terça-feira, 31 de janeiro de 2017

AS REVELAÇÕES DA MÃE NATUREZA.

                     

Lá pelos anos de 1933 numa região da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, mais precisamente nestas bandas, neste trecho de Mirandópolis, Guaraçaí, Alfredo de Castilho, Lavínia, Machado de Melo, Planalto, Murutinga, Andradina,   Junqueira etc. Em épocas de poucas opções de transportes coletivos como nos dias de hoje. Na sua maioria era a Jardineira, charretes, carroças, carros de bois, bois de cela e a cavalo. Até tropeiros e cargueiros levavam notícias por onde passavam viajando. Não sabemos com exatidão o local que aconteceu este fenômeno e que foi muito propagado no sistema de comunicações deste tempo que eram: Correspondências, estafetas, viajantes além dos que viram e ouviram falar e levavam a notícia por onde andassem. Nesta região que mencionamos numa certa madrugadinha, lá pelas quatro e meia e até o dia clarear por completo de modo que ainda podíamos ver as estrelas no firmamento; um senhor, um velho charreteiro que fazia ponto numa dessas cidadezinhas ou estações da Noroeste nos horários dos trens foi pegar o seu animal  para arreá-lo e sair, em dado momento olhou para cima e viu um letreiro no céu azul, que somente tinha estrelas naquela manhã do mês de Maio. Ficou olhando longamente aquilo, não sabia ler para interpretar ou decifrar aquilo que estava escrito. Voltou de imediato á sua casa e acordando os seus vizinhos chamou-os para verem, todos ficaram abismados vendo aquilo,   ninguém imaginava que um dia pudesse ver uma coisa dessas escritas no céu azul, ninguém soube dizer o que significava aquelas letras. Em poucas horas todos os povos do lugarejo estavam cientes daquele fenômeno que perdurou por alguns dias, ninguém sabia o que era mesmo. Como sempre tem um mais esperto, este sugeriu: Vamos procurar o Capuchinho da igreja Católica, quem sabe ele poderá nos dizer o que é isto. Capuchinho para quem não sabe, eram aqueles frades, párocos ou padres, como queiram, já velhinhos, de barbinhas longas e branquinhas, já entrados em anos e que não mais estavam em atividades na paróquia, viviam recolhidos sempre em meditação constante, eram tidos como uma pessoa muito sábia, conhecedora de muitos dos segredos das coisas espirituais, até reveladas por Deus á eles, um conselheiro por exemplo. Nas seguintes madrugadinhas não ficava ninguém na cama, mulheres e crianças todos curiosos para verem aquela coisa estranha no céu. Então o Capuchinho tomou conhecimento e disse o seguinte: Lá está escrito " Aumente o Pano, que eu vos aumento o Pão". Deu quase na mesma para o povo, a interpretação do vigário. Ninguém entendendo nada, ficaram sem saber o que significava tudo aquilo. Para os povos daquela época que tinham comportamentos decentes, atitudes louváveis, honradez, e muita seriedade, bons costumes, respeito, amor ao próximo, consideração, devoção, dedicação ao trabalho e ao bem comum. Havia farturas de tudo, tinham paz, de nada tinham falta. A comunidade Católica era a única que os povos conheciam, não havia a multiplicidades de organizações religiosas como nos dias de hoje, em cada esquina tem uma denominação diferente da outra em outra quadra. Nos domingos de manhã na missa habitual a igreja enchia dos fiéis e praticantes da fé. Os hábitos e costumes dos povos eram muito bons. As mulheres as crianças, os homens se vestiam com pudor e decência, os trajes em si denotavam respeito ao seu Criador e ao seu próximo.  Não havia tanta injustiça, desarranjos em família, maldades, crimes, vícios, maus costumes, corrupções, ganância, avareza, orgulho, leviandades, imoralidades e prostituições entre os povos que eram tão símplices de coração, bondosos, caridosos, uns que podiam mais ajudavam os mais necessitados a carregarem seus fardos pesados, as famílias eram numerosas, tinham até dezoito filhos numa só. A terra produzia muito, abundância mesmo, e de tudo que se plantava colhiam. Então ninguém tinha motivos para imaginar o que seria: "Aumente o Pano que eu vos aumento o Pão."Os mais experientes diziam: Isto é recado do Céu para o povo da terra. Deus está avisando que alguma coisa não vai bem, ele está prevenindo nós de alguma coisa que vai acontecer. Quem é que iria escrever um negocio destes no azul do Céu? Só ele Deus que é capaz de fazer isto! Só não sabemos o que é que vai acontecer daqui para frente na terra. Coisa boa não deve ser! Vamos ficar alerta! Pedir a ele Deus que nos livre do mal. O significado disto pode ser que seja conhecido logo ou talvez esteja muito longe, quem é que sabe? Muitos de nós velhos não alcançaremos o fim dos tempos, que terão muitas coisas horríveis para se ver. Daí há seis anos surgiu a segunda guerra mundial, que assombrou o povo! Era tanto Meu Deus? E agora? O que será de nós? Virgem Maria venha nos socorrer desta destruição. Vai acabar o mundo! Quase endoidece o povo.  Lembraram do letreiro no céu azul daquela manhã. Eu não disse que seria coisa ruim? Disse o velho. Então o governo da época enviou tropas brasileiras a Europa para lutarem nos campos de batalha para ajudar na defesa do resto do mundo. Alemanha, Itália e Japão unidos queriam dominar todo o planeta. Mas o governo nosso não consentiu que os lavradores e roceiros fossem, eles deveriam ficar fora da guerra, não seriam convocados, pois eles tinham a missão de produzir alimentos para o resto do mundo, porque no pós-guerra vem a fome e a miséria, escassez de alimentos, doenças e outros flagelos assolando os que restassem do furor da guerra. E os povos o  que teriam para comer? Se as nações envolvidas no conflito que estava abrangendo quase todas não tivessem mais víveres para os seus, o que estes fariam? Morrer de fome com certeza! Mas nosso governo era iluminado por Deus e enxergou longe. Vencemos! Só que de lá para cá os hábitos dos humanos foram mudando aos poucos, de 1950 para cá. Leia o próximo conto onde nós debulhamos todo o significado das letras do céu naquele dia. "Aumente o pano! Que eu vos aumento o Pão" Fizeram ao contrário mesmo sem saber: Foram diminuindo o pano, isto é, as roupas dos humanos sofreram alterações, as modas extravagantes para as mulheres, a saia e vestidos subiram, as blusas desceram o decote, encurtou, grudou, em especial afetou mais as mulheres, motivos pelos quais hoje os povos andam quase nus!  Como o pecado da nudez traz maldição para os povos, e esta afetou até as terras, hoje elas produzem muito pouco! Deus não pode aumentar o Pão! A terra depende da benção do céu para produzir. E falta pão na mesa do ser humano em muitos lugares do planeta! Além da decadência moral dos povos, que se odeiam, se maltratam, uma mortandade sem fim de todos os jeitos: Os lideres das Nações não se entendem mais, nas guerras atuais morrem gente toda hora. Além dos assassinatos, acidentes diversos, assaltos, roubos, enfermidades desconhecidas, surtos de epidemias que dizimam os humanos em pouco tempo. Catástrofes, agentes da natureza que está furiosa com os homens, tufões que varrem tudo por onde passam, tsunamis, vulcões em erupções, abalos sísmicos, vendavais, calor em excesso, chuvas em demasia em vários lugares do planeta. Até as criações sofrem um doenceiro, uma   pestilença, pois é tudo criado, engordado e reproduzem a peso de anabolizantes e outros agentes, fungicidas, químicas nos alimentos industrializados, diversas pesticidas nas plantações, e os animais debaixo de vacinas que no final fazem mal á nossa saúde. Homens e mulheres estéreis, Daí ver os resultados refletidos nas pessoas inocentes, crianças com má formação congênita. Mas em resumo: Quem fala mais alto nos dias atuais é o Dinheiro! Obrigado por nos acompanhar!


 BLOGGER "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"

                  31/01/2017 ANASTÁCIO MS. 

AS MULHERES-ADÃO E OS HOMENS-EVA.

                   

O título deste conto intriga os mais curiosos e de todas as idades, também por ninguém nunca ter ouvido falar nisto. Nem viveram em épocas que nós vivemos.! De fato são ideias que vem á tona nas pessoas que amam as boas qualidades do ser humano devido a complexidade do comportamento destes nestes últimos tempos. Homens e mulheres mudaram drasticamente a rota de convivência em especial do casamento que até então era coisa venerada, imaculada, respeitada e conservada a qualquer custo por eles. Dos anos 1.950 até os dias atuais nota-se um reboliço entre ambos na difusão de pensamentos, filosofias, ideias materialistas, volubilidade, sensualidade exagerada, conceitos de vida mais libertinos entre os humanos de um modo geral. O conservadorismo  dos bons costumes, hábitos nobres, a boa moral e convivência pacífica entre os povos aos poucos foi se extinguindo. Que pena para quem teve a felicidade de viver aqueles tempos de ouro. A presença dos Santos do Céus na crença de cada um nos lares era constante, povo feliz, saúde, farturas na mesa, amor nos corações, paz no mundo, se bem que em 3.500 anos de vida na terra, apenas 230 foram de plena Paz. Mas está bom! Conservar o que temos e não jogarmos fora o que Deus nos deu, já é um princípio de sabedoria. Mas somos muito frágeis! Por qualquer bobagem chutamos o balde e depois ficamos sem graça com o que fizemos! A impetuosidade é nossa inimiga! Já é tarde amigos! Cadê sua sabedoria? A paciência? A calma? O equilíbrio de suas ações? Quem as tinham, jogaram fora! E quem nunca as  tiveram sentiram e sentem a carência delas. Há coisas que são mal interpretadas, ou misturadas de qualquer jeito e muitos querem a todo custo que estejam certas. Serem estudados, ter conhecimentos, dizerem que são muito cultos é uma coisa, ser sábio é muito diferente, o conhecimento, a cultura de um modo geral adquirimos através dos estudos, já a sabedoria vem do alto, é coisa Divina, querem ver? As mulheres com exceção das honradas que estão quietinhas no seu canto cuidando de suas famílias, contente com o que Deus lhes dera, vivendo bem e em paz, nós desde que entendemos por gente, sabiamos que elas clamavam, gritavam e até movimentos faziam para proclamarem sua liberdade, sua independência  pois muitas se achavam prisioneiras tanto no casamento como em sua vida de solteiras, queriam liberdade e a independência para fazerem o que os homens faziam, direitos iguais portanto, elas se achavam e sentiam ser diminuídas ante o comportamento dos homens, mas  eram homens que desviavam seu caráter, suas atitudes, e ações. Porque os sérios eram reservados e ajuizados, pensavam em sí, no seu futuro e na sua responsabilidade com a família. Imagino isto ser inveja deles. Achavam que todos os homens eram iguais, nunca foram. Mas a bem da verdade não eram como pensavam, elas é quem eram as joias mais raras existentes, muito superior a todos os homens, só que não davam o devido valor em si proprias ou não sabiam que eram: Coisa Divinal! Benditas por Deus! Essência de sua preciosa criação! Para sua honra e glória desde a vida presente, assim foram criadas á imagem Divina e com a beleza dos anjos. Quando Adão e Eva habitavam o Paraíso, foram bem recomendados por Deus a não cometerem a desobediência, o pecado! Mas caíram em tentação e deu errado: Pecaram! Deus ao inquirir de Adão como chefe da família, o que ele havia feito, este deu a seguinte resposta: A mulher que me deste por companheira me fez desobedecer-lhe Senhor! Do fruto proibido por ti, foi ela que me deu, e eu comi. Cadê a responsabilidade dele em assumir o erro praticado? Negou a sua participação na falta cometida! Isso é justo? Claro que não é! Atribuiu toda a culpa a Eva! Culpado foi só ela, e não ele! A Eva pagou o pato! Dos anos 1955 este movimento em prol da tão falada liberdade, começou bem devagar, chegou a televisão preta e branco, de 1963 acelerou um pouco mais com os programas e as novelas, de 1970 surgiram para os homens umas vestes e costumes extravagantes, as calças dos homens eram as bocas de sino, apertadas, coladas e justas no corpo até nos joelhos, mostravam o que não deviam. kkkkkkkkk. os sapatos se chamavam: Cavalos de aço, pareciam tamancos com o salto dessa altura, quase dez centímetros, os cabelos longos e as costeletas grandes dominando maior parte do rosto, cavanhaque, começaram a falar em gírias. As camisas eram folgadas que cabiam mais de um dentro delas. kkkkkkkkkkk. Se olhássemos por traz um moço e uma moça a certa distância, teríamos dificuldades para saber quem era quem, os cabelos misturavam os sexos. As musicas modernizaram, era o Iê Iê Iê, que dominavam as paradas de sucesso no rádio.  As mulheres ganharam com a chegada da Pílula anticoncepcional  a liberdade que tanto almejaram, junto veio a minissaia que assanhou tudo. kkkkkkkkkkkk. Demorou uns dias para a moda pegar, mas pegou. Começou as separações com certa lentidão até em 1980, de 1990 para cá chegou o "Ficar" Dai para cá as separações viraram um vírus maléfico, mortal que não tem vacina que lhes contenha. Deteriorou todos os hábitos bons, as maiores vítimas são as mulheres, que  em sua maioria são muito vulneráveis, tornando-se volúveis ao sentimento do amor, e  hoje fazem assim, por qualquer tolice ou ideias de outras que não acham o que fazer, separam do marido e vão a procura de outro. Cometendo assim a maior injustiça com quem lhe amou tanto. Quase de cada dez pedidos de divórcio, nove são das mulheres. Dão com a cara na parede, buscam outro, separam, mais outro, separam de novo, e  vão indo assim até encontrarem o homem certo no dizer delas, será que todos são homens errados ou maus? Aí está caracterizada a "Mulher-Adão". Irresponsável como foi ele ante a Eva. Mudaram o conceito, de caçadas passaram a serem caçadoras, perderam a paciência, não sabem esperar o seu príncipe encantado, que está dificil de saber se ainda existe, perderam o pudor e  partiram para cima dos homens, dão de cima mesmo, sem medir consequência vindouras. Estes jogam na defensiva, só aproveitando-as e caindo fora. Entende-se que de acordo com o tamanho da fila dos pretendidos, vai escolhendo-os, com isso aos poucos se tornando em objeto de descarte ou trilhando o caminho da prostituição sem ao menos perceber. São injustiçadas também pelos homens levianos. Tem demais mulheres soltas por aí. Mas a criatura só vai saber o que possuía, depois que perde tudo. Jogaram fora o que de mais precioso possuíam. O respeito ao seu criador que lhe dera o de melhor, uma vida feliz, seu lar, seu casamento abençoado, sua felicidade e filhos se os tiverem. O casamento, a família é uma instituição Divina, é a célula mater da sociedade, portanto um plano de Deus para a criatura humana, para que esta não fosse dada ao pecado. Pois sendo a sua imagem e semelhança, não poderia viver de qualquer jeito. Não é imaturidade, não foi por inocência que armaram tudo o que vemos hoje. Casais separados, lares desfeitos, filhos perdidos, sofrimentos  de ambos os lados, mundo das drogas e prostituição campeando as levianas, tráfico de mulheres e crianças para outros países para serem objetos carnais dos barões, um mundo entediado, endemoniado e só de torturas. Num passado de 60 anos atrás não se via uma criança desamparada, filha de pais separados, nas ruas e sarjetas, mendigando um pedaço de pão, sem roupas, dormindo ao relento e morrendo nas noites frias, nem mendigos também existiam assim como hoje. Mas este tempo já ficou para trás, com a evolução dos povos no mundo. Dizem ser evolução da espécie humana. Conheço isto por decadência da espécie. O elemento humano é dotado de inteligência e sabedoria dada por Deus para saber o que está fazendo e o lucro de suas escolhas ou a recompensa das mesmas. Honradez, vergonha, moral elevada, seriedade, respeito, consideração pelo próximo, responsabilidades, amor, tolerância, paciência estão aos poucos se extinguindo dos corações.  Para deixar bem claro a interpretação do vocábulo "Liberdade" os homens na sua maioria nunca foram livres para fazerem o que querem. Foram levianos, libertinos e sem pudor e as mulheres invejavam o seu sujo procedimento pensando ser liberdade. Nenhum de nós fomos criados para sermos vadios. Liberdade é uma coisa e Libertinagem é outra! Hoje quase todos os seres humanos gozam da libertinagem! Nela está incluso: Falta de caráter, respeito, vergonha, irresponsabilidade, descaramento, imoralidade, e tudo o que defeituou, degenerou e deteriorou o ser humano diante de seu criador. Mas devem estar bem de vida as precursoras desta façanha e as que queriam a tal liberdade! Nem falamos do tanto de mulheres que morreram assassinadas pelos companheiros, outras com doenças graves. Isto é o preço pago pela rebeldia dos humanos, e afronta ao Deus que nos criou.  Para cada um de nós Deus deu um casal de pais,  uma casinha aconchegante, um berço ou uma caminha com todo conforto, saúde, paz, benção e muito amor quando chegamos neste mundo. Depois que crescemos, vivendo em comuna conhecemos o mundo, então achamos que nada disso estava bom, cada um modifica tudo á seu critério e gosto. Enquanto isso, ficam vagando a esmo por aí sem nada. Pensam que homem é brincadeira? A maioria deles vendo e explorando a situação delas, suas fraquezas e tolices esquivam-se de quaisquer responsabilidades. Acabou-se o casamento com a chegada do "Ficar". Os homens bons estão cada vez mais raros, estão assustados com a situação do momento. Pensam duas vezes para assumir um casamento ou uma união estável. Quando estão bem alicerçados no matrimônio, de repente vem a ideia da separação; vão ter que dividir tudo e espatifar com a vida que lutou para adquirir e pensando  que estavam em paz. Tanto sacrifício por nada. As vezes para muitas, ou muitos ainda há tempo para retomar a caminhada, quem sabe? Enjoam do larga e pega, as vezes dá sorte de encontrar um bom homem, e estes uma boa mulher. Não é impossível. A dor ensina gemer. Apanha na vida até que aprendem ser humildes. Já as mulheres de honra são pouquíssimas também, está muito difícil para elas, pois o braço da balança pende ora para um lado, ora para outro. Ninguém adivinha quem é bom, pois não trazem o sinal na testa.  O mundo se encarrega de ensinar quem não sabe viver. Não seria melhor ser dependente da sua família  e ter sossego e paz, ou ser dependente das atrocidades de uma vida maluca? Pense! Plante as sementes que quiserem, a terra dá de tudo. Colherá o que plantaste num futuro determinado pelo nosso criador.   Lembrem-se: Ele nos criou para sermos felizes. Obrigado por sua atenção! Até já!

      FATO REAL DO  MUNDO PARA A NOSSA REFLEXÃO.

  BLOGGER "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES"

                  29/01/2017. ANASTÁCIO MS. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

UM MOÇO MUITO FELIZ! E O REI?

                                           


Conta-se uma historia de um rei que nunca conseguira ser feliz em todo o  tempo de vida de casado, era um monarca de bom coração e governava sua província com muita dedicação e apreço. Reino próspero, conhecido por outros reinos que admiravam a sua administração e povos, fartura imensa, terras férteis e muitas aguadas, animais silvestres e criações domésticas de todas as espécies. Povo ordeiro e trabalhador de todas as idades que compunham este reino, crianças sadias e felizes, estudantes de todas as idades, anciões saudáveis, juventude de futuro, adolescentes super educados  enfim; um povo felicíssimo por gozarem de muita paz e harmonia não só entre eles como também com os povos de outros reinos. Mas o monarca e sua família eram um desastre, eram infelizes, eles não conseguiam ter a paz que tanto desejavam, nem uma semana sequer, era um desarranjo de convivência familiar sem solução na sua realeza. Sabe aquelas picuinhas entre casais? Cão e gato quando não se acertam. Um amanhece emburrado. Outro finge que está sozinho na casa. Outra vez basta olhar que a outra parte já pergunta: Estou respingado de lama? Gestos de muxoxo. Fazem beiço de descaso. Passam dois ou mais dias sem se falarem, um dorme no sofá e o outro lá na dispensa fechado á chave para não ser incomodado. Um almoça primeiro e o outro depois, um janta e o outro só toma um lanche mas separados. E a pirraça? Pensa que falta! Parece que era encomendado para cada dia um escândalo para os vizinhos ouvirem. kkkkkkkkkkk. Brigavam por ninharia. Pareciam dois cãezinhos filhotes quando a gente esfrega o focinho de um no focinho do outro. Assim era a vida dos monarcas. Sorte deles que não tiveram filhos, era só os dois mesmos. Atendia bem o povo que lhe procuravam nas audiências reais, mas bicudos um com o outro. De repente, do nada estavam se beijando, se acariciando e adulando um ao outro. Parecia que tinha acabado a discórdia, mas não iam muito tempo em paz, logo começavam tudo de novo. Até o povo já sabia da má convivência deles mas nada podiam fazer. Os seus conselheiros já haviam perdido as esperanças de conciliação das partes em conflito.  Os dois só nunca pensaram em separação, naqueles tempos antigos os casais se amavam de verdade apesar de brigarem sempre. Havia respeito entre ambos e consideração ao casamento por ser instituição Divina! Obra do Divino Criador! Separação era um insulto ás leis matrimoniais e as ordens vindas do Céus! Casamento era um só, e para sempre, até que a morte os separassem. O casamento era imaculado! Coisa de Deus merecia amor, zelo e carinho! O casal lutava até a ultima gota de esperança para salvá-lo, tanto é que amigos, vizinhos, compadres, e conselheiros, padres e muitas outras pessoas de bem ajudavam na reconciliação da convivência a dois. Mas aquele caso estava muito difícil e a cada dia mais  complicada e piorava a situação. E agora? O que fazer se todos os recursos disponíveis já haviam esgotados? Não há caso sem solução! Não há jacá sem tampa! Nem dois dias seguidos sem uma noite de intervalo! Um dia passou por lá uma cigana, aquele povo andarilho vindo de outra nação, perambulando para tudo o que é lado em busca de dinheiro para se manter e tomou ciência do caso de nossa majestade e esposa que não viviam bem, não era assunto de sua alçada, não queria se intrometer, mas a má notícia daquela  convivência apimentada lhe comoveu. Puxa vida, pensou a cigana! Um lugar tão lindo e acolhedor que não se acha muito fácil, um povo delicado e prestativo com a gente, fui tão bem recebida e bem tratada aqui. Deu um pulinho até ao palácio real e conversou longamente com os dois monarcas, mas rodeando o assunto e que no final da conversa ficaram muito animados em ter mais um recurso para a situação em que viviam, foi um simples conselho da Cigana! Renovaram as esperanças, tiveram novo ânimo, parece que até mais fé em Deus obtiveram, enquanto esta disse-lhes: Procurem uma pessoa que se sinta feliz de verdade em toda a sua plenitude da vida e tome desta pessoa uma veste, se for homem que encontrarem, peça-lhe uma de suas camisas e o senhor vista-a. E se for uma mulher feliz, que seja uma blusinha dela, e a senhora vista-a, se for um casal feliz, melhor ainda, uma peça de cada e aí serão felizes por toda as vossas vidas que ainda tens pela frente. Avisou-os bem: Não é muito fácil encontrar estas pessoas! Terá que andar muito e ver se os encontra, digo-lhe que encontrará sim, ao menos um, disto podem ter certeza! Nunca desanimem nem desistam do vosso casamento. Ele é uma dádiva dos Céus que devem preservar!  Deus vos ajudarão e ele ficará muito contente em ver os vossos esforços. Lembrem-se sempre: Lá nos Céus também são família: Pai Mãe e filhos. De lá que originou a nossa família. A cigana se foi e o Rei logo pôs em prática o seu conselho, destacou três cavaleiros de sua guarda real e enviou-os á todas as províncias procurando a tal pessoa felicíssima. Pelo seu reinado viajaram muitos dias, casa por casa, mas não encontraram nenhuma com a felicidade completa. Eram sempre incompletas, parcialmente felizes. Não servia de acordo com a receita da Cigana. Viajaram meses, em busca daquilo que daria felicidade aos monarcas. O tempo passa, andam que andam e nada de encontrar o que procuravam. Percorreram todos os reinos. Já iam de regresso para a sua Pátria e tristes por ter que dar satisfações negativas ao casal real, preocupados com a situação vinham desolados, tristonhos, aborrecidos, desesperançados de tanto sacrifício que fizeram e sem nada obterem. Passavam por uma estrada ladeada por belíssimas pradarias, campinas verdejantes, pastagens, invernadas de criações de ovelhas e cabritos, quando de repente ouviram o som de uma gaita de boca lá mais embaixo na beira de um córrego onde havia umas pedras á vista numa belíssima sombra a beira da água e do outro lado um casebre coberto de palha de coqueiro. Avistaram  sentado numa das pedras  um moço bem jovem orquestrando uma suave melodia em sua gaita, tão distraído estava o moço que nem percebeu a presença dos cavaleiros se aproximando dele. Levou um susto seguido de uma risada muito amistosa. Os passantes sorriram também cumprimentando-o cortesmente. O rapaz convidou-os para apearem de suas montarias e sentarem nas pedras o que fizeram sem cerimônia. Depois das saudações costumeiras assim que sentaram um dos cavaleiros vendo a cortesia do moço em trata-los, vendo nele aquele semblante feliz irradiando alegria, mesmo vendo-o trajado na maior simplicidade e sem camisa, cuidando de um rebanho de ovelhas, já foi logo perguntando: Me diga uma coisa amigo: Você é feliz? Prontamente o interpelado respondeu: Sim! E muito feliz! Tenho Deus no coração e Paz no espírito! Contento com tudo que tenho! Vivo bem com todos, em perfeita harmonia. Não tenho riqueza, mas tenho saúde! Não tenho uma casa bonita, mas a que tenho acho acolhedora e me abriga das intempéries! Não tenho um chapéu novo, mas com este velho estou abrigado do sol! Não tenho sapatos novos, mas não estou descalço! Não tenho dinheiro guardado, mas tenho fartura na minha mesa! Tens família? De novo o cavaleiro pergunta. Não senhor, sou solitário! Não é preciso ser casado para ser feliz! Uma coisa independe da outra. Mas se fosse seria bom e mais feliz ainda! Não tenho emprego, mas pastoreio estas ovelhas de meu patrão e ele me recompensa pelo trabalho que lhe presto! Os cavaleiros admirados com as respostas do moço lhe disseram: Vamos até á sua casa e nos dê a sua camisa para nós a levarmos ao rei meu senhor, é que ele vestindo-a será muito feliz assim como você é! Pois ele é muito infeliz no casamento! Ele quer a sua camisa, não importamos o custo dela, pagar-lhe-emos o que pedires, queremos a camisa do único homem feliz nesta terra. O senhor é esta pessoa que custou-nos sacrifício para encontrá-lo! De fato sou muito feliz mesmo, a felicidade mora comigo responde o rapaz! Vamos até em minha casa, é aquele casebre ali do outro lado, mas só tenho uma camisa amigos! Se tivesse duas, estaria vestido uma! Está bem, se ela der ao vosso monarca e sua esposa a felicidade que precisam leve-a, nada lhes custa, é um presentinho meu! Quem tem duas dê uma! E quem tem só uma, divida com quem não tem nada! Diga ao vosso monarca que a felicidade no casamento é assim: Cada cônjuge tem só a metade dela, juntando as duas forma uma só, então  completam-se. Esta metade de cada um foi Deus que lhes deu quando casaram, agora a outra metade que acham que ainda falta, os dois devem buscar no dia a dia de suas vidas. Vivendo em perfeita união! Casamento é uma recíproca doação! Um é a metade dos outro. Nele não há prazo de validade! Não há receita perfeita! Nem garantia de permanência dos cônjuges! Mas ainda tem que deixar de existir: O "Meu e o Seu"! Dali em diante começa a existir o "Nosso"! No inicio da criação de: "Um" Deus fez "Dois"! E no casamento:  De"Dois" ele os uniu, voltando a ser "Um" Um só corpo e uma só carne! O Casamento não é para todos, e nem todos são para o casamento, precisam observar este detalhe, porque há muitos que nunca se casam, e são felizes assim, mas os que se casaram, que sejam unidos! Deus não se agrada de separação ou desunião! Existem pessoas que tem pressa em se casar, as vezes o seu cônjuge nem nasceu ainda. Se apressam e dão com a cara na parede. Tenham paciência e esperem! Boa viagem para vocês! Lá se foram os cavaleiros do rei, felizes da vida!

  CONTOS & COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES

                  ANASTACIO MS, 06/01/2017.

sábado, 31 de dezembro de 2016

SOU O ÚNICO QUE ESCAPOU DA POLICIA! 1ªParte


                                
 Era um homem simples de estatura mediana, lá pelos 1,70m, ruivo, olhos azuis, corpo esguio, massa corporal de proporções normais e bem distribuídas, não possuía um físico atlético, mas era de movimentos rápidos, olhar perspicaz, agudeza de sentidos, percepção normal, até um pouquinho além dos demais, de pouca conversa, de fácil adaptação no lugar que se encontrava, companheiro fiel, de confiança á valores, trabalhador, honesto aquele tipo que parece sabiá, que vai dormir tarde e acordar mais cedo do que os outros, bom jogador de bacará, truco, pif, escopa de 15, 21, pôquer, bisca, e quase todos os demais jogos de cartas, damas, dominó e vai por aí a fora. Bom machadeiro, bom de foice, de enxada e de todas as ferramentas braçais. Andejo, corredor de trechos, parecia que quando nasceu ao dar os primeiros passinhos pisou em rastros de lobinhos. kkkkkkkkkkk. Conhecia meio mundo de peões da sua época, lá pelos anos de 1.930 até quando sumiu, ninguém sabe se morreu. Era nascido em 1.912 natural do Estado da Bahia, cidade de  Mamonas de Ouro. Saiu da casa dos pais com idade de 12 anos, meio fugido deles, tinha vontade de conhecer o mundo. Veio para o Estado de São Paulo num "Pau de Arara" que naqueles tempos era a condução que trazia os nordestinos de suas terras para outros estado em especial o Estado de São Paulo e Paraná, saiam de suas terras natal:  Piauí, Paraíba, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe passando por Minas Gerais e rodando até dois meses de viagem, ele chegou no interior  de São Paulo ali na região de Padre Nóbrega, Marília, Tupã, Sorocaba,São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Rio Claro, Araçatuba, Barretos, Bastos, Ribeirão Preto, Campinas,  Assis que eram cidades pequenas naquela época etc. Percorreu toda a malha ferroviária daqueles tempos: Sorocabana, Araraquarense, Noroeste, Alta Paulista, Mogiana, Central do Brasil por ser quase o único meio de transportes existentes etc. Trabalhando como peão com empreiteiros de derrubadas de matas para o plantio dos cafezais que hoje nem existem mais. Pelo que descrevemos desta simples criatura como os demais homens, parecia ser um ente completo. De temperamento quente, agressivo com as injustiças que presenciava. Saia na defesa dos mais fracos, custasse o que fosse custar. Brigava até por um palito de fósforos se fosse preciso. Não gostava de arma de fogo, dizia que na hora "H" nega fogo, só um punhal ou peixeira que era arma de confiança. Era comum vê-lo metido em encrencas, ligeiro como um gato na frente de cães, ou um curiango quando um gavião lhe ataca, serelepe na frente de um gato,ou em outra comparação, deitado numa rede de descanso a gente cortava uma das cordas e antes dele cair no chão, saltava lá longe e a rede caia sozinha. O homem parecia ser eletrizado, uma coisa sem explicação, parecia ter pacto com alguma entidade, balas nunca lhe acertavam, caso fosse alvejado, de raciocínio rápido, conhecia perigo de uma forma previsível, sabia dos riscos e escapes, sabia onde por os pés com segurança, peão velho e estradeiro não mete a mão em combuca, apesar de ter se metido em muitas encrencas nunca foi riscado de facas e nem de outra arma. Dizia entre risos: O meu couro ainda é de 1ª kkkkkkkkkkkkkk. Sabia se defender mesmo, não largava de ser arruaceiro! Dizia que na frente de um ferro frio a gente se desdobra em mais de dois. kkkkkkkkk. Tem que defender a carcaça de ossos, senão a turma faz da gente um peneira! Comprava briga alheia atôa, mas tinha sorte, se saia  muito bem. Tinha defeitos, traiçoeiro. vingativo, pirracento e perigoso.  Por conta desse seu gênio azedo, tinha dia que não falava com ninguém, amanhecia emburrado, trabalhava sem articular uma palavra. De repente dava uma gargalhada do nada e dali pelo resto do dia era só alegria com a turma. Era misterioso mesmo, irrascivel, encardido nas suas opiniões mas respeitoso com tudo o que era alheio, jamais metia a mão em algo que não era seu. Mas também possuidor de uma fé que só ele sabia como cultivar, dizia sempre em alguma situação complicada e embaraçosa: A providência Divina é maior do que tudo isto que meus olhos estão vendo! Isso é nada para nós! Só isto que sabia dizer além de um Pai Nosso e Ave Maria que rezava antes de se deitar e se levantar! Um homem imprevisível e de um companheirismo de causar admiração, prestativo e servidor, não era mesquinho nem avarento, não tinha usura ou ganância por dinheiro. Prejuízo pouco é lucro dizia sempre. Como peão do trecho igual aos montes que na época existia era possuidor de uma grande qualidade: Não era cachaceiro! Se bem que vez por outra tomava uns goles somente para ficar com o corpo maneiro. kkkkkkkkkk.  Assim dizia! Era um grande companheiro, se chamava João Leite, gostava de chamar os companheiros de "Cunhado" Os peões de nosso tempo eram assim: Não tinham estudos, muitos nem o nome sabiam assinar, mas sabiam brigar de facas, de navalhas, rabo-de-arraia, cangapés, cabeçadas, capoeiras ao toque do berimbau, e outras lutas da cultura nativa e afro-brasileira, jogo de rasteiras, com armas de fogo, saiam do alvo livrando-se das balas, jogavam rasteiras, lutavam no braço, no facão, na ginga, atiravam bem com diversas armas de fogo: Garruchas, ou rabo-de-égua aquelas calibre 380 ou 320, Colt cavalinho, até cortavam um palito de fósforos na cabeça de um toco á 15 metros de distância lá no meio da derrubada ou roças, outros furavam laranjas ou limões atirado por outra pessoa no ar antes de cair no chão. Não tinham cursos de lutas nenhum mas brigavam de cacetes, jogavam areia nos olhos do inimigo e davam-lha a maior surra. Nem sabiam o que era anatomia mas conheciam os pontos fracos do corpo humano nas brigas. Era uma geração de homens perigosos. Por conta dessas aventuras ninguém tinha paradeiro certo, não tinham casas de moradia, a casa dos peões do trecho era o chapéu. Andavam igual ciganos, levavam a vida só trabalhando para um e outro patrão, se o serviço fosse grande ali ficavam até terminar, levasse o tempo que fosse. Quando tinham folga entre um serviço e outro iam para a cidade passearem, se divertirem e bagunçarem  também. Certa ocasião trabalharam para um japonês e no acerto das contas se desentenderam, os japoneses naquele tempo eram ótimos patrões, salvo um ou outro safado que não gostava de pagar os "Gagins" pelo serviço feito ou pagavam pela metade do combinado. Deu encrenca, fizeram um pampeiro de brigas, uns quatro japoneses foram defender o patrício, até mulheres japonesas entraram pelo meio, mataram um japonês, moeram outro no pau e machucaram gravemente a mulher dele com uma foice, os outros correram. Vendo o morto e a mulher quase morta também, caíram na "Folha", sumiram todos, ele o João e mais três companheiros. Mudaram de região, foram para o Paraná e lá ficaram por muito tempo. Passou mais de ano e um dia voltaram, mal chegaram e já fizeram outra bagunça num bailinho familiar na corrutela. O dono da casa dissera que peão nenhum era para dançar ali, mas eles entraram na marra e por causa de  uma moça noiva que não quis dançar com eles, atiraram no pé dela e foi aquela confusão. Bateram no noivo, e acabaram com a festa. Antes que a policia fosse acionada, sumiram de novo, foram para o mato trabalhar numa derrubada. A policia procurou-os em todas as turmas de empreiteiros, estavam num português empreiteiro, mas este negou a presença do João Leite e seus companheiros bagunceiros. Ficaram escondidos lá por muito tempo. Como a policia não desiste, foram numa boca de noite de domingo para segunda feira no dito acampamento do português ver se pegavam os tais. Estavam todos deitados para acordarem amanhã cedo e irem para o eito. Mas em silêncio total, andavam desconfiados com a surpresa da policia. O cozinheiro ouviu um barulho de carro parando ao longe na estrada e avisou a turma. Foram dormir no mato, de repente a policia chega de supetão, cercou o barraco deles e deu voz de prisão em voz alta para todo mundo. Ninguém corre, se correrem nos atiraremos, estavam munidos de lanternas potentes. O sargento entrou no acampamento e deu de cara só com o cozinheiro na beira de um fogo passando um café, ficaram sem graça por não encontrar ninguém! Reviraram os barracos embaixo das tarimbas e tudo vazio. Pediram informações e tiveram como resposta: Estão todos para a cidade, só voltarão amanhã á tarde! Os caras de pau ainda tomaram café, pediram desculpas e foram embora. Não voltaram mais. João Leite e seus companheiros  passaram uns seis meses longe da cidade. Sumiram mesmo, desapareceram do mapa. Mas como os vivos sempre aparecem, um dia sem ninguém esperar apareceram por lá onde bagunçaram no baile. Só que andavam espalhados iguais a quati mundéu, logravam a policia assim, viram os policiais e deram no pé de novo, daí uns quinze dias voltaram na corrutela outra vez. Como a patrulha andava de prontidão sondando quem entrava na cidadezinha, um deles viu a quadriga, e desta vez juntos entrando num bar, avisou os demais policiais e fizeram um cerco no local, seis policias contra os quatro arruaceiros, o dono do bar gritou: É a policia, não dando tempo para empreender a fuga e quando se viram cercados o jeito foi enfrenta-los. Foi um quebra-pau daqueles, se via cadeiras voando para todos os lados, mesa  empurradas outras de pés para cima prateleiras derrubadas, vitrine aos cacos, garrafas atiradas contra a policia, naqueles tempos a policia não atirava em ninguém desarmado, pegavam o fulano a unha seca, na raça, no braço, na pancadaria, no cacetete. Mas o João Leite era barra pesada mesmo, sozinho derrubou dois soldados, um com areia nos seus olhos e outro na rasteira, batia neles de pés de cadeiras, estava em vantagem quando um dos seus companheiros esmoreceu perdendo para um adversário, ficando quatro a três ainda, mesmo assim o sargento sacou a arma e gritou com a pistola na mão: Parem, senão mando balas! Lá vai chumbo! Obedeceram e acabaram sendo todos presos! O João não levou um arranhão sequer... [Continua]

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         COLEÇÃO DE CONTOS VIDA DE PEÃO".  31/12/2016

SOU O ÚNICO QUE ESCAPOU DA POLICIA! 2ªParte


Oito dias de cadeia e previsão de um processo pesado neles. Seriam todos condenados com certeza, mas o João disse aos companheiros lá na cela antes de serem interrogados: Eu assumo a culpa de tudo! Joguem tudo sobre mim, digam que sou o único culpado e assim vocês ficarão livres, não preocupem comigo, eu sei me virar.  Zarpam daqui, sumam lá para ao Paraná. Um dia a gente se encontra! Deu certo a tática! Foram os três livres e o João condenado! Depois de tudo resolvido o sargento lhe disse: O senhor é valente mesmo, perigoso, parece um raio, tal e qual nos informaram! Eu admiro o senhor! Viemos prevenidos para darmos o maior cacete em vocês, não queríamos mata-los, nem prende-los, viemos seis contra quatro ainda assim quase perdemos a rinha! Se os seus companheiros fossem bons como o senhor, teríamos fracassado, é uma pena termos que eliminar o senhor de uma vez por todas! Vai morrer sabia? Vermes como o senhor não pode viver na sociedade,  tem que ser banido. Será fuzilado sem apelação! Antes porém te faço uma proposta: Porque não veste a nossa farda e fica do nosso lado? Será muito útil para a nossa corporação! Venha conosco que te livro da condenação! Em breve será promovido! João Leite era atrevido de natureza e agora inda mais por ter conhecido a primeira derrota, e ainda para a policia que ele tanto tinha nojo. Respondeu ao sargento: Não sou Cachorro! Não gosto de mata-cachorros. O Sargento replicou: É melhor ser cachorro do que ser defunto! João calou-se! Pense bem esta noite, se resolver amanhã estará livre relutou o sargento. Sabemos que a policia insulta os presos quando estão sob o seu jugo, desafora-os, maltrata, xinga e abusam até dos infelizes algemados inda mais se ferem um dos companheiros. São vingativos mesmos. Diziam: Chegou o seu dia amigo! Nós todos sabíamos que um dia você caia! Sozinho bateu em dois companheiros nossos que estão no hospital um com a cara quebrada, e outro quase cego! Rasgou a farda de mais um que escapou com a barriga riscada do seu punhal sanguinário, só está ferido, és muito perigoso e ligeiro mesmo! Mas sua valentia vai acabar lá no Rio Paranapanema. Fuja agora, queremos ver se é bom mesmo! Previna-se, vais morrer baleado e afogado nas águas do rio. kkkkkkkkkkkkkk. No dia seguinte pegaram-no e puseram num Jipe, algemado e o levaram para a beira do rio que distava alguns quilômetros da corrutela, lá num lugar ermo onde ninguém ia, nem ao menos pescar. Naqueles tempos tinha até onças nas beiras dos rios, não eram desbravados os sertões como é hoje. Rodaram um tempo naquelas estradas de chão batido, cheia de poeira buracos e solavancos, enfim chegaram! Apearam do Jipe e o João  seguia no meio dos dois, na frente ia o sargento abrindo passagem entre os ramos e folhagens, chegaram numa pequena clareira e praia onde tinha algumas pedras grandes. Mandaram o João sentar numa pedra pequena e aguardar. João olhava aquelas águas tranquilas e serenas do Paranapanema que por certo seriam a sua sepultura. Manjou uma pedra com uma parte emersa lá mais ou menos no meio do rio e abaixo, poderia ser a sua salvação, quem sabe né?. Enquanto isso o soldado catou uns gravetos e folhas secas, fez um fogo entre duas pedras pequenas, parecia um fogareiro , gerou brasas e eles dois assaram um pedaço de carne que levaram para a matula, comeram com pão, tomaram até umas pingas, uma cachaçada leve só de dois, e nem sequer ofereceram um pedacinho de pão e carne para o miserável que ia morrer dali alguns instantes. O soldado quis oferecer a ele mas o sargento não deixou dizendo: É desperdício , defunto não precisa de comida. Comida dele é capim pelas raízes, mas este será lama do fundo do rio. Igual á cascudos e bagres. kkkkkkkkkk.  O pobre do João estava com uma fome de guará, havia dormido sem janta e já era umas nove horas da manhã ou mais. Sua barriga roncava, e se lembrava de tantas situações aflitivas por que passara na vida e das bagunças que aprontara, sempre se saia bem! Pensava na vida e na morte! Morrer agora e ainda com fome? Isso não é brincadeira! Mas era a verdade nua e crua! Mas algo lhe dizia nos ouvidos, Deus é maior João! Ele providencia tudo na hora certa! Aguenta a marimba aí! Sabia que a policia não tem coração, nem pena de ninguém, são odiosos e carrascos mesmo! O sargento foi no mato um instante deixando o fuzil encostado numa  pedra há uns dois metros e pouco do João, o soldado era descuidado e afastou também, o João sentiu cócegas nos pés para dar um salto felino e alcançar a arma. Ah! se pegasse a arma! Mataria os dois com certeza, mesmo algemado! O sargento olhou para trás vendo o soldado descuidado e com a garrafa de pinga na mão, deu um berro no praça: Está louco homem? Se o preso pegar esta arma estaremos mortos! Cuide dele seu FDP.! O ânimo do João se esfriou! Estou perdido mesmo! Desta não escapo! Ótima chance, mas perdi! Lhe sobreveio um pensamento: Se me jogarem nas águas algemado, não terei chance nenhuma de sobreviver! Mas o Sargento voltando disse ao companheiro: Vamos pegá-lo de dois: Eu pego nas pés dele e você nos punhos, balançamos ele e o atiramos nas águas, depois você pega o fuzil e faça o disparo, você capricha assim que ele boiar, certeza que ele vai mergulhar, antes porém tira as algemas dele, se alguém encontrar o corpo morto assim, a policia será incriminada, as algemas nos condena! Tudo certo, tudo bem planejado! Nisto o João criou novo ânimo ao ficar com os braços livres, sorriu por dentro, sentiu que era capaz de vencer mais esta luta pela sobrevida, pois na água só uma piaba para nadar mais do que ele. Pensou: Deus, o senhor é maior do que tudo que há nesta terra! Senhor, me livra das mãos destes dois carrascos, destes dois facínoras! Limpou a garganta e suspirou fundo!- Chegou a hora!!!!   Subiram numa pedra alta bem na margem do rio, balançaram ele duas vezes e na de três jogaram-no lá embaixo, seu corpo caiu nas águas a uns cinco metros longe da margem. O soldado apurado desequilibra e escorrega na pedra, mas pegou o fuzil e destravou-o,  ficou esperando o homem boiar. Enquanto isso no mergulho que dera, desceu água abaixo para facilitar a velocidade do nado submerso, parecia que até a água lhe ajudava, tinha maior correnteza embaixo, antes porém não esquecera da pedra, memorizara bem a distância da pedra lá no meio do rio, marcou no sentido de alcançar ela. Deu certo! Sentindo que seus pulmões iam estourar sem ar, deu uma rápida boiada só de rosto já chegando na pedra, era um milagre mesmo mergulhar daquele tanto, nisto ouviu um disparo e uma bala passou pertinho de sua cabeça  mas acertou e ricocheteou na pedra e saiu zunindo. Ele afundou de vez, logo sentiu as mãos roçarem na bendita pedra, rodeou-a e ficou igual uma perereca grudado nela mas por trás descansando, resfolegou, tomou ar a vontade! Deu uma espiada de lado da pedra e viu os dois lá olhando para ela, esperando o João aparecer, quando viram-no mandaram balas, que só acertava na pedra e saiam cantando, sibilando no ar. João escondeu de novo, deu mais uns instantes e alinhou os dois com a pedra a um ponto na margem oposta do rio, mergulhou de novo, saiu embaixo de uns arbustos que roçavam as folhas na superfície das águas. Subiu na barranca, entrou no mato e subiu rio acima ficando de frente com os dois lá do outro lado que não acreditavam que o João escapara das balas. Kkkkkkkkkkkkk. ria o João! Pensou consigo positivamente: Nasci de novo! Vou viver mais cem anos! Tirou a roupa molhada, torceu-a e deitou no chão  de bruços, ficou vendo por entre as folhagens que roçavam na areia da praia que horas os dois iriam embora. Jogaram areia e água no fogo, os restos do que comeram jogaram para os peixes, deram a ultima olhada para a pedra onde estivera a sua vítima e esta o salvou da morte certa. Balançaram a cabeça desolados, saíram cabisbaixo e foram embora desapontados com o insucesso da tarefa que lhes foi confiada. Disseram um para o outro: Que homem de sorte! Imprevisível! Escapou ileso mesmo! E agora o que dizer ao superior? Nada, disse o soldado, missão cumprida e pronto! Fui eu quem o executei, o senhor sargento não precisou fazer nada! O sargento concordou e foram embora dizendo: De uma coisa estejamos certos: Nunca mais o pegaremos! Viva a vida que Deus nos deu! Pensava sempre o João Leite kkkkkkkkkkkkkkkk.

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  COLEÇÃO E CONTO VIDA DE PEÃO  ANASTACIO MS. 31/12/2016

sábado, 19 de novembro de 2016

O CARCEREIRO QUE ERA "BATELÃO"

         
                                       
Certa ocasião numa cidadezinha interiorana do Estado de São Paulo que era muito distante dos grandes centros, lugarzinho onde toda a população era dada ao trabalho, os garotos frequentavam uma escolinha de três salas de aulas, os chefes de família trabalhavam nas roças, ali nas redondezas. Os idosos também ainda davam um murro danado nas capinagens das roças diversas, nas colheitas e na ruação dos cafezais, roças de amendoins, algodoais, canaviais, nas criações diversas pois naqueles tempos não haviam aposentadorias como nos dias de hoje, as idosas eram na sua maioria rendeiras, teciam redes, baixeiros de lã de carneiro e outros artigos do gênero. As moças ajudavam seus pais na roça. Outras que seus pais tinham comércio, ajudavam nos armazéns e lojinhas. Sabem aquelas cidadezinhas pacatas? Esta era uma delas. Não se ouvia e nem viam violência de modo nenhum. Tinha uma delegacia pequena, seus funcionários e o delegado quase não tinham o que fazer, depois de cumpridos os horários do expediente iam aos bares bebericar ou para suas casas. Três soldados da polícia, um sargento, e um cabo, faziam a ronda por obrigação e tiravam plantão na cadeia que era pequena também, isto  quando tinha prisioneiros, tinha duas celas, uma varandinha na frente, uma saleta, uma cozinha, uma dispensa e um quarto onde o plantonista dormia depois das 23:00 horas. Além do carcereiro um baita de um polaco de quase dois metros de altura. Tinha fama de batelão, ganhara este apelido porque não tinha dó de ninguém, para bater nos outros era com ele mesmo, era o corretivo dos malandros, quem caísse nas suas mãos estava perdido, sua fama foi longe, era temido, quase só por isso que ninguém ousava arranjar encrencas por nada com medo de ir preso e cair no laço. Sempre esta tarefa é dos policiais, mas ele tomou a frente por ser mais antigo na organização de segurança local e por instinto de perversidade. O delegado não se importou, com a sua atitude, sem problemas dissera. Então o polaco cresceu dentro da profissão de surrar quem merecesse na cadeia. Na cidade tinha um motor estacionário importado e movido á óleo cru lá no alto de uma das ruas que fornecia luz até as 22:00 horas, isto quando não enguiçava e ficavam sem luz até por três dias. Energia diária eram só para o comércio, bares, armazéns, sorveterias, duas pensões e um hotel pequeno e nada mais. As iluminações noturnas de um modo geral nas casas eram lampiões a querosene e lamparinas, quem tinha uma lâmpada elétrica em casa era só os burgueses.  Dali nunca surgiram malandros ou ladrõezinhos baratos, pois todos os meninos e jovens eram bem criados e sabiam só trabalhar com seus pais. A noite quase ninguém saia, a não ser nos fins de semana quando tinham quermesses na igreja católica, missas ao anoitecer e alguns terços em casas de família, um bailinho familiar para os moços e moças se divertirem e namorarem, até mesmo arranjarem casamentos, em épocas das festividades também. Aos domingos iam ao campo de futebol ver as peladas do povo dali mesmo, havia jogos de: Maias, bochas e raias, corridas de cavalos e jogos de truco para os idosos até mesmo nos vizinhos á noitinha e aos sábados de tardezinha. Domingo á tarde lá pelas cinco horas encerrava toda as diversões, pois amanhã é segunda-feira, dia de trabalho. Esporadicamente aparecia por lá algum forasteiro vindo de outras localidades, as autoridades dali já percebiam a presença do estranho, lugar pequeno é assim, todos conhecem todos, se tivesse algum de passagem ou procurando algum parente ou serviços braçais não era incomodado por nada, mas se a policia desconfiasse que era algum vadio vindo de outro lugar advertiam-no, aqui não deixamos ninguém ficar vadiando pelas ruas em dias de semana. Se teimasse iria preso e o carcereiro da cadeia dava um banho de borracha e salmoura no dia seguinte para ir embora e não voltar mais ali. Ninguém faz ideia de quantos por ali passaram. Num dia desses os policiais na ronda costumeira deram de encontro lá pelas 22:00 horas com um sujeito desconhecido dali e de todos, andando a esmo pela rua procurando um espaço para reclinar a cabeça nem que fosse em alguma porta ou portão fechados. Era um moço bem novo, aparentava uns 25 anos, robusto, bem dotado fisicamente, boa altura, lá pelos  1.85m ou mais. Aqueles sujeitos de pouca conversa,  e que presta atenção em tudo o que lhe dizem. Boa aparência mas muito mal arrumado, apenas com um embornal de roupas sujas dentro, um sabão, uma pasta de dentes e uma toalha velha da cor do chão. Parece ter vindo de longe e com muitos dias de viagem. Dava até pena do moço. Foi interrogado pelos seguranças rondando naquele horário,  obtiveram como resposta do individuo: Não sou daqui, venho do norte e a procura de serviços, sou sozinho no mundo, não tenho família, parentes e nem aderentes, não conheci meus pais, fui criado por terceiros e ando pelo mundo  desde meus 14 anos de idade em busca da sorte, quem sabe ela está por aqui. Nunca fiz mal á ninguém, não sou mau elemento como os senhores estão pensando, mas estou em vossas mãos, durmo nas portas de algum bar ou armazém se o seu dono deixar. Quando tenho dinheiro paro na pensão ou hotel, hoje estou sem recursos. Parece que a sorte me abandonou, mas corro atrás dela mesmo assim. Aqui não tem sorte para pessoas como você, estranhos, vagabundos, sem o que fazer, sujo e maltrapilho sem documentos sem nada que vos identifique, lugar deste tipo seu, aqui conosco é na cadeia, e lá tem um carcereiro que cura qualquer doente da mente ou outra doença. Ele bate colocado, sem errar uma "Lapada" disseram os dois policiais. Estenda as mãos, queremos vê-las se tem calos nelas e se trabalha mesmo! O rapaz fez o que lhes foi ordenado. Tinha calos sim, e nos pés tinha uma botina "Testa de touro" bem conservada até, está bem, responderam os policiais. Colocando as algemas no rapaz disseram: Não podemos deixar você á esmo por aí. Qualquer policial só pensa mal da gente. Para eles só existem pessoas más e delinquentes. pensou o moço. Vamos andando, dormirá na cadeia esta noite e amanhã pela manhã terá uma surpresa, o batelão está sem serviços há algum tempo, está com as mãos coçando, o chicote está sujo e precisa ser limpo nas costas do primeiro que chegar, você foi premiado. O rapaz ficou calado com aquele deboche á suas custas. Sem querer já tinha arrumado um grave problema. De fato fazia muito tempo que não aparecia ninguém por aquelas bandas para ser surrado pelo Polaco. Parece que até a vizinhança da pequena cadeia davam por falta dos gritos de socorro de algum "azarado" que por certo cairia na "peia". Aquele espetáculo era rotina quando tinha freguês. Lá se foi o rapaz sem oferecer resistência alguma na ordem de prisão dos policias. Cadeia vazia, sem plantão, sem nada dentro. Cela empoeirada, teia de aranhas para os cantos e um colchão velho de capim lá num canto. Os dois fecharam o moço e trancaram o cadeado, foram embora rindo do infeliz e da má sorte que o esperava assim que o dia amanhecesse, passaram na casa do "Polaco" e lhe avisaram que tinham novidades para ele, este ainda estava acordado e jogando damas com o seu vizinho. Está bem e obrigado, disse aos policias. Amanhã veremos. Quando amanheceu o novo dia e no café da manhã a sua esposa estava apreensiva e disse-lhe: Esta noite tive um sonho muito ruim com você amor, eu via você deitado no chão e em silêncio, será que você vai morrer? É um aviso que algo não vai bem em nossa vida? O que será que é? Que nada querida responde o Polaco, sonhos é pura tolice. Estamos bem. Trocou de roupas e foi lá para a cadeia, era uma subidinha, a cadeia ficava lá no alto ao lado do campo de futebol, o vizinho mais próximo ficava uns cem metros dali, era isolada a casinha de detenção. Quando o Polaco chegou e adentrando o recinto com ares de superioridade, semelhante a um leão quando olha os outros animais felinos com desprezo, com pouco caso, ostentando a juba que é sua corôa de rei da selva. De fato o Polaco era uma fera, parecia um gato faminto quando pega um camundongo indefeso, viu o sujeito encolhido num dos cantos da cela. Nem bom dia falou, só avisou-o: Sabe quem eu sou? Sou o Polaco! O terror dos vagabundos, sabia? Ninguém passou por aqui duas vezes, a não ser que não tem dó do couro do lombo. Prepare-se: Faz tempo que não coço as costas de vagabundos. O rapaz ficou olhando aquele monte de músculos com um chicote, um rabo-de-tatu na mão, aqueles que tem uma argola grande de metal amarelo por onde se enfia a mão, estava na   esquerda, e um 32 niquelado por baixo da camisa, um pedaço de pau roliço emborrachado do outro lado. Pensou consigo: É tudo ou nada! Você ou eu, meu camarada! É agora ou nunca! Será a vida ou a morte para um de nós dois! Por ser um sujeito andado, do trecho, do mundo, escolado na vida, conhecia quase todas as situações de embaraços, e os percalços desta vida, as dificuldades que ela impunha aos menos favorecidos pela sorte, como sair ou encontrar soluções diversas, tinha aprendido muito nestes 25 anos de vida até ali. Era um dos maiores desafios que contemplava agora! Ficou estudando o carcereiro e seus movimentos enquanto abria o cadeado, abriu e adentrou a cela, virando-se de costas para o moço enquanto trancava o cadeado por dentro para que o prisioneiro não tivesse chance nenhuma de escapar, era a sua técnica maléfica de judiar dos infelizes que os tinha em suas mãos. O moço levantou e ficou em pé no canto onde estava sentado. Com os braços livres ao longo do corpo, como faz o herói do faroeste, movendo as mãos, fechando-as e abrindo, pronto para o que der ou vier. Parecia um felino preparando um golpe mortal na caça! Ou o macharrão da pintada quando esta sobe e ele fica sentado no chão fazendo caretas para o caçador, acuados por cães com cincerro no pescoço. Sabia que estava em desvantagem frente aquela temível fera, mas lutaria pela vida sem temer nada! Era um homem de coragem sem dúvidas, ainda mais que as circunstâncias do momento obrigavam-no ser como uma pantera acuada na mata. Dizia de si para consigo: Se pensa que não sei me defender? Está muito enganado! Desta vez casará a sua filha mal-casada! Quando o Polaco virou de frente para ele recebeu um coice duplo, aquele dos pés juntos, uma espécie de tesoura voadora, mas fechada ali na parte íntima, ali nos países baixos, onde nós homens não suportamos dores, no golpe rápido, preciso, fulminante, e como um relâmpago o moço já estava de pé, novamente pronto para um novo ataque caso o primeiro não surtisse o efeito desejado. Mas foi fatal o primeiro. O homem carcereiro esmoreceu, viu o Polaco caindo sentado de costas para a porta da cela, sem ao menos esboçar um gesto de defesa, com as duas mãos segurando os órgão genitais  e cego de dor, o homem esmorecido, se entregou de vez, o rapaz prisioneiro deu um segundo golpe com os joelhos, somente no rosto do batelão que estava curvado para a frente, pois tentara levantar, acertou-lhe o rosto em cheio, este rolou no piso, parecia um lutador profissional que não erra um golpe, tomando-lhe o rabo-de-tatu das mãos, virou-o dando duas argoladas na cabeça, que espirrou sangue nas paredes, pegou o cacetete e deu-lhe várias pancadas na nuca para desequilibrá-lo definitivamente. Este gritou por socorro! Gritava para tudo o que era Santo que do seu nome sabia! Uma gritaria sem fim! Berrava igual macaco na peia! Nada adiantou! Aquilo era normal O rapaz batia-lhe no rosto, na boca, no nariz, na cabeça em qualquer lugar onde a cacetada acertasse.  Batia nas suas mãos para quebrar-lhe os dedos, batia lá em baixo, Tirou-lhe as armas, com ele já mole no piso de tanto apanhar. Não esmoreceu, não teve pena, bateu-lhe até cansar. Tomou um fôlego, olhou bem para o batelão já entregue para as baratas, tirou o molho de chaves da cintura deste, abriu a cela, voltou e tirou-lhe as roupas, deixando-o semi nu, antes porém meteu a mão num dos seus bolsos, tirou um punhado de areia ajoelhou no seu ventre, de joelhos na barriga dele, abriu os olhos do carcereiro com os dedos e meteu areia neles sem dó nem piedade, socou com a ponta do cacetete, o Polaco só gemia, nem forças tinha mais para gritar por socorro,  levando as roupas do carcereiro saiu com a maior naturalidade andando, assoviando como se nada tivesse feito de errado e foi-se embora deixando-o trancado com cadeado  por fora, levou as chaves também! Atirou-as bem longe dali! Levou só a arma de fogo no seu embornalzinho. Lá se foi o moço a procura de sua sorte! Ninguém deu por fé daquela situação que o Polaco se encontrava! Ninguém se preocupou com aqueles gritos de clemência e socorro pelo carcereiro que ecoavam longe e todo mundo ouvia. Alguns da vizinhança sentiam dó daquela infeliz criatura que o carcereiro judiava, pensando que era outro preso. Outros davam risadas. Era rotina aquilo. Já virando o meio dia alguém sentiu falta dele, a sua esposa!  Demorava chegar! Foi na cadeia e deparou com aquele quadro horripilante. Quase desmaia de tanto terror! Saiu gritando para todo mundo que seu marido estava morto e trancado dentro da cela. Delegado e seus policiais fora acionados. Em menos de quinze minutos a cidade toda sabia do acontecido. Vieram todos e mais a multidão de curiosos para verem o ocorrido. Tiveram que serrar as grades para tirá-lo.O delegado disse-lhe porque não pediste socorro a nós, homem? Ele respondeu: Gritei tanto mas ninguém me ouviu, nem me socorreu. Os populares acrescentaram: Quem esperava uma coisa dessas? Isto nunca aconteceu! A gente pensava que era outro caindo no cacete. Um dos mais experientes na vida retrucou: Há sempre a primeira vez gente! Outra coisa: Quem vai dar, tem que ter um saco para trazer! Poderá ganhar também! Não há primeiro sem segundo! Outros disseram: Em quantos infelizes ele bateu sem dó! Este nunca mais baterá em ninguém, podem crer! Um velhinho pra lá dos oitenta em meio á multidão observou: Até que demorou para isto acontecer! O mundo ensina quem não sabe viver! A terra clama ás dimensões superiores quando nela tem demais injustiças e sangue inocente.  Este rapaz veio a este lugar sob encomenda da justiça Divina! Capricho do destino! Ninguém sabe se alguma vítima  praguejou o polaco  para que isto acontecesse! Ou se alguma mãe ou pai de um filho tão querido se ajoelhou e clamou por juízo? Tudo pode acontecer, homem é um ser mais imprevisível e perigoso que se conhece. Este desconhecido tem um cunho de justiceiro, algo do sobrenatural flui deste ente estranho. Nunca saberemos quem é ele! O homem evaporou, nem vimos quando chegou aqui e nem quando ele foi embora. Levaram o Polaco para outra cidade em busca de socorro, todo mole, arroxeado, alquebrado e da cabeça aos pés banhado de sangue, o rosto parecia uma jaca de inchado e cheios de caroços, ou hematomas com sangue pisado, não conseguia se mover, parecia um morto mesmo. Olhem o sonho da sua esposa dando certo! Ficou um mês e pouco no hospital, quando saiu ficou cego para o resto da vida! Ditado popular: Aqui se faz, aqui se paga!

      "COISAS DE CABOCLO DE LUIZÃO-O-CHAVES" 18/11/16

   

CULTURA SERTANISTA QUE NOS DIVERTEM PARTE-04

                           
                             O QUE É O QUE É, ADIVINHA?

01-O que é que enche uma casa e nunca enche uma mão?
02-De manhã esta atrás, meio dia esta embaixo e a tarde está na frente?
03-Numa casa tinha sete mulheres, cada mulher tem sete gatas, cada gata tem sete gatinhos, entraram no carro e foram passear, um homem que tinha um gato pediu carona, elas disseram aqui não cabe mais ninguém! Leve ao menos o meu gato ponderou ele. Elas aceitaram. Quantos que ficaram?
04-Lambi e lambi com muito jeito no seu fundinho meter eu consegui?
05-Que diferença há entre o Paraná e uma agulha?
06-O que é que quanto mais tira mais aumenta?
07-Qual a parte do boi que chama cão?
08-O que é que começa no fim e termina no começo?
09-Duas mocinhas gêmeas que moram no mesmo prédio, nunca se veem?
10- Qual é a roupa que a esposa usa e o marido não vê?
11-O que é que da mulher casada é mais larga, da solteira é estreita?
12-Amanhece comprida ao meio dia é redonda e a tarde se estica toda?
13-O que é que a mulher casada ganha do seu marido e dali em diante não passa sem?
14-Quem morreu duas vazes para depois ser enterrado?
15-Pela manhã é 4 meio dia é 2 a tarde é 3 e a noite é 6?
16-O que é que cresce para baixo até arrastar no chão?
17-Quanto mais se tira mais aumenta?
18-Quanto mais se perde mais tem?
19-O que a mulher tem na frente que cheira: Azedo, peixe, fígado e sangue?
20-Quem é saiu de duas barrigas?
21-O que é que na cidade só tem um e no campo nenhum?
22-Eu estava em casa, vieram me chamar, a casa saiu pelas janelas e eu não pude me escapar?
23-Quanto mais seca mais molhada fica?
24-Ataque dali que eu cerco acolá, quando não tinha me prometeu e hoje tem por que não quer me dar?
25-Vou trabalhar para você a razão de R$0,01 por dia, á dobrar nos dias seguintes. No final dos 30 dias quanto deverá me pagar?
26-Tem um burro morto de fome e sede, dei-lhe uma bacia com água e um maço de capim, qual ele abocanha primeiro?
27-Pés na estrada, olhos no ar, barriga no chão  as costas lá em casa?
28-É nascido duas vezes e só na segunda que vai ser criado?
29-Qual a única mulher que seu sonho está registrado na escritura sagrada?
30-Está na igreja, no cemitério e em sua casa dentro da água?
31-Estando sentada é mais alto do que em pé?
32-Pela manhã é 4, ao meio dia é 2, á tarde e 3 e a noite é 6?
33-Capote sobre capote mas sempre do mesmo pano, para tu adivinhar te dou prazo de um ano.
34-Altas torres com belas janelas se abrem e se fecham sem ninguém tocar nelas?
35- Porque o pé esquerdo dos  moleques é sujo de tiririca?
36-Se não posso fazer mais amigos o que devo fazer? 
37-Quais os dois pés mais pesados que existem?
38-Branco de nascença,preto de natureza, morte pra ele é vida e vida pra ele é tristeza?
39-O que a moça faz quando completa 15 anos?
40-Quem é que corra com os joelhos para trás e ninguém o alcança?
41-Que diferença tem um japonês e um brasileiro, ambos em pé e sentados?
42- O que é uma casinha de 4 esteios com uma telha só com um fole e um chicote?
43-Quem é que corre no lugar sujo, chega no limpo pára?
44- Tem medo do escuro, só fica no claro?
45-Qual é a única mulher que sabe onde está seu marido?
46-O que é, o que é? Nasce em pé mas corre deitado!
47-Atirei no que vi, matei o que não vi. Tirei lasca de pau- santo assei e comi. Morto carregar vivos coisa que nunca eu vi?
48-Vi na estrada parecendo cipó. Com que lhe cortei era ruim, mas o bicho era pior. A fruta da arvore era boa mas a raiz era melhor.
49-Quanto mais tiro mais aumenta?
50-O que faço com a mão esquerda que a direita nunca faz?