segunda-feira, 30 de setembro de 2013

QUEM NÃO TIVER PACIÊNCIA NÃO ENTRARÁ NO CÉUS




Morava numa bifurcação de estradas um casal de camponeses onde era quase uma parada obrigatória de viajantes. Por aquele trecho passavam pessoas vindas de todas as direções daquele ermo de sertão, muito longe de qualquer cidade que alguém pudesse imaginar. Parecia uma travessia de um lado do sertão para o outro. O casal eram pessoas alegres, prestativo e servidor é obvio que teriam que serem assim, porque afinal de contas o lugar que moravam eram quase isolados da civilização. Os tempos eram diferentes dos de hoje; as pessoas eram na sua maioria de respeito, amizades verdadeiras, era muito difícil ver alguém desocupado a vadear por aí com más intenções ao seu semelhante, como é nos dias de hoje. Como dissemos no inicio desse conto, era uma estrada que bifurcava como um ypsilon bem aberto. Como diz o caboclo eles moravam bem no meio da forquilha com a frente para o lado que vinha dar na bifurcação. Casinha bem arrumada com varandas ao redor, muitas árvores frutíferas no quintal nos fundos tinha um poço de agua muito boa, com sarilho e alguns tambores para enchê-los além de um chuveiro de campanha dependurado na cumieira de um galpão que servia de banheiro só para banhos mesmo, o outro banheiro era uma fossa mais distante da casa. Tudo muito simples, mas de acordo com as necessidades básicas Sempre havia viajantes que por ali pernoitavam. Outros apenas descansavam um pouco, depois seguiam sua viagem. Raro era o dia que não passavam gente por ali gente á pé ou a cavalo. Com cargueiros, com tropas, até com algumas reses, com carros de bois, carretas o que naquela época era muito comum. Era na verdade um ponto de informações muito seguro. Além de ser um boteco destes de beira de estradas, bem ajeitado. Como o sertanejo viaja a qualquer hora que for preciso, ali o pobre homem com sua esposa quase não tinham sossego, ás vezes fora de hora aparecia viajante pedindo informações tinha que dar porque eles não sabiam que rumo seguro tomaria quando chegasse ali, seguir por qual das estradas, se eram duas agora Não existia nada que serviam para indicar o caminho a seguirem. Isto era qualquer hora do dia ou da noite ás vezes até de madrugada tinha gente batendo palmas pedindo informações, outros pediam pouso, pediam o que comer. Tinha dias que o morador estava com o“Saco” cheio, de tanto que atendia as pessoas. Nem podia dormir direito, lá vinha um batendo palmas, atendia aquele, quando estava no melhor do sono. De novo outro amolando, já estava para mudar dali para ver se sossegava um pouco daquela situação. A esposa dizia: João, tenha paciência com estes pobres viajantes, eles não sabem, tem que perguntar mesmo. Ponto de estradas e boteco é assim mesmo! Está bem dizia ele. Mas este povo  parece que nem dormem, ainda não deixa nem a gente dormir também.Uma época que poucas pessoas sabiam ler e escrever, este povo antigo só sabiam trabalhar e nada mais, a cultura era coisa que ninguém dava importância, estava bom assim mesmo. O nosso amigo era conhecedor de toda a região, conhecia tudo mesmo; aonde aquelas estradas iam dar fosse longe como fosse, tanto de um lado da forquilha como do outro até alcançarem a cidade que os viajantes procuravam.Já de saco cheio como o sertanejo costuma dizer, uma noite dessas, deitado e conversando com a esposa, teve uma ideia; sabe Maria, vou fazer duas placas grandes, e com letras bem legíveis e colocar uma em cada estrada, com uma seta indicando o nome do lugar que procuram, assim dormirei em paz, chega de ouvir tantas palmas a toda hora, seja dia ou noite. Que bom, respondeu a Maria! Vai dar muito certo, pode crer! Assim fez o nosso amigo com todo o carinho, fincou-as no devido lugar e descansou. Feliz da vida! E por incrível que pareça naquela tarde não apareceu ninguém pedindo informações de nada. Deu a noite, sem novidades, jantou sossegado mesmo, conversou um pouco mais com a Maria e foram dormir numa paz que só vendo! Agora sim! Dizia! Não terei que levantar mais para ninguém! Dormirei como criança pensava ele! Mas o seu sossego durou pouco, imaginem o que esperava o pobre homem que se sentia tão feliz! Esquecera que poucos sabiam ler. Lá pelas tantas da noite ou madrugada não sei ao certo, escutou palmas, acordou meio atordoado de sono, ouviu direito, eram palmas mesmo! Saiu lá fora resmungando de raiva, mas foi! Dois sujeitos perguntaram ao pobre homem: Amigo, o que é que está escrito naquelas placas? Nos não sabemos ler!Quem dormirá com um negocio destes? Só a paciência resolve!

MORAL DO CONTO: QUEM NÃO TEM PACIÊNCIA, NÃO SE SALVA!
CONTOS POPULARES QUE TODOS CONTAM.
LUIZÃO-O-CHAVES          ANASTACIO, MS30/08/2013



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