho, não tinha o que fazer. Saia tarde da noite nas roças alheias para fazer danos, pastar suas plantações. Além de feia, preguiçosa, arrastando o “bucho” no chão. Mas falando do Coelho, este sentindo cansado daquela vida monótona, pouco dinheiro, porque na maioria dos negócios se constituía em barganhas de mercadorias entre os comerciantes, resolveu mudar de profissão. Queria ser fotógrafo e desenhista de paisagens ou pessoas, bichos de toda a espécie. Desde pequeno levava jeito para isso, ficava horas e horas admirando as paisagens, as serras, o céu azul, o tempo levantando e preparando para chover, as trovoadas, a chuva caindo, os raios quando riscavam o espaço, dando aquele estrondo quando atingiam a terra ou árvores, as tempestades, o arco-celeste, os ventos, o luar quando era noite, as estrelas cadentes, assistia o amanhecer, do crepúsculo as cores que o sol poente coloria o céu. Tudo isso lhe fascinava. Tinha vontade de colocar num quadro ou retrato estas coisas que achava bonitas e que a natureza criara. Ser um artista era o seu sonho. Um dia decidiu a vida. Vendeu e trocou por material de pintura e o que fosse necessário para um começo da nova profissão a sua quitanda de frutas e verduras e os legumes. Organizou tudo conforme planejara. Lá numa travessia da estrada com o córrego e uma parte que dava para um alagado quando o córrego enchia em épocas de chuvaradas. Lugar aprazível, todos os bichos teriam que passar por ali, todos os dias da semana principalmente nos sábados, feriados e dias santos de guarda. Construiu um barracão grande, e dentro o seu ateliê, terreiro amplo, algumas pedras grandes por ser beira de córrego, alguns troncos de ipê deitado com galhos secos. Plantou algumas flores de diversas qualidades para fazer fundo nos seus retratos e quadros de paisagem. Desviou por meio de um “Rego d’agua” um filete do córrego lá bem em cima, veio serpenteando conforme o acidente do terreno, passando por ali como se fosse uma enxurrada, mas permanente! Cresceu muitas samambaias, chapéu-de-couro, açucenas e outras plantas aquáticas, ficou muito bonito. Lá no fundo virou um brejo onde logo se criou muitos sapos, ao redor do seu barraco, plantou diversas árvores para fazer sombras sem esquecer que algumas ao seu tempo dariam frutas. Inspirado nelas formou no quintal um belo pomar com frutas de toda espécie e qualidades. Olha, ficou uma beleza de lugar, do jeito que sonhara há algum tempo, já andava imaginando que faria fortuna com a nova profissão dentro em breve. Mas por enquanto eram apenas sonhos, vamos esperar para mais tarde, quem sabe! Tendo em mãos tudo o que precisava para iniciar, retratou algumas paisagens, desenhou a sua casa e sua família, esposa e dois filhos, o lugar ao redor, pintou que ficou uma maravilha. Colocou a exposição dos passeantes na beirinha da estrada que logo perguntaram se ele fazia para vender, era isso que ele queria. Deu certo! Bateu palmas de contentamento. O primeiro freguês apareceu, foi o “Jegue da mata”. Dai para frente foi só sucesso. Tudo o que era bicho vinha na sua casa ver a novidade. Nem tinha tempo para comer, só atendendo a freguesia. Tudo transcorria as mil maravilhas. Num destes feriados prolongados, a bicharada acabou de tomar conhecimentos daquele trabalho que o Coelho fazia. Quase todos queria ser fotografados! O preço que o Coelho cobrava era razoável, todos poderiam pagar sem problemas, quem não tivesse dinheiro pagava com mercadorias, gêneros alimentícios. Até nisso ninguém se apertava. Tinha um monte de encomendas, por lá passou o Porco com a família, pediu para ser retratados, combinaram o dia de pagar. A Porca deitou-se e os leitõezinhos se ajeitaram para mamar, o Coelho riscou certinho e o Porco foi-se embora. Vai o Tatú, vem a Paca, a Cutia, o Cavalo, o Cachorro, o Gato até o Javali, cunhado do Porco, enfim todos os bichos. Naquela manhã de sábado, aparece lá um Sapo-boi, um baita bicho. Nada mais nada menos ele pesava uns 8 quilos. Foi fotografado também, marcou o dia de pegar a foto, coincidia com a data do Porco, da Rãzinha e outros. Chegando a data lá vem o anfíbio todo alegre, tinha dado um lustro nos chifres com um monte de sapos, todos curiosos para admirarem a foto do velho Sapo-boi, decerto pensavam: Deve ter saído muito bonita! Nós também vamos tirar. Tal não foi a surpresa e decepção que tiveram, saiu horrível, dava até tristeza de ver tamanha feiura, nossa Senhora que coisa! Ao apresentar a foto para o cliente o Coelho nem imaginava a reação do freguês ao ver seu trabalho tão dificultoso nos mínimos detalhes, saiu perfeito, nem o Coelho esperava uma coisa daquelas. Nossa! Mas o Sapo deu um pulo para trás! Esbravejou assim: É esse o teu trabalho? Isso é o que você faz! Cadê sua fama de fotógrafo? Porque me tratou dessa forma? Isso é deboche com a minha cara? Tá pensando que sou trouxa? Faz um serviço deste e ainda quer cobrar? Não aceito a foto! Pode ficar com ela! Não pago um centavo por este serviço mal feito! Não parece nem com minha sombra? O pobre Coelho tomou um susto que até a fala lhe fugiu. Pera aí mestre Sapo, disse o Coelho! A foto do senhor está perfeita! O senhor deve estar nervoso com outra coisa, meu trabalho é bem feito! Caprichei nos detalhes! Repare bem? O Sapo alterou de novo e foi aquele bate-boca sem fim. O Porco vinha chegando e ouviu aquele “Arranca-rabo”. A Rã e outros bichos pegaram suas fotos e ficaram satisfeitos com o trabalho do Coelho, admiravam, elogiavam mostrando uns para os outros. Pagavam contentes agradecendo ao Coelho. Aquilo para o Sapo-boi foi um insulto. O Porco pegou a foto da esposa com os leitõezinhos e ficou maravilhado. Pagou e já ia indo embora quando o Sapo-boi repetiu que o trabalho do Coelho era um serviço “porco”. Nossa! Aí o Porco pediu-lhe explicações!   Porque  é Porco ? Seu atrevido? Está me desrespeitando? Veja como fala?  A sua foto está perfeita, você achou-a feia? Deveria olhar antes num espelho e entender que você não tem beleza, és feio e quer que a foto fique bonita? Isso não tem cabimento! Pague o Coelho e deixe de arrumar encrenca! O Sapo inchou e veio na direção do Porco como se fosse pegá-lo pelo gogó, este não perguntou nada: Tirou o corpo fora e deu-lhe uma focinhada de baixo para cima naquele barrigão do Sapo que virou três cambalhotas no ar e caiu de ponta lá longe que até amassou um dos chifres.


 . Levantou sem graça, enquanto os presentes ao verem aquilo rolavam de tantas risadas. Bateu o pé: Não pago! Nisto foi chegando mais bichos e assistindo aquela discussão. Por fim o Sapo-boi, desapontado, fez uma proposta para o Coelho que reclamava ter gasto tempo e material com a foto e agora perder tudo? Tinha medo do Sapo com aqueles chifres pontiagudos, sorte dele que o Porco deu-lhe apoio e uma lição no Sapo que acalmou os nervos ligeirinho, então dissera ao amigo: Eu reconheço em parte que sou errado! Tratei, tenho que pagar! Mas a foto não me agrada, também tenho direitos, vou recorrer.  Vou pedir aos meus patrícios que aqui estão um parecer que seja justo! Muito embora me parece que, estão meio divididos. Eram uns cento e tantos sapos, de todos os tamanhos, uma saparia que dava até uma guerra. Afirmou, se eles votarem a seu favor, eu pago a foto e acabamos com a contenda. Se caso votarem ao meu favor, vou-me embora sem pagar nada, a foto fica para você. Concorda mestre Coelho? Sim, respondeu o fotógrafo! Então vamos lá: Pedindo atenção de todos os sapos ali presentes disse: Os que acharem que o Coelho tem razão, por favor, fiquem á minha esquerda, aqui deste lado, apontou com o dedo! Agora os que acharem que a razão está do meu lado, passem para este lado de cá, á minha direita! Serão dois grupos! Contaremos um por um de cada grupo, o grupo que contiver maior quantidade de elementos vencerá!  Foi uma mistura de tantos sapos, passa para lá e passa para cá! A bicharada que assistiu tudo, aprovou a ideia, bateram palmas. O Coelho contou de seu lado:  Deu 61. O Sapo contou do outro que eram seus: Deu 60. E agora? Empate técnico! O Coelho vibrou de alegria! Venci, gritava eufórico! Nada disso, disse o Sapo-boi! Está empatado meu caro! Quer ver? Chamou o dito cujo que gerou a diferença! Venha aqui? Era um Sapo já de avançada idade. Pois não, disse ele: Ás suas ordens! O Sapo-boi disse-lhe: O problema aqui está sendo você, terá que ir embora agora! Você é meu parente, mas eu sou seu superior, terá que me obedecer, não esqueça que sou chefe de todos vocês! Ouviu? O Sapo intimado passou a mão no queixo, pestanejou, pensou uns instantes e respondeu: O senhor está muito enganado, eu não vou á lugar nenhum, porque não estou recebendo ordens dessa natureza. Para isso serei juiz desta causa. Para julgar esta questão ou dirimir alguma dúvida, vão precisar de um Magistrado e eu sou formado em direito, entendo de leis, do jeito que o senhor pensar! Só dependo da aprovação da turma aí dos dois lados! Sou candidato único ao cargo de Juiz para esta questão. Aqui não tem nenhum mais que se habilite! A turma nem esperou nada, aclamaram-no! Aprovado! Aprovado!  Aprovado! Mais uma vez a cara do Sapo-boi cai por terra! Voltando ao assunto, e já de posse do cargo disse agora com autoridade: Vocês do lado direito me respondam: Apontou o dedo para o Sapo-boi que estava bem no meio dos dois grupos dizendo: E este “PAGA” a conta? Sua turma respondeu: NÃO PAGA! Virou para a turma do Coelho do lado esquerdo: E para este, ele “PAGA”? A turma disse: “PAGA”! Nossa! Disse o Juiz, está empatado ainda. Está suspensa a Audiência por hoje! Marcaremos outra, em data a ser definida, aguardem a notificação!  Até os dias de hoje perdura a questão! “PAGA” NÃO “PAGA”. Aquele Sapo-boi que gerou a discórdia com o Coelho, e o que se tornou Juiz, e toda saparia mais os bichos que assistiram, morreram todos de velhos, veio uma nova geração de todos, mas a questão continua do mesmo jeito! Ninguém mudou de lado. Continua sem solução a causa! Quando é noite que chove e logo estia, lá no brejo se ouve até ao amanhecer a turma dos dois lados Cantando assim: “PAGA ?”  “NÃO PAGA !”  /  “PAGA ?”  “NÃO PAGA !”  / “PAGA ?”  “NÃO PAGA !” Virou uma orquestra sinfônica!!!   kkkkkkkkkkkkkkkkk.



HISTÓRIAS QUE APRENDEMOS NO CURSO DA VIDA E CONTAMOS PARA DIVERTIREM.
DA CULTURA SERTANISTA ESTA É UMA HISTÓRIA DAS CENTENAS QUE EXISTEM.
“LUIZÃO-O-CHAVES” E SUAS IMAGINAÇÕES.......    
ANASTÁCIO MS 10/04/2014







domingo, 30 de março de 2014

NINGUÉM QUE CONTRARIA O DESTINO PODE SER FELIZ!




Ananias prestava o serviço militar, soldado aplicado, exemplar em disciplina e na obediência á seus superiores hierárquicos, desempenhando suas funções a contento, de muito aproveito nos estudos e aprendizado em tudo o que referia ao bem comum das forças armadas. Em pouco tempo alcançou prestígios e promoções, subindo de patente, foi para a Escola Militar, voltou como terceiro sargento das armas. Ele e seus pais não cabiam em si de contentes com o sucesso. Namorava uma moça muito bela e de boa família, moça de qualidades excepcionais, filha única. Pensava em um possível casamento com ela, mas por enquanto era só namoro firme, ela estudava pensando em um futuro risonho e promissor. De nome Maria Luiza. O que não era de duvidar que acontecesse, pois os bons filhos sempre são bem sucedidos em tudo o que fazem na vida e até bem aventurados. O namoro prosseguia as mil maravilhas, os pais da moça gostavam muito do Ananias que até então era um amor de pessoa, tinha liberdade na casa dela sem deixar faltar o respeito para com todos. Nos fins de semana passeavam quando ele não estava de serviços, se caso estivesse, ela nem saia, ficava em casa com os pais. Revia as lições da semana que passou, assim progredia muito nos estudos. Ajudava a mamãe nas lidas do lar nos domingos. Homem é sempre homem nunca se deve facilitar com eles, quando estavam a sós em casa dela, cobria-a de carinhos e afagos só que sempre pensava em outra coisa além do namoro, mas ela sempre lhe dizia: Não Ananias! Se a gente se casar, sim! Antes não! Ele sorria muito matreiro e concordava com ela. Sabia que ela tinha razão! O tempo passa e um dia ele conheceu uma mulher, numa fila de banco, ela logo demonstrou interesse por ele que não perdeu tempo em corteja-la ali mesmo, deu namoro porque hoje são as mulheres que dão em cima dos homens, ela era branca de olhos azuis, linda mesmo! Só que ela era meio maluca. Mas como beleza encobre defeitos, a amizade ia de vento em popa. Mirela seu nome, encontrou-a mais vezes e a coisa ficou séria, convidado por ela para conhecer sua mãe, porque era filha criada sem pai, ele aceitou de bom grado, foi aceito como seu novo namorado pela sua mãe. Nesta altura ele estava com duas namoradas, e agora? Escolher qual delas? Esta segunda já tinha lhe favorecido, agora a coisa estava complicando. A mãe dela sabia de tudo e que ele não era o primeiro homem na vida dela, tivera outros, mas mesmo assim apertou-o para que se casasse. Moço de futuro, a mãe muito interesseira deu-lhe um bote certo. Ele ficou desarmado além de inexperiente, não teve outra saída a não ser concordar! Mas que desculpa daria para Maria Luiza, em dar-lhe o fora? Assim sem mais nem menos, de repente e sem explicações fundadas! Mas arriscou, disse á Maria Luiza que não dava mais, a moça fitou-o com uma percepção aguda, e lhe disse: Confiei tanto em você Ananias? E tu vens com esta desculpa descabida, pensou bem para me dizer isto? No mínimo há outra por detrás de sua história, de certo te favoreceu. Nada tenho para te segurar! Vai em paz se é assim que quer, desejo que sua desistência não lhe traga decepções futuras! Seja feliz arrematou ela! Ele se foi, dentro de pouco tempo ele casou com a Mirela. Foram morar numa casinha pequena que ele havia comprado com intenção de casar com a Maria Luiza. Tudo bem, a lua-de-mel vai por ai afora, Mirela frequentava uma igreja, com a sua mãe, ele era Católico e não quis misturar as coisas, pelo menos por enquanto, depois decidiria pelo sim, ou pelo não, de tanta insistência das duas, um dia visitou a igreja da esposa, ficou imaginando coisas que não conseguira entender o porquê daquilo. Mas ficou quieto. Ela não cabia em si de tão feliz com o casamento que realizara, era tudo o que queria da vida. Isso já durava dois anos, quando um dia o Pastor de sua igreja inquiriu dos fiéis que aumentassem os dízimos. Mas de uma maneira aviltante no entender do Ananias, dizia que para ser bem fiel teria que despojar de seus bens de raiz para provar o desprendimento das coisas materiais, ele achou aquilo um absurdo! Vender o que tem para doar para a igreja? Nunca vi isso! Minha casa é o que tenho além dos meus proventos mensais. Morar aonde depois? Parecia adivinhar, Mirela e sua mãe tinham um gênio, terrível, eram pessoas de natureza ruim, sem amor, sem afeto e sem consideração.  Ela disse: Vamos morar com minha mãe! Ele não concordou, acabo com o que possuo, para depois ir morar de favor? Nunca! Sou um homem de juízo na cabeça! Deus não quer isto dos seus filhos! Filho de Deus não mendiga o que é dos outros? Isso é fanatismo ou maldade de um lado e tolices do outro! Tirando o que é dos outros? Ela se enfureceu com a tese dele, que ficou quieto! Ela esbravejou de todo jeito que sabia, pois era de uma educação de baixo nível, muito estúpida e grosseira mesmo, naquela noite foram dormir, mas, separados, ela não o aceitou na cama, ele foi para o sofá, levantou cedo foi para o Quartel, estava de serviços, só retornou no dia seguinte, Lá estava ela emburrada! Nem as horas ela respondeu para ele! Arrumou e saiu, nem satisfação lhe deu. Mais tarde ele pensou, deve estar na casa da mãe! Foi até lá, chegou alegre e perguntou dela, está ai, disse a sogra. O que aconteceu com vocês dois? Ele explicou, mas a sogra saiu a favor da filha, complicando ainda mais a situação deles. Ele pensou um pouco e disse: Assim não dá, sogra! Essa igreja não é de Deus! Se fosse, ensinaria a amar o próximo, não querer só dinheiro! Nossa, pra que dissera isto, a sogra chamou a filha e foi aquele bate-boca sem fim, um escândalo. Ele bateu o pé firme, não vou vender a casa por nada! Não vou jogar fora o que comprei com sacrifício para a gente morar, nem dar de mãos beijadas a quem não sabe o que é sacrifício para adquirir as coisas que a gente precisa. Corja de folgados! Mentirosos, vivem iludindo os incautos, usurpando os coitados na sua boa fé. Porque sua mãe não vende a dela e doe para sua igreja? Fique como quiser, não ponho meus pés lá nunca mais. Não sou obrigado! Fique você! Vamos embora para nossa casa que é melhor! Não vou, respondeu ela! Quero ver me obrigar! Fique com sua casa eu fico com minha igreja! Assim não dá querida, deixe disso! Vamos em paz, é melhor! Quer saber de uma coisa, disse ela: Vamos nos separar, quero ver se não vende a casa agora! Quero minha parte dos bens!  Viverei muito bem sozinha, aliás, eu já vivia, não preciso de você! Nem sei porque fui casar contigo! Volto a morar com minha mãe. Armou este truque pensando que ele iria se render aos seus caprichos. Mas não deu certo. Ele se foi triste, pensativo naquele desarranjo da família, mas concordou! Foram para a justiça! Parecia capricho do destino, desenrolou rápido o processo, o divórcio saiu logo em menos de três meses, ela recebeu o que de direito lhe cabia, ele com a sua parte foi para a casa dos pais, ela fez o que prometera, para a casa de sua mãe! Tudo acabado! Acabou-se a felicidade que parecia durar uma eternidade! Ele sentia muito a falta dela, mas não se entregou ao desânimo, continuou firme! Pensava consigo só, isto é um fanatismo religioso dos piores que já vi! Destruir um casamento? Não é coisa de Deus! Duvido que Deus esteja num lugar desses. Excomungam Nossa Senhora e ainda querem o que é dos outros. Tinha ouvido falar que existia uma igreja do Diabo, pensou, deve ser essa! Procurou esquecer daquilo. O tempo vai passando, um dia desses estava sentado num banco da pracinha, numa tarde de sua folga de serviços, quando lá pelas cinco horas, viu quem vinha passando pelo meio da praça; Maria Luiza, meu Deus! Exclamara ele, sem crer no que via! Era ela, em carne e osso. Vendo-o de longe se aproximou dele. Olá Ananias? Ela dissera, tão alegre como sempre! Olá Maria Luiza? Responde ele! Como vai rapaz? Tudo bem contigo? Nossa! Quanto tempo a gente não se via? Pois é, diz ele! Mas os vivos sempre se encontram não é? Sim! Sente-se um pouco Maria Luiza, convidou ele! Não Ananias, eu já vou porque a mamãe sabe a hora que chego! Não posso demorar, mas hora dessas apareça em casa? A gente toma um café com bolinhos, meus pais até hoje sentem sua falta, matarão saudades sem dúvida! Será bem recebido, como sempre! Te espero, combinado? Tchau! Ela se foi e ele ficou olhando-a por trás, tentando acordar algo que dormia naquele espirito tão bondoso! Pensou por muito tempo, e achou o fio da meada: “Decepções futuras” aquilo martelou sua mente. No passado era o futuro que hoje é presente. Balançou a cabeça e tudo clareou como um facho de luz que o iluminara nele naquela hora, dissipando todas as trevas, estava presente a lei da Compensação, do Carma, e em ação! Sentiu vontade de chorar, mas conteve. Levantou e saiu, no domingo próximo estava de folga. Vou almoçar com Maria Luiza, decidido sentiu uma felicidade tão grande que parecia ter saído debaixo de uma grande pedra que lhe comprimia o corpo. No domingo de manhã, lá estava ele, os pais dela agradeceram a visita dele e pediram que ficasse para o almoço, era isso que ele queria. Parecia estar no céu! Já havia dois anos que estivera lá perguntaram sobre o que tinha passado durante este tempo todo, contou tudo sem acanhar. Os pais dela disseram: Meu filho, quando a cabeça falha é o corpo quem padece! Nada melhor que um dia após o outro com uma noite de intervalo! Dias felizes virão! Ananias acabou de entender o que faltava! Passou o domingo, tudo voltou ao seu devido lugar, a sua mente parecia ter despertado de um longo sono de pesadelos! Voltou mais vezes lá na casa dela! Um dia ele perguntou: Você não tem namorado? Não, disse ela! Este ano me formo em Medicina, estudei este tempo todo, deixei para pensar em namoro depois de formada! Depois de você não tive interesse por nenhum outro moço! Sou feliz assim! Porque pergunta? Inquiriu ela! Por nada responde ele! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Caiu na risada da resposta dele! Ora nada! Alguma coisa dói em você? Pergunta ela! Sim, disse ele! Não me dói, me corrói! Posso saber? Disse ela fingindo-se de boba! Pode sim disse ele, arrependo de tê-la abandonado! Ainda amo você! Verdade? Sorriu ela! Pura verdade assentiu com a cabeça! É por isso que você está aqui? Sim, só vou sair daqui hoje com o “Sim” do que vou te pedir! Quero que volte para mim! Quero me casar com você! Arrependi do que fiz no passado contigo, não merecia a ingratidão que te fiz! Esqueça o passado corrigiu ela. Se você quiser esperar até me formar? Te dou o “Sim” que você quer! Ananias não se conteve, tomo-a nos braços, beijando-a apaixonadamente! Ela não resistiu, desceu lágrimas dos olhos. Lágrimas de um amor que não morreu, dormiu por dois anos e pouco! Pegou no queixo dele, olhou firme nos seus olhos e disse: Não me deixe mais, viu? Sofri muito! Só nunca perdi a esperança! Só penso numa coisa agora! O que é? Pergunta ele! A alegria dos meus pais em saber disto! Vai ter com eles agora!  Vocês três que se acertem por lá! Se eles disserem: Não? Ficarei solteira a vida toda, mas nunca desobedecerei eles. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Só para ver o susto que ele tomaria. Ele enrubesceu da surpresa, se bem que esperada. Domingo que vem estarei de serviços, mas virei no sábado á noite falar com eles! Ele veio, combinaram, acertaram, em seguida noivaram, e até a data do casamento ficou marcada. Tudo realizado conforme planejado, felizes a não se conterem, férias de ambos, para a lua-de-mel ser mais agradável! Quando voltaram, olhem a surpresa que lhe aguardava! Nem Imaginam! Mirela lhe perturbando com telefonemas dizendo-se arrependida e pedindo reconciliação! Coisas de mulher doida, duas malucas por falta de uma! Ananias respondeu! Estou casado e feliz, não me importune, por favor! Cuide de sua vida, porque estou cuidando da minha! Na sua vida eu estive! Muito obrigado! Mirela pode ver e sentir, que tinha tudo nas mãos, mas jogou fora por um fanatismo religioso infundado e falta de juízo! Hoje a sua mãe está enferma, com reumatismo e coluna torta, presa numa cadeira de rodas! E agora? Vive só reclamando da vida para os amigos, murmurando, desiludida, e falando mal dos homens. Acha que nenhum presta! Deveria olhar num espelho e deixar os homens em paz! Eles também merecem ser felizes! Fora ele quem Deus criou primeiro!


MORAL: VALE A PENA SER MOÇA DE HONRADEZ, DE CARÁTER E OBEDECER AOS PAIS!
CONTO BASEADO EM UM FATO VERIDICO.
LUIZÃO-O-CHAVES... ANASTÁCIO MS  23/03/2014



segunda-feira, 3 de março de 2014

MARAVILHAS DA NATUREZA- 05- O LAGARTO TEIÚ.


             O lagarto teiú é um dos bichos silvestres e réptil que desperta a curiosidade das pessoas de um modo geral, em especial daquelas que não o conhecem, dos sáurios conhecidos é o que mais apronta das suas, alegre, descontraído, divertido, malandro, valente que só ele sabe ser quando precisa, é habilidoso, corajoso e cuidadoso com tudo. É encontrado em quase todo o território brasileiro, sendo mais comum em regiões quentes, seu habitat e diversificado, vive nos serrados, caatingas, matas, capoeirões, eixos de serras e pedreiras, anda durante o dia em especial nos dias quentes do mês de Agosto, a terra quente de dar medo, ele com toda a comodidade arrasta a barriga no chão com a areia escaldante, Tem até 1.40 m de comprimento, e chega a pesar até 5 kl. Por ser terrestre, não é por isso que ele não sabe nadar, o faz muito bem e com muita rapidez quando é preciso defender a vida na fuga que empreende, só que trepa muito pouco , só em casos extremos, gosta de morar em buracos no chão por ele mesmo cavado, ou em locas de pedras, ôco de pau deitado ou cupins. Em épocas de estações cujos meses são frios, ele hiberna no seio da terra por ser quentinho, lá fica até passar o inverno, de lá não sai para nada, salvo se acontecer de algum dia a temperatura subir, ele da uma escapada para comer e beber alguma coisa, mas volta para o barraco, se a fome apertar come o próprio rabo, quando o inverno acabar lá por Julho em diante aí sim, sai de vez, com o rabo pitoco, mas cresce de novo. É onívoro e tem a língua bifurcada, come frutas pequenas, como jenipapo, goiabas, araçás, ratos, rãs, sapos vermes, minhocas, baratas e outros insetos como: grilos, borboletas e gafanhotos, ás vezes ele trepa em arbustos para pegá-los, quando é aquerenciado em roças, capões de mato perto de casas, come restos de comida, pintinhos, franguinhos já grandes, não perdoa uma ninhada de ovos, atropela a galinha para levantar se estiver pondo ovos ou chocando, precisa almoçar ou merendar, em última instância come até carniças se achar fácil. Atropela cobras desde que não sejam Jiboias, pois estas o pegam sem piedade. Gatos do mato, jaguatiricas e até onças também o pegam, as aves de rapina, como gaviões, corujões, águias, acauãs, gaviões real também o perseguem, e muito bom corredor, ergue o rabo e sai numa desabalada carreira que até onde a gente ouvir o tropel, principalmente em matas ou serrados nas folhas secas, não para por nada. Se resolver acuar num canto que suas costas fiquem protegida, os cães ou um que seja, ele os enfrenta com muita valentia. Usa o rabo como um chicote, sabe dar cambalhotas, e nelas o seu rabo chega sibilar no ar, atingindo o cão ou outro agressor. Se precisar uma luta corpo-a-corpo sabe morder também. É surdo por completo. Mas em compensação enxerga mais que outros animais.  Tem uma pele muito bonita, quando trabalhada dá bolsas, cintos, carteiras e adornos diversos. O teiú é muito apreciado como prato de primeira para muitas pessoas, tem uma carne muito parecida com a do frango novo, há fatos conhecidos que uma família de italianos, que apreciavam tanto o teiú que, trocavam um frango, por um Teiú! Diziam: Escolha no meu terreiro o frango que você quiser, por um Teiú! Pode trazê-lo vivo ou morto! Kkkkkkkkk! A fêmea do Teiú põe ovos em números de até 36, geralmente  em buracos de cupinzeiros ou mesmo em buracos no chão, entre 60 e 90 dias saem os filhotinhos. O lagarto vive muito tempo, há informações que até 14 ou mais anos. Uma particular observação e curiosidade que me impressionou, foi uma briga entre o Teiú e uma cobra jararacuçu, de tamanho médio, ele a encontrou, de imediato insultou-a, a cobra ficou logo irritada com a presença dele, que malandro aproximou dela, como se fosse cumprimentá-la, mas foi para dar-lhe uma chicotada como rabo. Tirando a paciência dela que enrodilhou logo, pondo a cabeça por cima da rodilha, levantando o pescoço de um palmo, mais ou menos, com a cabeça no ar, dando língua, era fácil de dar-lhe um bote certeiro, mas ele não é bobo, afastou-se do perigo! Olhando ao redor juntou algumas folhas secas com as mãos e veio trazendo para perto da cobra, de modo que ela estava atenta aos movimentos dele, não aproximou muito, mas deixou-as ali, foi buscar mais, chegando mais perto do que antes, a víbora dava-lhe língua, ele nem se importava. Fez isto umas três vezes, ficando por trás do monte de folhas com cuidado, ela levantando mais a cabeça, era isto que ele queria; numa rapidez incrível com as mãos e o corpo em forma de arco lançou na cara da cobra aquele monte de folhas, ela deu um bote nas folhas, ele muito do sabido entrou por baixo das folhas e deu uma bocada segura no pescoço dela e ficou seguro sem soltar por nada, foi aquele reboliço no chão, embolados numa luta sem tréguas. Ela se enrolou nele, que por sua vez cravou-lhe as unhas sem dó nem piedade. Enquanto ela não se entregou já sem folego, sufocada ele não largou. Depois de vê-la morta, saiu e foi-se embora! Raro são os casos que ele come-a. Quando a sorte não lhe é favorável, e acontece dela picá-lo enquanto arrasta as folhas secas, ele de imediato sai a procura do antídoto, um reforço para o seu anticorpo anular o efeito da peçonha, que é uma planta de nome: Erva-de-lagarto! É uma planta que tem as folhas muito parecidas com arnica, nas cores  verde e branca  mas rajadas igual o próprio lagarto. Ele a conhece pelo cheiro, então cava as raízes dela que é uma batatinha cheia d’agua, arranca-a e come, dali alguns instantes sai a procura da cobra, agora com muito mais cuidado, se ela ainda estiver no mesmo lugar recomeça tudo de novo, até vencê-la, caso não encontre onde encrencaram, procura até encontrá-la! Desta vez não escapa! Deixei para lhes mostrar como ele sabe colher mel de abelhas, quem diria! Mas é verdade mesmo, não é em todas as abelhas que ele faz isso, se o caseiro da abelha é num oco de pau, rente ao solo, ele rodeia até achar uma parte do tronco que em muitos casos é podre em um dos lados, dali deu a origem da colmeia, ele cava o chão entrando por ali e come os favos, numa boa, jataí, borá, Mandaguari, sete-portas e outros que são mansos. Existe aqui neste estado um tipo de marimbondo de nome: Arixiguana, em outros estados leva o nome de: Caçulunga, bem! É um marimbondo que ferroa doído pra chuchu! Vejam a técnica que ele aplica para saborear o mel destes marimbondos ferozes, sonda ver se os tais estão em paz, não assanhados! Ele vem correndo na direção da cachopa que está uns dez centímetros acima entre galhos de uma planta chamada lixeira do solo, vira cambalhota e com o rabo dá uma lapada nela, que corta fundo, sai correndo com o rabo erguido para não sujá-lo, pois está todo lambuzado de mel, lá longe ele para, já fora do alcance dos marimbondos que ficaram bravos, pacientemente lambe o rabo até ficar limpinho, dá um tempo até que os donos da casa se acomodem. Lá vem ele de novo, bem devagarinho para nunca ser ferroado! Procede assim até se fartar, depois cai fora dali, se os bichos quiserem refazer os estragos da casa, que o façam! Se desertarem dela, amanhã ele volta e come mais a vontade, vai repetindo até acabar a festa!
CURIOSIDADES DA MÃE NATUREZA.
CONHECIMENTOS, CONVIVÊNCIA, IMAGINAÇÕES E CRIAÇÃO DESTA OBRA POR:

LUIZÃO-O-CHAVES     ANASTÁCIO, MS 20/02/2014 

MARAVILHAS DA NATUREZA -04 O CATETO OU CAITITÚ



Falaremos hoje de uma espécie de animal selvagem cujo nome é caititu ou cateto, muito comum em vários estados do Brasil, muito especial nos pantanais sul mato-grossenses. É um animal terrestre, onívoro, mamífero, quadrúpede, vertebrado, da raça suína, mas selvagem! Não é muito grande não! Até um metro de comprimento, chega a pesar 30 quilos. É de fácil convívio em cativeiro, pegam mamadeira e crescem junto com cães e se dão muito bem, para onde um ir, o outro vai também, se outro cão estranhar o seu companheiro, está armada a maior das confusões, sai na defesa de seu amigo, é muito valente! Suas presas incisivas parecem quatro facas, cortam qualquer outro animal com uma rapidez incrível, pode o seu amigo estar envolvido na briga com o outro, ele corta só o adversário, discerne-o pelo faro.  Anda aos bandos de pequena quantidade, de seis á quinze companheiros, gostam muito dos capões altos e secos, serrados, chapadas ás vezes furnas ou eixos de serras.  O seu pelo é de cor preto-cinzento, com um colar esbranquiçado na entrada dos peitos, pelo ralo, longo e grosso, as vezes tem o queixo branco, quando percebe qualquer coisa diferente, arrepia-se todo o dorso, focinho longo muito parecido com o seu parente, o queixada, não é bravo como o referido, é muito corredor quando perseguido pelos caçadores ou até mesmo os predadores, silencioso, vezes por outras dá um “rum” para saber onde estão os companheiros, pois os outros respondem do mesmo jeito, apesar de saber que se norteiam pelo faro entre si, não são encrenqueiros, nem sempre brigam entre si, nem mesmo quando as fêmeas estão no cio, elas copulam com mais de um macho, e aquele que vier é aceito, até 186 dias de gestação, nascem dois filhotes, se a mãe morrer por qualquer causa, a outra fêmea cuida da sua cria, adotando-os, e com 8 meses as leitoas estão já adultas e os leitões só com 1 ano é ficam adultos, se alimentam de frutas do mato, cocos de bacuri, bocaiuva, licurís, ou pindós, buritis, raízes diversas, come rãs, corós de coqueiros e pau podres, ratos, e insetos como besouros, cigarras e minhocas, o líder do bando é sempre o mais velho do grupo,  quando sentem algo diferente como por exemplo, na presença de uma roça, o cheiro de milho verde, abóbora, feijão maduro, mandioca, batatas, rapidinho vem fazer uma visita, depois que saciaram a fome vão em busca de agua, seja num córrego, rios ou poças d’agua no meio do mato, grotas, regatos de serras, e logo se deitam onde estiver fresquinho para descansar, não se afastando muito da roça, nem por muito tempo. Logo voltarão. Se o bando contiver ao menos uns sete ou mais farão um estrago enorme nas roças. Fuçam tudo o que acharem que deve, não desperdiçam nada comem mesmo com gosto. Se não forem notados por ninguém, comerão tudo o que tiver no seu alcance. A roça ficará reduzida a nada! Agora se for caçados pelo homem da roça, esparramam-se todos, cada um que defenda sua vida como puder. Corre muito, chega a desenvolver uma velocidade de até 50 km por hora, na arrancada que der. Se for pego algum, parece que os outros nem dão por fé, passado o susto voltam de novo, enquanto na roça tiver o que comer, jamais abandona o intento de ficarem nas mediações, que problema tem em ficar onde há fartura. Se não puderem vir de dia ficam na espreita e virão á noite sem falta quando dá um chuvisqueiro de dia, então sai a qualquer hora, andam o dia inteiro sem descanso. O roceiro matará o derradeiro que tiver no bando. Neste aspecto são bobocas mesmo. Á noite escolhem um lugar bem ventilado para dormirem, um lugar alto, se houver coqueirais na beira do rio ou córregos, está tudo certo, deitam um ao lado do outro, com as cabeças opostas, de modo que um vigia a traseira do outro, em épocas de muito frio chegam até fazer pilhas, um por sobre os outros, chegam ate gemerem de peso, semelhantes os porcos comuns no mangueirão, então uns vigiando os outros por detrás, terão mais facilidades de defesa contra os predadores, um deles é mais encarniçado, a onça parda. De carne muito boa, salvo quando comem um tipo de erva que os contamina, aí ninguém consegue comer sua carne, o humano que teimar em comer assim mesmo, estará sujeito a uma alergia que dá o que fazer para ser curado, ficam com um almíscar de ervas que ninguém suporta comer. É o seu antídoto contra pestes e doenças que no seu habitat existe. Passado o efeito que dura uns três dias ou mais, depende do tanto que ingeriram logo está bom de novo! Visitam também os barreiros onde há salinização natural na terra, aumentando assim o seu anticorpo. É um porco que não dá gordura, é quase só carne mesmo. É uma pena ser mais um dos animais em extinção, principalmente em arredores de aldeias, com as leis de preservação ambientais, em vigor, além da vigilância de nossas autoridades em circulação por todas as fazendas sítios e chácaras em todas as regiões do estado, a quantidade que tem é muito pequena! Há fazendeiros que fazem muito por eles, não deixa ninguém caçá-los e ainda dá-lhes de comer no meio de suas criações nas pastagens.
CURIOSIDADES DA NATUREZA:  CONHECIMENTOS, CONVIVÊNCIA  E CRIAÇÃO DA HISTÓRIA DE:  LUIZÃO-O-CHAVES. 18/02/2014   ANASTÁCIO MS .   

   
                           



MARAVILHAS DA NATUREZA -03 - O QUATI MUNDÉU



Um animal de pequeno porte, silvestre, terrestre, mamífero, onívoro, vertebrado, muito conhecido por todos os caçadores e não caçadores. Sua cor é cinzento-amarelado, ás vezes, mais para o preto com a barriga mais clara, tem muitos anéis pretos no rabo, que destacam bem pela cor amarelada de fundo, o seu tamanho até um metro e trinta do focinho até na ponta do rabo, pesa em torno de onze quilos. A fêmea tem uma gestação de dez semanas e dá até sete filhotes, que só abrem os olhos depois de oito dias, o seu ninho para criar é feito bem no alto das árvores, numa zamboeira de cipós, quando está para parir se isola do grupo, os filhotes só saem do ninho depois de uns 30 dias. Só ficam adultos depois de um ano e cinco meses, só vai reproduzir quando tiver dois anos. Para trepar em árvores é ligeiro igual macaco, suas unhas são como garradeiras, usa o rabo para auxiliar quando vai descer, por medida de segurança. Geralmente mora em oco de pau, ou toca subterrânea. É mais diurno, mas vezes por outra sai á noite, sempre sozinho.  De fácil adaptação entre nós os humanos devido as suas características de ser muito dócil e safado para ficar observando qualquer movimento de gente e de outros animais no meio em que vive. Se torna feroz quando acuado por cães. Tem a natureza muito parecida com o nosso cão, na pelagem nos gestos e no modo de olhar para a gente quando o encontramos no seu habitat. Não se sente incomodado com a presença nossa, ao contrário de outros selvagens.  Costuma andar na mata ou cerrado, em grupos de dez ou quinze elementos onde procuram o que comer em beira de córregos, comendo insetos, rãs, corós de pau podres, besouros diversos, fuça o chão de leve, pois tem o focinho mole e delicado, tem um faro muito bom. Há casos que para ganhar a vida não estando fácil, achando sapos sem se importar com o tamanho dele, pega dos queixos rasga a boca dele com as mãos, igual gente quando rasga um pedaço de tecido, e come o que tiver por dentro, a buchada do anfíbio. Ás vezes anda em pequenos grupos também, de dois ou três, dormem bem no alto na copa das arvores, só descem quando o dia está bem claro, com a luz do sol lá pelas quase oito horas, por causa dos seus predadores, onças, águias, jaguatiricas, cães do mato em bando, vendo que não há perigos, nem ninguém lhe tocaiando, se perseguido corre com muita lentidão, aí então sobe muito ligeiro, e fica lá no alto das copas das árvores, se acomoda bem e espia lá de cima o seu agressor desapontado, se for cães, não desce por nada. Quando resolve descer, põe as mãos no focinho e pula lá de cima de ponta cabeça, bate com a nuca no chão, levanta e sai correndo é quando o cão lhe ataca, morde na garganta degolando-o, isso porque dá uma cambalhota na frente do cão que, sem saber suas intenções, avança passando por cima, e ele por baixo crava os dentes na barriga ou pescoço do cão, irrequieto, não fica sossegado um só instante, parece que sofre de coceira, mas tem mesmo uma coceira daquela parecida com rabujas de cães. Toca viola sentado com as patas traseiras. De fácil convívio em cativeiro, desde que nada lhe falte. Adapta facilmente com nossos alimentos, come de tudo que der. Sentado no chão como o cão, coça com o mesmo jeito, lambe-se todo da mesma maneira, enfim, é o mesmo que você estiver vendo um cão cuja diferença é só na cor e no rabo. Se pego ainda pequenino e criado na mamadeira fica tão manso que a gente põe no colo ele fica muito tranquilo, despreocupado da vida. Só é muito indecente pela sujeira que faz, faz em qualquer lugar, se lambuza sendo em piso ou calçadas, pisa por cima do excremento ou suja o rabo. Amestrado com uma facilidade impressionante, se adapta, faz amizade com gatos, macacos e cães que a gente nem imagina como todos se dão bem, principalmente se criados junto desde pequeninos. A maior curiosidade que já pude ver do quati-mundéu, é um que fora criado desde pequeno com um cãozinho de nome “Chibante”, dormiam juntos, passeavam juntos, sim o passeio e muito bom, pois o quati monta a cavalo no cão, abraça por baixo do pescoço deste, laçando o seu rabo por baixo da cauda do amigo para maior segurança, bem acomodado vão longe, aonde o cão for, estarão juntos, só apeia quando chegarem em casa. Se no passeio algum outro cão estranhar o seu amigo, está armada a maior confusão, salta de cima do companheiro e compra a briga. É valente mesmo, corta o adversário sem dó, pois seus incisivos são como faca, até matar se o inimigo não fugir, terminada a contenda monta de novo e vamos embora. Raro são os cães que sabem matá-lo. Com o “Chibante” sempre comiam juntos com uma pequena diferença, todos nós sabemos que o cão é guloso na hora da refeição, não admite que outro animal seja seu convidado. Gosta e faz questão de saborear tudo sozinho sem dividir nada com ninguém. Rosna, e faz a maior baderna com quem quer que seja, é como quem diz: Aqui é só meu, dê o fora daqui seu intruso! Rrrrrrrrrrrrrrr! Neste caso o quati respeita o amigo!
MARAVILHAS DA NATUREZA: CONVIVÊNCIA, IMAGINAÇÕES E CONHECIMENTOS NA

CRIAÇÃO DESTA OBRA POR: LUIZÃO-O-CHAVES   ANASTÁCIO, 21/02/2014  

sábado, 15 de fevereiro de 2014

MARAVILHAS DA MÃE NATUREZA -02- A ANTA


A anta ou tapir como é conhecida neste país, em especial nas matas ou selvas brasileiras, muito comum nos pantanais deste estado (MS) e na maior parte do território brasileiro. É um animal conhecido por muitos como o “Jegue da mata” por ter características de burrinho novo, ou filhote do Jumento. É um animal de um porte elegante, o maior mamífero da América do Sul, cuja altura é de um metro e vinte de altura, de comprimento mede de 1.70 m. Animal rechonchudo chega a pesar até 400 quilos, dá mais carne do que uma vaca. No caso das fêmeas a gestação é de um ano assim como a jumenta ou égua prenhe de Jumento. O órgão reprodutor do macho é semelhante ao do Jegue, com poucas alterações. É desprovida da cauda, não é como burro, pois este a tem e é muito bem arrumada, possui uma tromba flexível de uns 20 centímetros e grossa com os orifícios do focinho e que usa como o cavalo usa o beiço superior para campear capins e arbustos para comer, pois é herbívoro. É o tipo do animal que anda sempre sozinho, é solitário. Tem orelhas e olhos pequenos. Crina em cima no pescoço como cavalo. Três unhas em cada pata, as traseiras, nas patas dianteiras são quatro, assim como cascos do cavalo, pertence a raça paquiderme, um couro tão grosso que nada é capaz de arranhá-lo por  mais que seja qualquer coisa pontiaguda. Alimenta-se de frutas silvestres, pitomba, jenipapo, pateira, figueira, mangaba, faveiro, araçás, goiaba do mato, pitangas e tarumãs, quando visita as roças, gosta de mandioca, milho e feijão rasteiro enquanto verdinhos, caso é tempo de secas, come até milho seco na roça, capins de toda espécie nativas, frequenta cochos das invernadas de gado para saborear o sal comum, além de ir constantemente á barreiros para salinização do seu anticorpo, onde não existe as invernadas, e nem criações de animais domésticos. Existe uma afirmação de alguns biólogos que talvez por não conhecerem os hábitos alimentares dos animais silvestres, dizem que eles comem o barro salgado nas barrancas dos rios, córregos ou grotas onde tem agua empoçada, para servirem de antídotos ou contra veneno quando os animais comem plantas, raízes, frutos venenosos ou folhas tóxicas que uma vez ingeridos podem matar o animal. Mas é um equívoco dos maiores que conheço! Para esclarecer bem o assunto, animal silvestre nenhum come plantas venenosas, ou até alguma coisa, a não ser que o humano coloque em algum alimento para matá-los! A natureza é caprichosa, soube dotar cada animal de sua defesa própria! Eles conhecem de sobra, todas as plantas, ervas, raízes, frutas silvestres e todo a sorte de gramíneas, capins de qualquer espécie que venha a ser venenosa! Pelo cheiro da planta, ou pelo faro, até pela sensibilidade daquilo que vão comer. Os animais são sábios, não é como nós os humanos que vai comendo tudo o que acha pela frente. Anda geralmente á noite, mas é diurna também, principalmente em dias chuvosos, ou que o tempo esteja fresquinho, anda quase o dia inteiro, ás vezes dá uma parada lá pelo meio dia para tirar uma sesta, atravessa cursos d’agua com muita facilidade, pois nada muito bem! Se caçada e perseguida por cães se refugia nos corixos, lagoas ou açudes até mesmo em rios. Ficam acuadas nestes lugares para se defenderem dos algozes. Carne muito boa, mais nutritiva que a do gado bovino ou qualquer outra espécie. Não perde em nada em termos de inteligência para o seu parente mais próximo, o burro. Tem uma vantagem superior a outros animais silvestres. O faro! É aguçadíssimo, no seu habitat detecta outro animal com facilidade pelo cheiro, conhece a todos e sabe quem são os seus inimigos e predadores não importa a distância que estejam, basta que os ventos lhe favoreça. Isso além de estar com todos os sentidos em alerta, pronta para assumir a defesa, livrando-se dos seus perseguidores, uma curiosidade muito peculiar dos animais silvestres, eles vivem em perfeita união e companheirismo, qualquer ave do céu ou qualquer um rasteiro deles que pressentirem um perigo, na sua linguagem logo dá um rincho, trilado, um eco ou outro sinal e todos entendem, todo o mundo animal que estiver andando ou se movimentando do seu jeito, só não voando no caso das aves, ficam imóveis em profundo silêncio, atentos para verem ou perceberem o que será que está acontecendo de anormal ou errado. Passado o perigo, quem deu o aviso, ficou no compromisso de repeti-lo caso o perigo persiste, ou sinalizar que o mesmo já passou e tudo volta ao normal  e a vida prossegue, cada um na sua atividade. No caso da Anta, que é um animal ágil, apesar do seu peso e dificuldade para olhar dos lados, virando a cabeça o que nunca acontece, pois o seu pescoço é como se fora sem vértebras que dariam mobilidades para os lados, é muito sábia numa situação dessas. Sabe perfeitamente de que lado está o perigo, conhece os ventos, para que lado está tangendo, ou se está parado, e para que lado deverá fugir. Ela não tem meios de voltar-se para a direita ou á esquerda com rapidez, igual os demais, ela se assemelha ao porco, que se olharmos bem, não tem pescoço além de ser duro o que lhe resta! Apenas móvel para cima e para baixo! Se sair correndo e á sua frente for aparecendo obstáculos ela desvia deles a distância, jogando a sua dianteira para o lado que deseja ir, ou a traseira para o lado oposto. Conhece a mata onde vive como nenhum outro, só pisa em terra firme, nunca passa por lugares onde a terra é oca, ou em carreiros com descida perigosa, atoleiros, olho de boi, ou tremedais nem lugares que não possa sair ilesa. Quando um felino lhe ataca, estando sobre o seu lombo tentando derrubá-la, pois é dotada de muita força, é capaz de correr carregando uma onça em suas costas, aí ela usa a sua técnica que está preparada há muito tempo, em vários pontos da mata e no seu carreiro sempre há um tronco caído e arcado, que ela passa por baixo dele roçando o lombo, ali sim! Ali está a surpresa para o felino, estando em apuros? Vem na mais desabalada carreira se enfiando por tudo o que é garrancheira ou emaranhado de tudo o que é espinhos e passa por baixo dele, pronto! O felino não esperando por isso bate com a testa no tronco, e já fica no chão com uma dor de cabeça daquelas que nunca esperava ter! Se encontrar uma cerca de arame farpado é melhor ainda, passa entre dois fios do aramado com uma facilidade incrível, desta vez o felino passará fome. Enquanto isso ela sai ilesa, e pernas para que eu te quero!  Ao descer da serra vindo da chapada quando é noite, tem já o seu carreiro habitual, lugar que urina sempre só ali, é como se fosse uma divisa de território que o macho predomina as suas fêmeas, o outro que demarque sua área em outro lugar. Há uma curiosidade neste animal, que poucas são as pessoas que sabem. Nas noites de luar, anda a noite inteirinha, só vai para a moita onde dorme, ao amanhecer, se o caçador quiser capturá-la com facilidade, é simples, solta os cães em sua perseguição na fase da lua cheia, porque ela corre pouco e cansa logo, devido o aumento dos seus órgãos internos, o fígado por exemplo. Em épocas de secas, nos meses de Julho e Agosto, ela sente a diminuição dos seus alimentos, poucas frutas, arbustos e pastagens estão secando devido a estiagem, tem que andar muito em busca do que comer, que quase não tem, ás vezes passa fome de um dia para outro, e nisto emagrecem, até as aguas diminuem nos córregos da serra, lagoas as poças d’agua na mata. Se na região tiver rios não há problemas. Vulgarmente a anta é um animal que de acordo com a cultura popular, serve de deboches por ser um exemplo de estupidez, bruta e grosseira, nela não há delicadeza, nem ao andar, só acontece isto quando ela vai sair na “Espera” dos caçadores, mas antes porem fica imóvel num lugar só, em sentido de alerta, buscando através do seu faro se sente algum cheiro esquisito, de gente ou de algum predador que está lhe espreitando. Se detecta, ou pressente qualquer coisa, saí dali, sem que nada, mas ninguém mesmo perceba a sua retirada, é um caso impressionante pelo tamanho dela, sair sem ao menos tocar numa folha de qualquer arbusto que faça barulho. Caso contrário ela vai levando tudo o que acha pela frente no peito, seja emaranhados de cipós, espinhos de qualquer espécie, zambueira ou tabocais sem se importar com tamanhos de espinhos, troncos, garranchos e o que estiver em sua passagem, não se preocupa com a barulheira que está fazendo. Por isso que quando uma pessoa é meio bruta, já lhe chamam de: “Sua Anta” Quando conseguem laçá-la como se fora uma rês, ela senta no chão fazendo finca e dá o maior trabalho para conseguirem dominá-la. É o tipo do animal irrascível, teimosa, dá manotaços com as patas dianteiras na gente. Se livre dela porque se atingido machucará muito. Se ela livre partir pra cima da gente, cuidado, ela passará por quem tiver pela frente. Se for domesticada desde pequenina será muito dócil, pois aceita mamadeira como qualquer outro animal domestico, aprende a dormir embaixo da cama durante o dia, ou se não puder procura um lugar escuro, até mesmo num galpão, saindo dali somente á noite para andar. Já que o alimento está garantido pela família onde foi criada. Como qualquer outro animal silvestre, nunca esquece de suas raízes de origem, selvagem! Acostuma com os cães, estes também nada de mal lhes faz, tornam-se bons amigos, tanto que por qualquer coisa que lhe atormentar, solta um rincho de alerta, imediatamente os cães saem em seu favor para defendê-la, corre para casa e fica numa boa. Já na idade adulta seja macho ou fêmea, sai a noite em busca de parceiros, para o coito, muitas vezes fica de um dia para outro na farra sem voltar para casa, depois da lua de mel, retorna sossegada para casa sem problemas nenhum.

CURIOSIDADES DA MÃE NATUREZA
CONVIVÊNCIA, IMAGINAÇÕES, CONHECIMENTOS E CRIAÇÃO DESTA OBRA.
POR-LUIZÃO-O-CHAVES.
ANASTÁCIO, 15/02/2014


domingo, 5 de janeiro de 2014

O CASAMENTO MAIS FELIZ DA HISTÓRIA



Saíram de carro para a cidadezinha pequena que distava alguns quilômetros do sitio onde moravam quase todos que acompanhavam o cortejo, exceto um relativo numero de pessoas vindas das circunvizinhanças para assistirem esta festa, eram oito horas da manhã acompanhando o cortejo nupcial que era a coisa mais bonita já vista nos últimos anos naquelas paragens. Lá na frente estava o carro que conduziam os noivos, um carro de luxo, onde estavam também os padrinhos de ambos, logo atrás estavam diversos outros e um caminhão lotado de pessoas da região conforme foi muitos anos o costume da época, nos sertões, os convidados de um modo geral, todos iriam assistir o casamento na igreja e no cartório do lugarejo. Estrada relativamente boa, a subida da serra era mais difícil, mais ainda era a descida que merecia muito cuidado e atenção dos condutores dos veículos. Viagem normal até ali, fogos nos ares ribombando todo momento por que tudo era festa, animado o povaréu, e os carros distanciavam uns dos outros, por causa da poeira que os da frente iam fazendo, logo na descida da serra o carro dos noivos, não se sabe se por ironia do destino, ou sina determinada por Deus, dele escapa a barra da direção e o carro desgovernado sai da estrada, descamba e cai na ribanceira, acidente fatal em questão de segundos. Os demais que vinham atrás foram deparando com aquilo, foi um horror nunca visto, só lágrimas se via no rosto das pessoas que acompanhavam o cortejo nupcial, com muito custo desceram até o lugar que se encontrava o carro dos noivos caído com as rodas para cima entre duas pedras e eles presos entre as ferragens com os padrinhos, todos mortos!  Toda aquela animação e alegrias por aquele casamento tão esperado e festivo acabou-se em luto de uma forma trágica, cruel, sinistra, e inesperada, abalou meio mundo que tomou conhecimento do caso. Silenciou até as aves do campo que cantavam tão alegres naquela manhã primaveril, saudando o casal de noivos em sua passagem por ali, tornou-se um dia triste como nunca visto antes! Velório amplo, lágrimas que não cessavam de cair, lamentações de todos os amigos, conhecidos e estranhos também! Cortejo funeral, sepultamento feito no dia seguinte, tristezas que pareciam não ter fim. Mas o tempo se encarrega de aliviar as dores, tristezas e os emaranhados da vida. Tudo volta ao normal, e a vida continua para todos que ficaram. E para o casal de noivos ainda melhor, é o que vamos falar agora, após o sepultamento. No jazigo ficaram unidos também, uma sepultura só para ambos, assim como foram leais e fiéis um ao outro em vida terrena, na eterna morada também ficariam unidos como se fosse para servirem de referência para os demais casais que quando os visitassem, lembrar-se-iam de tão bela amizade. Logo em seguida ao sepultamento, o casal parte para uma dimensão diferente da nossa, felizes como estavam. A primeira coisa que sentiram ao deixarem a dimensão terrena foi uma sensação de sonolência, como se acordassem de um longo sono, era o desenlace do espírito-matéria. Abrindo os olhos viram um imenso clarão, um resplendor sem igual, mais belo que uma aurora boreal. Com vestes angelicais agora, sentem a leveza de seus espíritos em um novo corpo, o celestial, estando agora em ascensão, sobre uma nuvem que os envolviam, seus passos eram cândidos, os levando para um lugar distante e muito lindo, ouviam sons e cânticos suaves, uma música maviosa que os enterneciam, orquestras que se seguiam uma a outra, uma coisa indescritível á mente humana, sem saberem de onde vinha aquela sinfonia, sentiam-se como partículas ou bolhas que flutuam no ar, de fato estavam flutuando mesmo, então olharam e viram distante uma luz ainda mais fulgurante que os convidava para irem até ela, era um facho que focava indicando o caminho por onde deveriam passar, instintivamente iam obedecendo esta luz tão bela, multicores assim iam seguindo  por aquela estrada tão florida e suave, nem pareciam que estavam andando, na verdade eram conduzidos por algo invisível como uma nuvem sendo tangida por uma brisa delicada.

 Um perfume de aroma agradável, fragrância inigualável, nunca sentida antes, um lugar fresquinho, uma brisa suave tangendo e afagando rostos e cabelos. Nem estavam com pressa, o tempo ali nem interessava também, era uma viagem muito bela a ponto de nem se preocuparem com qualquer outra coisa, levantaram a vista e divisaram um castelo enorme, como uma fortaleza dos tempos medievais longe dali, ele emitia uma luz resplandecente que olho humano nenhum suportaria sustentar fixando nela, parecendo um grande diamante reluzindo á luz do sol em toda a sua magnitude, mas eles sim olhavam maravilhados para aquela aparição tão bela, inesperada, e logo perceberam que a estrada era uma longa subida até chegarem ao castelo, ninguém sentia canseira ao escalar aquele penedo lindo que era igual um tapete de tanta maciez e suavidade. Enfim chegaram no pátio do castelo, rodeado de jardins e flores de toda espécie e cores, fontes luminosas, circundadas por arco-íris apesar de não saberem de onde vinha  a luz, bancos reluzentes parecendo feitos de pedrarias finíssimas á espera de quem chegasse ali para descansar, de repente veio ao encontro deles um guardião saindo do nada, era um soldado da guarda real, que perguntou a eles: O que desejam, meus jovens? Posso servir-lhes em quê? Não sabemos onde estamos! Nem o que queremos! Estamos chegando de uma longa viagem! Nem sabemos de onde viemos! Não temos lembranças de nada! Pedimos ao senhor que nos ajude a entender estas maravilhas que estamos vendo. Disseram os noivos! O vigia deu um sorriso agradável e amistoso aos dois e disse: Estão vendo aquela porta que parece ser de vidro ali? Sim! Responderam! Ao chegarem lá automaticamente ela se abrirá. Adentrem-na e sentem-se numa sala de espera. Um senhor de óculos os atenderá com delicadeza, ele é bem idoso, parece uma pluma a cabecinha dele de tão branquinho que são seus cabelos. Ele lhes dará todas as informações de que precisam, é ele o guardião da porta de entrada deste lugar que vocês vieram conhecer. Isto aqui é um reino, o mais encantado de todos que são conhecidos, só é o que posso lhes informar! Sejam bem vindos! Agradeceram ao soldado guardião e foram. Assim que entraram nem deu tempo de sentarem, o atendente com um gesto alegre os atendeu, dizendo: Meninos eu já estava vos aguardando, disse sorridente. Apanhou um livro desta grossura, folheou-o com paciência, delicadeza e um cuidado especial, chegou numa folha azul clara e outra cor de rosa, cujas páginas se uniam quando o livro fosse fechado. Lá estavam os dois nomes estampados e escritos com letras de ouro! De um lado, azul o nome do rapaz, do outro lado, rosa estava o nome da moça. Chamando-os o bom velhinho perguntou: Diga o seu nome, por favor? Daniel! O rapaz falou! Conferiu disse o velhinho! A moça disse, Lucinda é o meu! Confere também afirmou o ancião! Afinal o que querem vocês? Casarmos! Disseram em coro! O Atendente coçou o queixo, passou a mão na barba, assentiu com a cabeça num gesto de quem vê ou sabe que há impedimento na petição! Respondendo aos dois: Porque não se casaram lá de onde vieram? Nós saímos para casar, mas de repente a gente nem viu o que aconteceu, por isso estamos aqui querendo celebrar o nosso casamento! Disse a moça. Eu já estava informado que vocês viriam para cá sem se casarem! Afirmou o bom velhinho. Mas acontece que aqui não casamos ninguém! Aqui não há casamentos! Do jeito que aqui chegam, permanecem! Por dois motivos: O primeiro: Se casassem aqui, teriam que viver até a eternidade, juntinhos sem problema algum. O segundo: Jamais poderiam pensar em divisões no matrimônio celebrado.  Aqui não há separações, nem divórcio ou desquite, nem desunião, nem desavenças, nem divisões de espécie nenhuma, nada similar para os que aqui chegam casados!

 Aqui não tem: Quem vos satisfaça neste pedido de união ou desunião, nem advogados, juízes, promotores nem testemunhas para arrolarem estas coisas quando há litígio entre as partes interessadas em separação. Mas não se casam aqui, porque senhor?  Perguntam os noivos! É que aqui, onde estamos é o céu! Aqui é o reino da Glória de Deus! Reis, Rainhas, Imperadores, Imperatrizes, Príncipes, Princesas que governam cada um o seu povo! Reino do Amor! Reino de luz e Paz! Reino da União, Da felicidade! Morada de todos os Santos! E de todas as pessoas boas que viveram na terra, que Deus as arrebatou! Aqui a vida não tem fim! A alegria que sentiram aqui ao chegarem é para todo o sempre! Nossa, responderam os dois! E agora amor? Perguntou a moça ao rapaz! O que faremos então? Não sei querida! O que este senhor disser é o que nós faremos com prazer! A moça replicou tentando mais uma vez ver se convencia o ancião acerca de como resolver a situação deles, lembrando-se de Santo Antônio, o santo casamenteiro das moças lá na terra. Fora muito devota dele, pois namoraram um bom tempo com muito respeito, nunca pecaram, nem desobedeceram em nada os pais dele e dela também quanto ás regras do namoro, noivaram com a maior alegria e felicidades até na hora que se casariam, então confiante disse a São Pedro: Posso pedir uma coisa ao senhor? Pode, disse o velhinho que mostrava um semblante de moço, de tão feliz estava, nesta altura eles já sabiam que ele era São Pedro, o porteiro do céu. Muito animada, esperançosa que ele podia pedir que Santo Antônio fosse casá-los, assim o fez. Eu queria tanto que Santo Antônio nos casasse? São Pedro lhe disse: Aqui todos nós dependemos das ordens do Senhor Nosso Deus todo Poderoso. Que é Supremo e governo do céu! Levar o vosso pedido até ele não custa nada, mas resolver seu caso só ele pode, se assim o quiser! E o que ele disser é isto mesmo, concorda? Sim, disse a moça! São Pedro pediu-lhes que aguardassem uns instantes, enquanto ia ter com Santo Antônio primeiro, e depois com o Senhor. Mas nosso Senhor estava muito ocupado, demorou um pouco, mais depois de um tempo São Pedro voltou com a resposta: O Antônio, disse assim no tratar o casamenteiro, porque ele São Pedro também é Santo tendo direitos iguais, se dispõe a casá-los sim, e com muito prazer se o Senhor consentir! Ele sempre foi muito bondoso com os casais, nunca desamparou nenhum deles, desde quando vivia na terra. E daqui do céu muito mais ainda ele os ampara, mas o Senhor aposentou-o para que descansasse de tão cansativa missão, e sendo assim não pode trabalhar mais, o Senhor não dá esta licença a ele, que por sua vez é muito fiel ás ordens do Senhor. Nunca as desobedece, inda mais por ser o único padre que tem aqui no céu! Ele é muito amado pelo Senhor, sobretudo porque sempre ajudou na manutenção dos lares dos seus devotos na terra! Nos tempos antigos quando o povo era mais respeitoso com seus semelhantes e com as coisas celestiais, não sendo tão pecadores, amorosos entre si, muito fiéis ao Senhor, e os casais entre si, se davam bem desde o namoro, noivado, no casamento viviam em paz, ninguém se separava, não se traiam, nem prostituindo em tempos nenhum, não havia tantas modas indecentes quanto ao modo de vestirem e se comportarem, as atitudes do povo lá na terra eram aprovadas por Deus.

Hoje é tudo diferente, os homens e mulheres mudaram tudo, conforme os seus gostos e costumes modernos. Lá hoje se vestem pouca roupa, namoram até nus, as moças que engravidam sem casar passam o maior vexame, muitas vezes os pais não querem mais vê-las em casa, expulsam-nas, outras tomam veneno de tanto desespero, matam os namorados, eles as matam também, os rapazes não assumem o compromisso entre ambos pelo que fizeram a sós, então elas abortam o filhinho antes de nascer, e se nascem jogam a criança no cesto de lixo, nos esgotos com a maior crueldade, outros se casam de qualquer jeito, os pais adotivos maltratam os filhos delas por não serem seus, as mulheres até queimam as pobres crianças por serem filhos só do marido também, se ajuntam, trocam de parceiros entre si, outras entram para vida de prostituição misturam dois homens ou duas mulheres, se largam, se ajuntam de novo. Perderam o respeito e a vergonha, existe lá terra até um negócio chamado! “Ficar” que ninguém mais tem responsabilidades um com o outro.  Uns se matando, outros morrendo matado, até quem pode mais, paga alguém para assassinar a outra parte. Matando crianças no ventre e até grandinhos também. Acabou-se o casamento e a família honrada que o Senhor instituiu desde a criação do primeiro casal, virou uma bagunça entre homens e mulheres, que o Senhor não suporta mais, por isso ele não ouve nem atende mais pedidos assim. Hoje são as mulheres lá na terra que dão de cima dos homens, eles correm na frente, e elas correm atrás deles, então eles se aproveitam da onda da desobediência delas para fazerem o que querem com todas, sejam, moças, sozinhas, desquitadas, viúvas, largadas ou mulheres alheias, não há mais consideração de ninguém, ficaram elas muito desvalorizadas, e isto entristeceu muito o Senhor! Porque ele não as criou para viverem e nem procederem assim, em desonra! Elas deveriam permanecer como foram criadas, virgens e puras até no casamento. São elas as primícias da criação do Senhor!  Mas elas mesmas querem viver assim, por conta de direitos iguais aos dos homens, querem ter liberdade, dizem elas, mas não entendem que liberdade, é uma coisa, e libertinagem é outra. Quando se achavam cativas, todas eram felizes, e agora? Nem a metade delas são! Proibiu Deus o Antônio de atender pedidos destas. Inda mais com eu disse: Ele é o único padre que tem aqui no céu. Sabem o que acontece para complicar mais? Até muitos casais mais antigos, já idosos, com filhos todos criados, avós de tantos netos começaram se largando, de uns tempos para cá até as velhas e os velhos arranjaram nem sei de onde, um fogo sem-graça, estão se separando, arranjando namorados também, e murmurando contra o Antônio, ele os ajudou com tanto amor na escolha do casamento para as moças, depois elas começaram aceitando os maus costumes modernos, brigando com os maridos, espancando os filhos, não querendo criar mais, tomando pílulas, traindo seus maridos, eles traindo elas também, e o pior que te falo, é que resmungavam dizendo que o culpado deste casamento não ter dado certo foi Santo Antônio, que os uniu. As queixas, murmurações e até blasfêmias contra o Antônio foram tantas que chegou ao conhecimento do Senhor aqui no céu! Ele então proibiu o Antônio de ajudar e fazer casamentos na terra! São muito poucos os casamentos que são dignos e honrados lá na terra, são felizes, porque o Senhor os tem amparado, milhares de mensageiros daqui estão lá na terra resguardando-os do mal, são relíquias do senhor nestes tempos do fim!  Agora que vocês dois já estão aqui no céu sem o casamento, nem precisam mais! Vocês estão puros e sob os cuidados do Senhor, aqui neste livro que tenho em mãos registra tudo o que fizeram de bom lá na terra. E os que procederam de outra maneira, aqui no livro não aparecem nem os seus nomes por estarem manchados pelos pecados gravíssimos e terríveis cometidos! Pois não pertencem mais ao Pai, até se arrependerem de todo o mal praticado! Portanto vocês podem ficar neste jardim, namorem , passeiem a vontade, por um tempo que o Senhor permitir! Depois ele determinará o lugar que vocês ficarão, e que será para toda a eternidade! Serão muito felizes! O casamento aqui é simbólico! É o mais belo que existe, e vocês dois o mereceram por terem conservado respeito ao Senhor e seus Santos além da pureza, a honradez, o amor verdadeiro, a lealdade, a sinceridade, o respeito e a vergonha, consideração um pelo outro até o fim de vossas vidas físicas lá na terra, em meio a uma enorme turbulência de tantas modalidades de pecados nunca vistas antes, tantas são as maldades e desobediências ao Senhor que lá imperam! Entenderam? Sim, responderam os dois! O senhor tem razão! Muito obrigado por tudo! Recebam meus parabéns e votos de muitas felicidades completou São Pedro! Aguardem mais um pouco, até que seja feita uma festa em vossa homenagem!

CONTOS QUE NÓS  APRESENTAMOS PARA OS NAMORADOS MEDITAREM!
APESAR DE SER SÓ IMAGINAÇÃO VALE A PENA LEREM E OUVIREM!

AUTOR DESTE CONTO: LUIZÃO-O-CHAVES     ANASTÁCIO  MS   21/12/2013