sábado, 15 de outubro de 2011

Sorte de camioneiro.




Com Pedrinho um ajudante, um dia desses viajemo.
O trucão leva escrito, eu não sei porque viemo.
Tamo duro igual uma sola, o dinheiro nóis gastemo.
Semo feio como encrenca e se qué nóis é assim memo.
Apesar de tudo isso, ai ai. De ninguém inveja temo.

Fumo com carga pesada, prás banda do Rio Pequeno.
Região de serra braba, por lá nóis nunca passemo.
Decidimo aventurar, lugar que não conhecemo.
Nas neblina traiçoeira,  “dourado” nóis acendemo.
Na hora ninguém subia, ai ai. Era só nóis que ia desceno.

Marcha e freio não segurou, serra abaixo descambemo.
Nóis olhando um para o outro, frio da morte percebemo.
Espiamo a pirambeira, o nosso corpo nóis benzemo.
Virgem Santa Milagrosa, São Cristóvão nóis rezemo.
Se por nóis, vóis não oiá, ai ai. Desta vez nóis se lasquemo.

Logo na primeira curva, em linha reta nóis cortemo.
Caímo num tombadô, nessa queda até arriemo.
Fumo os três pará no céu, com São Pedro assim falemo:
_ Meu sinhô recebe nóis, inda agorinha que cheguemo,
Pode os três volta patraiz, ai ai. Prá vocês vaga num temo.

O trucão tá fumegando, do alto nóis enxerguemo.
Os corpo liso sem ranhão, certo é só desmaiemo.
Sacudiram nosso corpo, ligeirinho nóis levantemo.
Igual mocó subir em pedra, o tombador nóis escalemo.
Virgem Santa, São Cristóvão, ai ai. Nossa vida lhes devemo.

A vida tem sua largueza, disto nóis nunca abusemo.
Estar de bem sempre com ela, é isto que pretendemo.
Deste mundo a gente leva só o bem que nóis fizemo.
Sina de camioneiro, podem crer é assim memo.
Um dia a morte fareja ,ai ai. Em outra data renascemo.

Luizão, o Chaves.

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